Festa de Halloween - Sala Precisa
Não fazia ideia de onde ficava a tal Sala Precisa, mas duas garotas do meu dormitório discutiam o que deveriam usar para a festa em um inglês animado e esperei que terminassem de se aprontar para segui-las até o local da festa. Eu mesmo tinha energia suficiente para ir até a tal festa, mas pedir que eu me arrumasse seria pedir demais. Apanhei minha jaqueta, grande demais para mim, a vesti por cima do uniforme corvino mesmo, ajustei a franja na frente do rosto e as segui de longe pelas infinitas escadas do castelo.
Havia perdido o jantar de inauguração, assim como a Seleção e as semanas iniciais de aula por estar doente, o que só havia colaborado para me sentir ainda mais deslocada na nova escola. Com tudo isso, essa festa seria o mais perto de jantar de boas-vindas que eu teria. Em Durmstrang nunca precisei me preocupar em fazer novos amigos: as mesmas crianças com quem brincava desde que nasci também eram bruxas e já estudavam na escola quando cheguei. Em Hogwarts seria diferente: não conhecia ninguém e cheguei quando todo mundo já se conhecia há anos.
Ergui a cabeça e entrei na festa decidida, sendo recebida pela música ensurdecedora e luzes piscando que me desnortearam por um instante. Pisquei, tentando decidir o que fazer e avancei na direção da mesa cheia de bebidas, passando por um grupo de garotas aparentemente em um duelo de dança. Querendo ter as mãos ocupadas, apanhei um copo de ponche, me encostei na mesa e fiquei observando a dança do grupinho.
Ergui as sobrancelhas quando a garota de cabelos claros completou sua coreografia e me juntei às palmas, impressionada. Eu de forma alguma sabia dançar daquele jeito e corri os olhos pela sala, querendo ver a reação dos outros convidados. Passei meus olhos por um garoto de cabelos loiros, acompanhado de uma aluna um pouco mais velha, os dois conversando perto da mesa de bebidas…
Voltei meu olhar mais uma vez para o garoto, quase me engasgando com meu ponche. Qual eram as chances????? De repente me senti exposta. Agitada e sem saber o que fazer, abandonei meu posto, procurando desaparecer de vista. Quando me dei conta, estava entre o grupinho do duelo de dança e me espremi entre duas das garotas. Pigarreei, ainda meio afogada com o ponche.
- Oi, tudo bom?! - perguntei alto, fingindo que era normal eu me enfiar em grupos de desconhecidos.
Citando: Aurea, Rachel, Olivia, Maxine, Adèle e Wolfgang.
[lookzinho]
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Maxine
Apequena aula findou assim que uma garota chegou fazendo um perfeito passo clássico do rei Jackson. Eu até pisquei um pouco mais rápido, adaptando a visão ao escuro e, ao mesmo tempo, as explosões de cores que ocorriam na Sala Precisa em seu mais novo modo Balada-Proibida-Em-Escola-Mágica. Eu conhecia a garota, Aurea da sonserina, cursava o mesmo ano e por isso compartilhamos algumas aulas em conjunto desde que me transferi para Hogwarts aos 12 anos. Mas nunca tínhamos conversado realmente, uma troca ou outra quando necessário. Meu queixo quase caiu quando finalmente entendi que a garota de cabelos claros me desafiava para dançar.
Oh ela não tinha feito isso!
Os passos começaram com uma precisão que não tinha apenas a mim impressionada. Aurea tinha uma fama de ser a coração-princesa de gelo, não lembro ao certo qual o termo, mas o adjetivo gélido estava ali em qualquer versão. Meu corpo começou a balançar no ritmo de maneira inconsciente, a bruxa da Sonserina começando uma verdadeira sequência de Shuffle que teve meus pés deslizando timidamente de um lado para o outro. Era o momento dela de mostrar o que sabia fazer, um respeito mínimo era esperado em duelos, seja o que for!
E era esse o encanto na pista de dança, não é mesmo? Não importava de qual casa você era, se era puro sangue ou uma criatura, ou até mesmo algo entre esses dois. Todos poderiam dançar se quisessem! Então eu pouco me importava que ao meu redor parecia ter a cada batida um sonserino a mais para apoiar a sua casa. Eu sentia minhas amigas próximas, Zuri a mais animada de todas enquanto Pryia parecia apenas atordoada com a interação.
Quando Aurea parou atrás de mim, eu voltei o olhar para trás sem virar o corpo, revirando levemente os olhos como para dizer que aquela pequena provocação era nada. Mentira pura, quem não ficaria minimamente nervosa quando alguém parava atrás de você depois de uns movimentos como os que a serpente tinha feito? Mas era um duelo e parte da dança também era a interpretação. Com ela de volta à minha frente, coloquei as mãos na cintura, sem desviar o olhar que era puro desafio. Sorri de lado travessa ao lançar um beijo na direção dela. Nervosa não queria dizer intimidada!
Convenhamos, eu não teria vergonha ou orgulho demais para admitir que aquele encerramento foi muito bom. Ainda mais quando as luzes pareceram colaborar ao refletirem o movimento da capa. Bati palma duas vezes, mas logo estava fazendo movimento com a mão como se dissesse “xô xô bichinho, sai daqui”. Assim que tive um pouco mais de espaço, eu sabia que era a minha vez.
O início da dança foi apenas provocação, movimentos de mãos, um balançar de quadril de um lado para o outro. Alguns passos de shuffle que me faziam deslizar de um lado para o outro e, diferente de Aurea que preferiu alguns movimentos de “jumping”, eu mantive o jogo de pés rápido e sincronizado.
E estava tudo indo muito bem. Perfeitamente bem. Tinha até esquecido um pouco que era uma competição e que tínhamos montado sem querer uma rodinha de espectadores. Até que essa percepção voltou com tudo. Existia muita gente me olhando, mais que isso, muita gente bonita. Equação do desastre: tentar fazer giros quando se está tendo um dos famigerados bi pAAAAAAAnic.
Então destino, obrigado por manter o equilíbrio do universo, pois no segundo giro dei aquela atrapalhada magnífica e tava para cair para trás. Zuri me acudiu, derramou o finalzinho de sua bebida no chão.
— Sem preocupações gente, tudo parte do plano de dançar até cair no chão! — Zuri gritou para ser escutada por cima do barulho.
— Versão literal da ideia! — Exclamei em conjunto sem nem piscar ou deixar aparecer o quão mortificada estava por ter errado.
Para quem já nos conhecia, a gargalhada veio fácil. Dei de ombros, tinha me divertido e quebrando todos os tabus, por causa de um grupo de sonserinas. Inspirei fundo para acalmar o famigerado panic básico e me aproximei delas.
— Aurea, não é? Você tem ótimos movimentos! Aquele final foi realmente bonito de se ver. Suas amigas também dançam assim? — Questionei olhando para o restante do grupo em grande expectativa, será que viria uma grande coreografia pela frente? Nem que fosse um macarenazinho!
PS: Zuri é essa NPC aqui
Outfit AQUI
Ainda me mantinha respirando um pouco acelerado devido aos movimentos rápidos e exaustivos da dança quando a garota fez alguns movimentos de "Xô, xô, xô" com a mão. Apenas sorri de canto enquanto dava alguns passos para trás e a encarava dos pés à cabeça. De braços para assisti-la dançar, reparei que estava entre as suas amigas, que agora me analisavam com um misto de medo, desconfiança e admiração (?). Ergui as mãos como "garrinhas" e mostrei os dentes para a garota de cabelos compridos à minha esquerda, como se tentasse assustá-la, e depois lhe dei um sorriso satisfeito por vê-la piscar os olhos diversas vezes enquanto se inclinava ligeiramente para trás.
Quando voltei a atenção para a "GBH" ela começava a mexer as mãos e os quadris e, por um momento, achei que ela só estava ganhando tempo com um suspense bobo e não teria mais nada para mostrar, mas subitamente ela passou a deslizar os pés com uma destreza invejável, o que me fez projetar o lábio inferior em uma expressão de "Not bad" enquanto balançava a cabeça em positivo. Me inclinei para a garota de cabelos curtos à direita e falei em seu ouvido.
— Nomes? — Disse, apenas. Quando me afastei a menina me encarou por alguns segundos, como se processasse a minha pergunta.
— Ah! — Ela exclamou e se aproximou do meu ouvido enquanto eu voltava os olhos para a dança de Maxine, nome este que eu descobri em seguida. — Sou a Zuri! Ela é a Pryia! — Zuri apontou para a garota ao meu lado, a qual eu havia acabado de assustar. — E ela é a Maxine.
— Aurea Woodward. — Deu meu nome e segui assistindo os passos de Maxine.
Ela sabia se expressar muito bem e confesso que temia precisar desafiá-la para uma melhor de 3, pois os seus movimentos eram fluídos e naturais, quase como se o seu corpo respondesse automaticamente às batidas da música, mas de repente, como se eu tivesse jogado uma azaração nela — Eu juro que não fiz isso! — ela perdeu o equilíbrio e caiu por cima de Zuri. Instintivamente eu ergui as mãos para segurá-la, um tanto quanto assustada, mas a sua amiga fez um serviço melhor do que eu faria. Provavelmente estaríamos as duas no chão.
Deixei uma risada escapar ao ouvir as duas garotas fazerem piadas com a queda de Maxine porém, em resposta, cobri a boca com a manga do sobretudo da Sonserina. Eu não queria rir pois estava tentando passar um ar intimidador. Acho que elas haviam conseguido me desarmar, no final das contas. Quando Maxine se aproximou eu ainda tentava algumas risadas.
— Sim, Aurea. E você é a Maxine. — A respondi, passando a imagem que eu havia feito o dever de casa e sabia quem ela era. Sorri convencida quando ela me elogiou. Ela também tinha, mas eu não ia dar isso de graça para ela. Seria como um prêmio de consolação que viraria um looping social em que ela seria modesta, me diria que ainda assim errou o passo e blá, blá, blá. — Rachel dança nos céus. — Apontei para a Maior da Austrália e, então, para Olivia. — E a Olivia dança com a mente entre as páginas dos livros. Mas ambas aprendem muito rápido.
Lancei um olhar para procurar Adèle, pois ela estava conosco há 5 minutos atrás, e uma menina apareceu do nada, praticamente se escondendo entre nós. Franzi o cenho com um pouco de confusão, e dirigi um olhar para Maxine e depois para a recém chegada.
— Oi, tudo... — Ela tinha esse olhar estranho e o corpo mirrado. Não era como se eu conseguisse reparar em muita coisa. Busquei o contato visual de Rachel e Olivia. — Vocês viram a Isobel?
Me estiquei e peguei o copo da mão de Rachel, erguendo-o levemente como se brindasse. Eu sabia que ela tinha ficado brava antes e talvez ficasse novamente, e eu não perderia a oportunidade de vê-la fazer carinha de má novamente. Varri a festa com os olhos enquanto deixava alguns goles do ponche descerem pela garganta para ver se localizava a minha corvina preferida, porém, notei Fangs e Adèle próximos à mesa das bebidas. Revirei os olhos de tal forma que talvez conseguisse visualizar a minha nuca.
— Ugh... típico... — Murmurei para mim mesma, devolvendo o copo para Rachel.
Vasculhei meus bolsos enquanto deixava as meninas conversarem entre si e encontrei um pedaço de papel meio amassado. Com a varinha encantei o bilhete e escrevi para Isobel:
Deixei que o bilhete saísse voando com correntes de ar mágicas e voltei a dar atenção para os dois grupos de garotas que haviam acabado de se encontrar. Aparentemente elas eram lufanas, o que me fez agradecer muito por não serem da Grifinória.
Percebendo pela primeira vez que ela é quase da minha altura e provavelmente mais velha, arqueio uma sobrancelha com uma expressão de dúvida para a garota loira. Com todas essas luzes piscando e a música alta, parece que parte do meu charme natural não está funcionando, porque ela não parece agir como uma garota normalmente agiria comigo, encantada e solícita.
— Se você diz. — respondo, balançando a cabeça. Honestamente, não faço ideia do que ela está falando, nem tenho certeza se o comentário foi direcionado a mim. Então, simplesmente bebo o restante do ponche ruim que ainda está no meu copo e volto meu olhar para a mesa. Encaro o que supostamente é uma limonada e suspiro pesadamente. Sério, quem em sã consciência acha que limonada é uma escolha decente para uma festa? Parece coisa de piquenique ou de uma quermesse da igreja.
Por sorte, tenho outras opções. Melhor ignorar completamente a cerveja amanteigada, porque só otários e perdedores bebem isso, e nem pensar em tocar no ponche vermelho, porque em Hogwarts todo mundo vive em uma eterna guerra de tribos e não quero me misturar com as cores da Grifinória. O rosa é o que acabei de beber e, caramba, é terrível... Ok, talvez minhas opções não sejam tão boas assim.
Com muito cuidado para evitar qualquer contato com a Crazy Mônica e seu namorado asiático, pego a concha que está no ponche próximo a eles e encho meu copo.
Me afasto da mesa e, nesse momento, Clark-Porter se aproxima de mim, com um sorriso radiante no rosto. Ele tem essa expressão específica que lembra um candidato à presidência que acaba de ganhar a eleição. É a mesma expressão que ele usa quando vence qualquer debate, e ele já havia usado mais cedo quando me convenceu a vir a esta festa. — Conseguiu as verbas que queria, Sr. Presidente? — solto uma piada, e ele responde com um “o quê?” enquanto tira o copo da minha mão.
“Cara, você devia estar animado, é uma festa!” ele diz o óbvio, mas o sorriso desaparece assim que experimenta minha bebida. Na verdade, ele tomou exatamente a metade. Filho da puta.
“Isso está horrível, vou ver se consigo uísque de fogo para nós dois.” Ele diz num tom de promessa de campanha e então passa o braço pelos meus ombros e me guia por entre as pessoas, deixando claro que vai me usar, mais uma vez, como um panfleto perfeito. Dessa vez, nem me importo. Depois de entornar o resto do copo — o segundo da noite, alguém me segure! — e jogá-lo no chão, o gosto terrível do ponche, pior do que o anterior, parece ter tomado conta de toda a minha língua. Faço uma careta, mas aí desaparece. Que estranho.
