Conjunto de pessoas, em geral ligadas por laços de parentesco, que vivem sob o mesmo teto.
Conjunto de ascendentes, descendentes, colaterais e afins de uma linhagem ou provenientes de um mesmo tronco; estirpe.
Pessoas do mesmo sangue ou não, ligadas entre si por casamento, filiação, ou mesmo adoção; parentes, parentela.
fig Grupo de pessoas unidas por convicções, interesses ou origem comuns.
Conjunto de coisas que apresentam características ou propriedades comuns.
(créditos)
Algumas pessoas dizem que família é formada por um pai, uma mãe e filhos. Outros dizem que a coisa vai mais longe, são os parentes dos parentes. Mas família é um conceito relativo, e não se restringe somente a pessoas a qual você é relacionado. Existe a família consanguínea, que são as pessoas a qual você está inevitavelmente ligado pelo resto da sua vida. Mas também existe a família real, que são as pessoas a quem você é leal, sem questionamentos. Vocês simplesmente se amam, e fariam tudo um pelo outro, porque vocês são família.
Muitas vezes os membros da família consanguínea não tem uma boa relação entre si, ou são obrigados a conviver um com o outro, e na verdade tudo é um teatro. Nesse caso, a família real entra em ação, curando as feridas que a família consanguínea causa, e garantindo que você esteja lá, tão firme quanto possível. Às vezes são amigos, ou pessoas que você nunca imaginou se relacionar. Família é o seu lar, e às vezes nosso lar são as pessoas. Às vezes a família consanguínea é a família real, e todos se amam, apesar das rusgas e discussões. É quando as pessoas estão unidas pelo código genético, e ele faz com que todos entendam e amem uns aos outros.
Família é com quem você passa o Natal, quer queira ou não. Família é quem você pensa quando está em uma situação desesperadora, e precisa de alguém com quem contar. Família é aquele grupo de pessoas completamente insanas, mas que você ama mesmo assim.
Quem é sua família?
IN CHARACTER:
A task vai funcionar em partes:
FAMÍLIA CONSANGUÍNEA:
Seu char vai escrever um POV sobre quem é a família consanguínea dele. Isso deverá ser construído na forma de uma árvore genealógica. Não precisa fazer nada muito sofisticado, é só colocar “Pai: xxx. Mãe: xxx. Irmã(o)(s): xxx. Avós:xxx”, etc. Se seu char não souber, você coloca “Pai: desconhecido”. Se seu char for adotado, você escolhe como fazer isso, mas tente construir a árvore genealógica.
Você deverá fazer um POV curto falando uma memória boa e uma ruim com a família. Se quiserem fazer um pov longo, é por conta de vocês
FAMÍLIA REAL:
Faça no mesmo POV, em outro, ou até em um turno com alguém, sobre quem é a família afetiva do seu personagem. Quem são as pessoas que seu char ama? A quem ele é leal? Fale uma memória boa e uma ruim dela.
Informações importantes:
Data: 14/10 até 23/20
Coloquem “TASK 1″ no título dos POVs/turnos para a gente saber que se refere à task.
Marquem a central nos turnos e POVs que vocês escreverem.
Coloquem tudo na tag #magie:tasks
Qualquer dúvida, pode chamar aqui na central, e a gente explica!
