O Sigilo Chave em torno do Portal dos Mortos
O “Sigilo Chave em torno do Portal dos Mortos” é compreendido como um dos selos fundamentais que permitem a abertura controlada das passagens entre o mundo dos vivos e o domínio dos mortos. Ele não é apenas um desenho simbólico: é uma arquitetura espiritual, um mecanismo oculto gravado no plano astral e plasmado através do rito. Seu traçado contém vetores de atração e repulsão, mantendo a ordem entre forças cadavéricas, espíritos famintos e os Mortos Sombrios. O Sigilo Chave em torno do Portal dos Mortos tem como propósito manter o portal aberto e manter o poder do ponto limiar no centro do sigilo, que age como um caminho aberto entre os vivos e os Mortos Abençoados. Esse sigilo atua como tranca e chave ao mesmo tempo: sela o que deve permanecer no reino sepulcral e libera apenas aquilo que, por mandato ritual e pela vontade do operador, pode atravessar. É cercado de elementos ossíferos e inscrições de sangue, pois une as duas correntes maiores — a Linha Negra (dos Ossos) e a Linha Vermelha (do Sangue). O sangue serve de oferenda que desperta e alimenta, enquanto os ossos são o elo fixo, a âncora que liga o morto ao espaço sagrado. No contexto falxiferiano, o sigilo não é apenas um instrumento de necromancia, mas um selo de pacto: ao ser inscrito no chão do cemitério ou sobre o ataúde, o Portal dos Mortos se abre não de forma aleatória, mas segundo a ordem do Templo e da corrente 182. Ele é descrito como um círculo de poder que circunscreve o espaço do rito, tornando o necromante um guardião da passagem e não vítima da voracidade dos espíritos. O Sigilo Chave simboliza, portanto, o poder do Adepto em trazer a morte à fala, dar-lhe tarefas, ouvir-lhe os segredos, e depois dispersar os mortos de volta ao seu silêncio.
O sigilo do Portal dos Mortos é pintado em uma folha de papel, pergaminho ou outra superfície compatível, limpa, com tinta preta na qual tenha sido misturada cinzas de mirra e losna queimada. Ou então, o sigilo pode ser pintado ou marcado de outras maneiras em uma roda, uma plaqueta de argila ou madeira em forma de disco. Esta placa de argila ou madeira deve ser consagrada pela fumaça de incenso de mirra e losna, e o sigilo deve ser traçado com a tinta supracitada. Em alguns casos, quando um altar em madeira for usado, o sigilo todo pode ser entalhado ou pirografado no centro da mesa, que é consagrada pela aspersão de uma tintura forte de mirra e losna.
No meio do sigilo, sobre o símbolo central da cruz, é colocada uma garrafa grande de conhaque. Um pedaço de quartzo transparente é posto dentro desta garrafa, que então é cheia até a borda com a Água dos Mortos. Também são colocados em torno no sigilo central do altar um copo de café, um pequeno prato para doces, uma tigela para oferendas de comida, uma garrafa especial para libações alcoólicas, um braseiro para queimar incenso, uma caixa de fósforos, um cinzeiro, e um maço de cigarros ou cigarrilhas. Se forem usados sobre o altar símbolos ou pinturas representando os mortos que o indivíduo trabalha, geralmente são colocados em um dos lados das três velas. O trabalhos com o Altar dos Mortos é realizado ás segundas-feiras, geralmente entre as 21 horas e a meia noite. Na primeira vez que o altar for usado, o trabalho deve ser iniciado com a fumigação de todo o altar e de todos os objetos sobre ele. O incenso deve consistir de 3 partes de losna, 3 partes de mirra e 3 partes de sândalo. Em contato com o primeiro convite e invocação aos Mortos Poderosos, deve-se servir uma oferenda de comida, licor, água, café preto, doces, pães, incenso e tabaco. É muito importante lembrar que os mortos odeiam sal, então tenha certeza que todas as comidas servidas no altar estejam sem sal. É por esta mesma razão que se deve evitar de guardar sal perto do Altar dos Mortos. Antes das três velas serem acesas, a garrafa que foi colocada sobre o sigilo do Portal dos Mortos deve ser enchida com água, na qual três gotas de tintura de losna devem ser adicionadas a fim de fortalecer a porta aberta ao reino das sombras. Todos os rituais que têm como objetivo conjurar os mortos ou os espíritos ctônicos devem começar com três batidas com a mão esquerda na superfície do altar. Pode-se também bater com o pé esquerdo no chão três vezes, ou com a ponta de uma varinha mantida na mão esquerda três vezes no tampo do altar. A varinha usada nos trabalhos no Altar dos Mortos não é a mesma varinha da Vara Bellicum de Qayin, que tem o poder de conjurar e obrigar os mortos à sua ordem. A varinha para o chamado dos Mortos Abençoados tem cerca de 50 cm de comprimento e é tirada de um galho de tramazeira. Ao contrário dos poderes agressivos do abrunheiro para controle dos vivos e dos mortos, a tramazeira possui atributos muito benignos e suas batidas no altar soa como um convite e boas vindas ás sombras ancestrais dos Mortos Poderosos.