— Você viu a sua namorada dançando? — pergunto no ouvido de Steve, e ele faz uma expressão alarmada, como se eu tivesse dito que Woodward estava chupando outro cara no meio da pista de dança. — Dançando, cara, ali, ó. — viro meu rosto na direção da pista de dança, tomando cuidado para não olhar diretamente para Jenkins, mas a competição ridícula de dança parece ter acabado. Tem uma garota no chão. Tem um fantasma entre a plateia. Nossos olhares se cruzam por um momento.
— Quê!!??? — “Quê?” Steve repete, interrompendo seu movimento. Ele interpreta errado e me diz que era óbvio que Woodward ia vencer, e faz parecer como se isso como se fosse uma grande conquista para a Sonserina. Estou pouco me fodendo para isso. — Cara, juro que vi uma garota que... — mas ela sumiu. Talvez tenha sido apenas uma ilusão causada pelas luzes, foda-se. Clark-Porter olha de Olivia para a Canguruzinha e, em seguida, para mim.
— Me arruma logo algo forte, por favor. — digo quando percebo que passei os últimos trinta segundos segurando uma súbita vontade de correr até Olivia, que parece estar guardada dentro de mim há anos.
“Com prazer, vamos ficar doidões”, responde Steve. E por algum motivo, tenho essa sensação de que essa será a última coisa sensata que vou ouvir nessa festa. Olhando nos olhos do meu amigo mauricinho, que estão com pupilas grandes que podem refletir meu sorriso, sinto que estamos prestes a pirar de verdade.
Enquanto a outra menina, que Olivia logo mais conheceria como Maxine, desempenhava sua parte na batalha de dança, Olivia sentiu uma presença se espremendo entre ela e Rachel. Rapidamente, deu um passo para o lado, abrindo espaço para a garota de cabelos lisos escuros não se sentir encurralada. - Tudo bem? - Olivia perguntou, entre risos, notando que a expressão da garota parecia um tanto assustada. Embora seu rosto não lhe fosse familiar, não era surpreendente que mais pessoas se juntassem para expandir a roda e testemunhar a empolgante batalha de dança. Após garantir que a nova participante estivesse confortável, Olivia voltou sua atenção para o centro do círculo, justo a tempo de ver a garota com o afro dar um giro deslumbrante e perder o equilíbrio, sendo prontamente amparada por uma de suas colegas da mesma casa.
Olivia não conseguiu conter a risada, levando a mão à boca enquanto se divertia com a cena. Era verdadeiramente engraçado de se assistir, e as outras lufanas concordaram, rindo de si mesmas. Maxine aparentemente já conhecia Aurea pelo nome, e a própria Aurea fez as devidas apresentações. Ela mencionou Rachel e Olivia, e esta última cumprimentou a nova menina com uma leve continência informal, levando dois dedos à testa.
- Não, não vi… - Respondeu Olivia a Aurea, que perguntava sobre Isobel. Na verdade, ela tinha dificuldade em imaginar a corvina em uma festa daquela natureza, considerando o quão específica ela era sobre quase tudo. No entanto, convidá-la não faria mal algum; talvez ela fosse uma boa companhia, e Olivia estava julgando-a erroneamente. Enquanto observava Aurea enviar uma nota mágica para a amiga, os olhos de Olivia foram atraídos pela mesa de bebidas, como se sentisse que estava sendo observada. De fato, seu olhar se encontrou com o de Wolfgang, e ela o encarou por alguns segundos antes de sorrir com os olhos e voltar sua atenção para o grupo.
- Eu vou pegar alguma coisa pra beber. Mais alguém quer? - Ao receber um pedido de Aurea, ela se afastou em direção à mesa, passando por Wolfgang no caminho. Será que ele seria capaz de sentir seu perfume como ela sentia o dele? Não importava, ela queria ao menos ser notada. Havia algo doloroso na presença do rapaz, e ela estava determinada a não falar com ele, a menos que ele tomasse a iniciativa. Talvez isso significasse esperar para sempre. Ainda assim, enquanto se inclinava para encher dois copos com o doce suco, Olivia permitiu que sua saia, já curta, subisse um pouco mais, revelando suas longas pernas através da fina meia-calça. Ela não era uma especialista em jogos de sedução, mas estava disposta a provar que também podia jogar.
Os murmúrios sobre a festa de encerramento de ciclo vagavam por todos os corredores, até mesmo os fantasmas já sabiam do evento, o que me fazia ter certeza de que os professores só estavam fingindo ignorância para que as crianças socializassem entre si.
O importante é que ue nunca ia a esse tipo de evento, a maioria das vezes em função do som, das luzes e bebidas de origem duvidosa. Mas o mais importante, eu não tinha qualquer interesse nestes eventos... o que havia levemente mudado. O motivo?
A temática desse evento era: Trouxas.
O que será que haveria de diferente? Talvez a decoração levasse um ou dois itens que eu poderia embolsar enquanto os jovens estavam distraídos com as dezenas de estímulos auditivos, visuais e hormonais. Era isso, eu iria!
Como sempre, demorei o tempo adequado para organizar minha estratégia, o ambiente hostil exigia dedicação. Primeiro eu havia separado um par de óculos papa kaledoscope, uma pequena invenção que neutralizava as luzes estroboscópicas que... sinceramente... POR QUÊ? Eles eram redondos e pareciam feito de cristais luminosos, era até engraçadinho de ver.
Em segundo, pequenos abafadores de som, estes eram encaixados na minha orelha e filtravam sons muito altos ou indesejáveis. Estes eram essenciais, em segundo eu precisaria de uma bolsa pequena, porém o suficiente para colocar dois ou três coisinhas e uma garrafa de água para ter certeza de não consumir coisas estranhas do evento.
O remetente era Aurea, o conteúdo... sinceramente, como Aurea passava de ano com aquele inglês obscuro!? Um primeirista escreveria melhor em muitos níveis. Uma nota mental de dar-lhe um livro de inglês da escolinha. Bom, havia outra coisa diferente naquele ano, eu tinha amigas, duas delas... puxa... eu tinha mesmo, uma delas até queria saber onde eu estava.
Encaixei os óculos e passei pela névoa que isolava o conteúdo da festa, evitando que toda Hogwarts tremesse.
Meus olhos foram se adaptando ao escuro até que eu consegui encontrar muitos adolescentes dançando. A música estava muito alta, portanto, meus abafadores mágicos a estavam filtrando. Os óculos filtravam as luzes e só o que restava era uma névoa com cheiro de chiclete e várias pessoas se mexendo de forma desengonçada na penumbra. Era hilário!
Andei observando o cenário, mas a coisa toda era um pouco caótica, mesmo com os filtros havia bastante gente o que era assustador, mas a sala precisa havia se tornado um salão imenso de modo que ninguém precisava se amassar, bem... não contra a vontade.
Demorou até que eu encontrasse Aurea, mas seus cabelos eram um excelente ponto de referência, na verdade, ela era tão branca que parecia um ponto iluminado na luz parca.
— Eu vim. — Anunciei minha chegada com bastante animação. — Estou adequadamente vestida?
Aproveitei para perguntar aquilo porque as respostas que Kindlese dignara a dizer eram similares a:
"você parece um humano, mas com pelo branco..."
— Este evento me parece satisfatório, espero que se dedique mais ao seu inglês depois desta festa, Aurea. — observei.
Então me dei conta dos demais, Rachel estava ali com sua carinha de bolacha e a Olivia muito bonita como de costume.
— Oi Rach! Oi Olivia! — Acenei e percebi que haviam pessoas estranhas. — Oi outras pessoas que desconheço alcunha.
A menina que está competindo com Aurea sabe dançar também, eu até fico com um pouco de inveja de ambas. Aurea me convenceu a ir na festa, mas eu não sei exatamente o que fazer aqui, apenas acompanho ela e Olivia para os diferentes cantos da festa. Nesse momento surge mais uma menina desconhecida, se apertando ali para poder ver a disputa das duas. Me parece simpática.
- Oi, tudo bem! E com você? - respondo e retorno com o meu show de torcida - UHHHHHH! ACABA COM ELA, AUREA! TSSSSSSSSSSSSS!
Algo inesperado aconteceu, pois a lufana dançarina se deu mal, não caindo no chão graças a sua amiga, também da Lufa-Lufa. O duelo havia acabado. As duas trocam algumas palavras se parabenizando e a menina questiona Aurea a respeito de mim e Olivia: sobre dança.
Balanço a cabeça negativamente respondendo à garota. A resposta de Aurea me agrada, mas... a menina entendeu? Me pergunto. Sobre dançar, ainda tento imitar alguns movimentos e acredito que para ser mais autêntica, teria que ir em mais algumas festa durante o ano.
De repente, Aurea se dirige a mim e à Olivia perguntado sobre Isobel. Franzi o cenho enquanto olhava para ela.
- Ela tá aqui? - pergunto já olhando para os lados.
Não está, mas se Aurea perguntou sobre ela, provavelmente iria vir; o que eu achei bom. Isobel é uma menininha engraçada e interessada em coisas bastante inesperadas. Eu me divirto bastante com as perguntas que ela me faz.
Aurea pega meu copo mais uma vez e eu a encaro com uma cara feia. Às vezes esse jeitinho dela me irrita porque eu sei que faz de propósito. É como os garotos que fazem barulhos de canguru só para me ver brava. Sim, já ouvi essa historinha de que a culpa é minha, por dar bola para essas coisas, mas sendo sincera, isso é uma PATIFARIA. Mas assim, eu conheco Aurea, e ela também me conhece; ela deve ter noção de estar brincando com uma bomba relógio.
Não sou palhaça para rirem de mim.
Ali também estamos entre pessoas novas e eu justamente quero tentar mostrar uma nova Rachel para a escola. Inclusive, acho que acertei na roupa!
Aurea logo que me devolve o copo, observa algo e sussurra alguma coisa que eu não ouvi. Tento traçar uma linha para onde seus olhos estão mirando e percebo que ela está observando Wolfgang na mesa do ponche.
Isso é um pouco preocupante. Bom, era óbvio que ele iria, mas talvez por não ter visto ele ainda eu tivesse... sei lá, esquecido. Olivia viu ele também? Hmmm, acho que não. Eu deveria evitar que eles se aproximasse, ou se vissem, ou conversassem? Meu dom não é de clarividência, mas eu não via bons futuros sobre isso não.
Aurea escreve um bilhetinho para Isobel e manda ele encontrá-la com mágica. Bebo mais um gole do meu ponche enquanto assisto o que acontece no local e ouço Olivia dizer que irá sair dali para pegar ponche e pergunta se mais alguém também quer.
- Trás um copo pra Aurea, por favor! - peço.
Para minha surpresa, Isobel logo aparece, o que me faz pensar se ela já não estava ali fora só esperando um sinal, ou a sala precisa de revelar. Eu não sabia muito bem como funcionava na verdade. Mas enfim, acho que agora estão todos na festa.
- Olá, Iso! Arrasou na roupa - digo batendo palminhas para a corvina.
Meu medo de ser reconhecida durou apenas um segundo e logo lembrei que estava em uma festa e no meio de uma competição de dança. Tomei mais um gole do ponche e relaxei um pouco. Poderia lidar com o problema mais tarde e continuei observando a dança. Nesse momento, uma das competidoras quase caiu na minha frente e aplaudi depressa quando uma de suas amigas impediu que ela acabasse no chão, encerrando a competição.
Mais gente se juntava ao grupo e cumprimentei as novas integrantes, sem ter certeza se seria capaz de gravar o nome de todo mundo.
- Eu me chamo Marisha! - exclamei, tentando ser ouvida apesar da música alta, antes de terminar meu copo de ponche. Foi nesse momento que a garota logo ao meu lado anunciou que buscaria algo para beber e mas desisti de segui-la quando vi na direção de quem ela estava indo. Em vez disso, voltei minha atenção para o restando do grupo, logo a última integrante chegava. Reconheci Isobel do dormitório corvino e, ainda não conversado com ela, pelo menos podia deduzir que tínhamos a mesma idade.
- Ah! Vocês são do quarto ano? Eu também sou! - cocei o nariz distraída, feliz por encontrar tão rapidamente pessoas do mesmo ano que eu.
Era possível presumir que a festa estava sendo um sucesso quando muita coisa interessante ocorria ao mesmo tempo. Não tão de repente, o círculo começava a se compor de mais alunos, dessa vez até garotas da corvinal se aproximaram. Foi o tempo de minhas amigas que foram à mesa de bebidas retornarem, entregando um copo de bebida para Pyria e Zuri.
Quando elas me ofereceram, eu aceitei por um único e estratégico motivo: ao ter um copo na mão, ninguém ficaria oferecendo constantemente ou insistindo de que era necessário beber para aproveitar a festa. Eu já era agitada por natureza, meu pai sempre dizia que iria se preocupar com o dia em que eu ficasse realmente bêbada, o mundo não estaria preparado para isso! O pequeno truque social tinha sido ensinado por uma de minhas primas mais velhas e uma das favoritas. Não era contra bebidas, mas não queria dizer não e explicar que queria usufruir ao máximo antes de ter alguma coisa entorpecendo os sentidos e a mente.
— Max, nós vamos ali com os grifinórios, você vai ficar? — As duas que trouxeram a bebida comentaram.
Arqueei uma sobrancelha e dei de ombros. Oh eu sabia da fama dos sonserinos e achava ridículo na maior parte do tempo. Ninguém é necessariamente bom ou ruim, qualé! E era uma festa! Eu não iria me preocupar com isso depois de uma pequena competição tão divertida, mesmo que fosse com a princesa gelinho, digo, coração iceberg, digo… Enfim!
— Tudo bem, qualquer coisa faz sinal de... alguma coisa, porque gritar não vai adiantar muito não! Zuri, Pyria vocês vão também? — Questionei para as lufanas que tinham ficado comigo desde a batalha de dança.
Zuri apontou para um amigo corvinal e comentou rapidamente que depois me encontraria, as outras aproveitaram a deixa para irem para o grupo dos vermelhos e dourados. Apenas Pyria tinha ficado, mesmo que ainda um tanto tímida. Voltei novamente a atenção para o pequeno grupo.