“A melhor memória que tenho dos meus avós? Uau! Dessa vez vocês me pegaram de surpresa. Geralmente vocês só me perguntam sobre como era ser neta dos “precursores do cinema francês” e blá blá blá. E sinceramente, eu nunca sou muito boa em responder essas, já que eles morreram quando eu tinha dez anos e até essa época eu não ligava muito para fama da minha família. Agora, a melhor lembrança que tenho deles, vocês realmente se sobressaíram, essa é bem difícil de escolher, tenho tantas… Hmm, já sei! Não riam, é bem boba, eu sei, mas sempre me faz sorrir quando eu lembro. Eu tinha uns quatro, cinco anos? Toda a família tinha ido almoçar na casa dos meus avós e ficamos na sala depois. Eu estava deitada no tapete, bem perto da televisão, mudando de um canal para o outro enquanto os adultos conversavam a minha volta. Até que parei num filme preto e branco e antes mesmo que o personagem principal abrisse a boca para soltar sua fala meu avô começou, nas mesmas palavras e entonação que o personagem. Era como se o próprio Louis Bouvier, milionário galinha do filme estivesse na sala. Logo em seguida minha avó começou a recitar as falas da mocinha também e por algum motivo eu achei aquilo mágico. O como ele sabiam as falas que seriam ditas e como eles soavam igual aos personagens. Eu lembro que comecei a gritar “vocês são bruxos, vocês também são bruxos”numa empolgação enquanto meus pais riam da minha inocência de achar que aquilo tinha a ver com magia. Eu demorei um tempinho para aceitar que Gèrard Binoche e Gevaise Binoche dos créditos do filme eram na verdade meus avós, que na época eu conhecia apenas como papy e mamie. Foi realmente muito difícil aceitar que aquelas pessoas, sem rugas nem bengalas, cantando e dançando num filme preto e branco, eram realmente meus avós! Eu não sei se essa realmente serve como melhor lembrança deles, certeza tem melhores, mas com a pressão do tempo e das câmeras foi a primeira coisa que consegui lembrar.”
A lembrança má
“Me desculpe se não sou como você, maman. Eu não consigo esquecer. Eu não consigo não ficar tensa ou agir estranho. Eu juro, estou fazendo meu melhor para trata-los como antes, mas é muito difícil. Monsieur e Madame Etoile não voltarão, tão cedo, a serem chamados de papy e mamie, não por mim. Eu sei, eu sei que você acha que eles pareciam arrependidos das proporções que o processo tomou, mas eu não vi isso. Eu tento lembrar de um pingo de remorso transparecendo no rosto de um dos dois em meio ao julgamento e tudo que eu lembro é o mesmo olhar arrogante de ‘estamos fazendo o melhor por ela’ de sempre. Toda vez que penso em perdoa-los aparece em minha mente as feições desesperadas de papa, que tentava seu melhor para manter-se forte, sozinho do outro lado daquele salão escuro e sob ameaça de ser obliviado. Lembro das nossas varinhas em frente a juíza prontas para serem quebradas. Eles realmente achavam que aquilo era uma solução adequada? Obliviarem papa, só porque ele é trouxa, e banir nós duas do mundo mágico, só porque eu decidi abandonar a escola. Porque eu seria um risco na frente das cameras trouxas se não soubesse ‘controlar minha magia direito’. Como se ninguém nunca tivesse abandonado aquela escola antes… E-eu lembro de como eu soluçava em meio aquele maldito voto perpetuo e quando eu olhei para eles, Monsieur Etoile me olhava como se aquilo não fosse nada, como se não fosse uma barganha com a minha vida. Me diz, será se acham que valeu a pena? Tudo isso, só para eu voltar para escola, só para me afastar do mundo trouxa. Tudo isso e eles não perceberam que foram longe demais. Não perceberam que uma vez fora daquela prisão eu farei o máximo para estar no cinema de novo, que todo essa tortura que me fizeram passar não vai ter serventia nenhuma. Mas afinal, os Etoiles podem dizer o que quiserem. Podem se dizer os mais arrependidas do mundo, mas não vou acreditar. Não se preocupe, não vou me afastar deles de vez nem nada ainda somos parentes, não é mesmo? Continuarei indo nos eventos familiares e quando quiserem me encontrar estarei a disposição, mas nunca mais vai ser como antes, nunca mais maman…”
FAMÍLIA REAL: nathan aaron roux & aleksander etienne laveque-van damme
As vezes conhecemos pessoas e criamos um amor tão forte por elas, que não mais conseguimos imaginar como seria nossa vida sem que elas estivessem por perto. E é assim que Claire se sente quanto aos melhores amigos. Como já fora dito pela mesma, não existe Claire sem Nate e Alek. Eles carregam consigo um pedaço do coração da francesa. É com eles que ela divide suas maiores alegrias, desde as mais banais até as realmente surpreendentes e é com eles que ela divide também suas tristezas, seja apenas drama, quando por exemplo está naquela semana nomeada pelos amigos como temporada para matar, ou quando está realmente passando por algo difícil.
