Perseu vs Athena - God of War II

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Perseu vs Athena - God of War II
Perseu vitorioso sobre a Medusa
Na mitologia grega, Perseu vitorioso sobre a Medusa é um dos mitos de heróis mais celebrados, simbolizando o triunfo do bem contra o mal, da civilização sobre a barbárie, e a vitória sobre o medo paralisante.
O herói Perseu, um semideus, foi encarregado da tarefa aparentemente impossível de matar a Medusa, a única Górgona mortal. A sua vitória foi possível graças à intervenção divina e ao uso de ferramentas específicas:
Os deuses Hermes e Atena auxiliaram Perseu, fornecendo-lhe armas e conselhos.
Perseu recebeu sandálias aladas (de Hermes), um capacete de invisibilidade (de Hades), uma espada curva (um presente dos deuses, a harpe), e um escudo espelhado ou de bronze polido (de Atena).
Guiado por Atena, Perseu usou o escudo como espelho para não olhar diretamente nos olhos da Medusa – cujo olhar transformava qualquer um em pedra – e assim conseguiu decepar a sua cabeça com a espada.
Após a decapitação, da cabeça da Medusa nasceram o cavalo alado Pégaso e o gigante Crisaor. Perseu, vitorioso, guardou a cabeça da Górgona num alforje mágico e usou-a posteriormente como arma em várias outras aventuras, inclusive para salvar a princesa Andrómeda e transformar o rei Polidectes em pedra.
O mito de Perseu e Medusa tem sido uma fonte de inspiração constante na arte, desde a Grécia Antiga até aos tempos modernos. As representações variam do momento da decapitação ao herói vitorioso segurando a cabeça da Górgona.
As obras mais notáveis incluem:
Escultura em Bronze de Benvenuto Cellini (1545-1554): Localizada na Loggia dei Lanzi, em Florença, é talvez a representação mais famosa. Mostra Perseu nu e musculoso, triunfante sobre o corpo sem cabeça de Medusa, segurando a sua cabeça decepada ao alto. É um símbolo do poder e vitória da razão.
Escultura de Antonio Canova (c. 1801): Uma elegante escultura neoclássica em mármore, que mostra Perseu com um capacete, a cabeça da Medusa na mão e uma espada na outra, numa pose que evoca a harmonia e o idealismo clássico.
Inúmeras representações em vasos de cerâmica gregos mostram o herói em ação, muitas vezes acompanhado por Atena e Hermes, ilustrando a narrativa da perseguição e do abate.
Na pintura destacam-se:
"Cabeça de Medusa" de Caravaggio (c. 1597): Esta obra-prima barroca, pintada no interior de um escudo de madeira, é famosa pelo seu realismo brutal e intensidade psicológica. Caravaggio capta o momento exato do grito de horror e terror da Medusa no instante da decapitação, com cobras a contorcerem-se no seu cabelo e sangue a jorrar do pescoço. A pintura é um símbolo da vitória da razão sobre os sentidos e pode ser vista na Galeria Uffizi, em Florença.
O pintor barroco italiano Luca Giordano (1634–1705) criou várias obras notáveis centradas no mito de Perseu, ilustrando o seu triunfo sobre a Medusa e as consequências desse feito.
As principais pinturas de Giordano sobre o tema são:
"Perseu com a Cabeça de Medusa" (c. 1699-1702): Esta é uma das representações mais diretas do herói vitorioso. A pintura, a óleo sobre tela, mostra Perseu segurando a cabeça decepada da Medusa. A obra faz parte de uma série de pinturas mitológicas e pode ser admirada no Museu Nacional do Prado em Madrid.
"Perseu e Medusa" (c. 1660): Uma versão anterior do artista, que capta o momento antes da decapitação, com Perseu a olhar para o reflexo da Medusa no escudo de Atena. Esta obra está localizada no Museu e Real Bosco di Capodimonte em Nápoles.
"Perseu Transformando Fineu e os Seus Seguidores em Pedra" (c. 1660): Esta pintura dramática ilustra um episódio posterior do mito, onde Perseu usa a cabeça da Medusa como arma para petrificar os seus atacantes durante o banquete de casamento de Andrómeda. A obra é notável pelo modo como Giordano ilustra vividamente a carne dos agressores a transformar-se gradualmente em pedra. Pode ser vista na National Gallery em Londres.
As obras de Giordano sobre Perseu destacam-se pelo seu dinamismo, pelo uso dramático de luz e sombra, e pela sua mestria em captar a intensidade e o movimento característicos do período Barroco.