— Per l'amor di Dio , me chamem de Max, va bene? — Implorei depois das apresentações. Maxine era o modo como os adultos queriam chamar minha atenção. Urgh, era prelúdio de que eu estava encrencada. — Ei óculos maneiro! Isobel, certo? Eu já tive um que fazia um efeito muito louco com as luzes, parecia algo mais prismático, era muito maneiro usar em qualquer lugar só para ver o mundo de maneira diferente! Ele nem era mágico, era do mundo trouxa e era usado para festas como essa. — Tinha sido maravilhoso usá-lo nos dias de tédio, até o momento em que minha madrasta o jogou fora “sem querer” por achar que coisas de trouxas eram descartáveis. Yep, ela é desse naipe. Então lembrei de Aurea ter comentado das amigas aprenderem rápido e um novo sorriso animado era desenhado em meus lábios, enquanto alternava o olhar entre Rachel, Marisha e Isobel. — Ah! Se alguém quiser aprender alguns passos de alguma coisa, ou só mexer o corpo, só chamar! Tudo bem que a Aurea tem um bom gingado — sorri em direção a Aurea, reconhecendo que a de cabelos claros tinha ido muito bem no duelo. — e ela também pode ensinar, eu imagino; mas aceito qualquer desculpa para trazer mais seguidores da fé de que a dança e a música são ótimas terapias para traumas após provas-pesadelo.
Eu não as conhecia tão bem, mas… Nada impedia de que isso mudasse, era uma festa! No final da fala até tinha uma expressão séria, como se aquele fosse um debate sério e estivesse defendendo um ponto importante. Apenas para sorrir grande e dar levemente de ombros, no fim eu realmente acreditava nisso.
E ali está ela, Olivia Jenkins. Cara, é uma loucura como só de olhar para ela eu já sinto que a festa ficou dez vezes melhor. Sério, meu coração tá acelerado, as luzes e a música alta estão me atingindo de um jeito totalmente diferente. Talvez eu esteja ficando meio doidão, sei lá. Parece que meus sentidos estão todos fora de sincronia, e mesmo quando eu tento me afastar da única pessoa que eu quero ficar perto, a sensação só fica mais forte... E a Olivia fica incrível com roupas que não são o uniforme, e ela é tão alta e descolada, seu cabelo todo diferente e...
— Espera aí, pra onde a gente tá indo, porra!? — finalmente cai a ficha de que o Steve tá basicamente me arrastando pra longe, porque eu tava meio que seguindo em linha reta em direção a ela. Ele fala alguma coisa sobre “redução de danos” e eu acho hilário, talvez até demais. Fiquei rindo o caminho todo até aqui, do outro lado da sala, onde tem uns veteranos nos dando oi e apertando a mão de Steve como se ele fosse mesmo um candidato a presidência. Uma gata usando umas roupas bem ousadas aperta minha bochecha e solta um comentário sobre eu ficar irresistível de nariz vermelho.
E sei que ela tem toda razão, eu realmente fico um arraso. Só não sei porque estou com nariz vermelho se ainda nem bebi nada que preste, mas acho que tanto faz.
— Steve, cara, obrigado por me trazer aqui. — solto essa no ouvido do Clark-Porter, não faço ideia por que, talvez seja a empolgação do momento. Acho que finalmente entendi qual é a vibe dessas festas, e tudo graças à beleza estonteante da Olivia. Quem diria que era tão fácil assim?
Os veteranos estão falando alto, e ali do lado deles tem uma mesinha cheia de garrafas com bebidas variadas. Sem nem perceber, começo a mexer o corpo, mesmo que não seja no ritmo frenético da música. Por algum motivo não consigo ficar parado, como se não conseguisse conter a empolgação. Tô até suando e isso geralmente significa que meus feromônios Veela estão prontos pra se espalhar por aí. Espero que cheguem até o outro lado da sala, até Olivia.
O Steve se vira pra mim segurando dois shots com uma bebida escura que já faz minha boca encher d'água. Ele me entrega o meu e a gente brinda. O Clark-Porter tá meio diferente, parou de tentar colocar o cabelo para trás pra parecer o Ken Presidente, também nem está ligando que tem mais um botão da camisa aberto. As correntinhas de ouro brilhando de um jeito engraçado por causa das luzes, o peito dele quase todo à mostra.
Quando eu tomo o shot de olhos fechados, ouço aplausos por cima da música e um assobio de alguém que deve curtir muito corromper menores.
O gosto é quente e, wow, me sinto meio zonzo e super vivo ao mesmo tempo. É a terceira vez que experimento uísque de fogo na vida e em todas elas passo quase um minuto tentando descobrir se acabei de queimar minhas cordas vocais ou não. Parece que subiu tudo pra cabeça e depois desceu pro resto do corpo de uma vez só.
Talvez eu esteja dançando de verdade agora, quero dizer, se mexer o corpo de forma desordenada realmente conta como dançar. As garotas por perto parecem estar curtindo, então pelo menos não devo estar com cara de idiota. A música alta não faz sentido nenhum, mas ainda assim tem uma batida legal.
De repente, a mão do Steve desliza pelo meu ombro e puxa minha cabeça pra perto dele. “Cara, ei, Fangs”, ouço ele me chamar, meio distante. Quando abro os olhos, tenho o rosto pertinho do meu ouvido, sinto seu hálito de álcool com um toque cítrico suave, deve ser do ponche que tomamos antes. — O quê? — pergunto, com um sorriso estampado no rosto, e não consigo parar de sorrir meio mole, como gente bêbada faz. Eu já estou bêbado?Se sim, isso é demais.
“Eu acho que vou beijar a Woodward hoje, tipo, agora mesmo, não tem mais como esperar”, ele diz, e eu tento fazer uma cara de “o quê!?” como se achasse a ideia absurda, mas não consigo porque bem, eu sei até demais como é o sentimento. Nem consigo estranhar que ele parece um pouco desesperado.
A garota mais velha que percebi estar me olhando desde que abri os olhos lança uma piscadela para mim e me distrai. Steve vira o rosto e coloca as duas mãos nos meus ombros, agora estamos encarando um ao outro e ele parece tentar se comunicar comigo telepaticamente. Não consigo captar direito o sinal, ele está pedindo um conselho ou uma aprovação?
— Cara, vai fundo. — respondo finalmente, olhando para trás e vendo um grupo de silhuetas que deve ser as garotas na pista de dança. Não tenho certeza, perdi um pouco a noção de direção enquanto a bebida balançava em meu corpo de um lado pro outro e... Ei, a ideia de Steve é realmente boa, não é? Tirar o curativo logo de uma vez. Eu também quero beijar a Olivia Jenkins, agora mesmo. É como se essa lâmpada acendesse na minha cabeça, igual nos desenhos animados.
Ele provavelmente é muito melhor do que eu em interpretar intenções através de olhares diz algo como “vamos fazer isso!” como se estivéssemos embarcando em uma missão suicida. Eu dou uma risada, uma misturada de empolgação e nervosismo. Parece que não tenho mais controle sobre o que estou sentindo. É uma sensação estranhamente familiar. E quanto mais perto chegamos da pista de dança, mais alta fica a música e menor é o meu controle racional sobre minhas ações.
Olivia parece ter acabado de entregar bebidas para suas amigas, e todas elas parecem feias comparadas a ela. Ignoro até mesmo a minha alucinação da menina morta de Durmstrang quando sinto sua mão se encaixando na minha, enquanto a conduzo delicadamente para uma parte mais movimentada e caótica da pista de dança. Parece o pior lugar do mundo, mas é o melhor lugar do mundo. Há o mesmo cheiro de ponche que senti em Steve quando aproximo meu rosto do dela para falar em seu ouvido acima da música alta.
“Desculpe a demora”, eu digo, mas nem sei por que estou pedindo desculpas. No final das contas, o que importa são seus olhos fixos nos meus. Estamos cada vez mais perto um do outro, nossos narizes se tocam, e começo a andar para trás, guiando-nos para um canto da festa que possa ser só nosso. Esses outros otários nem vão reclamar se eu esbarrar neles porque devo estar brilhando mais que a porcaria dessas luzes da festa que não me deixar ver Olivia completamente.
Assim que soltei o bilhete e ele saiu voando em zigue-zague por entre os dançarinos no meio do salão Olivia questionou se gostaríamos de bebidas, pois ela estava indo buscar. Eu apenas ergui o polegar, indicando que eu queria. Rachel frizou ainda mais o meu pedido para que Liv me trouxesse um copo, o que me fez revirar os olhos, dar um sorrisinho para a loira e me aproximar. No meio do caminho eu ouvi a menina que havia se enfiado entre nós se apresentar. O nome era Marisha, confesso que nunca escutara nome semelhante, e isso me fez questionar sua procedência. Ela perguntou se éramos todas do quarto ano e eu, em frente à Donavan, respondi.
— Sim! Todas do quarto ano! — Passei a fazer alguns passos de dança contidos enquanto erguia minha mão para pegar o copo da loira novamente. — Eu sou Aurea!
Quando fui pegar o copo de Rachel ela simplesmente o tirou do caminho, me dando vontade de rir a cada vez que eu aproximava meus dedos dele e Rachel simplesmente me evitava. Eu poderia continuar com aquela brincadeira até Olivia retornar, mas então A Maior da Austrália cumprimentou Isobel, e eu busquei a Corvina com meus olhos, até encontrá-la. Não consegui evitar um sorriso ao vê-la com um lindo vestido branco e... óculos de caleidoscópio e abafadores de ouvido? Mas tem algo mais... ela chegou muito rápido! Talvez ela já estivesse a caminho, o que iniciou uma fagulha no meu cérebro para começar a raciocinar sobre ela estar sempre atrasada nas aulas e, talvez, ela fosse assim para tudo.
— Está linda, de fato! — Tentei me fazer ouvir por cima da música. — Os adereços estão um pouco destoantes, tho!
Soltei uma risada com o seu jeitinho exageradamente correto de se expressar, mas confesso que suas palavras seguintes sobre eu precisar me dedicar à escrita em inglês me fizeram parar para raciocinar novamente. Enquanto fazia isto, Olivia voltou com as bebidas, me entregando um dos copos e recebendo um oi animado de Isobel. Sorri mais largo ainda por ter todas as minhas pessoas preferidas ali comigo, balançando a cabeça ao som da música.
Ainda ouvi Maxine falar um idioma ininteligível a mim e nos pedir para chamá-la de Max. A lufana comentava sobre o óculos de Isobel enquanto eu bebia grandes goles do ponche que Olivia me trouxera e... aliás: cadê a Olivia? Franzi o cenho, pois tinha visto ela ali a poucos instantes atrás mas, ao invés dela, notei Steve se aproximando de mim e me segurando pela manga do casaco. Antes de me conduzir ele se aproximou e soltou um "Vem comigo, por favor." em meu ouvido. Ele tinha um perfume muito atrativo e, provavelmente, caro, além de estar muito bonito com toda aquela becka de mafioso russo.
Nos esgueiramos por entre algumas pessoas e quando notei não via mais nenhuma das garotas. Senti meu coração bater um pouco mais forte, pois eu já conseguia prever o que estava acontecendo, e todos os meus raciocínios me levavam a Steve Clark-Porter, ali, parado em minha frente. Engoli com dificuldade pois sentia minha respiração pesar e a fumaça me secar a garganta. Isso me impeliu a terminar de beber o conteúdo do copo plástico.
— E aí, Steve?! — O cumprimentei enquanto soltava os braços sobre seus ombros, com o copo às suas costas. A música era até animadinha, mas acho que ele queria conversar, então seria o jeito dançar dois pra lá e dois pra cá, por enquanto.
— Woodward, eu não consigo passar de hoje sem falar isso! — O garoto soou um pouco alterado, e eu senti meu coração bater rápido. O som da música e o brilho neon das lâmpadas me ofuscavam brevemente. Eu estava nervosa, sentia minhas mãos suarem, geladas ao mesmo tempo.
— S-sem falar o... o que? — Eu tava gaguejando?! What the heck?!
— Tem muito tempo que eu queria falar isso e... — Ele explicou em meu ouvido para se fazer ouvir e pude sentir o cheiro de álcool em seu hálito. Ele tava bebendo? Franzi o cenho, já entendendo que ele ia se declarar em um momento eufórico.
— Steve... — Eu tentei cortá-lo, notando que ele parecia se perder nas palavras. Aquilo realmente não era normal, tendo em vista o seu histórico, mas então ele se aproximou e não me deu muito tempo de pensar.
Seus lábios tocaram os meus e, em resposta imediata, arregalei os olhos em surpresa. Tinha um misto de sentimentos em mim realmente muito confuso, de verdade! Eu não sabia o que estava fazendo e me senti tremer quando o toque da sua língua em meus lábios pediu permissão para aprofundar o beijo. Eu não ouvia mais o som da música, estava desesperada. A única coisa que soava em meus ouvidos era o bater do meu coração. Pelo que pareceu uma eternidade eu me mantive ali, parada, congelada. Minha mente ia e vinha em pensamentos, conjecturando possibilidades, se perdendo em raciocínios... até que uma única frase se sobressaiu perante tudo!
"Eu já to aqui, e o Steve até que é legal."
"Foda-se tudo."
Deixei que o beijo se aprofundasse e eu queria dizer que foi legal, que eu tinha gostado, mas porra... foi uma merda. A primeira coisa que senti foi o gosto de álcool misturado com o do ponche da festa. E aí batemos os dentes, várias vezes. Ele tinha a língua áspera e confesso que achei um pouco intrusivo esse negócio de lamber a boca um do outro. Pelo que pareceu uma eternidade eu apenas tentava seguir seus movimentos, até que ele nos separou e eu o encarei, ainda de olhos arregalados.
— Era isso... que eu queria falar... — Franzi o cenho, estreitei os olhos. Eu me preparei para falar, mas me perdi nas palavras.
Droga! Parecia que meu cérebro tava reiniciando sem parar e eu não conseguia formar uma frase concisa. Era muitas coisas para processar, e eu ainda me sentia estranhamente animada com a situação. Eu tinha dado meu primeiro beijo em uma festa e eu não sabia muito bem como processar aquilo. Uma parte de mim não tinha gostado, mas a outra estava animada que eu tinha essa experiência, por mais que tivesse sido ruim... será que o primeiro beijo de todo mundo era ruim, assim?
