RECOMEÇO
Já fomos sombra um do outro,
na dança muda do desencontro.
Choveram silêncios, ventos frios,
e cada mágoa abriu seus rios.
Fomos tropeço, fardo e luta,
voz embargada, dor oculta.
Mas mesmo em meio à confusão,
teimosamente, demos as mãos.
Não foi o tempo, nem o acaso,
foi escolha — passo após passo.
Foi o querer mais forte que o orgulho,
foi plantar no caos um novo julho.
Decidimos ficar, refazer,
aceitar, ouvir, crescer.
E entre as cinzas do que fomos,
erguemos algo mais que sonhos.
Hoje, cada gesto é poesia,
construída a cada dia.
Somos novos, mesmo sendo os mesmos,
mais leves, mais verdadeiros.
Nosso amor, antes tempestade,
hoje é casa, é liberdade.
E o que um dia quase se perdeu,
floresce inteiro — renasceu.













