Soneto dos Rapazes Apaixonados
Tirou a camiseta e reparou que eu olhava,
Dentro de um olhar sincero há milhares de palavras;
O convite de amizade disfarçada de desejo,
Surgiu daquele momento fúlgido como um relampejo.
Dois pares de tênis masculinos largados na porta,
Dois jardineiros para regar a nossa horta,
Escondidos no armário como se cometera um crime,
Só estavam se amando e o amor era sublime.
O espelho presenciava os dois fazendo a barba,
Ouviu pensamentos, deduziu quanto era o peso,
Pareciam livres juntos, mas viviam juntos presos.
Selvagens enjaulados por uma conduta social.
O amor, no truque brilhava como relampejo,
Fechavam as cortinas para soltar os seus desejos.













