De onde viemos
Grandes pesquisadores e seus colaboradores, de todas as partes do mundo se encontram em uma encruzilhada para as novas descobertas que podem responder, as perguntas mais icônicas sobre “de onde viemos?”. No documentário Origens da Vida (The Shapes of Life), da National Geographic, é explorado a origem da vida pluricelular, seus processos evolutivos e os avanços da ciência diante de novas descobertas, trabalhando novas hipóteses sustentáveis cientificamente. Várias tentativas de explicar a origem da vida pluricelular, foram trabalhadas, o cenário da origem dos animais foi um dos temas mais discutidos durante toda a ciência. Por muito tempo, os pesquisadores chegaram a ter certeza de que o ancestral primitivo dos animais era um animal que nadava ou ao menos rastejava ativamente. Com a chegada da genética e a paleontologia, o animal primitivo é agora um animal incapaz de se mover, sem cabeça, sem cérebro, sem boca e órgão interno, formando apenas um amontoado de células e proteínas.
O animal que é o grande objeto de estudo, sem sistema nervoso, músculos, membros ou cérebro, pode ser encontrado em diferentes mares e rios do planeta terra. Esse animal com o nome popular de esponja, os cientistas chamam de poríferos, pois, pertencem ao filo porifera, é o animal primitivo de origem da vida e agora uma resposta científica para de onde viemos. Por serem tão diferentes dos outros animais, as esponjas já foram classificadas e ocuparam um lugar na classificação científica (chamada de taxonomia), como não sendo um animal. É difícil realmente entender que elas são um animal vivo, as esponjas não apresentam ter uma forma definida, suas formas mudam de acordo com os seus habitats (lugar onde vive), não apresenta tecidos e se cortadas em pedaços, novas esponjas são formadas. Elas ainda podem viver milhares de anos.
Graças a genética podemos comprovar de novas formas que as esponjas são os animais vivos de origem da vida pluricelular. Através da análise molecular e estrutural, foi encontrada uma importante proteína estrutural da vida animal, chamada de colágeno, presente em todos os animais do planeta. O colágeno é de grande importância para manter as células dos animais unidas, formando uma forte sustentação no corpo animal, permitindo que eles alcancem tamanhos maiores que organismos unicelulares.
As espécies de esponjas podem ser diferenciadas com base nas suas espículas e pela maneira como elas se distribuem no corpo, as espículas funcionam como espinhas formando com o colágeno quase um esqueleto para as esponjas. As espículas podem ser vistas apenas utilizando um microscópio, elas apresentam inúmeras formas e variações de tamanho, que diferenciam as espécies das esponjas.
Como todo animal, mesmo não possuindo uma boca, as esponjas precisam se alimentar, elas funcionam como um grande filtro vivo, usando suas células com flagelos, chamadas de coanócitos para essa filtragem, os seus coanócitos bombeiam toneladas de água, para obter algumas gramas de alimento. Sua vida sexual também depende que elas consigam bombear água e pode ser sexuada ou assexuada. Em sua atividade sexuada, ela vai lançando na água o seu espermatozoide, ele precisa encontrar outra esponja e fertilizar o óvulo dela, uma verdadeira reprodução sexuada.
Outros organismos vivos também se beneficiam da presença das esponjas e da sua capacidade filtradora, convivendo com outros animais, eles desenvolvem uma relação que pode ser tanto positiva quanto negativa. Essa relação de simbiose de esponjas pode ocorrer com pequenos animais aquáticos, como crustáceos, vermes e até peixes, que utilizam o corpo das esponjas para depositar ovos, se esconder ou obter alimentos.
Com base em estudos modernos sobre as esponjas, utilizando a genética e suas novas técnicas de sequenciamento genético em conjunto com dados de diferentes áreas da ciência, os cientistas chegaram à conclusão de que as esponjas são a base do reino animal. Elas são o animal primitivo e o início dos seres pluricelulares, todos os outros animais que conhecemos, são descendentes da evolução das esponjas. Compreendendo os processos evolutivos que acompanharam o surgimento e a trajetória da vida desses animais primitivos, os cientistas têm a oportunidade de traçar o quadro geral da vida na terra. De onde viemos? Onde a evolução pode nos levar? São perguntas que começam a ter respostas sustentáveis cientificamente.
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Texto: Felipe da Silva Rodrigues
Figuras: Google Imagens









