O frio está chegando, até acendi um cigarro pra poder espairecer, sem pensar muito nas atitudes que me arrastaram para a escuridão. A fumaça subia lentamente e levava minhas lembranças para os prédios altos dessa cidade que nunca dorme. Manhattan cada vez mais tem me parecido magnífica e cruel ao mesmo tempo, não sei explicar. As luzes que vestem a noite enquanto tudo aqui me despede, parecem querer me mostrar que mais pessoas, além de mim, sofrem com o mesmo problema. Cada trago no meu cigarro, traz um gosto de solidão, como se o mundo inteiro tivesse feito vista grossa pro meu coração, e agora só restasse esse momento suspenso entre as cinzas caindo no chão e o alaranjado da luz do poste mais próximo. Imaginei que você pudesse estar aqui, dividindo o calor que foge do peito, pra poder esquentar um pouco, mas o que resta são lembranças, e arrependimentos das atitudes que me arrastaram para a escuridão. Mas em meio ao silêncio, tenho a certeza de que, às vezes, o adeus é o futuro antes mesmo do tempo. E então fumo, deixo o cigarro queimar até a brasa cair, sabendo que lá fora, a cidade — e você, seguem seu ritmo sem mim.
Manhattan, 1931.










