#noitevazia #noitesemsentido #noiteentrenada (em Chacara Cachoeira)
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#noitevazia #noitesemsentido #noiteentrenada (em Chacara Cachoeira)
Uma noite sem escutar sua voz e já estou pirando.
Desabafo e Coisas da Madrugada
Katiane Bugno
Era uma noite fria, a lua estava escondida entre as nuvens, era até bonito de se ver. Eu, como sempre, saí de casa para esclarecer as ideias, mas parecia que nada era capaz de me animar. Cidade pequena é isso... Fui até a praça central em frente a igreja, mas geralmente, em noites como aquela não tinha muito movimento, mas aquela noite, estava mais silenciosa que de costume.
Já era tarde e muita gente já estava de saída, mas eu ainda não havia visto nada, era um sábado qualquer, frio, e eu nunca tinha presenciado aquele ambiente até tarde, era algo diferente. Eu faria do meu sábado, um sábado novo, diferente dos outros, mas não foi exatamente o que eu esperava. As sorveterias, o posto, os bares, todos fechados, ficou somente o semáforo da Avenida Treze de Maio, que não orientava mais nada. E o clima de solidão simplesmente surgiu.
Sentei-me em um banco, olhei em volta e vi que vinha um grupo de jovens em minha direção. Eu já os tinha visto algumas vezes isolados, mas eu não sabia o motivo... enfim, o mais novo deveria ter uns quinze anos. Todos, tanto os garotos quanto as garotas sentaram-se em um banco próximo ao meu, mas me ignoraram, nem se deram conta de que eu estava ali e que estava perto o suficiente para poder ouví-los.
Não me dando por satisfeita, e os ignorando também, abri a minha bolsa e peguei um livro. Comecei a ler, mas fui interrompida por algo que me chamou a atenção : um dos jovens, um garoto, chegou perto do meu banco e perguntou se eu queria sair da realidade. O garoto tinha uma voz grossa, até meio convincente. Dei uma risada sarcástica e perguntei como eles fariam isso. O sujeito de olhos fundos responde com um tom irônico, dizendo que era uma grande amiga dele que era capaz de fazer isso por mim, que iria me ajudar a encontrar a felicidade. Como eu disse antes, eu queria sair da monotomia, e lá só existia grandes neblinas de solidão no meio de uma noite fria.
Eu queria desafios. Fui até a turma e eles me saudaram, perguntando o que eu tinha na bolsa. Lá só havia meu celular, meu livro e minha carteira. Eles abriram a bolsa e de lá pegaram uma célula de dez reais e meu CPF. Enrolaram a célula e disseram que eu precisaria dela para conhecer a "tal amiga". Eu não sabia ao certo, até que me dei conta que a " tal da amiga" era um pó branco como a neblina, forte, bonita aparentemente e que todos a amavam muito.
E eu me apresentei a essa nova amiga... Seu nome? Cocaína. Coca para os mais íntimos e para a polícia local, que nem deram importância a ela. Tentaram fazer com que eu me afastasse dela, de todas as formas, mas ela me interteu tanto que o sol raiou do dia seguinte e eu ainda estava lá com ela fazendo "carreiras" de conversas com meu CPF. Ela era tímida, por isso só ia nos encontrar quando saíamos tarde. Todos sabiam seu nome, mas muitos a conheciam de verdade.
Eu me apaixonei por ela, e perdi meu livros, meus amigos, minha família, ela custou mais caro e somente hoje eu vejo o quanto. Uma cidade pequena, era fácil encontrá-la, era somente ir até o banco da praça em noites escuras. Eu ganhei uma nova amiga e perdi todo o resto. E o que eu perdi naquela noite fria jamais voltará a me pertencer. Chegará uma noite como aquela, fria, quente, não sei... só sei que vou perdê-la quando meu coração parar de bater, assim como eu vi a minha turma partir, pois ela é tão intensa que em uma noite dessas, meu coração não dará mais conta de pulsar...