Claire nunca será capaz de agradecer por tê-los em sua vida. Os amigos são mais do que ela jamais esperou ter. Por eles, faria tudo. Quando digo tudo, é tudo mesmo. Claire não se importaria em entrar na frente dos dois se alguém os lançasse uma maldição. Lutaria em uma guerra sem fim. Deixaria sua vida normal, apenas para estar ao lado dos dois. Não existe barreiras para o amor que sente por eles.
@aleklvandamme & @rouxnate
NICE TO MEET YOU
Nem mesmo no 1º ano, Claire fora uma garota comportada. A sua primeira detenção, aconteceu na aula de etiqueta, pois a francesa achara um absurdo ficarem brigando com ela por colocar os cotovelos na carteira. Levantou e subiu na carteira, ficando em pé ali. Discursou sobre o quão inútil eram aquelas aulas e ainda chamou alguns dos alunos dali de babacas. Desde pequena, aquela era seu xingamento preferido. Saiu bufando quando a professora a expulsou da sala e mandou que fosse a direção pegar a advertência.
No entanto, naquela época, Claire obviamente não era acostumada com detenções, e não pretendia ficar limpando estátuas. Chegando no Salão Principal, encontrou outros dois alunos que já começavam a tarefa sem ela. Lembrava de tê-los visto em outras aulas que tinham juntos. “Ei, vocês estão de brincadeira, certo?” Questionou esperando que mais alguém achasse aquela ideia de detenção um ultraje. “Nós não vamos limpar nada.” Decidiu andando até eles e pegando o pano de cada um. A forma como eles lhe observavam era de curiosidade e desconfiança, afinal não deveria ser normal uma garota chegar mandando daquela maneira. “Estou falando sério! Eles não podem nos obrigar a fazer tarefas porque não gostam das nossas opiniões.” Opinou cruzando os braços e esperando alguma atitude vinda dos outros dois.
Os três discutiram e discutiram e por fim, Claire finalmente conseguiu convencê-los a fugirem daquilo. O garoto que depois ela descobriu que se chamava Alek, foi quem deu a ideia de onde podiam ir. Parecia que ele já matava algumas aulas que não gostava. Correram pelos corredores, fazendo de tudo para evitar os monitores, e algum tempo depois finalmente conseguiram chegar a tal sala. Claire não conseguia parar de gargalhar com a adrenalina que subia pelo seu sangue. Tagarelava com os garotos de como deveriam fazer aquilo mais vezes. Ela parecia prever que em alguns anos seria conhecida por suas muitas detenções na escola. Tudo só não saiu como esperava, pois foram descobertos e a detenção que seria de um dia, se tornou de uma semana, mas a amizade que criaram dali, aquela dura até hoje.
I NEED YOU.
“Meu avô...” Começou antes de se derramar em lágrimas. Os amigos sabiam o quanto Claire era apegada a sua família. Os avós eram pessoas extremamente importantes para a francesa, já que sempre moraram muito perto. O avô lhe deu sua primeira vassoura. Mesmo doente, fazia questão de lhe acompanhar e ajudar em tudo que precisasse. Claire nunca pensou que chegaria o momento de dizer adeus a ele. Pensava que ele seria eterno. “O fun...” Tentou dizer que o funeral estaria marcado para o dia seguinte e que eles podiam ir junto com ela, mas a dor que sentia era tão grande que mal conseguia falar. Apenas aproveitou o abraço que os dois lhe davam e se apertou aos melhores amigos. Ao menos os tinha ao seu lado.
