Pele contenção
Eu vivo o eterno dilema —
o da água parada que não afoga
e o do oceano que engole continentes dentro de mim.
Entre a paz morna do raso
e o terremoto sublime do profundo,
arrasto esta alma faminta
como quem carrega um incêndio nas costelas.
Porque o raso me preserva,
mas me mata lentamente.
E o profundo me destrói,
mas ao menos me faz sentir viva
na violência elétrica de existir.
Então eu oscilo.
Sempre.
Como um prédio condenado que insiste em permanecer de pé
mesmo ouvindo as próprias vigas cederem.
Felicidade plena?
Uma fábula inventada para anestesiar crianças e adultos cansados.
Uma lâmpada barata pendurada no abismo
para fingirmos que há chão.
A verdade é outra:
o ser humano apodrece entre extremos.
Quem sente pouco vira pedra.
Quem sente demais vira incêndio.
E eu —
eu nasci combustível.
Franceline Fogaça










