Mozi, estou mais chapado do que jamais estive. Não por causa de nada que fumei ou bebi, mas porque lembrar de você ainda me tira do eixo.
Eu amava o jeito que a gente amava errar juntos. Deitar no sofá depois do treino, falar besteira, fazer planos que nunca cumprimos. E depois brigar por coisas pequenas — o padrão de energia, o vazamento do banheiro, o valor da conta de água que nunca batia.
A gente se perdeu e eu não soube parar. Continuei cavando até enterrar tudo. Hoje eu entendo, mas na época só empurrava tudo ladeira abaixo.
Você foi deixando de ser meu S.O.S. e eu fui virando peso na sua vida. Agora eu sei disso, mas lá atrás parecia que se eu tentasse mais as coisas iam se ajeitar. Não ajeitaram.
Todo mundo dizia que a gente ia melhorar. Mentira. Ainda tenho raiva do jeito que acabou. Ainda assino minhas cartas de ódio com um coraçãozinho. A gente vivia e se odiava ao mesmo tempo.
Metade do que você é ainda é tudo que eu preciso. E isso me puxa de volta, me faz querer bater na sua porta e pedir mais uma chance, mesmo sabendo que você não quer mais.
Essa febre mora aqui, na casa, no colchão, no cheiro de amaciante que ficou na sua roupa. Quando acho que estou bem, vem uma lembrança e me abre no meio de novo. Dói. Mas é quase êxtase.













