• dia internacional do orgulho 🏳️🌈🏳️⚧️

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• dia internacional do orgulho 🏳️🌈🏳️⚧️
Cartografia de um olhar (de mulher)
A franja desalinhada moldando o rosto,
os olhos castanhos
contornados de preto
a boca lambida
vestida de vermelho.
No canto,
um sorriso ao avesso.
As garras afiadas
passeando em meus cabelos
os dedos entre as frestas -
todas elas
(anseio)
esmiuçar suas tatuagens
que me contam seus segredos
suas cores e seus traços
os rabiscos de seus medos.
Cobiço apreender
o cheiro entre o pescoço e o ombro
e nessa linha tênue,
esquecer
que já nem penso
se posso
pois quero
me perder….
Mapear não é possuir.
É percorrer.
Sexualidade não é fase, não é influência, não é escolha. É simplesmente ser. É nascer. E ninguém “pega” isso no ar. Mas o preconceito, esse sim, se ensina, se espalha, se herda. O preconceito nasce da ignorância e cresce no silêncio.
-Minnie Lima
"Orlando". By Andrea Gibson. The poem calls to attention the massacre at Pulse club that left 50 people dead, on June 12, 2016, simply because they dared to exist.
On the day June 28, 1969, 51 yeas ago, Stonewall happened. The rebellion on a bar frequented by gay, lesbians, trans and people of color. A rebellion against police brutality and the death of the the LGBTQIA+. That was one of the sparks that lead to the same types of mivements worldwide. That's why we celebrate Pride Day today all over the world.
In Brazil, to be proud means to be afraid. It's one the country that kills most LGBTQIA+ people in the world. According to GGB (Grupo Gay da Bahia) one of us die every 19 hours. On the first 115 days of 2020, there were 145 confirmed deaths due to hate crimes against LGBTQIA+ people alone. Most of them happened inside their homes or in work environment.
The Brazilian Supreme Court made LGBTQIA+ phobia a crime. However that brought little change to the scenery. That's because a system that really supports and protects our people doesn't exist.
According to a datapull made by the Folha de S. Paulo newspaper (one of the biggest papers in the country), the violence reports actually increased. As if we were invisible to the constitutional rights.
Yes, things do change and get better with time. However those changes come way too slowly for the people dying because they want the right to exist.
For the LGBTQIA+ community to be alive is a an act of resistence. And the days of Pride are also the days when we are remembered even more about how much and how many we have to grief.
• dia internacional do orgulho 🏳️🌈🏳️⚧️
• dia internacional do orgulho 🏳️🌈🏳️⚧️
O orgulho não é vaidade. É sobrevivência. É gritar que estamos aqui, que existimos, que merecemos amor, respeito e liberdade. O mundo precisa de cura, mas quem carrega amor dentro de si nunca foi a doença.
-Minnie Lima
Não existem verdades absolutas. Mas existe algo que eu acredito com força: ninguém escolhe quem ama. Ninguém escolhe nascer como é. E, ainda assim, tantas pessoas passam a vida tentando sobreviver a esse ‘erro’ que só existe nos olhos dos outros.
A sociedade aprendeu a apontar o dedo bem antes de aprender a estender a mão. Enquanto acoberta crimes de homens ditos ‘de bem’, condena quem só quer viver e amar em paz. A religião, que deveria acolher, virou ferramenta de exclusão.
Se Jesus voltasse hoje, estaria ao lado dos rejeitados. E talvez dissesse, de novo: "atirem a primeira pedra". Porque ele nunca rejeitou quem ama, ele rejeitou quem odeia fingindo agir em nome de Deus.
Quantos ainda vivem como se fossem um erro a ser escondido? Quantos ainda morrem no corpo, na alma, na esperança, por simplesmente serem quem são?
O orgulho não é vaidade. É sobrevivência. É gritar que estamos aqui, que merecemos viver com dignidade e amor. O mundo precisa de cura, e quem carrega amor dentro de si nunca foi a doença.
Toda forma de amor vale a pena. Toda forma de amor merece o mundo.