— Mas... você não falou nada. — Foi o que consegui pensar. — Você só... lambeu a minha boca e bateu dente comigo. — Pisquei algumas vezes, confusa. Steve parecia ainda mais confuso. — Foi o meu primeiro beijo, ok? Eu não sei muito bem como fazer isso.
— Então eu acho que eu deveria ter pegado um pouco mais leve. — Clark-Porter se explicou, um pouco constrangido. — Quer tentar de novo?
Analisei sua pergunta por longos segundos. Eu queria? Talvez fosse melhor da segunda vez. Fiquei na pontinha dos pés e uni nossos lábios novamente. No segundo beijo não teve dente com dente, graças a Merlim! Foi mais confortável do que o anterior, mas ainda assim intrusivo. Que merda.
— Steve... — Falei contra seus lábios, ainda abraçada em seu pescoço. — Você... eu... — Me afastei um pouco para poder olhá-lo nos olhos. Ele tinha um sinalzinho na bochecha, que era uma graça. — O que é isso? — Foi o mais claro que consegui soar.
— A gente... se preocupa amanhã com isso, ok? — Maneei a cabeça em positivo e ele me abraçou, me permitindo acomodar o queixo em seu ombro e ver...
Wolfgang e Olivia no canto da festa.
Assim que terminou de servir os dois copos de ponche de frutas vermelhas, Olivia levou um à boca, bebendo um longo gole doce e refrescante. O sabor dançava em sua língua, combinando perfeitamente com a música contagiante que preenchia o salão. Ela sentia a energia pulsante da festa fluindo por suas veias, envolvendo-a em uma aura de alegria e descontração. Com um suspiro, ela relaxou os ombros e ergueu o queixo, permitindo que a felicidade irradiasse de dentro dela. Seus olhos procuraram instantaneamente por Wolfgang, falhando em encontrá-lo. E isso importava? A música estava animadíssima e ela estava cercada de gente legal. Era exatamente o que ela precisava depois dessas últimas semanas. Pensamentos positivos afloravam à mente da jovem bruxa enquanto ela fazia seu caminho de volta à pista de dança.
- Ah, oi Isobel! Gostei da roupa!- Exclamou Olivia animadamente ao avistar a corvina com seu elegante traje branco. Ela entregou o copo de bebida para Aurea e tomou mais um gole do ponche. Embora o sabor fosse um tanto aguado e sem graça, na atmosfera vibrante da festa, parecia a bebida mais refrescante que Olivia já havia provado. Ela o consumia avidamente, como se sua energia dependesse disso.
Distraída com seus pensamentos, Olivia levou um pequeno susto quando sentiu alguém entrelaçar os dedos nos seus. - Fangs? - Ela murmurou, percebendo que era o loiro conduzindo-a pela pista de dança. Uau, como ele conseguira ficar ainda mais gato em questão de minutos? Seus cabelos estavam perfeitamente bagunçados, seu rosto corado alegremente, e ele ostentava um sorriso torto extremamente charmoso. Droga. Olivia havia esquecido completamente como tinha perdido o interesse pelo rapaz. Não importava seu comportamento explosivo, sua tentativa de beijar sua melhor amiga ou seu charme tão estranho. Naquele momento, ela se sentia a garota mais sortuda da festa só por estar ao seu lado.
Ele chegava perto, tão perto que Olivia sentia arrepios percorrerem seu corpo, despertando emoções desconhecidas. Um pedido de desculpas suave escapou dos lábios do rapaz, fazendo-a rir enquanto respondia em seu ouvido com uma voz rouca, torcendo para que ele a ouvisse acima do barulho ao redor. - Took you long enough... - brincou, afastando-se levemente para encarar seus olhos. Com as luzes piscantes banhando seu rosto, os olhos dele pareciam ter todas as cores, exceto o azul. Olivia notou que estava se aproximando ainda mais, a ponto de seus narizes se tocarem. Era como se ela perdesse o controle sobre seu próprio corpo, ele parecendo ter vontade própria. Respiravam o mesmo ar, a apenas centímetros de distância de seus lábios se tocarem. Inteligentemente, Wolfgang os levou para fora da pista de dança, para um lugar mais tranquilo, onde as luzes não brilhavam com tanta intensidade. Mesmo na escuridão, era possível ver o brilho radiante em seus olhos.
"Controle-se, Olivia" pensou ela, respirando fundo. Sim, ele era totalmente irresistível, mas ela não queria parecer fácil. Ela precisava se manter segura, era ele quem deveria dar o primeiro passo. Ele ainda segurava sua mão, e ela abandonou o copo vazio no chão para que ele pudesse segurar a segunda. Seus olhos continuaram a se encontrar, e ele se aproximou novamente. "Não ceda, não ceda", repetia ela para si mesma, seus olhos percorrendo os lábios dele, curiosos para descobrir seu sabor. Ele exalava uma mistura de perfume, ponche e... uísque? A percepção fez Olivia franzir as sobrancelhas, intrigada. Ela estava prestes a perguntar a Wolfgang se ele estava bebendo, mas foi interrompida antes de poder dizer qualquer coisa.
Inclinando a cabeça delicadamente, o alemão roubou-lhe um beijo que a deixou sem fôlego. Não foi nada grandioso, apenas um toque suave de lábios. No entanto, foi o suficiente para que Olivia esquecesse de tudo ao seu redor. Ao ser retribuído, beijo foi seguido por outros, e mais outros, e, automaticamente, suas bocas se abriram para um envolvimento mais intenso. Alguns encontros desajeitados entre seus dentes, línguas buscando uma à outra em um ritmo descoordenado e um tanto desconfortável. No entanto, ambos eram persistentes e logo se entenderam. Olivia envolveu os braços em volta do pescoço de Wolfgang, enquanto ele a segurava pela cintura. À medida que se sentiam mais à vontade, surgiram mordidas sutis e chupões. Eventualmente, precisaram se afastar para recuperar o fôlego. Aquilo era estranho, mas de um jeito bom, e ela estava feliz em compartilhar a experiência com ele. Com uma risada, Olivia apoiou a cabeça na curva do pescoço de Wolfgang, absorvendo seu perfume. Não havia absolutamente nada de lógico em tudo aquilo.
Uma das meninas agora se aprentava como Marisha e Max oferece aulas grátis de dança, o que era bom, tendo em vista meus movimentos limitados. Ela defende sua tese de que a dança era ótima para superar os traumas das aulas e provas em Hogwarts. Eu penso diferentes, mas aquele não era o local para debates; como uma dança poderia ser melhor que rebater balaços?
- Bom, eu estou olhando como vocês fazer. Uma hora eu aprendo - digo.
Todas permanecem ali, fazendo um passo, ou outro, bebendo e rindo. Bom, todas menos... Olivia e Aurea. Eu não percebo quando aconteceu, mas elas simplesmente já não estão mais ali; e eu recém tinha visto Wolgang. Será que algo pode estar acontecendo?
- Já volto, gente... - digo saindo da roda rapidamente.
Tomo uma certa distância da pista, fazendo a volta na mesma, pegando visão de outros locais da festa. Espero que eu não chegue tarde demais.
A cena que vi foi simplesmente desapontante. Porque eu me preocupo com ela? Porque saio de onde estou para isso? Porque estava preocupada com algo ruim e agora estou vendo as duas beijando marmanjos dos quais... eu não tenho palavras.
Aurea e Steve? Desde quando? E adivinhem, mais uma vez eu não sei de nada. "Sem mais segredo de hoje em diante", né? Tá certo! E... Olivia não estava brava com Fangs? Estavam atrás de informação, querendo descobrir alguma coisa dele, algum segredo; e agora isso? Ah, deve ser mais uma ceninha para atingirem seus objetivos. "Ah, aquilo é tudo mentira, nós manipulamos eles para descobrir informação. Achamos que você não dava importância pra isso, por isso não contamos nada, Rachel!", vai ser o que elas vão me contar. Mais um vez. Tudo bem, se é assim...
Meus passos agora são pesados, eu posso imaginá-los afundando o chão da sála, feito uma pé grande; uma bonita pé grande. Vou até a mesa do ponche e tento adivinhar qual o mais ruim. Pego a cor que gosto menos, que é um rosa. Pego um copo novo, o último acabei amassando e jogando no chão pelo caminho. Encho o recipiente e bebo ele inteiro; em seguida, o completo mais uma vez e me dirigo à roda com as meninas.
Minha cara não é boa; nada de alegria, nada de euforia, e eu sei que vão me perguntar o que aconteceu, mas eu vou contar que torci o pé no banheiro, sei lá. Eu respirava fundo, como se precisasse manter o canguru raivoso na gaiola, pelo menos por mais alguns minutos.
Meus olhos se estreitaram para a figura meio escondida no meio do grupo, seu rosto não me parecia estranho e o motivo ficou claro no segundo em que ela pronunciou seu nome.
— Oi Marisha. — Acenei na direção dela, esperando ser reconhecida, a final estávamos no mesmo dormitório. Enquanto eu acenava, ouvia o evangelho da dança vindo da garota lufana que se apresentou por Maxine. Parecia um convite para um culto, mas ela soava divertida e animada.
— Dançar é algo interessante, eu nunca tentei, porém tenho a ligeira impressão que seria desastroso, você dança Marisha?
Eu direcionei a pergunta especificamente para ela e não foi em vão.
Olivia parecia muito entretida indo buscar ponches ou coisa que o valha, Aurea... bem... ela me irritou.
Eu fiz uma pergunta a respeito da minha roupa e eu deveria aceitar todo o tipo de opinião, esse era o acordo e o justo, porém ainda assim... quando ouvi Aurea fazer um pouco caso dos berrantes acessórios que me acompanhavam, uma pontada de desgosto depositou-se no meu esôfogo, tentei engolir o sentimento a seco, mas aquilo nem descia para o limbo do esquecimento, nem virava palavras.
Pensando bem, Aurea estava sempre tão preocupada em estragar o relacionamento das outras pessoas que jamais tinha parado para perguntar ou sei lá... será que era tão impossível fazer a correlação de que eu precisava disto, eu não queria usar isto.
Talvez fosse, e por isso eu não me sentia no direito de ter raiva. Ela não tinha a obrigação, porém eu queria que ela soubesse e a falta de lógica me impeliu a isolar o objeto de pensamentos dúbios.
Já que não fazia sentido, apenas escolhi me projetar de lado para ela, incluindo Marisha, Rachel e Max no meu campo de visão, além de umas pessoas que eu já havia esquecido o nome mesmo. Rachel, contudo, parecia menos confortável do que eu esperava, mas pareceu gostar da minha aparência, sinal que o mínimo de adequação eu tinha.
Eu ainda estava tentando entender o que Max queria dizer com "1, 2, 3 eeeeee 4!" entre seus movimentos corporais fluidos.
Eu parecia um robô com disfunção imitando a lufana, sendo sincera estava mesmo dedicada a repetir e a constante falha me obrigou a prestar mais atenção. Mal percebi quando boa parte do grupo desbandou e só me dei conta disto quando Rachel voltou mais azeda que balinha de cera de ouvido.
— Sua cara de brava é um pouco engraçada, porém parece bastante ameaçadora. O que houve, Rach? Espero que minha dança não a tenha envergonhado. — Eu começava a questionar se eu tinha feito algo errado ou se Aure e Olivia estavam brigando pela terceira vez em menos de um mês. Criando mais um problema para a batedora.
Sorri ao ouvir a pergunta de Isobel, se eu dançava. Fazia muito tempo que não ia a uma festa, mas ainda lembrava como dançar. Pelo menos do jeito que eu gostava. Juntei as mãos nas costas e comecei a mover os pés e ombros lentamente, sem me importar muito com o ritmo da música.
- Você pode tentar! - a convidei, notando que ela nos observava sem se mover - É só mexer como quiser. E a Max pode dar dicas avançadas. - lembrei que a lufana se oferecera para dar aulas de dança para quem quisesse.
Com o fim do duelo de dança, logo o grupo começou a se dissolver: Olivia já tinha saído para buscar algo para beber e não voltou mais, Aurea desapareceu e logo foi Rachel que se afastou, provavelmente para ver onde estavam suas amigas.
Logo éramos apenas eu, Isobel e Maxine, cada uma dançando do seu jeito. Eu me sentia muito tranquila para minha primeira festa cercada de desconhecidos e nem estranhei que já fazia amigos, quando meu normal seria ficar observando o movimento de longe, na esperança de ser resgatada por alguém mais extrovertido.
Rachel voltou minutos depois, de cara fechada. Havia acabado de conhecer a garota, mas era visível que tinha acontecido alguma coisa que a deixou emburrada.
- Quer mais ponche? - perguntei a ela, sem saber como ajudar na situação. Comecei a me sentir mais solta depois de beber, talvez ajudasse Rachel também.
Sabe quando você sente que está flutuando em um sonho, como se tudo ao seu redor fosse mágico?
Bem, é exatamente assim que estou me sentindo agora. Desde o momento em que segurei a mão de Olivia, tudo parece ter ganhado um toque surreal. É uma sensação um tanto assustadora, como se a qualquer momento eu pudesse acordar na minha cama do dormitório e perceber que perdi a melhor parte do sonho. Por isso, seguro sua mão um pouco mais forte, com medo de que ela escape de mim.
Mas ela não escapa, o que me faz sorrir ainda mais.
Estamos encolhidos em um canto da sala, longe do caos da pista de dança e dos olhares curiosos. Ainda consigo admirar a beleza de Olivia Jenkins, iluminada pelas poucas frestas de luz. E eu faria isso com ainda mais prazer se conseguisse desviar meus olhos do seu rosto. Acho que ela nem faz ideia de como consegue transmitir tanto sem dizer uma palavra, de como seus olhos buscam respostas em mim ou de como seus lábios parecem resistir à ideia de se aproximarem dos meus, mas não conseguem.
Diferente de mim, que tento ao máximo parecer confiante e decidido o tempo todo, Olivia Jenkins é muito mais sincera consigo mesma. Consigo ver vontade e medo dançando juntos, me convidando para uma valsa com minhas próprias inseguranças. Resistiria se pudesse, mas meu controle parece ter queimado com aquela dose minúscula de uísque de fogo. É bem patético ser fraco assim, mas acho que não dá mais para fazer nada.
