don't let me down at the peppermint lounge nyc oct 24 1981

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don't let me down at the peppermint lounge nyc oct 24 1981
The Cramps + Circle Jerks
Peppermint Lounge, NYC
Saturday- 27 June 1981
The beatles and Cynthia Lennon at the Peppermint Lounge in New York City, 1964🌻🌻🌻
Via @beatles.muses on Instagram🌻
The Rolling Stones at the Peppermint Lounge, circa 1964, photographed by Jim Mooney.
“One gets the feeling from the title and cover art alone that if the Cramps could have released this live document in Glorious Smell-o-rama they would have jumped at the chance.” From Allmusic website.
40 years ago the Cramps (aka the perverse Addams Family of punk) recorded their essential live album The Smell of Female over two nights (25 – 26 February 1983) at The Peppermint Lounge in New York City!
The Beatles visit The Peppermint Lounge on their first night in the United States in New York City, New York, USA
February 7, 1964
Via Michael Ochs
Os 40 anos de Smithereens, o filme de Susan Seidelman que capturou as derradeiras cenas do decadente cenário punk-rock norte-americano.
Por Cláudio Suenaga
Estrelado por Susan Berman, Brad Rijn (anunciado como "Brad Rinn") e o ícone do punk rock Richard Hell, baixista da banda pré-punk Television entre 1973 e 1975 e considerado o primeiro artista a exibir uma postura realmente punk, que seria imitada e usada como inspiração até hoje, Smithereens segue Wren (Susan Berman), uma jovem pra lá de narcisista de Nova Jersey que vai para o epicentro de Nova York na esperança de se tornar uma figura de proa na cena punk rock em declínio apenas para descobrir que o movimento está agora gravitando em Los Angeles. A fim de sobreviver, ela se envolve em vários relacionamentos parasitários, mudando sua lealdade para novos "amigos" em um esforço contínuo para finalmente se apaixonar por alguém que financiará seu estilo de vida desejado.
Smithereens marcou a estreia do roteirista indicado ao Oscar Ron Nyswaner (Filadélfia, 1993) e traz uma trilha sonora do The Feelies (banda de pós-punk norte-americana, formada em 1976 na cidade de Haledon, Nova Jersey, por Bill Million e Glenn Mercer). Foi o primeiro filme independente norte-americano convidado a concorrer à Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 1982. Foi Smithereens que levou a diretora Susan Seidelman a Hollywood para que produzisse seu próximo filme, este assumidamente comercial: Desperately Seeking Susan (Procura-se Susan Desesperadamente, 1985), com Rosanna Arquette e co-estrelado por ninguém menos do que Madonna, no início de sua ascensão à popularidade após os sucessos de 1984-85 de seu álbum Like a Virgin. Ambos os filmes compartilham temas semelhantes de egocentrismo, identidade feminina, empoderamento e auto-reinvenção.
Na época em que o filme foi lançado, Nova York ainda era um lugar onde parecia possível descobrir quem você realmente era. Se você fosse um artista, um punk, um deslocado, um outsider ou um vagabundo fugindo de uma pequena cidade ou do subúrbio, o centro de Nova York era uma meca e um refúgio – perigoso, mas barato e cheio de gente descolada.
Smithereens começa com um ato criminoso - um entre tantos ao longo do filme -, um pequeno roubo, rapidamente realizado por Wren. Na cena de abertura, vemos um par de óculos de sol xadrez preto e branco pendurados tentadoramente na mão de um mulher. Quando Wren entra em cena com sua minissaia vinil xadrez, fica óbvio que ela precisa roubá-los. Quem pode culpá-la? Ao som frenético de "The Boy with Perpetual Nervousness", do The Feelies, Wren desce correndo os degraus do metrô em suas meias arrastão e sapatos prateados brilhantes com meias listradas, pula em um vagão pichado e passa a colar panfletos como se nada tivesse acontecido.
Ela está engajada em uma campanha auto-publicitária na tentativa de promover a si mesma colando por todos os cantos da cidade, até os menos visíveis e improváveis, fotos xerocadas de seu próprio rosto com a misteriosa legenda "QUEM É ESTA?". Ela trabalha meio período em uma fotocopiadora durante o dia, onde aproveita de sua posição lá para imprimir sorrateiramente seus folhetos inerentemente warholianos. Onde mais você poderia imprimir seu zine, romance, história em quadrinhos ou panfletos sem precisar gastar dinheiro?
Depois que Wren entrega a Paul (Brad Rijn), um tímido jovem do campo e iniciante artista plástico nativo de Montana, um panfleto no metrô, Paul segue Wren para seu trabalho na copiadora e volta à noite para esperar o fim do turno. Paul se estabeleceu brevemente na cidade antes de seguir para New Hampshire e dorme na parte de trás de sua van grafitada e em cacarecos, estacionada em um terreno baldio ao lado da West Side Highway. Ele guarda sua navalha no porta-luvas e usa o espelho retrovisor para se barbear. Quando Paul expressa interesse em Wren, ela o esnoba mas enfim concorda em sair com ele, embora seja emocionalmente abusiva e deixe claro para Paul que está mais interessada na estabilidade que ele pode oferecer a ela.
