Gabriela Guerra

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Gabriela Guerra
Carrego a mudança em meu ventre.
A dor de ter que me parir
in - can - sa - veis vezes
e morrer
per - sis - ten - te - men - te.
Para construir, eventualmente
é preciso
destruir.
Não se pode remendar
o que já não se sustenta.
É ter que suportar o peso
da própria existência
que pesa
pesa
pesa.
Acreditar no (im)possível me deixa rouca,
me deixa roxa,
com a cabeça cheia de tombos
e um punho dilacerado
de tanto esmurrar
pontas de faca
na tentativa de prosseguir
viva.
Fera enjaulada,
artista da fome.
Civilizar a fera, aninhar o caos. Cultivar a fonte, fazê-la brotar. Controlar o fogo - não incendiar.
O acaso me protege de minhas distrações. A lucidez me faz beirar o descontrole. O mundo me apavora.
No entanto, quero me embrenhar nele me embebedar dele me (con)fundir.
A esperança me assusta, me faz sonhar. A possibilidade é uma janela aberta para o precipício. Me precipito, não sei parar.
O fado não me deixa a fonte insiste em jorrar o fogo suplica:
quero queimar.
Cartografia de um olhar (de mulher)
A franja desalinhada moldando o rosto,
os olhos castanhos
contornados de preto
a boca lambida
vestida de vermelho.
No canto,
um sorriso ao avesso.
As garras afiadas
passeando em meus cabelos
os dedos entre as frestas -
todas elas
(anseio)
esmiuçar suas tatuagens
que me contam seus segredos
suas cores e seus traços
os rabiscos de seus medos.
Cobiço apreender
o cheiro entre o pescoço e o ombro
e nessa linha tênue,
esquecer
que já nem penso
se posso
pois quero
me perder….
Mapear não é possuir.
É percorrer.
Eduardo Furbino
Praxeologia
Eu gosto de cutucar o que não se deve ser cutucado.
O dedo na ferida, os dedos em seus buracos todos eles, nas suas bocas, sobre seus olhos puxados, no espaço vazio do seu ventrículo, eu cutuco.
Os seus dentes separados, eu cutuco as suas certezas, o seu sono.
Você não dorme pensando em meio às outras pessoas, martelando:
eu gosto das cutucadas dela eu detesto que ela me cutuca tão bem.
O meu carnaval começa quando as luzes se apagam. A festa acaba e eu me refaço. Retiro as máscaras - não é mais preciso fingir. Quando todos vão embora, visto as minhas fantasias. Sozinha, a ilusão não se sustenta. Caio nas armadilhas de minhas verdades equivocadas e imparciais. Não há positivismo, não há filosofia, muito menos astrologia para contornar as percepções. Sou só: eu e minha própria carne pulsante, no abatedouro de meus pensamentos. Carne que se come crua.
Piscis.
Pieces.
Eu sou pôr do sol (desses que a gente para para apreciar) brisa fresca, pestanas baixas, na suspensão daquele que está a passar.
Eu sou a sensação (correndo livre ao brincar) olhando para trás pulsando forte a palpitar.
Eu sou a solitude de um domingo à noite que não se apressa em ficar, o medo de não conseguir tudo aquilo que se deseja ao sonhar.
Eu sou fincada na garganta que insiste em arranhar, o nó no peito, os dias de chuva, o solstício de verão, o medo de recuar.
Eu sou uma vertigem tentando alcançar.
Filha das águas, estou sempre pronta para matar sua sede caso você saiba me acariciar.