A sala do Mouco tem-se feito ouvir e a vitalidade musical tem sido cada vez mais interessante e consistente. Desta vez, coube aos portuenses Madmess juntamente com os norte-americanos Elder levarem o rock ao Mouco e foi tão bom, que até o mouco conseguiu ouvir bem!
Ciclo Aspirina apresentou Madmess e os Amaterazu no Maus Hábitos | Reportagem Fotográfica
Sam Paio dos Madmess | mais fotos clicar aqui
O louco verão dos Madmess teve o seu epílogo na passada noite de quinta-feira, dia 19 de setembro, com um concerto no Maus Hábitos do Porto. Foi uma atuação a contar para o ciclo Aspirina e neste evento houve ainda também outra performance, a dos Amaterazu.
O trio Madmess composto pelo guitarrista Sam Paio, por Pedro Cruz na bateria e pelo baixista Vasco Vasconcelos percorreu a Europa entre os passados dias 11 de julho e 31 de agosto. Espanha, França, Itália, Alemanha e Reino Unido foram os países visitados e de todas as atuações há que destacar as presenças nos festivais Krach Am Bach em território alemão e o nosso lusitano SonicBlast Fest cuja reportagem pode ser lida aqui. O encerramento da tournée teve lugar em Lousada no Inferno das Febras no último dia do mês de agosto.
Atuação muito energética dos Madmess, mesmo de nível elevado. Terminaram com um dos seus temas principais, nomeadamente, com "Stargazer". Sam Paio, o guitarrista deste trio portuense, exibiu-se no seu estilo particular. Fez lembrar o norte-americano Stevie Ray Vaughn, ele também um guitarrista se bem que ligado a um estilo musical completamente diferente. Moral da história: neste estilo rock psicadélico fica-lhe extremamente bem.
Pedro Cruz dos Madmess | mais fotos clicar aqui
Estes Madmess são oriundos de Portugal, mais especificamente do Porto, porém passaram por Londres para poderem expandir o seu raio de influência. O seu percurso iniciou-se no decurso do ano de 2017. Regressaram a solo luso devido ao Brexit e à pandemia. Eles que têm uma paisagem sonora pintada entre o stoner e o krautrock mais antigo.
Os álbuns ‘Rebirth’ de 2021 (com 5 faixas) e ‘Madmess’ de 2020 (com 4 faixas) continuam como os únicos trabalhos discográficos lançados até ao momento. Estão previstas novidades, a este respeito, durante os próximos meses, muito provavelmente ainda em 2024.
Esse ‘Rebirth’, o mais recente registo, é tido como revelador da verdadeira identidade desta formação. Um álbum perfeito para 2021, psicologicamente denso e espacial. Lançado no ano seguinte a aparição do COVID-19 e no seguimento do confinamento. Editado através da Hassle Records, casa de bandas como Brutus ou The Joy Formidable.
Madmess no palco do Maus Hábitos | mais fotos clicar aqui
O prog-rock esteve também presente representado pelos viseenses Amaterazu cujo projeto é composto por Ricardo Bernardo (voz e guitarra), Ricardo Silva (voz, teclados e baixo) e João Lugatte (bateria). Eles que regressaram à Cidade Invicta, já tinham tocado no Ferro Bar e no Woodstock 69.
A atuação dos Amaterazu foi uma boa surpresa num registo um pouco distinto em relação à dos Madmess, eles que tocaram primeiro nesta última quinta-feira na sala de concertos do Maus Hábitos. O som esteve no ponto certo. Nota diferenciada para o baixista Ricardo Silva não só tocou baixo, fez uso também de flauta e de um sintetizador monofónico tocado com os pés.
Os três elementos estavam todos vestidos de igual, com trajes de claras influências nipónicas.