É como eu disse, parece um sonho.
Observo quando ela coloca o copo de lado e sinto nossas mãos se entrelaçarem, e a sensação é tão certa que me traz uma estranha nostalgia, como se eu tivesse redescoberto algo que me foi proibido por muito tempo. Tento dizer a ela que tive uma semana difícil, que não queria tê-la ignorado por tanto tempo, e nem consigo mais me lembrar o motivo estúpido pelo qual escolhi esse caminho. Mas as palavras não saem, tudo o que meu corpo aceita fazer é encurtar a distância entre nós.
Quando roubei um beijo de Olivia, senti-me no topo do mundo. O toque dos lábios dela nos meus virou tudo de cabeça para baixo. Eu estava flutuando nas nuvens, mas quando nos separamos, vi que na verdade estava em queda livre. É que não sei o quanto dessa ação foi racional, porque, embora o desejo estivesse fervilhando dentro de mim desde que a vi pela primeira vez naquela aula de transfiguração, imaginei que aconteceria de forma diferente. Acho que, sei lá, talvez até mais romântica. Poderia ser em um de nossos encontros secretos. Eu pediria permissão, e ela nem precisaria dizer uma palavra, pois seus olhos revelariam seu desejo.
É quase como agora. E talvez eu esteja preso em um sonho dentro do sonho, como o Leonardo DiCaprio naquele filme, porque ela retribui o beijo e algo dentro de mim afunda no meu estômago, pronto para ser espancado pelas borboletas rebeldes que vivem ali. Não sei se é meu coração, porque esse parece ter subido para minha garganta, desejando tomar o lugar da língua, que tenta explorar a dela. Primeiro devagar, depois de forma intensa. Há esse momento estranho em que tentamos nos encaixar, e eu abro os olhos apenas para procurar aprovação em algum lugar de sua expressão concentrada.
Fico realmente com medo de que isso não dê certo. Toda aquela animação se transforma rapidamente em apreensão, e a incerteza me oprimindo em forma de frio na espinha. Será que Olivia vai odiar o meu beijo? Será que tudo vai desmoronar? Quero acordar desse pesadelo, mas o gosto dela só me deixa ainda mais embriagado. Eu fecho os olhos novamente, segurando-a pela cintura, apertando ali e deixando a sensação correr dos meus dedos para outras partes mais específicas de meu corpo.
E de repente, como se fosse algo pré-determinado, uma onda de satisfação toma conta de mim. Demora um pouco para eu entender que acabei de beijar a garota mais incrível do colégio e agora ela está ali, aninhada em meus braços, seu perfume me deixando ainda mais fora de mim.
Não pode ser um sonho, simplesmente não pode.
Deslizo minhas mãos pelas costas dela, puxando-a mais para perto de mim. Parece tão real, mas ainda me sinto nas nuvens, incapaz de escapar dessa crescente euforia que me deixa os dedos dormentes e o nariz coçando. Solto até uma risadinha, é o que consigo fazer ao tentar articular algum pensamento racional. Ainda estou ofegante, mas não me importaria de perder todo o resto do meu ar. É tudo tão intenso que chega a ser estranho…
“Eu nunca me senti assim com nenhuma garota antes”, escapa dos meus lábios sem que eu consiga filtrar. Minha voz está ofegante e trêmula, e algo me diz que essa talvez seja a pior frase para dizer depois do melhor beijo da minha curta vida. Eu nem ligo, extasiado demais para me importar.
A sensação é de estar girando em meu próprio mundo. Quando tudo fica de cabeça para baixo, é uma bagunça total, parece que estou prestes a desmoronar. Tenho essa certeza de que não sou bom o suficiente para Olivia, que ela só me beijou por causa do meu maldito charme, e me sinto um idiota por não saber o que dizer depois de ter dado um gelo nela por uma semana, por alguma idiotice que nem mesmo eu entendo direito…
Mas quando finalmente volto ao eixo e meus pés tocam o chão, sinto a textura de sua pele — e eu estava certo, é mesmo aveludada —, seu cheiro, e a forma como consigo mantê-la segura em meus braços… Tudo isso me faz pensar que vou ficar bem, que só estou exagerando. Talvez eu seja só um peso leve que fica totalmente maluco com uma dose de álcool no sangue, talvez eu só guarde coisas demais dentro de mim até elas explodirem em momentos assim, sei lá.
Tenho certeza de que poderia fazer isso funcionar se não estivesse tão ofegante, tonto e com uma vontade avassaladora de beijá-la mais uma vez. É, acho melhor fazer isso.
Com seu rosto entre minhas mãos, nos beijamos novamente com uma certa impaciência. Será que ela está sentindo isso também? Essa sensação de que poderíamos simplesmente nos perder um no outro. Só consigo ouvir a música agitada quando nos afastamos para respirar. Nem sei quando a encostei na parede. E talvez eu tenha tentado deixar uma marca com meus dentes em seu pescoço quando beijei ali… Droga.
Acho que perdi completamente o controle.
Conseguia sentir as mãos de Steve me abraçando e me trazendo ainda mais contra seu corpo. Eu também o abraçava, por mais que não estivesse tanto na vibe de ficar assim com alguém. E ver Olivia e Wolfgang trocando amassos no canto da festa me fazia ter alguns embrulhos no estômago que eu não sabia se era raiva, ciúmes, desgosto ou ansiedade. Talvez eu estivesse encarando-os tão fixamente que se eu tivesse visão de calor a cabeça do loirinho explodiria. Agradeci mentalmente por não conseguir avarar ainda, caso contrário Wolfbang estaria com problemas no dia seguinte com alguma azaração.
— Woodward... Aurea... — Ouvi a voz de Steve me chamar e recuei brevemente, deixando meu nariz deslizar pela sua bochecha.
— Sim?! — Perguntei. Ele parecia bastante avariado, com os olhos um pouco aéreos.
— Eu tô... muito feliz... sabe? — Seus olhos estavam aguados?
— Você não me parece muito bem... ou feliz. — Toquei a sua bochecha com a mão e ele fechou os olhos. Esboçou um sorriso meio ébrio.
— Eu nem ligo se morresse agora. — Revirei os olhos em conjunto com um sorriso.
— Se você morresse agora eu seria a maior suspeita. — Lancei um olhar por cima do seu ombro, apenas para ver Wolfgang e Olivia se pegando de novo, depois olhei por cima do meu próprio, disfarçando, como se tentasse localizar alguém. — Você bebeu o quê?
— Uísque de fogo. — Ele levantou dois dedos. — Dois. — Suspirei.
— Took like a champ. — Clark-Porter sorriu animado e se aproximou, me roubando um selinho. Não recuei.
— Eu esperei esse momento por anos, Aurea. — Sorri para ele, mas um sorriso um tanto incomodado. Talvez Steve não fosse perceber devido ao seu nível de embriaguez.
— Acho que você, logo, vai precisar ir ao banheiro pra, sabe, botar isso pra fora. — Ele apertou os dedos em minha cintura, ainda um pouco cambaleante.
— Você... me dá só mais um beijo, por favor? — Ele parecia prestes a vomitar a qualquer momento.
— Se você vomitar em mim eu vou te azarar de um jeito que nem o seu pai vai te reconhecer.
Ele levantou as mãos como se quisesse me mostrar os dedos descruzados de uma forma quase engraçada, se não fosse preocupante. Eu sentia essa vontade de esmurrar alguém crescendo dentro de mim pela situação em que estava, mas precisava me controlar a todo custo. A semana que passei sem as garotas foi bem ruim e eu não queria ser a razão de mais uma semana sem elas.
Mais uma vez me posicionei na pontinha dos pés para dar o último beijo em Steve antes dele dormir abraçado no vaso sanitário e, diferente dos beijos inexperientes e desajeitados de antes, este encaixou melhor e foi até um pouco confortável, mas eu ainda achava bastante intrusivo, o que me fez questionar mentalmente se eu, algum dia, gostaria de fazer isso com alguém. Ou se talvez eu gostasse de garotas. I mean, era um pouco nojento saber que a língua de outra pessoa estava passeando pela minha boca.
Com o fim do beijo ele soltou a cabeça em meu ombro e eu o segurei da melhor forma que consegui. Por sorte ele ainda se equilibrava bem em suas pernas, caso contrário, estaríamos os dois no chão.
— Vem, vou te levar até alguém que pode entrar no banheiro com você. — Segurei o garoto pela mão e a acomodei em meu ombro enquanto passava pelos transeuntes. Quanto mais me aproximava de Wolfgang e Olivia mais meu coração batia acelerado e, agora eu sabia, era raiva.
Assim que me aproximei o bastante para ver aquela cena que me deixou um tanto quanto desconfortável cutuquei de leve o braço de Wolfgang que enlaçava a cintura de Olivia. Eu havia conseguido chamar a atenção de ambos e eu não estava orgulhosa disso, inclusive, sentia que não conseguia demonstrar outra expressão que não fosse raiva, ou talvez nojo. Era como se anzóis com âncoras puxassem meus músculos do rosto pra baixo. Era impossível sorrir.
— Eu acho que o seu amigo precisa... — Ir ao banheiro? Não mais.
Ouvi um som gorgolejante vindo de trás de mim enquanto o peso de Steve Clark-Porter puxava meu ombro para baixo. Apenas fechei os olhos ao sentir algo que eu não queria nem pensar respingar em minhas pernas. Levei a mão esquerda no rosto, como se espremer a minha cara com raiva fosse dissipar a vontade que eu tinha de gritar com ele. E quer saber?! Eu tava pouco me fodendo pra isso!
— Como vocês beberam uísque de fogo nessa bosta de festa?! — Esbravejei, um pouco fora de controle. — Vocês têm merda na cabeça?! Na Alemanha pode ser normal darem cerveja pra criança nas mamadeiras, mas nem todo mundo aguenta... — Virei para trás, e... porra... papa de arroz. Revirei os olhos com um arrepio de nojo. — Olha, eu não posso entrar no banheiro com ele. — Olhei para Olivia, agora. As sobrancelhas franzida em raiva. — Você vai ficar aí ou vai voltar comigo até a Rachel e as meninas? — Eu não tinha ideia do motivo de eu estar com tanta raiva, mas as palavras vinham como uma avalanche. — O combinado era ficar com ela, porque ela já não estava confortável... e agora meus tênis estão arruinados! Que merda! — Praguejei.
Logo as coisas começaram a se desenrolar como uma festa comum entre jovens. Um ou outro se dispersando, alguns para pegar mais bebida, outros para trocar salivas. Eu pertenceria ao grupo que dançava a noite toda, grazie mille. Isobel e Marisha ao menos pareciam ter interesse naquele plano, ao menos era o que eu imaginava. As corvinas não demoraram a tentar alguns passos.
— Tentem pensar que no fundo, no fundo, beeem no fundo, não existem regras a serem seguidas. É uma festa que quase ninguém se enxerga direito por causa das luzes. Então é só se mover como você ta sentindo a música! — Expliquei para Isobel e Marisha, sempre falando alto para ser escutada para além da batida das músicas.
Mas Isobel parecia interessada em saber um pouco mais e se esforçava em imitar alguns passos de dança. Algo que eu não me importava, pelo contrário! Passava a contagem e o movimento quantas vezes fossem necessárias, ficando mais focada nas duas por mais que tivéssemos começado a conversar, tipo, trinta minutos atrás? Ou até menos! No entanto, essa era uma das magias de sair e festejar, em cinco minutos você tinha alguém ao seu lado que por uma noite seria sua melhor amiga.
Em um giro ou outro, tive um vislumbre de Olivia com alguém. Aurea tinha desaparecido temporariamente e Rachel retornava com uma expressão que indicava algo como “algo aconteceu, favor não perguntar”. Então era mudar o foco! Ou até mesmo fazer ela finalmente balançar o corpo. Ah! O que a Aurea tinha dito mesmo? Que ela dançava no ar, então um assunto que ela gostasse…
— Racheeel! — Deslizei em um passo para próximo dela, mas sem invadir o espaço pessoal. — Você joga quadribol, o que tá achando da temporada até agora? Alguém bom o suficiente para competir com a Sonserina? Não diga Grifinória, é tão clichê e eu soube que a Corvinal está com umas estratégias mirabolantes!
Era óbvio que eu não sabia nada disso, amava assistir ao quadribol, mas entendia relativamente pouco dos bastidores. Estaria em todos os jogos, motivo pelo qual conhecia minimamente Rachel. Porém, para animar alguém, eu usava todas as armas que pensava ter à disposição. E quem sabe as outras corvinais tivesse um ponto ou outro para dizer sobre o assunto? As interações sociais às vezes não passavam de fazer algo e torcer pelo melhor com um sorriso.
Isobel comenta sobre minha cara brava dizendo ser um pouco engraçada, mas ameaçadora. E seguida me questiona sobre o que aconteceu cogitando ainda que fosse culpa de sua dança desajeitada. Tento sorrir para ela.
- Você está incrível, Iso. Estou assim porque eu vi... algo que não gostei. Mas não precisa se preocupar com isso - digo.
Marisha, a outra corvina que juntou-se a nós, tentava entrar compasso de Maxine, assim como todos que estavam ali. Ela me oferece mais ponche e eu agradeço pegando o copo e bebendo um pouco.
Por último, a lufana veio até mim. Acho que ela percebeu que eu não estava com cara de quem quer dançar. Ela puxou um assunto sobre Quadribol, o que me espanta. Eu não esperava que o assunto abordado por ali. Ela queria saber o que estou achando da temporada e se considerava alguma casa boa suficiente para enfrentar a Sonserina.
- Hã... bom, o novo goleiro melhorou nosso considerável, mas creio que qualquer time é bom o suficiente para nós ainda - respondo.
É uma reposta que não gosto e dar nem um pouco. Gostaria de poder dizer que nenhuma casa é párea para Sonserina, é um dos meus maiores sonhos, mas ainda não era possível.
- Mas de todos, de fato, jogar contra a Corvinal é sempre mais desafiador. Eles sempre tem jogadas e formações novas com elementos surpresas. Já nos pegaram desprevenidos algumas vezes, mas estou trabalhando nisso.
