Mar de curiosidade
Desde pequenos somos seres que tentam descobrir novas coisas sobre nosso cotidiano, creio que é o principal fator que nos assemelha mais com qualquer outro animal da cadeia alimentar. Alguns seres humanos continuam com essa característica bastante acentuada ao longo da vida, outras prosseguem de forma mais humana, como se fosse um instinto, afinal somos todos naturalmente curiosos.
Hoje, temos ferramentas que permitem que essa curiosidade se aflore de maneira muito rápida, com o objetivo de buscar nossos próprios interesses tendo acesso a noticias, entretenimento e muitas outras coisas com um só clique, possuindo o poder de “descobrir” os novos e melhores temas no momento em que o usuário achar mais oportuno.
Alguns anos atrás, uma boa parte da população não havia tanto acesso ao conhecimento como hoje, a manipulação por meio das redes de comunicação de massa era muito mais fácil de ser realizada, mas claro que nem sempre o receptor tem um papel tão passivo como já vimos ao decorrer da nossa história, o povo sabe reagir, porém nos últimos tempos venho notando como ainda sofremos com uma manipulação de forma mais atomizada.
Em dias atuais com todo avanço na tecnologia, é impressionante como as informações podem chegar ao seu receptor mesmo que não seja necessariamente seu público alvo, podemos observar em nossas redes sociais que apesar de mantermos um determinado ciclo de amizades e de assuntos de interesses, sempre deparamos com alguns usuários que proliferam algo que provavelmente vai confrontar suas ideias ou simplesmente te apresentar para algo novo, mas nem sempre tudo o que chega para nós é verdade, e é nesse âmbito que pode morar o perigo. Nos últimos tempos, noto que é como se toda nossa sede de curiosidade fosse saciada por uma simples mensagem no grupo do WhatsApp. Ficamos acomodados dentro de uma bolha social e poucas pessoas usam a curiosidade e buscam sair dessa zona de conforto para entender aquilo além de sua compreensão habitual, seja sobre posição política, religião, estilo de vida e entre outros temas importantes que se debatem diretamente com a nossa rotina de forma direta ou indireta. Será que na era da informação (em excesso, inclusive) perdemos nossa capacidade de, no mínimo, termos curiosidade para duvidar e questionar aquilo está ao nosso redor?
Particularmente falando, gosto de saber e pesquisar de tudo que tenho alcance, me fazer observar coisas que até então não havia notado. Claro que sempre existem pré-conceitos quando mergulho em algo totalmente novo, mas quando consigo entender melhor e achar o tema interessante fico cheia de curiosidade para descobrir cada vez mais, e muitas vezes certos temas se liga com outros, e vou agregando cada vez mais conhecimento. Gosto de finalizar essas jornadas debatendo sobre o tema com outras pessoas, me faz refletir e enxergar outros pontos de uma nova retrospectiva dentro do mesmo assunto, deixando minha curiosidade correr solta para novas possibilidades, mas infelizmente nem todos são assim, poucas pessoas se dedicam para ter empatia ou até mesmo ter curiosidade para entender determinados temas, até porque é mais fácil fazer uma piada ou um comentário de ódio ao invés de ter um conhecimento básico sobre o assunto.
A internet é um mar a ser explorado, entretanto precisamos ter cuidado com a maneira que navegamos nela, pois apesar de parecer belo e tranquilo pode ter grandes tempestades que podem levar aqueles que não a utilizam com sabedoria ao mais profundo e escuro poço de ignorância. Podemos aproveitar essa gigantesca rede com moderação, até porque precisamos respirar de todo esse ambiente virtual, é cansativa a vivência dentro desse meio, que contém o poder de se tornar algo mortal para saúde mental de um usuário.
Na realidade, a frase de Umberto Eco: “A internet deu voz aos idiotas” faz cada vez mais sentido, apesar de bastante conteúdo incrível e a possibilidade de conhecer pessoas com quem tem algo em comum e ter ótimos momentos com os mesmos disponíveis dentro da rede, temos conteúdos tão tóxicos que é difícil acreditar como aquele tipo de coisa foi permitido ser considerado publicável.
Embora um dia a humanidade tivesse sua fé que com as novas tecnologias iriamos nos tornar uma sociedade melhor, desde o cenário da chegada do século XX, vemos que não existe uma grande inovação que irá fazer as pessoas serem boas e se unirem da noite pro dia. Na minha visão, a convergência de uma população tão diversificada viver totalmente em paz é impossível, sempre existirão conflitos entre as diferenças, e uma vez que os “idiotas” conquistou sua voz em determinado espaço, é um caminho sem volta que a humanidade toma para o regresso.
Não acho que exista um método de tornar a viagem pela internet mais agradável, até porque cada um lida com esse mar de conexões de maneiras diferentes e utiliza de jeitos diversos, mas acho que sempre manter a possibilidade da dúvida e a curiosidade de saber com o que estamos lidando, é uma boa alternativa para nos tornamos usuários melhores. Libere sua curiosidade e adquira informações nesse âmbito e faça algo que considere produtivo com os dados que você recolhe todos os dias, crie algo bom não só para os outros, mas para si mesmo, tente transformar seu dia-a-dia algo tão único que você sentira ciúmes de mostrar para o mundo, se transforme naquilo que não é mostrado nas redes sociais, faça valer a pena, viva momentos reais e se descubra utilizando informações reais. Tenha curiosidade pelo novo, mas não se apague totalmente à ele, adquire conhecimento e evolua, entenda outras visões, faça debates saudáveis e pode (como deve) ir além disso, pois devemos tentar ser pessoas que vivem durante a era da internet e não pessoas que vivem para a internet.
PS: feito de manhã
