Logo em seu primeiro encontro, um táxi para no clube, e uma loira dentro dele grita "Eu te odeio!" ao punk totalmente imperturbável Eric (Richard Hell), ex-membro do Smithereens, um grupo punk da década passada. "Acho que conheço aquele cara", diz Wren a Paul, que é preterido e deixado de lado. Embora agora esteja desempregado e morando no apartamento de outro punk chamado Billy (Roger Jett), Eric afirma estar montando um novo grupo que em breve irá para Los Angeles. Wren deixa Paul para morar com Eric e logo é forçada a sair depois de um confronto com uma loirinha sem nome (Kitty Summerall) que mora no apartamento.
Voltando ao seu próprio apartamento, Wren descobre que seus colegas de quarto fugiram em sua ausência e que sua senhoria a trancou com cadeado com todas as suas coisas lá dentro como caução dos quatro meses de aluguel que está devendo. Wren visita seu irmão e cunhada na tentativa de obter um empréstimo, mas eles recusam alegando que Wren já os enganara no passado e que só aparecia por lá quando precisava de dinheiro. Sem ter para onde ir, Wren volta para Paul e o persuade a ajudá-la a invadir seu antigo apartamento para recuperar suas coisas. Os dois retomam um relacionamento desconfortável, com Paul permitindo que Wren durma na parte de trás de sua van à noite.
Eric encontra Wren e diz a ela que eles devem ir para Los Angeles, mas que precisam de dinheiro para pagar transporte e comida no caminho. Eric bola um golpe que consiste em Wren seduzir um homem casado e carente em um bar e botá-lo em um táxi, dentro do qual Eric rouba seu relógio e todo seu dinheiro. Com o suficiente para irem a Los Angeles, Wren retorna à van de Paul apenas para pegar suas coisas. Voltando ao apartamento de Eric, Wren descobre por Billy que Eric pegou todo o seu dinheiro e foi para LA sozinho. Confrontando a mulher loira sem nome na escada, Wren descobre que ela é a esposa de Eric e que ele tem um histórico de se aproveitar de mulheres vulneráveis para seu próprio ganho financeiro. Nota: essa loirinha é a mesma que gritou a Paul "Eu te odeio" de dentro do táxi.
Sem alternativa, Wren retorna a Paul, mas descobre que ele vendeu sua van por US$ 700 para um cafetão local e usou o dinheiro para continuar sua viagem. Olhando dentro da van, Wren descobre que Paul deixou para trás um retrato em aquarela que ele fez dela.
Agora sem-teto, Wren vagueia pela cidade sem rumo, até que ela é assediada por um homem em um conversível. Embora ela inicialmente ignore os avanços do homem, sua situação a obriga a aceitar a proposta dele.
Wren, em seu extremo egocentrismo, auto-ilusão, superficialidade e desejo de auto-satisfação, é uma das personagens mais intragáveis e detestáveis da história do cinema, e por isso mesmo exerce um estranho fascínio. A centralidade nela mesma se expressa em seu ponto máximo quando traça ao redor de si um semicírculo delimitador com a tinta spray com a qual ela andava pixando a cidade para chamar a atenção para seu próprio retrato.
Wren anseia pela fama, mas não tem nenhum talento real para conquistá-la, e se vê relegada a se esgueirar para o submundo punk remanescente da cidade, o Peppermint Lounge, no que tenta agradar as bandas que tocam lá na esperança de que um deles a aceite como groupie. Ela come batatas fritas do prato de outra pessoa, engana o segurança do clube, entre em luta livre wrestling com uma rival e surfa de sofá em sofá (mais precisamente, de andar em andar). Ela evita o envolvimento romântico com o cara legal Paul, mas faz planos para um futuro possível com o cafajeste Eric.
O temperamento abrasivo e agitado de Wren antecipou o dos jovens de hoje, quando a maioria se pretende tornar "influenciadora" nas mídias sociais. E tal como acontece nessas redes, os amigos de Wren são inúmeros, espalhados aqui e ali, porém na verdade ela não conhece de fato ninguém e está sempre sozinha. E tal como as pessoas hoje em dia, ela parece inconscientemente buscar um tipo de reconhecimento misturado com um sentimento de pertencimento.
Filmado em 16mm com baixíssimo orçamento (US$ 40 mil) e clandestinamente nas ruas sem permissão, em "estilo guerrilheiro", com os transuentes servindo involuntariamente de extras, Smithereens apresenta um retrato cru mas um tanto estilizado de Nova York e atola a instável Wren na sujeira e decadência "glamurosa" do período.