Acredito que meu ânimo tenha melhorado um pouco, as meninas eram legais e pareciam se importarem comigo ao me verem emburrada. É algo legal perceber, mas provavelmente eu me irritaria novamente se visse Olivia e Aurea novamente.
Eu não sei mais como resolver isso internamente. Ver as duas beijando aqueles garotos depois de ter rolado tanta coisa, depois de eu ter me preocupado tanto...
Esquece isso por enquanto, Rachel...
Aconchegada nos braços de Wolfgang, seus corpos balançavam suavemente, como se dançassem uma melodia muito mais lenta do que a música que tocava. Naquele momento, Olivia sentia que a semana que havia passado era apenas um sonho estranho, dissipado pela realidade mágica que vivenciava. “Eu nunca me senti assim com nenhuma garota antes” Ele disse, e o coração de Olivia pareceu mergulhar em seu peito. As palavras de Wolfgang eram carregadas de uma sinceridade profunda, de uma forma que ela nunca tinha presenciado antes. Ela se afastou ligeiramente para poder olhá-lo nos olhos, enquanto sua mão suavemente acariciava a bochecha dele com o polegar. Naquele momento, ela se sentia mais conectada a ele do que jamais estivera. Seus olhos, normalmente distantes, percorriam o rosto dela, como se quisessem transmitir toda a honestidade que havia em suas palavras.
Naquele momento, a semana que ela havia vivido e as ações passadas de Wolfgang com Aurea se tornaram insignificantes. Todo o sentimento que ela tinha pelo garoto pulsava em sua pele, e ela tinha certeza de que seu sorriso refletia a felicidade em seu coração. Quando ele segurou seu rosto com suavidade, suas mãos grandes transmitindo uma sensação de proteção, toda a insegurança que restava na morena derreteu como manteiga sob o calor do seu toque. Ela se entregou completamente, permitindo que ele capturasse seus lábios mais uma vez. Diferente de seu primeiro beijo, aquele começou ardente e intenso. Olivia elevou as mãos para os cabelos do rapaz, acariciando gentilmente seu couro cabeludo com as unhas, enquanto, por sua vez, ele não a tratava com tanta delicadeza.
A encurralando contra a parede, a respiração descompassada e pesada de Wolfgang revelava sua voracidade incontrolável. Seus lábios percorriam sua boca, seu maxilar e seu pescoço com mordidas e beijos intensos, despertando uma mistura de prazer e ansiedade em Olivia. Ela mordia seu lábio inferior, contendo gemidos embaraçosos que ameaçavam escapar. Instintivamente, suas unhas arranhavam suavemente o pescoço dele, deixando uma marca passageira em sua pele clara. A preocupação sobre os rastros visíveis passava despercebida, pois nesse momento, ambos estavam mergulhados no presente, sem se importar com as consequências a longo prazo. A ideia de se marcarem reciprocamente parecia irresistível, perfeita para encapsular a intensidade desse momento fugaz.
Ao se separarem, dessa vez, foi difícil de retomar o fôlego. Eles encostaram as testas, perdidos um no outro, e se permitiram sentir a conexão que eles compartilhavam. Se haviam coisas que precisavam ser ditas, poderiam ficar para outra hora. Agora eles se aproveitavam reciprocamente, com carinhos suaves e sorrisos bobos. Afinal, estavam só eles dois ali.
Aurea parecia puta, e muito. Olivia franziu as sobrancelhas, buscando entender o que passava na cabeça da amiga. Havia acontecido alguma coisa ruim enquanto ela estava com Wolfgang? Talvez. O estranho era que Aurea já estava esboçando raiva e nojo antes de Steve vomitar próximo a ela. A morena levou uma mão a boca, tanto para demonstrar surpresa quanto para conter a náusea que começara a se formar em sua garganta. Que nojo. - Eu… Eu vou com vocês. - Olivia respondeu à pergunta da amiga, um tanto amedrontada. Ela estava surpresa, na verdade, que Aurea não havia azarado Steve naquele exato momento. Dando um último beijo na bochecha de Wolfgang, ela se afastou dos dois rapazes e seguiu Aurea pela festa.
- Você não quer ir ao banheiro limpar seus pés? - Perguntou, quando já se aproximavam da pista de dança. Aurea parecia estar com muita raiva, e Olivia não conseguia entendê-la. Quer dizer, é claro que ter alguém vomitando ao seu lado é desagradável, mas ela já parecia estar brava antes disso. Não muito longe, ela via Rachel conversando com as outras meninas, e ela parecia estar bem. - Ei - Olivia falou, puxando de leve a capa da amiga de cabelos platinados para chamar sua atenção, a fazendo olhar para si. - O que aconteceu? - Sua pergunta era sincera, e ela encarava os olhos da amiga com certa preocupação.
Cara, tô curtindo demais essa conexão com a Olivia. Nossas testas tão coladas, nossos lábios roçando um no outro, nossos corpos dançando num ritmo próprio. Só queria poder dizer estou completamente consciente disso, quero dizer, ainda tá rolando uma desconexão entre o que eu penso em fazer e o que eu realmente faço. Parece que tem um lag entre os meus pensamentos e as minhas ações, e às vezes eles se embaralham e são interpretados de formas diferentes. Por mais que eu tente não parecer desesperado, eu me enrolo nela e mostro que tô vulnerável e dependente de sua atenção.
Pareço um pateta, mas é tão bom que eu nem ligo.
O que importa é que vibe da festa parece só nossa, e tem essa bolha onde as últimas semanas não existiram e vivemos só o presente, que eu gosto muito por ser físico o suficiente para compensar os dias que passei apenas imaginando. E mesmo que eu esteja meio anestesiado, como se tivesse deixado meu corpo pra trás e chegado na tal da cloud 9 pela primeira vez, ainda sinto as marcas das unhas dela na minha pele, o que me dá um arrepio gostoso e um calor ao mesmo tempo, sabe? É intenso.
Isso potencializa cada coisinha que me deixa satisfeito, tipo perceber que ela é do tamanho certo pra mim ou que nossos cheiros realmente se misturaram... E mesmo quando bate um medo sem sentido, e o que me tranquiliza é que ela não parece disposta a sair de perto... Por um momento consigo dá até acreditar que nada vai conseguir estragar o nosso paraíso particular...
A não ser, é claro, Aurea Woodward.
Caralho. Eu estava aqui, beijando o pescoço da Olivia, quando de repente vejo a Aurea no meu campo de visão, seus olhos faiscando no meio da escuridão, eu posso jurar que eles até mudaram de cor para o vermelho das paredes do inferno. Puta merda, isso me deu um mal-estar daqueles. Parece completamente errado ela ficar nos observando assim, e ainda pior é que ela tá vendo meu estado depois de passar um tempão trocando uns beijos com a garota mais gata que já vi na vida. Não posso ter certeza do quão a escuridão consegue esconder.
Acho que estou tendo um pico de sobriedade, mas ainda continuo me sentindo esquisito, como se tivesse energia demais. Apesar disso, mostro um olhar preguiçoso para meu nêmesis particular. É como se eu dissesse: "Que porra você quer, tá cega? Não tá vendo que a gente tá ocupado aqui?"
Aí ela solta uma merda sobre alemães bebendo em mamadeiras, e até dá pra rir um pouco, mas aí lembro que não a suporto e fico sério na hora. “Steve é norueguês”, digo, mas minha fala sai meio embolada, droga, não queria que ela soubesse que meu estado é ruim.... Bom, pelo menos estou melhor que o pobre do Clark-Porter. O cara acabou de vomitar na Dream Girl dele.
Puta merda, Porter. Aurea, Olivia e eu temos expressões completamente diferentes de reação. Uma tá com nojo, a outra tá puta pra caralho, e eu confesso que não consegui segurar uma risadinha de pena. A piada fica ainda mais engraçada quando ela espera que EU leve o Steve pro banheiro. Me preparo pra argumentar, mas a Olivia é mais rápida, ou eu do nada fiquei devagar demais, não tem como saber e...
Ei! Ela simplesmente vai embora assim?! Sem nem se despedir direito, me deixando com um amigo à beira da morte enquanto segue atrás da Woodward? Porra. Acho que estou de cabeça pra baixo de novo. Sinto que também tô prestes a vomitar.
Com todo autocontrole que meu estado atual consegue me dar, ajudo o Steve a se levantar, ele tá realmente numa situação péssima, porque quando se apoia em mim a primeira coisa que tenta fazer é me beijar. — Cara, que merda, sai fora! Eu não sou a Woodward! — Steve tenta me abraçar e eu me desvencilho dele meio em pânico. Antes que ele caia no chão, uma poltrona surge do nada e ele fica sentado como um boneco de pano maltrapilho.
Fecho os olhos e respiro fundo, acho que a raiva e angústia que tão me mantendo em pé, porque sinto que a maior parte de mim já desmoronou faz tempo.
Passo meu braço pelo ombro do Steve, ele parece ter recuperado um pouco dos sentidos depois de balançar a cabeça quando quase caiu. Ele tenta dizer algo, mas não consigo entender. Na verdade, a música tá tão alta nos meus ouvidos que parece só um monte de graves estourados. As luzes piscando também me deixam confuso, e quando percebo, tô na pista de dança, ao lado da Aurea e da Olivia. Acho que vou explodir.
— Olha só, Woodward. — tento falar por cima da música também, segurando o braço dela. — Se você não queria beijar o Steve, tudo bem, mas não precisava fazer ele se sentir um merda azarando o cara! — Apoio meu amigo, tanto física como moralmente, ele tenta dizer algo de novo, mas começa a me puxar quando vê que tá na frente dela, claramente um sinal de medo. É claro que fez algo com ele, afinal, ela é louca!
— Isso é golpe baixo, ele gostava de você! Não precisava ser tão desgraçada! — meu sangue está fervendo, acho que literalmente, meu corpo tá quente pra caramba. Antes que ela possa reagir, continuo: “Seu plano comigo também era esse, né!? Mas não deu muito certo... E tudo isso pra quê!? Não vem com aquele papo de merda do outro dia, você realmente acha que alguém acre...” minha fala vai morrendo porque desvio o olhar pra Olivia ao lado dela, é como se a percebesse ali pela primeira vez. A pista de dança roda quando a música muda. E O pior ainda está por vir:
Steve resolve escolher a melhor hora para ter um momento de sobriedade. “O quê!?” — ele se solta de mim, olha pra Aurea e depois pra mim de novo.
Meus movimentos estão voltando gradualmente ao meu corpo, daí solto o braço da Woodward sentindo um choque nauseante. “Então vocês dois... o tempo todo... Uau, isso era tão óbvio que nem consigo me sentir um imbecil...” — Eu não faço ideia do que diabos ele tá falando, mas tenho uma noção de onde esse pensamento vai chegar só pelo jeito que me olha com uma mistura de desprezo e decepção.
Assisto ele ir embora, cambaleando, sumindo no meio da galera que parou de dançar pra tentar entender o que tá acontecendo. Não consigo dizer mais nada, e tá foda controlar minha vontade de virar e socar a boca grande da Woodward com tanta força que o labret dela vai marcar os meus dedos. Mas não vou dar esse gostinho pra ela. Não importa o quanto eu tente, ela sempre vai vencer, não é?
— Porra. Parabéns, Woodward, está feliz!? Espero que sim. E... foi mal, de novo, Olivia... — Só vou perceber o quão culpado eu pareço depois de sair da pista de dança, da festa. Foi tudo que consegui dizer pras duas, porque preciso encontrar o Steve antes de perder o controle de novo. Não posso ser um amigo de merda agora que ele acha que fui o pior de todos.
A parte foda é que a euforia dentro de mim tá fazendo tudo girar tão loucamente que se eu conseguir chegar no corredor sem vomitar vai ser um milagre.
Eu tinha a noção que conforme as coisas iam acontecendo e, aparentemente, se resolvendo para o meu lado, eu ia ficando cada vez mais nervosa e revoltada e não o contrário, como deveria ser. Steve estava mal por causa de bebidas que ele sequer poderiam beber, e Wolfgang não parecia muito diferente. Talvez o que diferenciou ele de Clark-Porter foi o seu tamanho em relação ao meu par anterior. Olivia havia aceitado meu convite de voltarmos para nosso grupinho, Steve, agora, estava sentado em uma poltrona ao lado de Wolfgang e o chão parecia ter sido limpo, já. A Sala Precisa era a melhor coisa de Hogwarts, agora, no meu conceito.
Já estávamos saindo quando senti aquele mesmo agarrão familiar em meu braço, e o sangue subiu quente pelo meu corpo até meu rosto. Ele não tinha feito isso de novo, certo? Claro que tinha! Ele tinha essa mania de querer usar a força para intimidar as pessoas, mas parece que nunca encontrou alguém que não ligava de se machucar. Subitamente me vejo olhando para o rosto de Wolfgang e, holly fuck, o desgraçado é muito bonito. Ele esbreveja meu nome e me acusa de ter azarado Clark-Porter.
— Que?! — Perguntei, indignada. Eu odiava ser acusada por algo que não havia feito, ou sequer passado pela minha cabeça.
Mais palavras vinham em minha direção como golpes baixos que começavam uma luta com alguém que eu não tinha visto chegar. Ele parecia começar a jogar toda a merda no ventilador, mas era algo que eu já havia contado para Olivia, então não me sentia pessoalmente atacada, porém, Clark-Porter deduziu coisas com aquele cérebro embriagado, saturado de álcool. Ele logo saiu, desacompanhado. Eu observava aquela cena desenrolando quase como uma espectadora, mas então vieram as palavras finais de Wolfgang.
"Porra. Parabéns, Woodward, está feliz!? Espero que sim."
Eu não estava feliz, mas eu ia ficar.
