O filósofo renascentista Michel de Montaigne escreveu no ensaio convenientemente intitulado Dos Canibais que ‘cada homem chama de barbárie aquilo que não é hábito seu’. […] Podemos ter confiança de que o canibalismo é para os perturbados e os desumanos porque estamos presos no que o antropólogo Clifford Geertz chamou de 'teias de significados’. Desde o momento em que nascemos, somos doutrinados por nossa cultura específica sobre os jeitos como a morte é 'feita’ e o que constitui o 'apropriado’ e o 'respeitável’.
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Cada cultura tem rituais de morte com poderes de chocar os não iniciados nela e desafiar nossa teia de significados pessoal, desde a carne torrada da tribo Wari’ ao monge tibetano destruído pelos bicos dos abutres até o longo trocarte prateado perfurando os intestinos de Cliff. Contudo, existe uma diferença crucial entre o que os Wari’ faziam e o que os tibetanos fazem com seus falecidos em comparação ao que Bruce fez com Cliff. A diferença é a crença. Os Wari’ acreditavam na importância da destruição total do corpo. Os tibetanos acreditam que um corpo pode alimentar outros seres depois que a alma o deixou. Os norte-americanos praticam o embalsamamento, mas não acreditam nele. Não é um ritual que nos traz consolo; é uma cobrança adicional de 900 dólares na conta da funerária.