Eu chorei por tanto tempo internamente enquanto fingia sorrir por fora que hoje quando choro ou sorrio já não sei mais se é dor, alegria ou as duas coisas ao mesmo tempo. É tão confuso sentir muito.
(Sâmela Faria)
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Eu chorei por tanto tempo internamente enquanto fingia sorrir por fora que hoje quando choro ou sorrio já não sei mais se é dor, alegria ou as duas coisas ao mesmo tempo. É tão confuso sentir muito.
(Sâmela Faria)
Vai lá
Não importa se vai errar
Se vai se sentir perdida
Ou se vai chorar
O que importa é a tentativa
Vai com tudo
Não importa se é difícil
Se vai haver plateia
Ou é arriscado
O que importa é o sonho
Pronto a ser alcançado
Vai, meu anjo
Já imaginou se tudo fosse fácil?
Não importa se ninguém acredita
Ou que te façam recuar por incertezas
O que importa é a sua vida
Rumo à sua própria fortaleza
Se não for, moça
Vai olhar o tempo esgotado
Perceber as paredes manchadas de vontade
O teto que havia estrelas
Agora será um céu derrotado
Sem sequer ter tentado
Iluminar uma noite inteira
Não seja o não da sua vida
Vai com tudo
Não seja a noite escura
Vai que a chance é sua.
Sâmela Faria, Escrituras da Alma
Disfarço bem a dor. Finjo tanto que me esqueço de ser eu mesma outra vez, quando ninguém mais está olhando. Mas é aí que meu subconsciente sussurra no silêncio de minha mente "não se engane". E eu volto para minha escuridão. Repito o ciclo todos os dias. Hoje, amanhã e depois. De novo, de novo e de novo.
Sâmela Faria, Escrituras da Alma
Sabe quando parece que tudo nunca vai passar? Quando a dor parece não passar? Aquele momento ruim... as lágrimas que escorrem na face. Já passou por isso, certo? Tenho uma coisa para te dizer: no final de tudo isso, a gente dá é risada!
Agradeça.
Sei que é difícil não chorar pelo o que já perdemos, pelos que já se foram, mas para viver bem precisamos estar dispostos a continuar a cada novo dia. Não é sobre deixar de sentir falta do que já não temos mais, é sobre agradecer pelo que ainda está aqui e por tudo que ainda podemos conquistar enquanto temos tempo.
Sâmela Faria, Escrituras da Alma
Eu sei o que é isso de tentar estourar a bolha e não conseguir. Às vezes a gente cria uma bolha tão grande e bem consolidada que fica muito difícil de achar uma saída.
Quem vê de fora vai dizer que está tudo nos conformes, certo? Afinal não tem nenhum caco de vidro visível. Não tem ferida à mostra e não dá pra sentir o que se passa dentro da bolha estando do outro lado dela. É aí que a gente diz que só a gente entende o que sente.
Talvez faltem palavras pra expressar o que sentimos, mas fica meio nublado aí dentro de vez em quando, né? Às vezes chove, outras vezes a seca chega com tudo, mas o pior mesmo são as tempestades. É que já tempestuou aqui também.
Sabe, não tô aqui pra dizer que vai passar, só que o tempo gosta de brincar com o clima, então traz chuva, sol, vento, frio, calor. Hoje tá sol lá fora, mas como está o clima aí dentro? Nem sempre podemos nos dar o luxo de ter medo de se molhar.
(Sâmela Faria)
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Tô indo e você também
Me sinto tão pequena às vezes... E não falo de tamanho, falo de espaço. Sinto que estou diminuindo dia após dia, sendo escondida, não sei, desmanchando. Sinto que a vida me cuspiu aqui nesse mundo e que eu não passei na fila dos aprovados. E por ter sido obscurecida, me sinto perdida e sem contexto, num fluxo que vai e vem, mas não me toca. Às vezes percebo que sorrio de verdade, e esses são os únicos momentos que me sinto. Nas vezes em que ensaio um riso amarelo, ninguém percebe, mas eu mesma não poderia perceber... Porque me faço gelo. Fria e calculista. Especialista em demonstrar aquilo que não sente e incapaz de saber o que de fato está sentindo.