"Perseu e Andrómeda" de Peter Paul Rubens (c. 1622): Embora se foque na história subsequente, a obra de Rubens mostra Perseu já vitorioso, com a cabeça da Medusa amarrada para salvar a princesa Andrómeda do monstro marinho. A pintura barroca é vibrante, dinâmica e cheia de movimento, contrastando a nudez pálida da princesa com a armadura cintilante do herói.
"A Cabeça de Medusa" de Peter Paul Rubens (c. 1617-1618): Uma versão diferente da sua pintura de "Perseu e Andrómeda". Esta obra foca-se apenas na cabeça decepada da Medusa, com um realismo horripilante, rodeada por serpentes e com sangue a escorrer. Pode ser encontrada no Kunsthistorisches Museum em Viena.
"Perseu Confrontando Fineu com a Cabeça de Medusa" de Sebastiano Ricci (Início do século XVIII): Esta pintura barroca captura um episódio posterior do mito, no banquete de casamento de Perseu. Ricci usa diagonais fortes e figuras em movimento intenso para ilustrar a batalha e o momento em que Perseu petrifica os seus oponentes com a cabeça da Medusa.
"Medusa" de Arnold Böcklin (c. 1878): O pintor simbolista suíço criou uma representação da Medusa que inspira empatia em vez de medo, mostrando um rosto melancólico e belo. Esta abordagem mais complexa da personagem alinha-se com as reavaliações modernas do mito.
A Série "O Mito de Perseu" de Edward Burne-Jones (1875-1898) é uma obra monumental do movimento Pré-Rafaelita e Simbolista, que se distingue por abordar a narrativa mitológica de forma poética, lírica e como um ciclo completo, em vez de se focar num único momento dramático. A série foi encomendada por Arthur Balfour para decorar a sala de música da sua residência em Londres.
A série é composta por dez painéis principais e vários estudos, que ilustram a história completa do herói, desde a sua conceção milagrosa até ao seu regresso e a salvação de Andrómeda. O objetivo era contar a história visualmente, quase como um mural decorativo e contínuo.
As pinturas abandonam o realismo intenso do Barroco e do Neoclassicismo em favor de um estilo mais plano, decorativo e focado no design. As figuras são esguias e etéreas, as cores são suaves e a atmosfera é de sonho e misticismo.
Burne-Jones focou-se nos aspetos mais melancólicos e fatídicos do mito. As suas Górgonas são figuras de beleza trágica, em vez de monstros horríveis, e a Andrómeda é uma figura de espera paciente e sofrimento silencioso.
A série inclui obras icónicas como "O Chamado de Perseu", "Perseu e as Graias" (as irmãs que partilham um olho), "O Encontro de Medusa", "O Rochedo da Perdição" e "A Perdição Cumprida".
As obras originais estão dispersas por várias coleções, incluindo a Tate Gallery em Londres, que detém muitos dos estudos preparatórios e esboços, e o Southampton City Art Gallery.
"Perseu" de Gustave Moreau (c. 1870): Moreau afasta-se da ação dramática para se focar na atmosfera, no mistério e no simbolismo psicológico. A cena é estática, quase onírica, com uma paleta de cores ricas, mas subtis.
O herói é frequentemente representado por Moreau de forma quase andrógina, com uma beleza idealizada e melancólica, mais um visionário ou um eleito dos deuses do que um guerreiro musculado.
Andrómeda não é uma figura a ser resgatada numa explosão de heroísmo, mas sim uma vítima sacrificial, acorrentada a um rochedo num ambiente desolado e hostil, o que acentua o seu destino trágico.
O monstro marinho é representado de forma fantástica e bizarra, e todo o cenário é inóspito e surreal, enfatizando o lado esotérico e a batalha entre forças sobrenaturais.
Esta pintura a óleo sobre painel pode ser vista no Bristol Museum & Art Gallery, no Reino Unido. Outras versões e estudos do artista podem ser encontrados no Musée Gustave Moreau em Paris.
A pintura é um excelente exemplo de como Moreau utilizava a mitologia para explorar temas de pureza, destino e o conflito entre o idealismo espiritual e a corrupção mundana.
O mito é, acima de tudo, uma narrativa de triunfo. Perseu representa o herói virtuoso, a personificação da coragem e da inteligência que, com a ajuda divina, derrota um mal monstruoso. Esta mensagem de esperança e ordem contra o caos é universal.
Especialmente no Renascimento e no Neoclassicismo, o mito foi interpretado como uma alegoria da razão a vencer a irracionalidade ou a paixão (Medusa), que paralisa e petrifica a lógica.
A figura da Medusa oferece aos artistas uma oportunidade única de explorar o grotesco, o horrendo e a estética do sublime – a atração e o terror simultâneos perante algo monstruoso, como se vê na intensidade da "Cabeça de Medusa" de Caravaggio.