— Sabe de uma coisa, Wolfgang?! — Perguntei, com um sorriso de escárnio no rosto. — O mundo não gira ao seu redor! — Talvez eu estivesse gritando, agora. — Você pode achar que tem alguma importância nessa trama do destino, mas não tem! — Agora eu que dava passos em sua direção e segurava o manga da sua blusa, o fazendo virar pra mim. — E a única azaração que caiu sobre o pobre do Steve foi ter decidido se tornar o seu amigo, e sabe o porquê? Porque você não consegue assumir as merdas que são suas! — Eu me sentia despejando todas aquelas palavras e eu não tinha a intensão de parar. — Eu já assumi as minhas! Tentei ser legal e deixar tudo isso pra trás! Mas você parece ter idealizado algo na sua cabeça que saiu direto da porra de uma história em quadrinhos! — Eu me aproximei um pouco mais, puxando sua blusa para baixo para ele fazer o mesmo. — Eu não sou a vilã do seu arco de herói, e nem fiz nada de ruim com o Steve. Eu sequer consegui curtir a festa com o ele porque ele tava embriagado demais pra isso. Talvez nem lembre do nosso beijo. — A verdade é que eu não tinha curtido muito o beijo, mas talvez fosse algo que eu estivesse fazendo errado. Com minha mão livre eu cutuquei o seu peito, agora. — Mas algo me tranquiliza: você é tão merda que eu não vou nem precisar abrir os olhos da Olivia. O tempo vai mostrar pra ela que por baixo dessa casca bonita tem alguma coisa podre que deveria estar no fundo do Lago Negro, escondida entre as pedras. Eu não tenho medo de você, mais. Você não é uma ameaça pra mim. — O soltei e disse, finalmente, antes de ir atrás de Steve. — Eu vou falar com o Steve. Você só vai estragar mais as coisas.
Ok, o papo sobre quadribol era o bastante para me afugentar. Embora eu estivesse me esforçando para ao menos entender algumas das coisas que Rachel dizia, era ainda muito distante de qualquer interesse meu. Aliás, eu já havia ficado muito, muito além do tempo que havia previsto e já estava em hora de catar meus espólios de festa antes que começassem a derramar ponches e suor sobre eles, arruinando a decoração trouxa que eu cobiçara.
Segui meu caminho sem me lembrar de dar tchau, porque eu estava concentrada em pegar uns adereços da mesa de bebidas antes de buscar o que pareciam ser figurinhas de desenhos trouxa colados na parede. Eu ainda não tinha ideia de onde poderia enfiar aquilo, talvez colar na parede da minha cama fosse uma boa ideia.
Porém, uma comoção arruinou meus planos. Por acidente eu interceptei uma Aurea muito braba gritando com um menino loiro que eu não lembrava de ter visto antes. Olivia parecia... Bem, eu não tinha certeza de qual era aquela expressão, parecia meio... incrédula?
A coisa ia escalando enquanto Aurea gesticulava e gritava, o que eles falavam passava muito do limite dos meus abafadores, de forma que eu não consegui ouvir uma palavra sequer. Estreitei os olhos e o menino parecia bonito, mas me lembrava os colegas de trabalho do meu irmão, então me causava certo desgosto por associação.
Eu não nutria nenhum tipo de ódio por pessoas da Alemanha, mas eu devia um ou dois gritos ao meu irmão! Mas mamãe achava gritar improdutivo, ninguém se ouve e não há um objetivo claro nas palavras, são apenas ofensas emocionas sem nenhum retorno.
Curiosamente, eu me senti inclinada a concordar com ela naquele momento e assim, iria usar uma de suas manobras de emergência para apartar uma boa briga entre bruxinhos irritados. Caminhei na direção deles, Aurea estava de costas para mim, encarando o homem que já estava vermelho de tão bravo.
— Petrificus totalus! — Declamei sacudindo a varinha na direção da Sonserina.
As pessoas ao redor ficaram confusas por um tempo, enquanto eu me aproximava mexendo na minha bolsinha. Tirei as alças dela, prendi na capa da menina e me levantei rapidamente.
— Olá Wolfgang. — Disse para o menino, enquanto começava a puxar a Aurea. — Espero que vocês possam dialogar num momento mais oportuno, onde as razões estejam a cima de emoções e som alto. Foi um prazer.
Em seguida virei para a Olivia.
— Eu vou levar ela embora, aproveite a festa. Ela vai ficar braba apenas comigo desta vez.
Eu falava enquanto agia, sendo o mais pontual e ágil possível para não lhes dar tempo de processar o que estava acontecendo, assim eu poderia sair com a Aurea sem mais dramas.
Sendo assim, saí satisfeita de ter esclarecido o que me interessava, e arrastei a Aurea para o canto, ao menos o sticker do bob esponja eu precisava pegar. Descolei um ou dois stickers, coloquei sobre a menina.
— Por favor, segure estes para mim. — Pedi enquanto colocava os stickers sobre a garota petrificada. — Você realmente deveria parar de bater boca com o Wolfgang.
Completei a sentença e fui arrastando Aurea para o banheiro feminino, no piso onde a Murta falava sem parar, ali eu teria algum tempo para trazer Aurea de volta e ouvir ela brigando comigo.
Ainda um tanto atordoada com a mudança repentina de eventos, Olivia tentava entender o que estava acontecendo com a amiga ao seu lado. Porém, antes que pudesse receber qualquer resposta, Wolfgang teve a ideia estúpida de se intrometer. Por mais que seu rosto irritado fosse estranhamente encantador, por mais que ela ainda conseguisse sentir o toque de seus lábios, por mais que as marcas de suas unhas ainda estivessem estampadas em seu pescoço, Olivia o encarou com raiva. Será que ele não via que aquela era uma péssima hora para discussões desse tipo? Ele falava sobre Steve, e como Aurea o havia feito sentir, e Olivia sabia bem que o coitado do garoto que tentava se manter de pé não tinha nada a ver com a situação. A verdade é que tanto Wolfgang quanto Aurea estavam morrendo de vontade de tirar satisfação um com o outro.
- Hey, Fangs, essa não é hora pra isso! - Indagou a menina, sendo completamente ignorada pelos dois. Steve, que foi pego no fogo cruzado, se afastou abalado. Levando uma mão ao rosto, Olivia o esfregou. Por que caralhos seu nariz parecia estar coçando tanto justo numa hora dessas? Wolfgang tentou se afastar, acreditando que havia terminado por aí. Ele estava muito errado. - Pelo amor da deusa! Vocês podem calar a porra da boca? - Irrompia Olivia, agora que Aurea começara a jogar algumas verdades na cara do alemão. Talvez fosse a música muito alta, ou talvez fosse a tensão absurda que havia entre os dois adolescentes, mas eles mal pareciam lembrar que ela existia. - UGH! - Grunhiu, incrédula, tentando se fazer vista, mas sem obter bons resultados.
Dessa vez, Aurea virou-se, na intenção de ir procurar o Steve, mas deu de cara com Isobel, que a apontava a varinha. Ninguém teve tempo de falar ou de agir, pois Isobel utilizou um feitiço de petrificação na sonserina, a deixando com as pernas e braços rentes ao corpo. - Mas que porra…? - Olivia cochichou para si mesma, confusa. Antes mesmo que ela pudesse pensar em como reagir, Isobel já estava arrastando Aurea para longe dali. Olivia não era próxima de Isobel, mas sabia que Aurea confiava nela. Isso deveria dizer alguma coisa, provavelmente.
Tapando os olhos com uma mão, a morena respirou fundo na tentativa de organizar os pensamentos. Wolfgang continuava à sua frente. - Okay, olha…- Começou ela, levando a mão às têmporas e esfregando suavemente para impedir a dor de cabeça que ameaçava aparecer. Não era mais o momento para emoções trepidantes, ela precisava ser lógica novamente. - Você devia procurar o Steve e eu devia ver a Rachel. Avisar ela de tudo… Isso. - Suspirou, voltando a encarar os olhos azuis do garoto. - A gente se fala amanhã, okay? - Ela pensou em se aproximar e beijá-lo em adeus, ou talvez apenas segurar sua mão mais uma vez. Mas ela não estava com vontade. Por mais objetiva que estava buscando ser, ainda estava com raiva de Wolfgang e de Aurea por escolherem este momento para jogarem a merda no ventilador.
Dito isso, ela se afastou, voltando para a pista de dança. Ela ainda via Rachel e a lufana de cabelos bufantes, Maxine, assim como a menina que tentara se esconder ao seu lado antes, Marisha. Elas pareciam ter desistido de dançar como antes e estavam conversando entre si. Com sorte, seria uma conversa melhor do que a que estava tendo logo agora. - Oi de novo, meninas…- Em sua voz, era possível perceber certo cansaço. - A Isobel levou a Aurea embora, talvez a gente devesse ir também? - Disse ela, se direcionando à Rachel, que não parecia muito feliz coma sua presença.
Eu não sei direito como isso aconteceu, mas eu estava acompanhada por duas recém conhecidas na festa; até mesmo Isobel saiu de fininho. Continuava a falar sobre Quadribol com Max, queria tentar não pensar nas coisas que eu vi, mas no momento não possível. Olivia agora está entre nós.
"Ela foi petrificada?"
"Que isso! Ela ela arrastando a outra feito um cachorrinho."
"Não era a menina do duelo de dança?"
Minha respiração pesa mais uma vez e ainda ouço Olivia com a super sugestão de irmos embora. Embora, por algum motivo, não me sentisse bem, eu não iria acatar aquela ideia.
- Claro, já se divertiram bastante com quem vocês queriam, não é? Pode ir se quiser - digo para Olivia.
Não sei se meu rosto mostrava algo como raiva, afinal, meu sentimento é mais de decepção. Estou cansada de ser deixada de lado. Qual o sentido de insistirem para eu vir aqui? Eu não queria estar aqui, aí de repente saem por aí beijando garotos, uma vai embora e a outra vem pedir para eu ir junto.
- Já volto Max... vou pegar mais ponche pra gente - digo me virando de costas para todas ali.
No meio do caminho, sinto minha visão um tanto turva. Me sinto tonta e meu nariz coça bastante. Minha cabeça dói um pouco, mas ainda consigo suportar.
"Vocês viram aquilo?"
"Olha lá! A canguru parece que ficou sozinha a festa toda."
"É mais seguro chegar em alguém não vá bater em você, afinal".
Já na mesa do ponche, encho meu copo e mais um. No caminho para me juntar às meninas novamente, minha visão fica bagunçada mais uma vez e minha cabeça lateja mais forte agora. Palavras desgovernadas passeiam e dão voltam em minha cabeça; milhares delas ao mesmo tempo, embaralhadas. Era com se eu tivesse no meio se uma discussão com cem pessoas, todas falando ao mesmo tempo falando em meu ouvido; e ainda tinha a músicas.
Largo os copos que se espatifam e molham o chão ao meu redor. Tampo os ouvidos com as mão, na tentativa de amenizar aquilo, mas sem sucesso. Me ajoelho no chão pedindo aos céus para aquilo parar. Fecho os olhos para ter ao menos o estímulo visual anulado.
Eu não sei como pedir ajuda, eu não escuto nada além de vozes embaralhadas, uma atropelando a outra. Ouço todos, mas não ouço ninguém. Meu nariz coça mais uma vez e dessa vez sinto algo esquisito em minha mão; algo molhado. Abro os olhos para ver: sangue. Meus nariz está sangrando? Eu vou morrer? O que é isso?
Olho para frente, tentando ver alguma das meninas, mas estou muito tonta para isso. O estímulo visual da festa, as luzes, são quase como agulhadas em série. Tampo minha visão mais uma vez, não há mais o que eu possa fazer a não ser esperar que alguém tenha dó, ou que aquilo passe.
Dói muito. estou chorando agora.
- Alguém me ajuda, por favor - eu não grito, não tenho força no momento pra isso.
Maxine comentou que Rachel jogava quadribol, numa tentativa de desviar o assunto e olhei para a garota, curiosa. Não gostava tanto de quadribol, mas fiquei feliz em saber que a Corvinal era um desafio para outras Casas.
O assunto pareceu distrair um pouco Rachel, mas foi aí que começou a gritaria. A discussão começou abafada pela música alta, a ponto de que ninguém percebeu que era uma briga mesmo. Isobel nos deixou e ao seguí-la com o olhar, vi ela encontrar com Aurea e Olívia. Foi aí que notei que era Aurea quem estava gritando com Wolfgang ou Olívia, que também não pareciam nem um pouco feliz.
A maior surpresa foi Isobel desarmar completamente a discussão, petrificando Aurea e então rebocando a amiga para longe. Observei a cena boquiaberta e não soube o que fazer quando a corvina passou por nós, arrastando Aurea atrás de si.
Senti que estava assistindo uma discussão que não era minha enquanto Olívia voltava apenas para trocar farpas com Rachel e escondi o rosto dentro do meu copo de ponche enquanto a batedora se afastava mais uma vez, irritada com a amiga.
- Será que a Isobel ainda volta? - perguntei em voz baixa, só porque era a única pessoa da minha casa que conhecia, talvez devesse esperá-la para ir embora...?
Corri mais uma vez os olhos pela festa e então avistei Rachel de joelhos no chão, o rosto coberto, já começando a ser cercada de alunos curiosos. Cutuquei Maxine com urgência e indiquei a garota no chão, já me adiantando para ajudar, me sentindo um pouco culpada. Talvez a sonserina tivesse exagerado no ponche.
Puta merda, só estando completamente fora de mim pra acreditar que existiria algum universo paralelo em que Woodward não teria a última palavra. Foi assim na primeira noite, então é claro que será assim na última também. Juro que tentei me libertar, mas minhas forças simplesmente desaparecem, meu corpo me trai e meu senso de autopreservação decide me abandonar.
Vejo olhares confusos se voltando na nossa direção, as luzes ofuscando minha visão quando passam pelo meu rosto, e a porra da Aurea Woodward gritando comigo, com um sorrisinho irônico no canto dos lábios, aproveitando ao máximo o seu grande momento às minhas custas. Parece que estou assistindo a cena de cima, impotente para fazer qualquer coisa, mas as palavras dela me atingem como tiros de uma espingarda calibre doze.
Ela está, mais uma vez, se colocando como a vítima nessa situação. Isso me deixa puto da vida, e como eu gostaria de ter controle sobre as minhas mãos para socar a cara dela até alguém aparecer gritando como nos filmes: “Ele vai matá-la, alguém faça alguma coisa!” e eu precisaria de um feitiço pra me afastar dela. Sinto minhas mãos tremendo, mas continuo ali como um idiota, com a expressão congelada no mesmo olhar de surpresa que tive quando ela ousou me confrontar. É inacreditável.