Des = do/vindo de e rosiers = arbusto de rosas em francês. Sendo assim, o sobrenome Desrosiers significa “vindo do arbusto de rosas”. Provavelmente o primeiro a ter o sobrenome vivia perto ou tomava conta de um jardim de rosas. Os Desrosiers por séculos são uma das famílias bruxas de linhagem pura mais famosas da França, os membros da família são em sua maioria famosos por seus cargos políticos e militares. Muitos também ganham fama por se tornar mentes inteligentes com opiniões de peso dentro do mundo da magia.
Membros vivos da família
Arrière-grand-père: Télesphore Desrosiers, 90 anos fc: sean connery
Arrière-grand-mère: Sévérine Desrosiers (née Beaulieu), 92 anos fc: diana rigg
Grand-père: Aurélien Desrosiers, 70 anos fc: mark harmon
Grand-mère: Félicienne Desrosiers (née Lecoeur), 67 anos fc: jessica lange
Oncle: Jérémie Desrosiers, 45 anos fc: jude law
Tante: Valentine Desrosiers (née Favreau), 43 anos fc: sarah paulson
Père: Gaël Desrosiers, 45 anos fc: jude law
Mère: Sidione Desrosiers (née Motte), 45 anos fc: gwyneth paltrow
Cousin: Quentin Desrosiers, 23 anos fc: alexander ludwig
Fille: Gwenaëlle Desrosiers, 15 anos fc: elle fanning
Dinde, oie, huîtres et foie gras
24 de dezembro de 2011;
Os Desrosiers são uma família extremamente tradicional e por isso levam suas tradições, como o natal, muito a serio. Por mais que fossem receber apenas os membros da família naquela noite, cada canto da casa estava decorado com as cores verde e vermelho, o grande pinheiro no centro do salão recheado de enfeites e da cozinha já se sentia o cheiro do banquete que os elfos passaram dias preparando. Tudo era sempre impecável. Gwenaëlle sempre gostará do natal, principalmente por poder passar o dia com seu tio e sua bisavó que eram os únicos dois membros que demonstravam alguma afeição por ela. A presença de seu primo também a agradava, não por ele ser uma pessoa agradável, na verdade Quentin era o extremo oposto disso. O que lhe agradava era saber que, naquele dia, as atenções não estariam em cima dela e sim no garoto. Gwen sabia que toda a pressão que recebia da família, o mais velho recebia em dobro. De certa forma, as reuniões de família eram um descanso para ela. Contanto que se comportasse, ninguém a criticaria. E como esperado foi assim que a noite seguiu, manteve-se abraçada a bisavó enquanto ria de seus comentários astutos e das piadas do tio, por mais que sua mente de criança não compreendesse tudo que eles falavam. Enquanto o resto da família mantinha a seriedade e debatia sobre os feitos do primo durante seus anos em Beauxbatons, para depois criticar o que seria de seu futuro agora que havia se formado, por mais que todos soubessem que ele já tinha uma vaga no ministério com seu nome. A criança sorria enquanto apenas ouvia o que os adultos tinham a dizer e fazia notas mentais de tudo, sabendo que dali a dois anos seria a vez dela de começar a dar resultados para que a família pudesse comentar. Mas por aquela noite não tinha que se preocupar com nada.
