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eu gosto tanto desse lugar do mesmo jeito que eu gosto de chocolate (e eu gosto muito de chocolate). eu gosto desse lugar como eu gosto do seu abraço. eu gosto do seu abraço como eu gosto de você.
mentira.
eu amo você. e sempre vou amar. mesmo que você não esteja mais aqui, nesse mundo. eu amei e sempre vou amar quando você passava em casa as sete manhã e trazia pães pra gente tomar café da manhã juntos. quando você me abraçava e quando eu te chamava de papi. eu te amo tanto como antes, tanto como sempre vou amar.
eu amo o fato de você me mostrar o amor de pai. e cada janta que a gente fazia. e cada domingo que você passava aqui. eu amo tudo que você fez por mim, e sonho em um dia retribuir tudo isso. todo esse amor, todo esse carinho. cada abraço, cada demonstração de afeto.
hoje você é um anjo, e não sei se você vai ler isso, mas mesmo que não leia, você sempre soube desse amor. eu te amo, e esse amor ultrapassa o plano terrestre.
-helo lins
eu só coloquei a taça de vinho no chão e me joguei no sofá como alguém que teve um dia extremamente cansativo e se encontrava exausta. o volume do som estava alto, de propósito. eu queria que a música fosse mais alta que meus pensamentos. idiota, quem é que acredita que isso é possível? quanto mais eu aumentava a música, mais minha cabeça gritava e implorava que eu parasse e a ouvisse. merda. eu só queria ficar em silêncio. queria que minha cabeça ficasse em silêncio, não só meu corpo.
eu a ouvi, ouvi bem. sentei, chorei. depois ri. não sei se o efeito do vinho havia passado, e a realidade tinha me dado um alô, ou se parar pra ouvir a mim mesma tinha me acordado. acho que foi a segunda opção, talvez não, talvez eu nunca saiba. eu sei que minha alma se aliviou, e eu percebi que guardar os sentimentos não me levava a nada, que uma hora eles explodem, sem pensar nas consequências, sem pensar no depois. eles simplesmente chegam ao limite e explodem. depois que percebi (e aceitei) isso, eu parei de tentar silenciar a mim mesma, eu me permiti sentir, eu me permiti chorar, sorrrir, gritar... as brigas comigo mesma se tornaram menos constantes, eu me entendia e me permitia, e, meu deus, foi libertador.
-helo lins
acho tão aconchegante e, ao mesmo tempo, angustiante olhar de longe, de cima, e perceber quão pequeno somos. não somos nada perante à todo o universo. infímos. isso soa desesperador em certos quesitos. parece que tudo que fazemos e passamos é tão irrelevante. parece que todo nosso sentimento, todo nosso sofrimento e também nossa alegria, que tudo isso não é nada.
ao mesmo tempo soa reconfortante, é estranho, e louco.
a gente para pra pensar no que está acontecendo em casa luz acesa, cada rua, cada casa. cada um seguindo sua vida, uns choram, outros riem. uns trabalham, outros de férias, alguns viajando.
cada um é diferente. totalmente diferente. não cabe a nós julgar ninguém. ninguém sabe o que o outro passa. eu tô aqui observando, quantas outras pessoas também estão fazendo o mesmo, de outros lugares, outras cidades, países. quem sabe até planetas?
é mais uma noite de verão. a chuva tá caindo. ouço o barulho de avião enquanto escrevo.
mais uma noite quente, e mais perguntas sem respostas. mais pensamentos. mas afinal, é isso que nós mantém vivos. se todas as nossas perguntas fossem respondidas, se todas as dúvidas se tornassem certezas, de que se alimentariam nossos delírios? nossa filosofia? é isso que nos mantém vivos, as dúvidas, incertezas e também, a esperança.
-helo lins
cê acha romântico ficar indo e vindo né? porque não tem outra explicação pra essa tua indecisão. ou, na verdade, é medo? é falta de opinião própria, é medo das pessoas, é insegurança, não é? não é possível que você ache romântico isso. não tem como romantizar suas idas e vindas que só fodem com minha cabeça. não dá.
você volta e diz que tudo vai mudar, me faz lutar contra tudo e todos pra te ter por perto pra logo depois, ir embora. cê sempre soube que pediria desculpa, e eu aceitaria né? é sempre o mesmo papinho. diz que vai mudar, vai ser diferente. ah, me poupe. me poupe desses dramas desnecessários, agora quem mudou fui eu. agora eu tenho prioridade na minha vida, agora ela não gira mais em torno de te esperar. a partir de hoje quem é protagonista nesse filme sou eu, não você. você nunca deveria ter sido. mas por mais clichê que pareça, nada acontece por acaso. obrigada por me fazer passar por tudo isso, porque agora, antes de pensar em amar alguém, vou lembrar de amar a mim mesma sempre em primeiro lugar.
eu só queria agradecer por cada sorriso
e por cada momento
cada lembrança que vou guardar como uma criança guarda um brinquedo novo
de um jeito que não deixa que ninguém roube aquilo dela
de um jeito que, pelo menos por um momento, aquilo era o mais importante
obrigada por me fazer crescer
e enxergar o mundo de outra forma
mas obrigada também por cada lágrima
cada noite chorando até pegar no sono
cada tombo que me fez levar
isso me fez crescer
amadurecer
e ser quem sou hoje
obrigada pelos momentos bons
e pelos ruins também
hoje sou o que sou, por tudo que vivi
e não me arrependo de nada
(e se tem uma coisa que eu acredito
é que nada é por acaso)
-helô lins
você me fez querer de novo algo que eu poderia jurar que não queria mais
você me fez sentir como se ninguém nunca tivesse me decepcionado
e como se fosse fácil se apaixonar
você me fez sentir de novo aquilo que eu nem lembrava mais com era sentir
me fez te querer
você fez alguém que quase jurou nunca mais se apaixonar, sentir alguma coisa
agora estamos aqui, você de um lado, eu do outro
apenas sendo quem somos
um fugindo do outro, com medo do próprio futuro
quando lembrar de mim, me liga, manda uma mensagem
e quando tocar aquela música, daquela banda na rádio
lembra que eu que te mostrei
e quando olhar pro céu, e ver a lua minguante
lembra da gente deitado na grama, falando sobre o infinito
mas lembra, não fica com medo
as lembranças boas a gente guarda num cantinho especial do peito
pra não esquecer
(nunca mais...)
-helô lins