É quase cômico como ela realmente acredita nas merdas que fala, como se, no final das contas, eu não fosse o único derrotado aqui. Ela consegue fazer parecer para todo mundo que sou um fodido que acha que o mundo gira ao meu redor, mesmo quando todas as pequenas conquistas que consegui até agora estão sendo esmagadas de uma só vez, bem na minha frente! E tudo isso por causa desse do jogo idiota que ela começou lá atrás, na sala comunal. E ela não é a Vilã da história? Fala sério!
Como essa garota consegue ser tão cara-de-pau!?
Tenho que admitir que foi uma jogada de mestre usar o Steve, e se eu pudesse, até daria os parabéns pra ela de novo, bateria palmas e tudo mais. Mas se eu me mexer agora, não vou parar mais. Meu pavio de paciência se esgotou, e acho que qualquer vestígio de orgulho que eu pudesse ter também foi embora.
De certa forma, me sinto como a Carrie, a Estranha agora. É desesperador perceber que todos estão me olhando como se um balde de sangue de porco tivesse sido despejado na minha cabeça. Minha respiração está irregular, meu coração acelerou e sinto como se, em vez de despertar o auge dos meus poderes psíquicos secretos, fosse vomitar tudo o que está dentro de mim da forma mais fisicamente violenta possível. Talvez sejam coisas que nem têm relação com Aurea Woodward sendo a maior filha da puta que já conheci na vida.
Tomo fôlego e me preparo, pronto para acertar o nariz dela primeiro e talvez continuar desferindo mais dois ou três socos antes dela desmaiar de vez, mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, Aurea cai no chão como uma pedra. — Hã!? — tenho certeza de que não fui eu quem a derrubou. Não usaria magia, nem involuntariamente, para esmagar um verme como ela, esse tipo de coisa se faz com as próprias mãos.
Uma garota surge como uma entidade no meio da fumaça, e ela é tão fodidamente anormal que me faz questionar se tudo isso é apenas uma alucinação ou uma piada cruel do destino. Parece que a risada de fundo vem de uma plateia distante, fora da realidade atual, e não dos outros alunos ao redor na pista de dança que devem estar achando isso um show de comédia espetacular.
Observo perplexo enquanto ela prende Woodward, incapaz de encontrar uma expressão adequada para meu rosto confuso. Estou tão atordoado que leva algum tempo para eu perceber quando Olivia se dirige a mim e me força a encarar seu rosto. Sinto uma pontada aguda de dor, mas me orgulho da minha capacidade de segurar as lágrimas, pelo menos por enquanto.
Vejo pessoas rindo, mas não sei se é de mim, da patética saída de Woodward ou da completa insanidade dessa briga que acabamos de protagonizar. Agora somos os palhaços da festa, é isso? Não deveria ser assim. Eu deveria ser o maldito Rei do baile, e agora a garota que deveria ser minha rainha está me deixando para trás mais uma vez. Não consigo nem sentir surpresa ou decepção. Apenas balanço a cabeça concordando com ela, mesmo sem realmente processar a sugestão.
Que se foda o Clark-Porter, e quanto a mim!?
Meus olhos estão escancarados, a festa ganha vida novamente e consigo distinguir a música pulsante dos meus batimentos cardíacos acelerados. É como acordar de um pesadelo, mas com a dura realidade de que tudo o que aconteceu é verdade. Não estou mais desconectado de mim mesmo, e percebo o quão confortável era a posição de mero observador. A vontade é de desaparecer, de me afastar de toda essa situação constrangedora.
Me dou conta de que preciso me mover quando duas garotas estranhas se aproximam de mim, uma delas tocando meu braço e perguntando se estou bem. Elas estão tentando ser solidárias, e nem fazem ideia da tempestade que está se formando dentro de mim. Não consigo encontrar palavras para responder, em vez disso, lanço um olhar vazio, um olhar que diz: “Não se preocupem comigo. Não há nada que possam fazer.” E eu queria ter tido coragem de mostrar a mesma expressão para Olivia, que agora está de volta ao grupinho de meninas de antes, a mil quilômetros de distância de mim.
Ao menos é um alívio momentâneo perceber que pelo menos meu charme ainda está funcionando e me protegeu de maiores estragos. Mas desta vez não consigo fingir, estou realmente fodido. As garotas me perguntam se eu quero beber alguma coisa, e um amigo delas que também estava na plateia do meu circo particular se aproxima perguntando “o que merda foi aquilo”.
— Acredite, eu estou fazendo a mesma pergunta. — e eles riem, mas eu sei que é só meu charme fazendo eles me acharem descontraído, como se eu tivesse saído ileso de todo o drama. Consigo ver algo artificial em suas expressões, eu devo ficar realmente bonito quando estou com raiva. Respiro fundo, reunindo o pouco de determinação que me resta. Ainda consigo ter um vislumbre de Donavan caindo de joelhos e começando a fazer seu show particular. É claro que sendo amiga de quem é, também vai querer um pouco de atenção.
Foda-se isso, não é problema meu.
De forma semelhante a Steve, me esgueiro por entre as pessoas, esbarrando em qualquer um que esteja no caminho. Estou com muita vontade de esmurrar alguma coisa para continuar na festa, e de chorar para procurar Steve, e de qualquer outra coisa para continuar acordado...
Fora da sala precisa preciso lidar com diversas necessidade e vontades se misturando. Como vou descer oito andares desse jeito, sem ser pego? E meio que dói admitir que ela pode até estar certa sobre o mundo não girar ao meu redor, mas o castelo definitivamente tá rodando. E eu não sei para onde ir.
Entre todas as formas possíveis de ficar perdido, acho que consegui bater o recorde, abraçando todas elas, e não tem ninguém comigo para me dar uma direção, ou sequer me parabenizar por ter conseguido foder tudo de vez.
Oque seria de uma festa sem um grande acontecimento para ser alvo de fofoca e especulações pelos próximos dias? Era quase impossível aquela quantidade de jovens se reunirem e algo não acontecer. Eu estava distraída, conversando com Rachel sobre quadribol em uma tentativa de distraí-la e, em algum momento, não é que eu realmente estava entretida na conversa? Marisha tinha permanecido por perto, o que me dava certo contentamento de ter pessoas diferentes ao meu redor. Não que eu não apreciasse os lufanos, pelo contrário! Apenas adorava mais ainda quando horizontes eram quebrados e as pessoas deixavam de seguir preconceitos históricos etc.
Até que os murmúrios começaram. Algumas pessoas pararam de dançar e as atenções estavam voltadas para um lugar na pista de dança. Vi Aurea com seu cabelo platinado ao lado de dois garotos e Olivia. Os mesmos que elas estiveram testando a teoria de que sim dois corpos talvez pudessem ocupar o mesmo espaço através da boca. Segurei um riso interno com o pensamento, tentando compreender o que estava acontecendo. No entanto, tudo se tornou ainda mais confuso quando Isobel se aproximou da confusão e simplesmente petrificou a Aurea!
— Eu acho que ninguém estava esperando por isso. — Comentei, um pensamento solto que não disfarçava a surpresa, meio que respondendo a Marisha também. — Acho que ela tentou amenizar a situação…? — Rachel comentou sobre pegar mais bebida. Franzi o cenho, tendo imaginado que ela iria ao encontro das outras, mas quem sabe queria ficar longe da situação ou deixar que as outras se resolvessem. — Oh sim, mas cuidado! Qualquer coisa beba água também pra amenizar o efeito e não ter uma ressaca brutal amanhã. — Certo que eu tinha acabado de conhecê-la um pouco mais, porém não custava nada se preocupar minimamente com o bem estar do próximo, não é?
Mesmo estando em Hogwarts desde o meu segundo ano, era a primeira vez que me aproximava daquele grupo. Então não sabia o que esperar, apenas assistir com um balde de pipoca na mão e torcer para que ninguém se machucasse demais…
Quando Marisha me cutucou eu soube que tinha falado pensado cedo demais. Rachel também começava a chamar a atenção, mas eu duvidava que pelo mesmo drama que tinha acontecido minutos antes. As pessoas começaram a circulá-la e, como uma verdadeira ansiosa que sou, eu só conseguia imaginar o quanto aquilo poderia piorar a situação.
— Eu vou tentar abrir espaço pra ela. — Falei para Marisha já começando a andar.
Em meio de caminho encontrei com Zuri, fiz apenas alguns sinais para que ela se aproximasse e quando perto o suficiente, apenas falei alto o suficiente para abrir espaço para a sonserina respirar e sair dali.
— Ok gente! Vamos circular que a festa ainda não acabou, ainda tem muito o que acontecer! Quem aí quer outro desafio de dança? Eu tenho uma reputação pra zelar aqui! E eu aposto em fazer a lição de poções por duas aulas seguidas! — Gritei a plenos pulmões, fingindo a euforia exacerbada que muitos dos outros pareciam estar sentido devido a bebida.
— Hoy! Deixa as sonserinas em paz, eu tenho um pedaço de pau mágico e não tenho medo de usar! — Escutei Zuri ameaçando um grifino que tentou ver melhor o que estava acontecendo com Rachel.
Que a deusa abençoasse a Zuri e o seu jeitinho. Ela era uma das bruxas mais legais e que tinha encontrado naquele lado da Europa, mas quando fazia aquela cara de ameaça e “ninguém mexe com as garotas” ela poderia provavelmente intimidar até mesmo um professor.
Para minha sorte, o meu desafio atraiu a atenção dos que estavam perto da confusão. Lancei um olhar para Rachel notando que Olívia já estava a ajudando. Respirei fundo, movi os ombros tentando focar no ritmo, pois obviamente eu não iria fazer atividade extra de poções!
Ao ouvir as palavras ríspidas de Rachel, Olivia sentiu a raiva voltar a subir à cabeça. O que caralhos ela havia feito de errado para merecer ser tratada assim? Não bastava ter sido ignorada enquanto Wolfgang e Aurea jogavam verdades na cara um do outro, agora Rachel resolvia a tratar mal também? Isso não era nada justo, e ela só queria poder aproveitar a porra da festa. Que mal fazia se ela tinha beijado o garoto que ela gostava? Isso era só mais uma merda que se fazia em festas assim, não? Rachel se virou e foi em direção à mesa de ponches, e Olivia ficou congelada de raiva, a boca semi-aberta, sem saber como caralhos prosseguir.
- Rach... Rachel, volta aqui! - Olivia esbravejou, depois de alguns segundos de processamento. A lógica e o controle que ela antes tentava esboçar foram esquecidos, e sua cabeça estava zunindo de raiva. Ela estava pronta para, assim como Wolfgang e Aurea, jogar algumas verdades na cara da amiga. A adrenalina pulsava nas veias de Olivia enquanto ela se preparava para confrontar Rachel. A indignação e a frustração tomavam conta de seu ser, impulsionando-a a expressar seu descontentamento. As palavras afiadas pairavam em sua mente, prontas para serem lançadas como flechas certeiras. Porém, antes que ela pudesse avançar na direção da loira com passos pesados, uma cena chocante capturou sua atenção. Rachel deixou seu copo de ponche escorregar das mãos, fazendo-o se estilhaçar no chão, e se jogou de joelhos, agarrando sua cabeça como se estivesse prestes a arrancá-la.
Olivia ficou imediatamente em estado de choque, e toda a raiva que estava se acumulando dentro dela desapareceu. Rachel não estava bem. Sua amiga estava passando por uma crise. Ela estava sofrendo. E rapidamente, Olivia entendeu a causa por trás disso: só poderia ser um efeito da legilimência. Embora Rachel já tivesse sentido dores de cabeça antes, essa era de uma intensidade sem precedentes. Rachel estava suplicando por ajuda, e com os olhos arregalados e a respiração ofegante, Olivia percebeu que sabia exatamente o que fazer para ajudá-la.
No primeiro momento, o plano de Olivia parecia muito agressivo. Ela se aproximou de Rachel e tentou erguê-la, na esperança de tirá-la do meio da multidão. Seu objetivo era levá-la à enfermaria o mais rápido possível, confiando que os profissionais saberiam como ajudá-la. No entanto, era quase impossível erguer a garota, que mal conseguia se manter de pé. Parecia que seu corpo buscava conforto no chão, como se fosse a opção menos dolorosa no momento. Consciente de que precisava agir rapidamente, Olivia empunhou sua varinha, respirou fundo para se concentrar e apontou-a em direção à amiga. - Estupore! - Disse, lançando o feitiço com determinação. Sem encontrar resistência por parte de Rachel, o feitiço funcionou imediatamente, fazendo com que a amiga desmaiasse e caísse no chão, inconsciente.
- Preciso de ajuda aqui! - exclamou Olivia, dirigindo-se às garotas com as quais havia se divertido na pista de dança momentos antes. Com cuidado, ela colocou um dos braços de Rachel sobre seus ombros, enquanto uma das meninas da Lufa-Lufa ofereceu seu apoio do outro lado. Juntas, conseguiram erguer a garota do chão. Sem se importar com as pessoas que se aglomeravam para observar a cena, Olivia seguiu em frente, determinada, carregando Rachel para fora da sala. Embora fosse uma tarefa desafiadora, elas se esforçariam ao máximo para descer todas as escadas até a enfermaria.
Por mais que tivesse acabado de conhecer Rachel, era óbvio que a sonserina não estava bem. Suas amigas imediatamente se apressaram em ajudá-la, dispersando os alunos curiosos para que ela tivesse mais espaço. Achei desnecessário estuporar a garota, mas pelo visto era assim que as coisas eram resolvidas em Hogwarts. Impressionada, assisti Olívia levantar a garota do chão e assim o restante do grupo deixou a festa, levando Rachel para a ala hospitalar.
Sobrei sozinha na festa, sem saber direito o que fazer. Olhei ao redor, para todos aqueles rostos desconhecidos e concluí que já era confusão demais para uma noite só.
Antes de sair, estendi a mão para apanhar um dos copos do carrinho de bebidas que passou por mim. Meu humor tinha melhorado depois do primeiro copo de ponche, mesmo sem sentir álcool nenhum. O novo copo me deu uma energia que não estava acostumada a sentir. A festa já estava no fim para mim, mas talvez pudesse aproveitar o resto da noite para colocar meus estudos em dia.
Deixei a festa ainda dançando com as mãos juntas nas costas.