As pessoas dão sinais, os animais dão sinais, a natureza dá sinais, você entra numa tormenta, não é por falta de aviso.
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As pessoas dão sinais, os animais dão sinais, a natureza dá sinais, você entra numa tormenta, não é por falta de aviso.
O que me deixa triste é que você não se importou com a minha partida, eu fui aquele tanto faz, e eu, juro, só queria morar no seu abraço, me sentir segura e quentinha. Hoje aprendi a viver no frio, aprendi que no final é ele que me protege de verdade, o frio, o inverno se tornou a melhor parte de mim, até quando eu me abro e deixo o sol entrar, não consigo descongelar, e por mais que achem que eu estou derretendo, eu não estou, são apenas pequenas gotas de amor que o frio logo as congela novamente.
Florejus, a flor de inverno
Ao ler a postagem da @florejus — “Te amar é a melhor parte da minha existência” — e depois mergulhar nos recados que se desdobraram como ecos de um coração coletivo, percebi que o amor é um corredor infinito onde cada porta se abre para um quarto trancado de alguém.
Alguns ainda estão dentro. Outros partiram e deixaram a luz acesa.
Fiquei ali, lendo cada confissão, cada raiva engolida, cada tremor de quem ama sem ser visto… e pensei: o amor, talvez, seja o idioma mais fluente da solidão.
Tem gente que ama calado, como quem segura um copo trincado e ainda assim tenta beber devagar, mesmo que o corte na boca sangre lembranças.
Tem gente que ama gritando, ofendendo, cuspindo espinhos — porque o silêncio virou cárcere e o sentimento ficou grande demais para caber no peito.
E entre declarações, despedidas e pedidos de socorro disfarçados de poesia, me dei conta: todos ali estavam tentando, de algum jeito, serem ouvidos por alguém que talvez nunca leia… Mas mesmo assim escreveram. Porque amar é, antes de tudo, continuar escrevendo.
Mesmo quando a caneta falha. Mesmo quando a folha rasga. Mesmo quando a pessoa não volta.
Amar é deixar recados, mesmo que ninguém responda.
eu nunca soube lidar com despedidas, mas a sua foi a que mais me doeu.
[eu nunca quis te dizer adeus]
nevalisca.
Por fim inspirei fundo. Cada centímetro dos meus pulmões sendo absurdamente preenchidos pelo ar quente da vida adulta, e então decidi recomeçar. Não que eu de fato soubesse pra aonde a gente vai quando precisa ir embora de si mesmo, mas ainda assim continuei. Uma boa olhada no cômodo. Uma boa olhada na vida, tudo aparentemente igual. As mesmas camisas enfileiradas, as mesmas canecas no porta louças, a mesma calçada, a mesma rua, a mesma casa, as mesmas contas, as mesmas preocupações, o mesmo caos. Mas eu não. Eu não era mais a mesma pessoa. Não queria as mesmas camisas, nem a mesma estrada, que levava sempre pro mesmo lugar, pro mesmo caos e preocupação de sempre. Então respirei fundo e recomecei. Algumas batidinhas frenéticas da unha no mármore da cozinha, um copo de coragem e pronto! Um passo de cada vez, um laço de cada vez. Depois disso ouvi Caetano, Catedral, Frejat, tomei uns drinks, chorei um pouco. Eu não era o primeiro coração partido na história da humanidade, havia um milhão de músicas sobre isso. Todo mundo sofre, e tá tudo bem.
Ciceero M.
2 anos, ou 4, ou 8
não são capazes de cortar laços. não apagam memórias nem destroem o sentimento: ele adormece, mas não morre. está sempre pronto para despertar e trazer ao peito o aconchego da proximidade que permanece intacta.
relembrar é como um sopro gelado em meio ao calor infernal do verão - as risadas, a gratidão e mesmo o lamentar de coisas perdidas parecem reviver (e revivem) toda a trajetória como se ela não tivesse ficado em pausa.
Reprovador, com amor, para Florejus.
Borboletas na imaginação
Naquele dia de verão
A tarde demorou para passar,
A brisa fresca no rosto e um clássico de Shakespeare nas mãos.
Entre dois mundos habitava a garota com borboletas na imaginação,
Em um, os delírios de sua alma vivia
E em outro, apenas sustentava o peso do seu corpo.