Sobre cada dia acordar um pouco mais.
É deveras lindo quando a gente consegue reencontrar algo em nós que foi guardado há tanto tempo que nem nos lembrávamos mais sobre como é isso. Me parece estranho, mas é justamente com o começo do outono que estou a sentir as brumas leves do verão em seus dias agradáveis. Cultivei o hábito de admirar e cultivar os vazios que existem em mim e em meu torno. Só se assusta com esse vazio interno quem não consegue notar e aproveitar do quanto esses são terrenos férteis. Viemos do vazio, somos filhos de algo que chamamos disso, mas unicamente por se tratar de uma lei desconhecida. "há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à lei". E bem, existem furacões que destroem muita coisa por onde passam e vão perdendo a força até se tornarem uma brisa leve de fim de tarde na praia. A questão, é que leva tempo, e o tempo tudo leva. Quem me dera se eu tivesse a dádiva de ter a visão sobre esses assuntos há 5 anos atrás, e sou grato por notá-los por hoje e aspiro para que ao decorrer desse curto prazo (e lindo) que chamamos de vida, outras tantas visões sejam compreendidas. Que eu tenha paciência comigo mesmo para continuar seguindo a minha própria música que toca sempre que o silêncio se torna meu lugar preferido de estar. Todos os paradoxos serão reconciliados, existe beleza em tudo que seja digno de ser notado. O coração acalma quando percebe que não existe nada mais belo do que o ato de ser estar sendo. Acordo todos os dias como se os dias anteriores tivessem sidos sonhos. Durmo todas as noites sabendo que um dia eu não vou mais sonhar, mas enquanto possível os sonhos serão meus melhores amigos e os guias para que em cada "acordar" eu esteja mais conectado com as novas realidades que se criam em cada rumo que a vida semeia ao passo que respiramos. Já dei real valor a muita coisa chamando-a de amor, já ignorei muita coisa e deixei que outras tantas passassem pelo simples medo. Medo. Nosso maior incentivador, não deveria ser visto como o inimigo que costumamos o tratar.
Que as brumas leves soprem bem de dentro para onde a alma achar sentir ser o seu caminho, e que eu possa perceber o desabrochar de cada estação em sua potência máxima, pois são necessários tanto o sol como a chuva, a noite como o dia, outono e primavera, entre verões e invernos, e que principalmente eu consiga aprender toda vez que olhar para meu relicário interno de vivências e associar com o presente, como uma forma de presente pra mim mesmo em lidar com mais astúcia e atenção. Isso é sobre me permitir muito além do que qualquer outro texto fale sobre o processo de se descobrir, enfim...