Amaterazu no palco do Maus Hábitos | mais fotos clicar aqui
Esta formação nasceu em 2015, a partir de uma conversa sobre o Japão, o Monte Fuji e os elementos que compõem as histórias. Durante a conversa, um acorde de guitarra soou e ressoou, dando vida a uma narrativa que depressa se preencheu com personagens e paisagens. É aqui que surge o nome Amaterazu, vindo da deusa japonesa do Sol na mitologia Shinto; uma figura que representa a Luz, a expansão da Vida e do Universo e, no fundo, a própria vontade de criar e expandir. Esta narrativa iria dar origem a uma série de eventos musicais e não-musicais que culminaram no lançamento do álbum epónimo em Outubro de 2015.
Além deste álbum homónimo e de debute em 2015 o resto da discografia dos Amaterazu assenta em ‘Sunsun’, EP lançado em 2016, num disco gravado ao vivo no Carmo 81 (sala de espetáculos bem conhecida da cidade de Viseu) em 2017 e ainda na mais recente edição apelidada de ‘Meeting of The Spirits’ em setembro de 2020.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui
Ricardo Silva dos Amaterazu | mais fotos clicar aqui
Texto: Edgar Silva e Aitor Amorim
Fotografia: Aitor Amorim @ torstudio (Instagram)
Sonic Whip: o SonicBlast dos Países Baixos em sala fechada | Reportagem Fotográfica
Vasco dos Madmess em ação [mais fotos clicar aqui]
A sala de espetáculos holandesa Doornroosje em Nijmegen nos Países Baixos acolheu, nos dias 5 e 6 de maio, respetivamente, na última sexta-feira e sábado mais uma edição do Sonic Whip. O nome do festival foi inspirado numa banda daquele país, curiosamente oriunda da mesma cidade onde se realiza. A banda chama-se Automatic Sam e numa das suas músicas tem o trecho “Dance, motherfucker dance! You're getting hit with the sonic whip!”.
A comparação com o festival português SonicBlast não o é à toa. Ambos têm o mesmo foco musical em géneros de rock mais densos nos quais são “combinados riffs de guitarra estrondosos com acordes de baixo fumegantes”.
Cartaz do Sonic Whip 2023
Em 2018 o Sonic Whip iniciou-se como um evento de somente um dia tendo sido ampliado a dois dias em 2022, algo que repetiu-se este ano. Em 2020 e 2021 o festival não teve lugar devido à pandemia.
A poucos dias do início sofreu duas baixas inesperadas: os Stoned Jesus e Somali Yacht Club não tiveram hipóteses de saírem do seu país natal, a Ucrânia. Ainda assim esta 4ª edição, realizada neste 2023, manteve um alinhamento fortíssimo. Ao cartaz foram adicionadas as bandas The Machine e Colour Haze.
Passaram pelo evento mais de 20 bandas, oriundas de diversos países mundiais. Maior enfâse em formações vindas dos Estados Unidos da América e do Reino Unido. Como não podia deixar de ser, bandas dos Países Baixos tiveram igualmente o seu devido destaque.
Vamos agora de seguida destacar algumas das bandas presentes.
Sexta-feira, 05 de maio
A primeira em foco tem de ser os Madmess, obviamente. Eles são oriundos de Portugal, mais especificamente do Porto, porém passaram por Londres para poderem expandir o seu raio de influência. Eles que têm uma paisagem sonora pintada entre o stoner e o krautrock mais antigo. Representaram muito bem as cores nacionais e nesta belíssima oportunidade apresentaram ‘Rebirth’, o seu último LP lançado em 2021. Recentemente este trio deixou de ter a colaboração do baterista Luís Moura. Nos Países Baixos Ricardo Sampaio e Vasco Vasconcelos contaram com a colaboração na bateria de Helena Peixoto, artista conhecida por ser parte integrante dos The Black Wizards.
Helena com Madmess no Sonic Whip 2023 [mais fotos clicar aqui]
Outro destaque da jornada 1 são os The Psychotic Monks. Eles que em 2019 passaram por Guimarães e pelo L’Agosto. Deixaram uma incrível e positiva impressão. Estes franceses levaram na bagagem o seu mais recente LP ‘Pink Colour Surgery’ com um travo mais experimental dentro do estilo post-punk mais habitual ao que costumam tocar.