Pas assez bon
inicio das férias de verão de 2016;
- Eu sinto muito. - A garota murmurou com a cabeça baixa ainda sentada no sofá da enorme sala. Por mais que olhasse para baixo, sabia que seu pai continuava sentado em sua poltrona de frente para ela, bebericando seu conhaque, enquanto ouvia os saltos de sua mãe indo de um lado para o outro, a mais velha parecia transtornada. - O que disse? - A mãe perguntou, Gwen sabia que ela tinha escutado, mas odiava que ela murmurasse, assim como também odiava que ela se desculpasse. Também sabia que não falar nada seria pior. - Eu sinto muito. - Repetiu, agora em tom mais grave. Ela havia acabado de voltar da escola, não dera nem tempo de desfazer as malas antes que aquela conversa se iniciasse. O motivo do desgosto da mãe? Acabará de terminar seu quarto ano com a certeza de que não seria capitã de seu time de quadribol no ano que vem. Gwenaëlle não se sentia mal por isso, ela não sentia vontade nenhuma de ser capitã, na verdade nem se quer queria jogar quadribol, mas para Sidione suas vontades pouco importavam. - Sentir muito não vai ter trazer nada, Gwenaëlle. - A mulher falava com desdém. - Sentir muito não te traz títulos ou vitórias, a unica coisa que você consegue sentindo muito é que as pessoas sintam pena de você. É isso que você quer? Ser uma pobre coitada? - Gwen gesticulou que não com a cabeça, fazendo com que a cortina de cabelos loiros que cobria seu rosto movimentasse junto, estava com medo de falar. - Então me diga, por que não é capitã? - Ela olhou para a mãe, que agora estava parada com os braços cruzados na frente dela. Sabia pela sua feição o quanto tinha a decepcionado. Não entendia o motivo para que aquilo fosse tão importante. Ela tinha outros títulos, outras vitórias, não precisava mais daquele. Não entenda o porque que deveria se sobressair em tudo. - A capitã é uma ótima jogadora. - Começou a se justificar. - E uma ótima líder. Eu não acho que conseguiria me sair tão bem no cargo quanto Lakshmi. - Sua mãe não havia mudado uma só expressão em seu rosto. - Se você não é boa o suficiente para tomar o cargo então torne-se. - A mulher disse. Gwen sentia que falava com as paredes, Sidione parecia não ouvir uma só palavra que saia da boca da menina. - Mas eu não que... - Sua frase foi interrompida pelos berros da mãe. - Eu não perguntei o que você quer! - Ela estava visivelmente transtornada. E com o grito que ecoou pela grande mansão, seu pai depositou o copo de conhaque na mesa com toda a força. - Basta! - Ele disse. Apenas isso fez com que todos os seus cabelos arrepiarem de medo. Seu pai era um homem de poucas palavras, quando ele pronunciava alguma coisa nunca era algo bom. - Sidione, você sabe muito bem que fica deplorável quando se descontrola. Claramente não está fazendo um trabalho bom o suficiente ao controlar sua filha. - Ele fechará o punho ao falar com a esposa. Qualquer castigo que viesse tomar, sabia que seria ainda pior para a mãe. Ela não sentia pena, mas sentia medo pela matriarca. - E quanto a você, garota... - Ele se voltou para ela, e com toda a força a puxou pelo braço fazendo-a se levantar. Tentou não demonstrar dor, mas sabia que ficaria um hematoma a onde ele segurava. - Você deve nos obedecer, fazer o que nós mandamos, e não inventar desculpazinhas para o seu desleixo. Eu não vou permitir que você me envergonhe, estamos entendidos? - Seu rosto estava próximo ao dela de maneira ameaçadora, enquanto depositava ainda mais força na mão envolta ao seu braço. - Sim senhor. - Se limitou a dizer. - Ótimo. Agora volte para o seu quarto e não saia de la, ficara sem jantar hoje, talvez se perder algum peso você voe melhor. Eu e sua mãe iremos discutir o que fazer quanto a essa situação. - Ele voltou ao seu copo de conhaque e a menina logo se pôs a se caminhar para fora do local. Assim que teve a certeza que estava longe o suficiente para que eles não fossem ouvi-la, passou a chorar desesperadamente e correu até seu quarto.
Filha - Sofia Claire de Lune Barbosa FC: Lily Macapinlac
Mãe - Josefine de Lune Barbosa FC:Linda Cardellini
PARTE 1.1. - 01/02/2011 (look at the stars...)
