Rápido, mas não tanto. - Allegro, ma non troppo
O toque enfático na corda
debrida o arco em consistência,
como ritmado gesto contido
na vasta experiência em que possa-o fazer
clamar um romance e a um só tempo,
enfatizar toda uma cultura melódica
transcendendo a persona e trespassando
toda uma miríade de sentimentos humanos
congregando em um lamento a história
e em redento meio sonoro abstrair toda
uma nação que se enseja como unidade
através de toda a diversidade de problemas individuais
que se identificam no tema amplamente ressonado
em artificiosos metais se unindo às harmonias
de cordas graves, agudas e médias
e contam de repente um segredo agudo, piano
tão piano que parece um sussurro
tão agudo que parece um choro
sobre a indisponibilidade da vida
para o sonho humano de realizar a perfeição
e então, um grave solo adverte a impotência
e a finitude dos meios humanos
de chegar à Divindade, senão por confidência e louvor
louvor esse que ressoa nas madeiras já centenárias
e que empossam júbilo ao Eterno em detrimento
da finitude humana, como anjos a cantar
uma glória divina num recanto abobadado
onde ecoam suas harmonias celestiais
o humano chora, o humano silencia
e mais um solo grave vai se perfazendo
em expios agudos o vórtice da seara divina,
e choram as almas de madeira,
e no entanto recorrem ao Alto, forte, resolutas.
enquanto as feituras do metal lhe dissolvem o ímpeto
e o solo torna-se melodioso de um dia claro
enquanto o corpo sonoro restante dá-lhe elementos
para se conscientizar daquela mesma finitude, e no entanto,
desta pureza do dia que renasce sempre.
o solo chora em agudo de aceitação
e começa a filosofar sobre a imensidão
terminando numa grave conclusão
retorna a aguda aceitação
¹’Allegro, ma non troppo’, refere-se o poema, entremeando-se ao corpo poético, a interpretação em vídeo de Julia Fischer (orquestra Tonhale de Zurique; regência de David Zinman) ao primeiro movimento do concerto para violino em lá menor de Antonin Dvorak.














