You're not the only one || @Harner
A cabeça de Harper estava mais confusa que um ninho de gatos e ninguém melhor para arrumar tudo aquilo que Gabrielle. A pequena menina que parecia ter o superpoder de colocar a vida do menino na mais perfeita ordem. Esse era um dos motivos que certificavam que, de jeito algum, ela poderia sair de sua vida. O menino ficaria ainda mais confuso e completamente fora do eixo. Ainda assim, não sabia se a contaria sobre Rhea. Não parecia certo contar, tinha prometido que aquele seria um segredo exclusivamente deles, entretanto, também não parecia certo esconder aquilo da única pessoa que sabia melhor da vida de Isaac que ele mesmo. O seu caso com a loira mais rebelde não estava muito bem desenvolvida, na verdade, não sabia ainda no que aquilo resultaria, mesmo assim, era um segredo. Um segredo que a garota ficaria extremamente brava se soubesse que alguém além dos mesmos estava a par. Estava num dilema que não sabia como resolver, definitivamente não, mas teria de arranjar um jeito e bem, não poderia demorar muito mais que dez minutos.
Gabrielle o convocou para conversar. Isso não era tão anormal quanto parecia, os dois conversavam o tempo inteiro em todos os lugares que se encontravam, nem que fosse na aula. Isaac conseguia transformar a ótima aluna que a menina era naquela que mais conversa. Não ligava muito pra isso, além de que a culpa seria dada inteira a ele logo que o professor sentisse incomodado e bem, isso era mais comum que deveria ser. O garoto não poderia conter suas falações por aí. Ao contrário de grande parte da população masculina, preferia falar a ouvir. Talvez fosse um grande defeito do menino, mas poderia encaixar na personalidade de alguém eventualmente.
Pegou as chaves do carro e foi para a casa da menina. A mesma que passou grande parte de sua infância infernizando a vida do Senhor e Senhora Turner. Aprontou muitas por ali. Ele, Chris e Gabi, o mais famoso trio da vizinhança. Famoso por destruir, ensurdecer e atrapalhar a tranquilidade alheia, feitos os quais o garoto não se arrepende. Tinha boas memórias de quando era um pequeno menino, mesmo que sua mãe e bem, até mesmo seu pai não estivessem presentes nela. Odiava aquele sentimento de falta, aquela qual só poderia ser preenchida por eles, mesmo quando tentava convencer a si mesmo que não precisava deles. Todas as vezes que esses pensamentos ousavam perturbar a cabeça do loiro, afastava-os o mais rápido que conseguisse e assim o fez, enquanto dirigia. Logo que chegou, gritou um "Olá" para o Senhor Turner, quem admirava bastante. Pediu-o para que chamasse a filha, motivo principal de sua presença ali. O homem já estava muito mais que acostumado com a irreverência do menino, mas não poderia culpá-lo, já que a singela educação que tinha era fruto de sua amizade com uma loirinha de um metro e meio com cabelos cacheados.