“Parabéns pra você! Nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida! Hoje é dia de festa, cantam as nossas almas, para a menina Sofia, uma salva de palmas!”, antes mesmo da música terminar, a garota que naquele dia fazia aniversário apagava as velas que formavam o número 10, é claro que eram encantadas e por isso, quando as soprou, elas se tornaram confete. Dez anos! a garota pensou consigo mesma animadamente. Em um ano eu vou para a escola!, é claro que naquela época a garota não sabia dos trágicos eventos que lhe aguardavam no ano seguinte, e por isso, com a maior inocência possível, realmente acreditava que iria para Beauxbatons com onze anos.
Aos dez anos, Sofia tinha convicção que já era uma garota grande, afinal já usava todos os dedos das mãos para contar os anos de vida! Dez era uma data importante, sentia no fundo de seu coração. Sua bicicleta não tinha mais rodinhas (alternativa que os pais encontraram após a filha entrar em pânico ao subir em uma vassoura e perceber que, sim, ela ficava longe do chão), praticamente todos seus dentes já haviam caído, e o mais importante: seu pai havia lhe dado um livro grande (sem imagens!) de presente e ela iria ler o livro inteiro sozinha. O nome do livro era Vinte Mil Léguas Submarinas e a pequena estava pronta para que sua festa acabasse para poder ler o livro antes da cama.
“O que desejou filha?”, perguntou a mãe enquanto afagava o cabelo da menina. Ah o desejo!, pensou. Ficara tão animada que esquecera de fazer o pedido ao apagar as velas.
“Eu esqueci mamãe…”, a garotinha contou fazendo um beiço triste.
“Não tem problema, filhota, quando todo mundo for embora a gente apaga as velas de novo e daí você pode fazer o seu pedido.”, seu pai falou, pegando-a no colo e dando um beijo em sua bochecha.
“M-mas a v-vela v-virou c-confete, p-papai!”, a pequena gaguejou com lágrimas nos olhos.
“Ei ei ei, lembra o que a Dra. Fernandes disse? Pra não ficar nervosa se não a gagueira pode voltar.”, advertiu, enquanto enxugava carinhosamente as lágrimas que escorriam pelo rosto da filha. “Você tem um pai inteligente, realmente acha que eu não tenho um par de velas de emergência?”, ele sussurrou a última parte como se fosse um segredo, e então o desânimo da menina despareceu quase que instantaneamente.
“Papai, você acha que a mamãe vai ficar muito brava se eu for la fora só um pouquinho para ler o livro que você me deu?”, perguntou ansiosa, fitando bem os olhos do mais velho, sabendo que o mesmo não resistiria ao seu charme.
“Você gostou tanto assim do presente?”, perguntou, logo recebendo um aceno de cabeça entusiasmado como resposta. “Então vai lá e deixa que eu cuido da sua mãe. Eu te amo, estrelinha.”
PARTE 1.2. - 06/08/2012 (look how they shine for you)
Toda segunda às três horas da tarde, Sofia voltava para a casa sozinha após suas aulas de francês, entretanto, no sexto dia de Agosto de 2012, ao sair da escola, sua vizinha, uma senhorinha chamada Socorro, estava lhe esperando. “Sua mãe pediu para que eu viesse te buscar hoje, como foi a aula?”.
“Foi boa, mas eu já sabia tudo que eles ensinaram.”, contou, ignorando a repentina mudança na sua rotina - supôs apenas que sua mãe havia saído para comprar alguma coisa e por isso havia pedido ajuda à vizinha para cuidar da menina. Ao passar dos minutos, enquanto caminhavam, Sofia reparou que a idosa não falava muito e portava um olhar triste.”Está tudo bem com a senhora?”, perguntou preocupada, quando já se aproximavam da rua em que moravam.
