Mais um conto sobre gente cinza (série Funestos)
Ela sorria tanto! Mas que dia feliz, esse. Ele a pediu em casamento logo pela manhã, com aquele olhar de inocente que só ele tinha. Ela fez que sim meio que chorando, meio que rindo.
Sua manhã tinha tudo pra ser tão normal quanto todas as outras, mas a felicidade que sentia fazia com que tudo fosse perfeito, tão perfeito quanto o momento que vivia: sucesso profissional, um relacionamento com o qual qualquer mulher sonha a vida inteira, sua casa, seu carro, sua família. Nada poderia abalar tal alegria.
Marcou um almoço com seu amado, às 13h no seu restaurante preferido. Não podia esperar até o jantar para lhe dizer o quão bem estava com o pedido de “Até que a morte nos separe”. Planejava já uma viagem no fim de semana, a escolha do vestido segunda-feira, a escolha do buffet, da lua de mel...
Ela sorria pra tudo e pra todos. Sorriu até pro carro que tirou sua vida.
Oras, sem traumatismo craniano, o caixão ficou aberto.
Todos viam que por mais que não sorrisse naquele momento, ela morreu feliz. Não que ela quisesse morrer, mas estava tão feliz que nem se deu conta da morte instantânea.
O pobre do noivo estava pálido, chocado, sem expressão nomeável. Ele só estava lá, como parte da decoração, seu corpo ornamentava o caixão ocupado pela sua querida ex-futura-noiva. Se os colocasse deitados lado a lado, não se saberia qual deles fora atropelado.
Eles ainda formam um belo casal.