RELATÓRIO CONFIDENCIAL: AMOSTRAS E RESULTADOS
Poucas foram as vezes que a presença do diretor daquela instituição fez-se necessária nos laboratórios. Era rotina a confecção de relatórios sobre todas as experiências desenvolvidas dentro da academia, tanto quanto na criação de novos acessórios visando a facilitação do uso dos poderes dos estudantes, quanto os testes feitos neles próprios. Toda vez que um estudante era analisado, várias e várias páginas eram redigidas e enviadas diretamente para a sala do Dr. Everett, no último andar.
Alguns funcionários mais novos, como os assistentes dos laboratórios, não faziam ideia de como era a face do dono de todo aquele império. Não até aquele momento.
Quando o relógio marcou dez para às uma da manhã, horas após o toque de recolher para os estudantes e sem o perigo de ser interrompido naquela visita, as portas do elevador se abriram, dando espaço para o homem de cabelos e barba branca. Usava um pequeno óculos banhado a ouro, que valorizava seus olhos azuis, interligado por uma corrente dourada até o bolso do seu terno elegante e de corte fino. Os passos largos até a sala de reunião dos geneticistas ecoaram por todo o andar, enquanto todos mantiveram silêncio.
Apreensivo, um dos cientistas esperava Dr. Everett na porta e curvou-se em respeito ao seu chefe. “Espero que seja de extrema importância sua descoberta para que me tenha feito vir até aqui. Realmente isso não poderia ser enviado por relatório?” O cientista, com apenas o sobrenome Kim gravado em seu identificado, recebeu o questionamento enquanto ainda estava com o tronco abaixado.
“Receio que não, senhor. Precisamos que tenha total ciência do que descobrimos, é preciso ver com os próprios olhos.”
As salas de testes dos laboratórios da The Genesis Academy, situadas nos andares mais altos dos prédios, são divididas entre graus de periculosidade e contágio dos patogênicos e outras substâncias analisadas. Alguns mais brandos em seus sintomas, de contaminação extremamente rápida, mas não letais, ficam na sala A1. Enquanto em outro setor, ficam as amostras com sintomas mais graves e letais, no entanto, com o contágio mais lento. Nesse setor, A2, também costumam se analisar os genes dos estudantes da academia. São dez anos de trabalho naquela área para analisar, classificar e descobrir a origem das mutações; também é nesse setor que Dr. Everett e o Dr. Kim adentraram devidamente protegidos por seus trajes herméticos.
Sobre uma mesa de vidro larga e retangular, eram dispostos diversos instrumentos de análise. Na estante de tubos de ensaio, três deles estavam cheios com uma substância de cor magenta, que logo o Dr. Everett pensou ser as amostras recuperadas por Yulu Sun e Chen Zhao. As implicações daquela missão eram muito maiores que os ferimentos sofridos pelos jovens, Everett não possuía tanto tempo para saber como cada aluno estava se recuperando da missão.
Na frente dos tubos de ensaio, três placas de petri continham materiais biológicos, ou melhor, fluídos corporais como sangue… Mas a estrela do show mesmo era a cabeça necrosada disposta dentro de uma caixa de vidro no outro lado da sala. A figura era monstruosa e nojenta, tendo a carne podre exposta completamente e cada vez mais desgrudada da estrutura óssea.
“Quando recebemos as amostras da infiltração, demoramos um pouco para perceber os detalhes dos dados e da constituição do líquido. Eram semelhantes com algo que já tínhamos analisado, mas dessa vez parecia mais sofisticado… Melhorado.” Dr. Kim começou sua explicação. “Quando descobri o agente patogênico presente na substância, percebi que era uma versão evoluída do agente patogênico encontrado naquela amostra.” O coreano apontou para a cabeça na mesa. “Estamos ainda no processo de identificar o micro-organismo, mas é quase certeza que isso resultou naquilo.”
Everett mantinha-se em silêncio, firme e frio, escutando cada detalhe do que o cientista falava, guardando suas perguntas para o fim.
“Mas o que eu realmente quero que o senhor veja, é isto.” Kim ajeitou as luvas do traje e com cuidado, utilizou uma pipeta graduada para retirar um pouco da substância magenta de um dos tubos de ensaio. “Nessa primeira placa temos uma amostra de sangue minha. Não tenho nenhum traço de mutação no meu DNA.” Dita a frase, ele pingou o líquido na placa. Nenhum tipo de reação foi vista.
“Agora, essa segunda placa possui uma amostra com o sangue de um dos nossos alunos.” Assim que a gota entrou em contato com o fluído, o sangue borbulhou por alguns segundos até a última bolha estourar e voltar ao normal aparentemente. “E é assim que a amostra com traços de mutação fica após quatro dias.” Kim puxou a terceira placa a frente, mostrando um líquido viscoso amarelado escuro. Bem diferente do que é considerado normal para sangue. “Pensando em escala corporal, alguém com traços de mutação ficará daquele jeito após a infecção. Seja o que for o plano deles, está longe de ser uma cura forçada como a nossa teoria inicial.”
“Essa é a única forma de transmissão?” O suspiro longo e frustrado de Everett dominou a sala, mesmo que ninguém tenha escutado-o por completo. “Quero uma força tarefa para identificar o micro-organismo e reverter essa situação.”
“Dr. Everett… Faremos o possível, mas creio que não tenhamos tempo. Se… O que temos aqui é uma amostra líquida. Não sabemos se esse patogênico também pode ser transmitido pelo ar.”
“O que quer dizer com isso, meu jovem?” Dr. Everett questionou exaltado, lembrando das coordenadas descobertas na mensagem criptografada. “Você acha que eles irão tentar recriar os ataques?”
“É bem provável… Mas dessa vez é para exterminar todos eles.”