A complexidade da narrativa — a decapitação, o voo com as sandálias aladas, o uso do escudo como espelho — desafiou os artistas a inovar nas suas representações de movimento, perspetiva e dramatismo. A escultura de Benvenuto Cellini, por exemplo, é um triunfo da fundição em bronze e do contrapposto renascentista.
Em períodos como o Romantismo e o Simbolismo, o mito foi reinterpretado para explorar o inconsciente, o esotérico e o psicológico. Artistas como Burne-Jones e Moreau usaram a história para abordar temas mais profundos de destino, pureza e o onírico.
A relevância duradoura do mito na arte demonstra a sua capacidade de se adaptar às sensibilidades de cada época, permanecendo uma fonte inesgotável de inspiração visual e conceptual.
6 de Dezembro de 2025
Dânae recebendo a chuva de ouro
A história de Dânae recebendo a chuva de ouro é um tema famoso da mitologia grega, simbolizando a união entre o divino e o mortal e a inevitabilidade do destino.
Dânae era filha de Acrísio, o rei de Argos. Um oráculo previu que Acrísio seria morto pelo filho de Dânae, o que o levou a trancá-la numa torre de bronze (ou numa câmara subterrânea), para evitar que ela tivesse qualquer descendência.
No entanto, Zeus, o rei dos deuses, apaixonou-se por ela. Como não conseguia visitá-la da forma convencional, transformou-se numa chuva de ouro que se infiltrou através do teto ou de uma pequena abertura do seu confinamento, seduzindo e engravidando Dânae.
Esta metamorfose em chuva de ouro é um dos exemplos mais famosos das muitas transformações que Zeus adotou para as suas conquistas amorosas, contornando obstáculos e a vigilância de pais ou maridos ciumentos.
Dessa união nasceu Perseu. Quando Acrísio descobriu o nascimento do neto, não quis incorrer na ira dos deuses matando-os diretamente. Em vez disso, colocou Dânae e o pequeno Perseu num baú de madeira e lançou-os ao mar. O baú foi levado pelas correntes até à ilha de Sérifos, onde foram resgatados por um pescador chamado Dictis, que os acolheu e criou a criança.
Perseu sobreviveu e cresceu, tornando-se um herói renomado. Anos depois, sem guardar rancor do avô, ele quis regressar à Grécia e conhecê-lo. Ao participar numa competição de atletismo realizada pelo rei de Larissa, Perseu arremessou um disco. Uma rajada de vento (ou, em algumas versões, a vontade dos deuses, garantindo que o oráculo se cumprisse) desviou o disco, que atingiu fatalmente a cabeça de Acrísio, que estava na arquibancada a assistir aos jogos.
A morte de Acrísio foi um acidente trágico e não intencional, que acabou por cumprir, ironicamente, a profecia da qual ele tentara fugir a vida inteira.
O episódio da "chuva de ouro" foi frequentemente representado na arte ocidental, especialmente durante o Renascimento, devido ao seu potencial erótico e simbólico.
Ticiano pintou pelo menos seis versões da composição, entre 1544 e 1560, sendo uma das séries mais famosas.
A versão de Gustav Klimt, de 1907, é conhecida pelo seu erotismo e uso intenso do dourado, característico do seu "período de ouro".
Outros artistas a pintar o tema foram Correggio, Charles Joseph Natoire ou Jan Gossaert (Mabuse).
A representação artística muitas vezes foca-se na figura reclinada de Dânae, com a chuva de ouro a cair sobre ela, frequentemente com uma criada a tentar apanhar as moedas numa bandeja ou pano, ilustrando a natureza da união divina.
26 de Novembro de 2025
Andrómeda e o Dragão
Andrómeda, princesa da Etiópia, é oferecida como sacrifício para aplacar a fúria de Poseidon. Acorrentada a um rochedo e exposta a um dragão marinho, é resgatada pelo herói Perseu, que mata o monstro e, mais tarde, se casa com ela.
Andrómeda era filha de Cefeu, rei da Etiópia, e de Cassiopeia. A mãe de Andrómeda afirmou que a sua beleza excedia a beleza das nereidas (ninfas do mar, filhas de Nereu e de Dóris), e Poseidon, ofendido, exigiu que ela fosse sacrificada a Ceto, um monstro marinho. Porém, Perseu, voando com as sandálias aladas de Hermes, libertou-a do perigo e casou-se com ela.
Uma versão diferente e mais racionalizada do mito é apresentada pelo mitógrafo Conon.
