Não sei por que onde começar. Quer dizer, até que sei. Mas é tanta coisa, e eu não sei como resumiu tudo.
– Você não precisa resumir tudo. Por que não por como você esta se sentido hoje?
Neste exato momento?
– Neste exato momento.
Este exato momento, me sinto perdida, eu acho. Meio vazia.
– Vazia como?
Simplesmente vazia. Simplesmente nada. Não me importa mais.
– Com o quê?(…)Com tudo. Com a escola. Com as pessoas da minha escola.
– E os seus amigos?
O senhor terá de definir o que são amigos se quiser uma resposta para essa pergunta.
– Não me diga que você não tem amigos, Hannah. Eu vejo você pelos corredores.
É serio, eu preciso de uma definição. Como a gente sabe que é um amigo?
– Alguém com quem você pode contar, quando…
Então, eu não tenho nenhum. É por isso que estou aqui, não é? Estou contando com o senhor.
– Sim. Você esta. E fico contente que esteja aqui, Hannah.(…)– Mas uma vez, estou contente que esteja aqui, Hannah. Então, me diga, quando você sair dessa sala, de que maneira gostaria que as coisas fossem diferentes?
O senhor está querendo saber como me ajudar?
– Sim.
Acho que… eu não sei. Não sei ao certo o que esperar.
– Bem, o que você precisa, neste exato momento, que não está conseguindo ter? Vamos começar por isso.
Preciso que a coisa pare.
– O que precisa parar?
Preciso que tudo pare. As pessoas. A vida(…)– Hannah, você tem noção do que acaba de dizer?(…)– Você disse que quer que a vida pare, Hannah. A sua vida?
Nenhuma resposta.
Eu sei. São mesmo. Sinto muito.(…)Eu não quero que minha vida acabe. É por isso que estou aqui.
– Então, o que aconteceu, Hannah? Como foi que nós chegamos a esse ponto?
Nós? Ou como foi que eu cheguei a esse ponto?
– Você, Hannah. Como foi que você chegou a esse ponto? Sei que não dá pra resumi tudo. É um efeito bola de neve, estou certo?(…)– É uma coisa em cima da outra. Coisas demais, não?
É difícil demais.
– A vida?
Outra pausa.