“Ah, sim, claro. Vai ficar tudo bem, minha querida, vai ficar tudo bem...”, Socorro respondeu com um sorriso triste, a garotinha não insistiu no assunto, já que havia sido reconfortada de que tudo ficaria bem.
Ao avistar sua casa, Sofia percebeu, no jardim, vários homens com vestes pretas iguais ao uniforme de seu pai. Naquele momento ela soube que havia algo errado.
Se perguntasse hoje para Sofia o que se lembra daquele dia, essa seria sua resposta: a casa estava abarrotada de gente que ela jamais vira na vida, muitos choravam e seu primeiro pensamento ao ver a cena foi “Alguém se machucou?”. Sem saber como, se encontrou na sala de estar. Sua mãe e os avós estavam sentados no sofá, a mãe encarava a poltrona vazia do pai enquanto a avó tentava tomar um copo d’água, mas a última chorava tanto que não conseguia dar um gole.
“Sofia?”, um homem com a mesma roupa que os outros no jardim perguntou, a menina não havia nem notado que ele estava na sala. “Posso falar com você lá na cozinha?”, a garota olhou apreensivamente para o avô, que parecia ser o único relativamente calmo em toda a situação, e o mesmo acenou com a cabeça, indicando que ela podia confiar no homem de preto.
“Você sabe qual é o trabalho do seu pai?”, o homem de preto perguntou quando finalmente chegaram na cozinha, o único lugar da casa que não estava cheio de gente. Sofia acenou a cabeça, seu pai era um Inominável. “Bom, eu trabalho com o seu pai, e ele pediu para que eu te dissesse uma coisa. Ele pediu para eu te dizer que ele te ama, estrelinha.”
“P-porque e-ele t-te p-pediria p-para m-me c-contar i-isso?”, a pequena gaguejou com medo, não gaguejava desde o seu décimo aniversário, que havia ocorrido há mais de um ano. De repente ficou consciente de que seu pai não estava na casa. Onde é que ele estava? Toda sua família estava lá, a tia Maria que morava no Brasil estava lá junto com sabe-se lá quantas mais pessoas que ela nunca vira na vida, então por que seu pai não estava lá?
“Sofia...”, o homem de preto começou a dizer enquanto se abaixava para ficar no mesmo nível que os olhos da menina. “Seu pai morreu.”.
A primeira vez que a garota se familiarizou com o conceito de morte foi aos sete anos quando sua avó materna morreu, Sofia só a via em seu aniversário e no Natal, por isso só sentiu a dor da perda quando viu sua mãe chorar. A dor que tinha sentido três anos antes era microscopicamente insignificante perto da que sentia agora, na verdade, qualquer outro sentimento que havia sentido durante sua vida parecia ser microscopicamente insignificante perto do que vivenciava. Ela precisava ver o pai naquele instante, ela simplesmente não entendia como ele não estava ali, ele tinha que estar, ele sempre estava lá.
“M-moço e-eu q-quero o m-meu p-p-p... o m-meu p-pa-p...”, tentou pedir enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto, não tinha notado que estava chorando até aquele momento e quando percebeu tentou parar, ela não podia chorar, se chorasse então aquele homem estava certo e aquele homem não podia estar certo. “E-eu s-só q-quero o m-meu p-pa-p...”
“Ei, ei, olha pra mim.”, o homem de preto falou delicadamente, segurando o rosto da menina entre suas mãos. “Seu pai não ia querer te ver assim, ele está num lugar melhor agora, pode ter certeza.”
Para ela, as palavras do homem não faziam sentido. Se seu pai não quisesse lhe ver assim, então por que ele não estava lá? E que lugar melhor é esse em que eles não estão juntos? Por que esse homem continuava mentindo? Então, com esses pensamentos, saiu correndo da cozinha, não queria mais ver o homem de preto, não queria mais ouvir falar em morte, lugar melhor ou qualquer outra coisa do tipo, mas mais importante: não queria viver em um mundo em que seu pai não fazia parte.
