Entropia
Me peguei acendendo um Marlboro vermelho na janela. Porra, eu não fumo, pensei comigo; não sóbrio pelo menos. Tratei de corrigir isso e me servi de uma dose uísque.
Quem fumava nessa janela era ela... pensei.
Fumava, pretérito imperfeito, tão imperfeito quanto a vida. Imperfeito como a fiação velha que queima uma lâmpada após outra no pequeno corredor que eu chamo de cozinha, o piso soltando no quarto, o box que não fecha no banheiro, ou essa velha janela --- janela onde ela fumava e agora só fumo eu.
As coisas se desarrumam mais rápido do que eu consigo arrumar. E, bom, acho que com o nosso relacionamento foi assim também.
Entropia. A gente joga o nosso jogo e o universo o dele. O pequeno pézinho de cannabis tentando brotar num pote de margarina me mostra que enquanto há vida há resistência. Mas não se enganem, no fim o universo vence.