Segundo ele Cefeu, irmão de Fineu, era rei de Jope e da Fenícia, que nesta época se chamava Jopia. Como havia dois pretendentes a Andrómeda - Fineu e Fénix - Cefeu, depois de muito tempo, decidiu que ela se casaria com Fénix. Não querendo entrar em conflito com o irmão, Cefeu disse que levaria Andrómeda para uma ilha deserta, onde ela seria sacrificada a Afrodite. Fénix aproveitou a oportunidade dada pelo futuro sogro e levou Andrómeda no seu navio, decorado com uma baleia, chamado de Cetus. Andrómeda, acreditando estar a ser raptada, gritou por socorro, o que chamou a atenção de Perseu. O herói saltou para o barco com tal fúria, que deixou os marinheiros petrificados e levou Andrómeda consigo para Argos.
Perseu e Andrómeda tiveram vários filhos: Perses, que nasceu antes de Perseu chegar à Grécia, foi deixado com Cefeu, e se tornou o antepassado dos persas, e, em Micenas, nasceram Alceu, Esténelo, Heleu, Mestor, Electrião e a filha Gorgófona, que se casou com Perieres.
Entre os seus descendentes estão Héracles, filho de Alcmena, filha de Electrião; Euristeu, filho de Esténelo; Helena de Tróia, filha de Tíndaro, filho de Gorgófona e Penélope, filha de Icário, filho também de Gorgófona.
Artistas como Piero di Cosimo e Giuseppe Cesari representaram esta cena dramática, focando-se na coragem de Perseu (às vezes montado no cavalo alado Pégaso) a combater a besta, perante a vulnerabilidade de Andrómeda.
O momento mais comum retratado é o clímax da luta, com Perseu atacando o dragão para salvar Andrómeda. O sacrifício de Andrómeda é representado com ela acorrentada a uma rocha ou penhasco, muitas vezes nua e parecendo temerosa e vulnerável. O herói é representado, ora com as sandálias aladas de Hermes calçadas, ora montado sobre o cavalo alado Pégaso, com uma espada, pronto para matar o monstro. As composições também incluem, por vezes, o rei Cefeu e a rainha Cassiopeia, bem como espectadores que reagem à luta, com o povo aclamando a vitória de Perseu e a família aterrorizada.
Além dos já citados, outros artistas se dedicaram ao tema, oriundo da mitologia grega. Juan Antonio de Frías Escalante (Séc. XVII) mostra Andrómeda sozinha e indefesa diante do monstro, antes da intervenção de Perseu. Eugène Delacroix colou o mito de Andrómeda e Perseu ao de São Jorge e o Dragão, na sua obra de 1847. Ticiano pintou uma Andrómeda nua e sensual, acorrentada a um rocha, assistindo à intervenção heroica de Perseu, voando com as sandálias aladas de Hermes e fazendo frente ao monstro marinho. A versão de Veronese, de 1575-80, é muito semelhante à de Ticiano, apenas invertendo a posição dos personagens e colocando o monstro, de boca aberta perante o espetador, preparando-se para devorar Andrómeda. O mesmo se passa com as versões de Carle van Loo e François Lemoyne. Já Luca Giordano mostra Andrómeda em primeiro plano, seminua, enquanto Perseu, montado no cavalo alado Pégaso, se prepara para atacar o monstro. O mesmo fez Rutilio Manetti e Giuseppe Cesari.
Charles Antoine Coypel faz uma composição muito mais completa, com Perseu de sandálias aladas a combater o monstro de espada em riste, perante Andrómeda seminua e amarrada, os pais desesperados na costa, temendo pela vida da filha, e um castelo repleto de povo, assistindo à cena, enquanto ninfas contemplam o drama no mar e um cupido no céu. É o barroco em todo o seu esplendor.
Como Delacroix, inteligentemente, colocou em evidência, existem semelhanças enormes entre este mito pagão e o mito cristão de São Jorge e o dragão, em que o herói cristão salva a cidade de Silene e a filha do seu próprio rei, oferecida em sacrifício ao monstro, ferindo gravemente o dragão e conseguindo dominá-lo. Posteriormente levou o dragão ferido para a cidade, prometendo matá-lo se todos os habitantes se convertessem à fé cristã pelo batismo. A cidade inteira concordou, o dragão foi morto, e todos se converteram ao cristianismo.
A semelhança entre os dois mitos, um da Grécia clássica e outro da Idade Média Cristã, é demasiado evidente para ser uma simples coincidência. Estamos certamente perante mais um caso em que um velho mito pagão foi cristianizado e adicionado ao panteão dos santos e milagres da Igreja.
22 de Novembro de 2025
@joniedouma
Algol de Perseu
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