Seidelman criou um visual distinto para Wren, com roupas com padrões ousados e estampas chamativas. Um par de meias arrastão se repete no personagem, ficando mais rasgado à medida que a história avança. Seus trajes evocam o seu desejo de atenção dos outros. Essa sensibilidade fashion de Seidelman se estende a todo o visual do filme com sua proposta de uma Nova York underground: as mini-televisões, colchões e caixas de cereais no chão, os solos de guitarra implacáveis dos Feelies ecoando nas ruas, mas sem o verdadeiro perigo e escuridão daquela era de crise econômica e alta criminalidade.
Smithereens ecoa muito do cinismo e da frustração da época na atitude assertiva de Wren e na estética DIY (Do It Yourself) relativamente econômica do filme. A estética DIY, aliás, é um conceito criado a partir do movimento punk, o qual pregava uma contracultura ao consumismo desenfreado e irresponsável da sociedade. Acontece que o tiro saiu pela culatra e a estética do "feito a mão" dos punks acabou se tornando uma tendência e foi adotada pelo mercado da moda dos anos 70 até os dias de hoje, assim como a contracultura dos hippies já havia sido absorvida pela indústria. A moda de rua – ou moda rebelde – se tornou algo definitivo graças em grande parte a Smithereens.
A carreira de Seidelman foi catapuldada depois que Smithereens competiu pela Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 1982. Ela pôde então contar com orçamentos bem mais generosos e conceitos mais elevados. Mas apesar de seu sucesso comercial, a carreira de Seidelman está profundamente enraizada no amadorismo punk e é parte integrante da história do cinema independente vital de Nova York. Conforme declarou, “Punk era sobre redefinir as regras e quebrar as regras. Acho que o mesmo vale para o cinema punk."
A própria Seidelman, tal como Wren, foi a Manhattan procurando seu lugar, ela que cresceu nos subúrbios da Filadélfia e se formou na Abington Senior High School, Pensilvânia, em 1969. De volta à Filadélfia, Seidelman estudou design de moda no Drexel Institute of Technology (agora Drexel University), mas descobriu que detestava costura. Depois de fazer um curso de apreciação cinematográfica onde se inspirou na Nouvelle Vague francesa, particularmente nos filmes de Jean-Luc Godard e François Truffaut, assim como Ingmar Bergman, ela mudou seu foco para o cinema.
O que ficou com ela, no entanto, foi a ideia de usar roupas para definir um personagem – como significantes de transformação. Os óculos de sol que Wren roubou vieram de uma antiga loja punk no East Village dirigida por Patricia Field, que mais tarde abriria suas próprias butiques e se tornaria a figurinista de Sex and the City (Seidelman dirigiu o piloto do show). Wren passa um pouco de batom vermelho e coloca outro par de óculos de sol antes de posar ao lado de um pôster de Eric e de sua banda e tirar uma série de autorretratos Polaroid. Significativamente, quando sua senhoria tranca a porta com o cadeado, ela persuade Paul a ajudá-la recuperar peças cruciais de seu guarda-roupa.
A estética punk, como já havia dito inicialmente, deve muito ao baixista e compositor Richard Hell (nascido em 1949), que gostava de ser original, de inventar moda e estilos. Foi ele quem criou parte da moda punk usando cabelos espetados, roupas rasgadas e com rebites. Conviveu com Malcolm McLaren (produtor musical de New York Dolls, Sex Pistols e outras bandas punks), que passou sua experiência de moda punk juntando o visual de New York Dolls e Richard Hell nos Sex Pistols.
Sua primeira banda foi o Television, formada por Richard e seus amigos de colégio. Quando largaram o colégio e foram para Nova York, o Television se apresentava no CBGB, onde inspirou vários jovens artistas ao visual e modo de vida punk.
Richard Hell saiu do Television após uma disputa motivada pelo desejo de escrever as letras com Verlaine e pela liderança no grupo. Richard circulou então por New York desfilando com uma baby look com a estampa escrita: "Kill Me, Please", a qual inspirou o titulo do livro Please Kill Me, que contém entrevistas com pessoas da cena punk conhecida como punk 77.
Em 1975, Richard Hell formou o Johnny Thunders & The Heartbreakers, tendo Johnny Thunders na guitarra e vocal e Jerry Nolan na bateria. Mas saiu da banda talvez pelo mesmo motivo que saiu do Television: excesso de criatividade.
Após sair do The Heartbreakers e ser substituido por Billy Rath, formou a banda The Voidoids sendo: Richard Hell (baixo e vocal), Robert Quine (guitarra), Marc Bell (bateria), Ivan Julian (guitarra). Curiosamente, Marc Bell mais tarde assumiria as baquetas do Ramones com o pseudônimo Marky Ramone.
Richard usava heroína e estava sempre metido com drogas. Mas no aspecto criatividade, chegava a ser nostálgico em suas letras, tendo como característica o humor negro juvenil ao escrever. Um exemplo disso é o titulo daquela que é considerada a sua melhor canção: "Blank Generation", e que se tornou o titulo do primeiro álbum com os Voidoids.
Assista na íntegra ao filme Smithereens:
David Bowie at the Peppermint Lounge, NYC with Lisa Robinson and Paul Simenon, 1983 © Joe Stevens | Source