The Psycotic Monks no Sonic Whip 2023 [mais fotos clicar aqui]
Fica para os Deathchant a referência final sobre as bandas que tocaram no dia inicial. O mentor e líder é T.J. Lemieux (vocalista e guitarrista) e apresenta-se em quarteto. Têm a particularidade de existirem no regime de “porta aberta” pelo que a sua formação a qualquer momento é modificada. ‘Waste’, álbum que os Deathchant editaram em 2021, é descrito como sendo uma mistura de stoner rock com psicadélica e ainda um pouco de boogie tingido com blues. Nada como cada um escutar e fazer o seu próprio julgamento… Mostraram este álbum também em Portugal no ano passado no SonicBlast.
Deathchant no Sonic Whip 2023 [mais fotos clicar aqui]
Eis a lista completa das bandas, por ordem de presença, que tocaram nesta sexta-feira:
Palco Vermelho (principal)
» Samavayo
» The Psychotic Monks
» Lowrider
» Causa Sui
» King Buffalo
Palco Roxo (secundário)
» Shaman Elephant
» Madmess
» USA Nails
» Deathchant
» The Gluts
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Sábado, 06 de maio
O destaque inicial da jornada 2 vai para os Radar Men From The Moon, são naturais de Eindhoven nos Países Baixos e existem desde 2010. Destacam-se pelo seu experimentalismo. Em 2016 tocaram no Reverence Festival Valada em Portugal sendo que já passaram por festivais importantes, dentro do género, como o Roadburn, Liverpool Psych Fest ou Levitation em França.
Radar Men From The Moon no Sonic Whip 2023 [mais fotos clicar aqui]
Naturais do Reino Unido os Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs conhecidos também como Pigs x7 foram um dos grandes destaques na jornada 2 do Sonic Whip.Já tocaram várias vezes em Portugal tendo a última aparição acontecido no ano passado no SonicBlast. Tocam um som com claras influências stoner e hard rock. A estação de rádio norte-americana KEXP tem um canal de YouTube, bem conhecido pois divulga através desse meio as sessões ao vivo que as bandas fazem nos seus estúdios. Uma das últimas publicadas é destes Pigs x7, eles que já têm um reconhecimento mais mainstream.
Pigs x7 no Sonic Whip 2023 [mais fotos clicar aqui]
A derradeira referência vai para uma banda que entrou no nosso radar nos últimos anos foram os Slift, mais especificamente em 2018 quando tocaram no Rodellus em Ruílhe (Braga). Esta banda destaca-se pelo uso de riffs hipnóticos. ‘Ummon é o LP que lançaram em 2020 e que têm vindo a mostrar. Mais recentemente as faixas “The Real Unseen” e “The Real Unseen” foram editadas e adicionadas ao catálogo da Sub Pop abrindo-lhes novos horizontes.
Slift no Sonic Whip 2023 [mais fotos clicar aqui]
Eis a lista completa das bandas, por ordem de presença, que tocaram neste sábado:
Palco Vermelho (principal)
» Psychlona
» The Machine
» Les Big Byrd
» Pigsx7
» Slift
» Colour Haze
Palco Roxo (secundário)
» Vinnum Sabbathi
» Dommengang
» Radar Men From The Moon
» Iron Jinn
» Gnod
» Ecstatic Vision
Este Sonic Whip foi um sucesso em ambos os dias.A jornada de sábado teve mesmo lotação esgotada. Os passes gerais esgotaram e os diários de sábado igualmente.
Em ambas as noites viveu-se uma bela vibe, tal como as fotos assim o comprovam. Em 2024 já é sabido que o festival vai regressar nos dias 10 e 11 de maio. Se são fãs dos universos musicais psicadélico, noise e stoner rock a ida ao Sonic Whip é altamente recomendável!
Foto-reportagem 1º dia: clicar aqui
Lowrider no dia 1 do Sonic Whip 2022 [mais fotos clicar aqui]
Foto-reportagem 2º dia: clicar aqui
Vinnum Sabbathi no dia 2 do Sonic Whip 2023 [mais fotos clicar aqui]
Texto: Edgar Silva
Fotografia: João Machado
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Além do festival fechar agora o cartaz, a Garboyl Live, a entidade responsável pelo…