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Cabeça de Cópula
Sorrio para o precipício De minha presença confiante Seu reflexo assalta-me vaidades Sou eu, uma grande conclusão inacabada
Quando ela entra no quarto, o tempo distorce-se Tudo inclina-se a sua anca, paredes emudecem-se Os espelhos se destrocem em sua presença A minha banalização bota-se em urgência
O sermão monótono nos morde Cheiro pecado, sorriso mofado Impreciso rasgando-se em tua pele Soletrando infidelidade na minha carcaça
O duplo sentido do nosso sexo O sextil espírito, consumamos carne Aspecto volátil da tormenta humana O deleite como tal espiritualidade
E sabes que pouco me pareço com ele Eu sou ameno e em tuas entranhas lancinante Embora, eu tenha seus trejeitos Pois todos o têm, ele fora paternal nisso
Fazes o que fazes com deselegância harmoniosa Eu poderia? Sem dúvida! Eu quis? De maneira alguma Mas eu fiz mesmo assim, Impulsionado pelo teu toque Que me prometera alcançar outros mundos
Xícaras trincadas Para líquidos imundos Vestimenta anjo caído Para reis do submundo
O que eu faria além da minha presença Contaminando o solo e a virtude Entretanto, completamente embebido Em teus olhos de uísque...
Doses de fé.
Doses of faith.
Amém 🙏🏿
Entropia
Me peguei acendendo um Marlboro vermelho na janela. Porra, eu não fumo, pensei comigo; não sóbrio pelo menos. Tratei de corrigir isso e me servi de uma dose uísque.
Quem fumava nessa janela era ela... pensei.
Fumava, pretérito imperfeito, tão imperfeito quanto a vida. Imperfeito como a fiação velha que queima uma lâmpada após outra no pequeno corredor que eu chamo de cozinha, o piso soltando no quarto, o box que não fecha no banheiro, ou essa velha janela --- janela onde ela fumava e agora só fumo eu.
As coisas se desarrumam mais rápido do que eu consigo arrumar. E, bom, acho que com o nosso relacionamento foi assim também.
Entropia. A gente joga o nosso jogo e o universo o dele. O pequeno pézinho de cannabis tentando brotar num pote de margarina me mostra que enquanto há vida há resistência. Mas não se enganem, no fim o universo vence.
o poeta que sou morre todos os dias se refaz, sem alegria sofre de onicofagia ama, assim, em demasia. o poeta que sou tolo! o poeta que sou, às vezes precisa de colo e consolo. aí vem o uísque, o cigarro o violão e o choro. o poeta que sou que se veste com a dor e se esconde no outro. amanhã, sem dúvidas, o poeta que sou vai estar morto.
npjr
Momento simples. Um pouco de uísque puro, um pouco de amendoim, um pouco de paz.
O velório de coelhos brancos Onde o crematório era o meio A oração o fim O começo o funesto desejo O rosto rebaixado em uma forma física Jamais faria indulgências a fluída do caput Com temores dos narizes fúcsia rubi O neon cristalizado como algo que não me pertence Sobra enceradeira à valsa Que guia-nos sempre aos dentes do lobo Os rostos mortos que nunca esqueço São o dejejum do corvo Acorde sob as sirenes Que entoam tua vida favorita No corpo de outro Em uma palheta de cores agradável Perturba-me o coração com frieza E o distanciamento Quando vi passei por outro dia Outra tortura e meia soletrada ao pé do ouvido Sem sinos, sem vestidos ou línguas Tecendo um corpo Quasímodo Como o segredo mais delicioso Que amantes teriam vergonha de exibir Transparência cor de uísque Denso como a ciência Coloração carmesim pós-coito Boto ardência gim-tônica espelho Brandando aos reis sóis de duplos corações Bolsos, romantismo e vigor estético Receptáculo de vinte e seis personas Onde fora servil a cada uma delas
Rey En Bemol, Pierrot Ruivo
Eu acho que me tornei minha mãe, porque minha mãe, sempre antes de dormir, assiste a um filminho, bebe o uísque dela e dorme. E eu faço a mesma coisa, só que com vodca.