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Já era quase meio dia quando o loiro decidiu parar de fingir que estava dormindo e se levantou ainda cheio de preguiça. Um banho rápido e a típica penteada com os dedos nos cabelos agora compridos foram o suficiente para que Lucas estivesse pronto para sair do dormitório. No caminho, pegou seu violão e arrumou os tênis nos pés. Passou depressa pela sala comunal e fez um desvio pelas cozinhas do castelo para beliscar alguma coisa, já que preferira trocar o almoço por mais tempo descansando em sua cama. Era maravilhoso ser da Lufa-Lufa!
O rapaz foi direto até o Pátio de Transfiguração para encontrar seu melhor amigo. Rufo já estava sentado sobre um grande pedaço de tecido sobre a grama. Apesar de ter crescido bastante, o garoto ainda parecia pequeno. Vez ou outra, o lufano se perguntava o porquê de seu melhor amigo ser aquele garoto tão diferente dele, mas logo a resposta vinha: não havia ninguém no mundo em que Lucas confiasse mais do que Rufo.
"Fala, Rufinho!" Lucas se aproximou do primo com seu habitual jeito despojado e baguncou os cabelos do menor como sempre fazia. O outro, em contrapartida, geralmente retribuía com leve sorriso de aprovação.
Ambos os jovens esbanjavam empolgação mesmo mostrando completa exaustão em suas faces. As noites de lua cheia não eram fáceis para um jovem licantropo. E desde que Rufo adquirira maturidade, habilidade e força para lidar com a maldição do primo, os dois vinham tendo tempos difíceis durante as transformações.
"Ah, mano! Eu tô com zero vontade de ficar a tarde toda estudando poções..." Lucas falou já deitado com a cabeça perto da pilha de livros que o primo levara. As notas do loiro na disciplina ensinada por sua madrinha Lillith não estavam das melhores e, desde que sua relação com Jhessy se tornara estranha, ele não tinha mais uma aba para ficar durante as aulas, logo Rufo, que estava num ano letivo anterior, assumira a tarefa de tutorar o mais velho.
O intuito daquele encontro não era, todavia, apenas ajudar o lufano a melhorar as notas em Poções, também era para que os dois aprendessem o máximo possível de poções e soros que os ajudassem a abrandar os efeitos da licantropia e fazer com que eles tivessem mais chances de sobreviver às transformações. "Rufo, cê sabe que não precisa fazer nada disso..." Lucas começou a falar, mas Rufo o interrompeu com um olhar sério de reprimenda.
"Do you hear me? I'm talking to you..." O lufano começou a cantarolar já dedilhando a melodia em seu violão. "Across the water, across the deep blue ocean, under the open sky, oh my, baby, I'm trying..." O loiro foi se empolgando e aumentando o volume da voz de leve. "Lucas, a gente precisa focar em..." Rufo começou a argumentar, mas o maior não deixou. "Boy, I hear you, in my dreams. I feel you whisper across the sea. I keep you with me, in my heart. You make it easy, oh, when life gets hard..."
"LUCAS!" Rufo exclamou pondo a mão nas cordas do violão para fazer o primo parar. Lucas esboçou uma expressão de surpresa, mas logo deixou um sorriso sair. "Tá okay, Rufinho. Parei já." O mais velho disse enquanto trocava o violão por um dos livros que ali estava.
...
Depois de algum tempo que pareceu uma eternidade para o lufano, seu primo mais jovem mostrou uma expressão de empolgação. "Lucas, olha essa poção..." Rufo falou antes de abaixar o livro e olhar para o amigo, que estava deitado, dormindo, com um livro aberto sobre o rosto. Rufo apenas sorriu e voltou a ler.
O amanhecer já começava quando o garoto levantava o copo para ingerir a última gota de scotch. No iPod, o título da playlist do Spotify era 'crying myself to sleep'. Num canto qualquer da extravagante sacada, um montinho de vidro, restos dos copos que o menino quebrara em acessos de fúria. Em outro lugar do cômodo, umas cinzas, já bagunçadas pelo vento, de memórias incineradas pelo rapaz atormentado. A considerável quantidade de garrafas vazias de várias bebidas alcoólicas repousava quieta e dois ou três frascos de fortes antidepressivos permaneciam intocados numa mesinha ao lado da confortável poltrona que o garoto usava desde o fim de tarde do dia anterior. Calor não existia na manhã fria de Manhattan, tampouco na alma de Eckl.
Ele não sabia como prosseguir. Ele não queria. Mas com Danika isolada na Alemanha desde o ano anterior e Edgar sem dar nenhuma notícia há semanas, todos os negócios e fortuna da família e a carga social do sobrenome Morteri repousavam pesados nos ombros do "gêmeo bom". Porém o garoto estava perdido, sem esperança e desesperado.
Os espectadores da vida do jovem achavam que a completude da existência dele e de seus irmãos se resumia a glamour e às mais lendárias festas que a elite norte-americana já tivera registro. Não que isso fosse total inverdade, todavia os bastidores eram feios, sujos e o drama que permeava o trio de herdeiros fazia com que tudo fosse o mais problemático possível. E era nesse oceano de desespero e problemas que Eckl se encontrava.
Com a luz solar já incomodando a branca pele do menino, ele pegou o celular em um dos bolsos do grosso agasalho Gucci que usava e viu onze chamadas perdidas. Nenhuma de Edgar ou Danika, nenhuma de Samira ou Rachel ou de qualquer outra pessoa. Todas vindas da única outra pessoa que talvez entendesse o desespero do rapaz. Todas as onze chamadas perdidas vindas de Emi.
Emily Von Helling sempre foi o ponto fraco de Eckl e ele nunca soube como rejeitar a garota de nenhuma maneira. Por isso, quando viu as chamadas perdidas, seu coração acelerou a ponto de os batimentos serem sentidos com força em suas têmporas. Suor frio e um leve tremor abraçaram o corpo do moço e um súbito mal estar surgiu. Emily era como um vício do qual Eckl nunca conseguiria se libertar.
Ela era a pessoa responsável por grande parte das tristezas dele e certamente era a pessoa menos indicada para fazer companhia ao garoto naquele momento, entretanto não havia braços e abraços que ele ansiava mais. Talvez ela fosse a única capaz de domar a fera depressiva que habitava aquele homem. A vontade de atirar o celular para longe em direção ao horizonte de New York foi avassaladora, mas a fraqueza emocional dele foi maior e ele acabou por digitar os números que ele conhecia melhor do que a si próprio...
Os batimentos do coração dele sincronizaram com os toques da chamada ainda não respondida até que a doce é preocupada voz de Emily foi ouvida do outro lado.
"Oi, Emi..."
---Karlor
🤷🏽♂️
Nem conte seus porquês
Nada é de saber
E tudo pode ser
Muito pra falar
Com pouca paciência
Outros, sem querer
Num dia, sem temer
Tudo e um pouco
Escondidos de alguém
Segredados no porão
Estocados e intocados
Usurpados do passado
Soando na distância
Puro intelecto
Orquestrado,
Regulado,
Quase imediato
Usado
Entendimento antigo
Sacro final
-----Karlor
“We were just like, ‘You. My friend. Now...’” -Taylor on her & Karlie's first meeting backstage of the 2013 Victoria's Secret Fashion Show