Talvez eu tenha esquecido como é sentir. Talvez eu tenha me obrigado a caber onde não me cabe. Um espaço vazio, silencioso, incapaz de ser mais que isso. Porque ninguém nota, ninguém vê... Mas eu estou com uma placa invisível, suplicando. Minha alma grita, mas só eu escuto. Eu grito em silêncio porque já não tenho mais voz. Não sei se sou capaz de falar sobre aquilo que ninguém quer ouvir. Me falam pra ser mais positiva e eu quase quebro por dentro. Quase desmorono ali, na frente de quem for. Ser positiva em um mundo em total caos é abaixar a cabeça. E eu nem sei mais onde a minha cabeça está.
O ar sempre me falta, mas finjo estar tudo bem. Os segredos me corroem, mas eu não ligo. As palavras não ditas estão engasgadas e ninguém me deixa tossir. Faz barulho demais. Os vizinhos vão notar. Mas eu sou feliz, não sou? É isso que dizem. Diante de minhas paredes de vidro, a vida corre tranquila e normal. Feliz. Mas por dentro há os cacos do barulho encoberto. Há os cacos do que não deixei quebrar por fora e aí feriu do outro lado. O lado de dentro.
Se faz frio, sou obrigada a aguentar. Se faz calor, foda-se, você consegue. Se dói é porque você é forte. Se cicatrizou e deixou marcas, veja só, você conseguiu. São expressões de uma vida inteira em declínio, mas com uma capa protetora. A gente não sabe o que o outro sente porque estamos ocupados demais sentindo muito escondido para poder notar. Todo mundo esconde a dor. Todo mundo finge que está tudo bem quando, na verdade, há um acúmulo de lembranças ruins, feridas internas e cicatrizes que nem sempre cicatrizam totalmente.
Mas você chegou até aqui, não vê? Você passou por tudo isso e vai continuar, não é? É que não temos escolha. A vida não te dá opções. Você vai porque todos estão indo... Mesmo que não façam ideia de para onde. Ninguém pergunta nada a ninguém justamente para não destruir a nuvem que paira sobre nós: onde a verdade se esconde até o fundo só porque não aguentaríamos continuar indo se todos soubessem da impossibilidade do amanhã em um hoje tão perdido quanto o ontem foi.
Mas eu tô indo. Você vem, né?
(Sâmela Faria)
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Habite-se
Ah, vamos lá, o coração é quem sofre depois. Não dá pra agradar a todos, não vê? Cada vez que nos moldamos aqui e ali para caber em um lugar perdemos uma parte de nós. E vamos nos perdendo aqui, ali, acolá... Até não nos encontrarmos mais. Até que não nos reconhecermos. Esquecemos de quem somos porque já nos tornamos uma mancha de mistura incerta com vários pedaços indefinidos. Se você precisa se moldar para caber em alguém, saiba que precisa rever se aí é um bom lugar para se estar. Se não te cabe, para que forçar? Os moldes vão existir para nos cercar de padrões, formas e objetivos que não são nossos. Sabe, uma hora ou outra nosso mundo de dentro acorda e percebe que está sufocando porque não há janelas onde há o intuito de aprisionar. Se não te cabe, não force a tranca da porta, não se encaixe. Não somos uma peça do quebra-cabeça, somos um quebra-cabeça por completo. Temos nossos altos e baixos, uma bagagem infinita de lembranças, boas e ruins, e ainda colecionamos esperança mesmo que vivamos afirmando não ter mais nenhuma.
Mas então, como eu ia dizendo, é o coração quem sofre depois... O seu, o nosso. Faça recortes, como numa revista velha, tire as páginas amareladas, onde as traças começaram a comer. Recorte as pontas soltas, as cenas que não dizem nada... Sei lá. Recorte tudo, menos você. Você é o foco aqui e não precisa caber em lugar nenhum, porque você já é um lugar inteiro. Habite-se.
(Sâmela Faria)
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