Infelizmente, não era uma cena comum no apartamento dos Saint'Clair. Jonathan era um homem muito ocupado e, portanto, tinha pouco tempo para ficar com as filhas. Porém, sempre que ele estava em casa, sua atenção às meninas era total. Como naquele dia que ele parou para ajuda-las nas aulas de piano.
Dispensando o professor contratado para ensinar às garotinhas de cinco e seis anos, Jonathan sentou-se à frente do belíssimo piano de cauda que eles tinham no meio da sala, com as duas em seu colo, uma em cada perna. Por serem filhas de um músico famoso, tanto Magenta quando Indigo tinham a mesma paixão que o pai pela música e, para falar a verdade, todo segundo passado ao lado do pai era bem aproveitado.
Jonathan, apesar de ocupado, sempre foi muito amoroso com suas filhas então, naquele momento, as meninas não podiam estar mais felizes. As gostosas e infantis risadas ecoavam com mais precisão do que o som do próprio piano, já que, dos três pares de mãos correndo sobre as teclas, apenas um deles tinha conhecimento para tocar e este estava distraído com a diversão de suas filhas.
Durante os anos seguintes, a cena se repetia toda vez que Jonathan tinha tempo, até que já não era possível que os três se sentassem juntos no banco do piano. As meninas cresceram, a habilidade delas com o instrumento se aperfeiçoou, mas o momento continuou sendo apreciado pelas duas. Indigo e Magenta, em dias e momentos normais, não se davam muito bem, certamente por influência da mãe de Magenta. Porém, até mesmo isso mudava na presença da aura acolhedora de Jonathan.
Eles começaram a tocar juntos de outra forma. Magenta e Indigo dividiam o piano enquanto o pai das garotas ou apenas observava o talento de suas filhas ou se juntava a elas na música com outro instrumento -quase sempre um violão ou um violino, dependendo da música. E há algo estranho em tocar por horas, sem dizer uma só palavra que não fizesse parte da música. Trazia um sentimento de aproximação que, em toda a vida de Magenta, nada mais trouxe.
Foi tocando “Stay with me” que Magenta e Indigo estiveram próximas de seu pai dessa forma uma última vez antes dele falecer.
And stay with me when the storm begins:
Tudo relacionado ao falecimento do pai são memórias que, apesar dela evitar demonstrar, afetam Magenta até hoje. Ela se lembra perfeitamente de chorar quando os médicos falaram que os órgãos dele estavam começando a falhar e eles ainda não sabiam o motivo, de se desesperar nos braços da mãe quando a notícia da morte dele enfim veio. Apesar de ter sido criada essencialmente pela mãe, já que Jonathan era bastante ocupado para estar em casa vinte e quatro horas por dia, todo o suporte emocional de Magenta vinha do pai e perdê-lo fora a pior experiência de sua vida.
E, então, vieram as acusações contra sua mãe. De início, Mag apenas ficou indignada com a audácia das pessoas de acusarem sua mãe, uma viúva, de matar o próprio marido. No fundo, ela sabia que era uma posição perfeitamente possível, já que ela, mais do que ninguém, conhecia a personalidade interesseira da mãe, mas ela não queria acreditar. Só quando as investigações começaram de fato que todo o peso da realidade caiu sobre Magenta.
Seu pai estava morto e sua mãe seria presa. E, como se não bastasse, Indigo estava a acusando de ter ajudado a mãe a envenená-los.
Magenta passou dias trancada dentro de casa tentando absorver a situação e foram poucos os momentos que ela conseguiu parar de chorar. Até que a intimação bateu à sua porta, fazendo-a se mover. Estava destruída por dentro, mas um dos maiores ensinamentos de sua mãe fora se preocupar consigo mesma antes de qualquer coisa então ela recolheu os cacos de sua sanidade e foi planejar um jeito de sair dos Estados Unidos.