A consequências a longo prazo da pandemia ainda estão muito longe de serem totalmente entendidas, e entrelaçam questões sociais e de saúde de forma importante. 👉Uma consequência ainda pouco discutida é a do aumento da obesidade infantil que, embora já viesse em alta, há indícios que houve uma clara tendência de aceleração, principalmente entre as classes sociais menos favorecidas. 👉Dados americanos mostram q em um ano, a prevalência aumentou de 13,7% para 15,4%, um aumento de 12%; os maiores aumentos foram em crianças de 5-9 anos de minorias étnicas. No Reino Unido, dados do último ano também mostraram o maior crescimento da obesidade nessa faixa etária. 👉A menor mobilidade, com redução dos exercícios, e maior tempo em casa, com maior exposição alimentar explica apenas em parte esse crescimento; para muitas crianças, a merenda escolar era fonte de alimentação saudável, e a interrupção das escolas impactou de forma importante; a perda da renda também significa escolha por alimentos menos nutritivos, mas que podem ser calóricos, principalmente os ultraprocessados. Ao mesmo tempo, foi visto aumento em até 4horas por dia no uso de tela, o que pode ter outras consequências cognitivas a longo prazo.👉Os dados assustam pois a obesidade infantil não é um quadro benigno: mais de 80% se tornarão adultos com obesidade e há consequências metabólicas e cardíacas. O tratamento é extremamente difícil. 👉As estratégias para mitigação de riscos certamente passam por questões governamentais, principalmente quando envolvem populações mais pobres, com menos acesso à alimentação saudável, mas deixo aqui o alerta para não negligenciarmos os cuidados com estilos de vida de nossas crianças, achando que “quando a pandemia terminar, tudo volta ao normal”. Ref: Childhood obesity: a growing pandemic. Lancet Diab Endocr 2021 #obesidadeinfantil (en Portugal) https://www.instagram.com/p/CXJyHlPoLXC/?utm_medium=tumblr