A poesia desintegrou-se nas extremidades do real e o imaginário.
Quando o mundo de olhos fechados torna-se mais coerente ao que se busca nas pupilas dilatadas.
O mundo, irremediavelmente, se perde nas sombras, e o destino dedilha caminhos tortos aceitos por trás de sorrisos de artes cênicas.
Centralizada no palco, eu era apenas a protagonista com a alma farpada.
Escondendo-se, por detrás de uma pianista e uma bailarina emoldurada.
Sobretudo, assumir uma vida teatral significa silenciar o ecoar das palavras.
Sinônimo de que vazio está perto da alma e traz para casa a monotonia do espetáculo.
A voz trêmula assume os acordes da trilha sonora, porém afeto inexistia nas notas.
Assim, o canto do ângelus torna-se incapaz de abrir os portões dos céus.
E ao subir na ponta dos pés e rodopiar senti que não seria capaz de voar, pois as nuvens estavam exorbitantemente longe das pontas dos meus dedos e os sonhos quase inalcançáveis.
Outrora, ao me desfazer da máscara de face preta e branca interpretei na vida real uma tragédia cômica.
A mentira me condenou as trevas.
E os ossos atrofiavam enquanto escondia-me em baixo da cama.
A corrida contra o tempo retrocedia os movimentos.
E um buraco negro cresceu em mim.
Aspirei a poeira da poesia.
E esqueci-me de assoprar as estrelas de volta à cosmos.
Se eu me virasse do avesso declinaria pra dentro do buraco negro?
Quem poderia alcançar o âmago das trovoadas quando meu coração descarrega eletricidade a cada batimento cardíaco.
A dúvida me perseguia ao vislumbrar o caminho das consequências.
Abrir um zíper nas costas e lutar como uma guerreira de asas negras até a última gota do veneno, ou fechar os olhos diante de um cenário de destroços e me deixar envolver por um anjo até finalmente reduzir às cinzas?