A Bíblia virou arma na mão de quem não aprendeu a amar. Dizem que só Deus pode julgar, mas são os próprios que apontam, expulsam, condenam. Deus virou desculpa para a falta de compaixão. E se Jesus voltasse, seria preso pelos que se dizem cristãos.
O julgamento começa cedo. Muitas vezes dentro de casa: no olhar de reprovação, no silêncio que corta. Dizem que amam, mas colocam condições. E quem ama com condições não ama. A palavra ‘aceito’ nem deveria existir, a gente nasce pra ser amado.
Eles dizem defender a família, mas batem em casa. Dizem combater o pecado, mas vivem mergulhados nele. Acobertam estupradores e assassinos, desde que arrependidos, mas não perdoam quem ama.
O orgulho é o que sobra quando a dor não nos mata. É o que floresce quando, apesar do ódio, a gente insiste em existir. Ser LGBTQIA+ não é pecado. É potência. É cor num mundo que tenta nos pintar de cinza.
Falam como se fosse doença. Como se fosse algo que se pega ou se cura. Dizem que é fase, que oração resolve, que médico conserta. Mas ninguém diz isso a alguém que nasceu sem um braço. Sexualidade não é fase. Não é escolha. É simplesmente ser.
Há pais que preferem um filho morto a um filho feliz. Mães que acreditam mais no pastor do que no choro do filho. Tias que afastam sobrinhos como se o amor contaminasse. O que contamina, de fato, é o preconceito e ele começa dentro de casa.
No passado, pessoas morriam por amar. Hoje ainda morrem. A diferença é que agora, muitas vezes, o ódio veste terno, fala em nome de Deus e se esconde atrás de um voto por "bons costumes".
O mundo finge que mudou. Mas ainda há países em que ser LGBTQIA+ é crime. Ainda há pais que batem. Ainda há adolescentes que se matam por serem rejeitados.
Entre marchas, beijos proibidos e luto, conseguimos direitos básicos, migalhas. Olha que miséria: ter que lutar pra existir.
Isso não é evolução. É resistência. E ninguém deveria ter que resistir pra viver em paz.
É cruel viver se reprimindo, tentando agradar quem vai virar as costas no primeiro tropeço. E tudo por medo: medo de ser excluído, abandonado, não amado.
É triste demais pensar que tanta gente vive tentando agradar quem não a ama. E enquanto isso, milhares se torturam, se negam, se destroem quando tudo que deveriam fazer era se abraçar.
A gente só tem uma vida. Uma única chance. E não faz sentido desperdiçá-la tentando caber no molde dos outros.
Você veio ao mundo pra viver. Inteiro. Livre. Orgulhoso. Não é sua obrigação se moldar, se explicar, se encolher. Sua única obrigação é viver com verdade. Amar quem você ama. Sentir orgulho do seu corpo, da sua história, da sua essência.
Não deixe que a ignorância dos outros apague sua luz. Você não é um erro. Você é legítimo.
As pessoas adoram se meter na vida alheia. Mas a vida do outro não é da sua conta. A única coisa que deveria importar é se existe amor e o amor é uma linguagem que até os animais conhecem.
Amor é amor. E todo mundo merece amar e ser amado sem medo.
Aceitação não é favor. É respeito. É reconhecer que o outro tem o direito de existir como é.
A luta LGBTQIA+ não é por privilégios. É por sobrevivência. Por não morrer por viver.
Por isso o Dia do Orgulho importa. Não é festa. É memória. Resistência. Grito: "Você é bem-vindo. Você é válido. Você é amor.”
E que esse grito ecoe até que nenhuma criança se esconda com medo. Até que nenhuma mãe rejeite o filho. Até que ninguém mais precise morrer por ser quem é.
Você tem direito de viver. De amar. De sorrir. De dançar. De chorar. De ser você, sem desculpas.
Não se esconda pra caber no molde dos outros. Não apague sua luz pra não incomodar. Essa vida é sua. Primeira e última chance. Viva. Ame. Orgulhe-se.
Não só em junho. Mas em todos os dias que te restam.
-Minnie Lima