Julio Flores: o trotskista incompreendido
O professor de matemática Júlio Flores do PSTU tem marca garantida nas eleições da cidade de Porto Alegre. É quase um símbolo presente pelos seus ditames marxianos, que rompe com qualquer forma burguesa de ditar a cidade para a construção do socialismo.
De todos os partidos que o Brasil tem registrado, o PSTU desde a sua criação do rompimento com o PT, em meados de 1992, mantém a sua luta revolucionária creditada no poder pelo e para o povo, embasando seu combate pela criação de conselhos populares, onde sejam os mais pobres e não os empresários que governam, de fato. Assim, as formas políticas estariam sendo debatidas em assembleias pelos trabalhadores, seja nas fábricas, nas escolas, nos bancos, na periferia e no campo em uma revolução urbana nas cidades de forma profunda e radical.
Com críticas à burocracia Estatal e autoritária do que se construiu na URSS de Stálin, os integrantes que construíram o PSTU levam o legado de León Trostky na tentativa de dar voz aos poderes populares de maneira horizontal e descentralizada. Diversas diferentes correntes surgiram no decorrer do século XX e a maior influência que surgiu no país, foi pelo líder revolucionário argentino, Nahuel Moreno, dirigente da IV Internacional que ainda se mantém como reivindicação em diversas representatividades estudantis e em seus diferentes conselhos populares.
Pela décima vez como candidato a alguma eleição, as críticas de Julio Flores já são conhecidas e bastante pertinentes ao tomar por relevante o fato de que os territórios são comandados pela especulação imobiliária e bancos em redes de crédito, onde as propriedades acabam por ser limitadas a poucos poderosos. Entretanto, seu sectarismo radical levanta bandeiras em que se posiciona como contrário a tudo e a todos. No processo de impeachment contra Dilma, por exemplo, era a favor de derrubá-la, junto de Temer, Maia e Calheiros, escancarando uma crítica a falta de democracia diante dos conluios sempre recorrentes na política comandada pela burguesia. Por isso, vários de seus integrantes que realmente pretendem chegar ao poder já saíram do PSTU e lançaram-se em outras correntes de partidos como o PSOL, creditando outras formas para se adentrar na política.
Não é o caso de Julio Flores que se mantém no partido. Além do mais, é importante ressaltar que a vice da chapa é a servidora aposentada da UFRGS, Vera Rosane. É a única candidata mulher negra ao cargo executivo demonstrando essa preocupação de opressões entre às trabalhadoras em sua amplitude à serviços da exploração capitalista que condiciona a precariedade de muitos. As medidas concretas para combater as descriminações vão desde a suspensão da dívida pública com auditoria, rever as atuais alíquotas para penalizar as maiores rendas além de fazer valer leis que garantam direitos aos trabalhadores negros e negras, indígenas, LGBTs e mulheres. E dessa forma, valem-se de sua luta de classes nos diferentes locus, seja no país ou na cidade, na pretensão de unirem-se contra a exploração capitalista.
Próximo candidato será Luiz Delvair
Obs: Essa é uma análise independente cujas informações foram adquiridas pelas páginas oficiais e entrevistas do candidato.
@luizhapollo

















