E esse dia nunca vai chegar!
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E esse dia nunca vai chegar!
É uma tristeza singular descobrir que duas pessoas podem caminhar na mesma direção e, ainda assim, carregar intenções diferentes no coração. Enquanto eu lhe oferecia a exclusividade serena de minhas escolhas, ele conservava, sem alarde, os vestígios de caminhos que dizia ter deixado para trás. Não senti ciúme do passado; senti pesar pelo presente. Pois há uma diferença entre recordar o que foi e permanecer disponível ao que deveria ter terminado. E foi nessa diferença que meu afeto encontrou sua primeira decepção.
- ainda sua, Gab.
E então algo mudou. Talvez tenha sido em um olhar que demorou um segundo a mais, ou no silêncio que, pela primeira vez, não doeu. Como se, depois de tanto tempo vivendo de metades, eu finalmente pudesse tocar um inteiro. Há algo diferente agora, como se o meu coração tivesse encontrado um reflexo no dele , um lugar onde minha entrega não ecoa no vazio, mas volta para mim com a mesma intensidade.
Sempre achei que felicidade era uma promessa distante, um horizonte que se afastava conforme eu tentava alcançá-lo. Mas então veio ele… e, pela primeira vez, não precisei pedir para ser escolhida. Eu sou. E essa certeza, tão simples e tão rara, tem o poder de curar todas as ausências que já me doeram.
Não é um amor que pede que eu diminua quem sou, que me cale, que espere. É um amor que me olha inteira, que me reconhece, que me encontra exatamente onde eu sempre estive. E, de repente, percebo: não era sobre correr atrás de quem não sabia ficar, mas sobre aprender a caminhar ao lado de quem nunca teve dúvidas.
Talvez seja isso o que chamam de destino, não um encontro explosivo, mas um abraço silencioso que diz “fica” sem precisar de palavras. E eu fico. Fico porque, agora, sinto que é recíproco. Fico porque, depois de tanto inverno, meu peito floresce. Fico porque, pela primeira vez, não tenho medo.
Talvez esse seja o meu momento de ser feliz. E, pela primeira vez, eu acredito.
— G.C.S
Numa noite em que o amor deixou de ser quase e, enfim, aconteceu.
Amá-lo foi como estender as mãos ao pôr do sol: eu sabia que jamais o tocaria por completo, mas ainda assim me aquecia na esperança. Só não previ que, ao me doar tanto, ficaria à sombra da ausência dele, esperando que um coração indeciso aprendesse a me escolher.
Havia algo de sagrado na maneira como meu coração se inclinava ao dele, como se pressentisse que ali poderia habitar um amor sereno e profundo. Eu não precisava que ele dissesse muito, bastava a presença, o olhar meio desviado, o quase, para que meu peito se enchesse de promessas que ele nunca chegou a fazer.
E por isso a dor foi tão silenciosa: porque não houve mentira, só ausência de certeza. Não houve rejeição, só a falta de um gesto que dissesse “sim”. E esse quase-amor, essa esperança que me alimentava sem nunca me nutrir de fato, foi se tornando o lugar onde me perdi de mim.
Cada vez que ele sorria e depois partia, levava um pedaço da minha coragem. Cada silêncio dele me fazia duvidar da minha intuição, como se o erro fosse amar demais, querer demais, esperar por algo que talvez só existisse dentro de mim.
Mas não se ama menos por precaução, e eu não soube amar com freios. Fui inteira. Me entreguei com a delicadeza de quem cuida de um jardim, mesmo sem saber se haveria primavera. E esperei. Esperei que um coração hesitante despertasse, que meus gestos fossem suficientes, que minha constância o tocasse.
Só que há corações que vivem na penumbra, por escolha ou por medo. E amar alguém assim é como tentar aquecer-se num sol que se põe: bonito, mas efêmero. Intenso, mas inalcançável. E, no fim, fui eu quem ardeu, não de amor, mas de ausência.
Hoje entendo: o amor não deveria me deixar nesse lugar de quase. Porque quem sente de verdade não hesita, não foge, não responde com metades. E por mais que parte de mim ainda deseje que ele me veja com outros olhos, a outra parte, a que aprendeu a se amar, sabe que mereço ser escolha, não esperança.
— G.C.S. numa tarde em que o pôr do sol já não doía mais.
Recomeços
Depois de sete anos, tudo muda.
Voltar pra casa dos meus pais — aquele lugar que um dia foi meu abrigo, meu refúgio — agora parece estranho. Como se eu tivesse deixado de pertencer ali. Cada canto carrega lembranças antigas, mas nenhuma se encaixa na pessoa que sou hoje. E talvez seja por isso que dói. Porque estou tentando me reencontrar em um espaço que também ficou parado no tempo.
Deixei para trás uma casa… e nela, parte do que me era mais querido. Meus animais. Me parte o coração pensar neles sem mim, como se eles também sentissem o vazio da minha ausência. A preocupação aperta o peito todos os dias. Eles não sabem o que está acontecendo, só sentem. E eu também sinto. Uma saudade silenciosa, um amor que ficou preso nas paredes que deixei pra trás. Mas, ao mesmo tempo, eu agradeço. Agradeço por finalmente ter saído. Da casa. Do relacionamento. De uma prisão invisível que eu insisti em chamar de amor por tanto tempo. Insisti, lutei, segurei sozinha o que já havia desmoronado. E agora percebo que um relacionamento nunca sobrevive quando só um está tentando manter tudo de pé. Hoje eu olho ao redor e vejo um colchão no chão, uma bagunça emocional e uma ausência total de planos — mas, curiosamente, também vejo um começo. O mais difícil. O mais solitário. Mas também o mais libertador. É estranho recomeçar quando tudo parece tão vazio, mas ao mesmo tempo, nunca estive tão cheia de mim mesma. Talvez seja disso que eu precisava: do silêncio para ouvir minha própria voz, da dor para reencontrar minha força, da queda para reaprender a andar sozinha.
Eu não sei o que vem agora. Mas sei que estou livre.
E isso, por si só, já é um começo.
— G.S
Eu já sabia que nós dois não iriamos “dar certo”, só tentei porque realmente gostava de você.
Sobre querer:
Queria não estar sentindo oque infelizmente estou sentindo agora.
Queria te arrancar daqui e apagar tudo isso que vivemos.
Queria te esquecer e viver a vida como antes de te conhecer.
Queria não pensar no calor do teu corpo sobre o meu toda noite.
Queria não ter tido nunca aquela conversa no Instagram com você.
Queria não pensar em você toda vez que vejo o homem aranha.
Queria não ter desejado ser a sua mary jane, ou como você prefere sua Gwen.
Queria não ter transformado meu tumblr uma dedicatória para você .
Queria não ficar olhando as suas fotos e sentindo saudades.
Queria não ouvir my girl nunca mais.
Queria não sentir seu cheiro por aí na rua, e ficar te procurando em meio a multidão.
Queria não sentir meu coração pulsar toda vez que vejo uma moto preta.
Queria não pensar tanto em você.
Queria não ter passado meu aniversário com você em um quarto de motel.
Queria não ter cortado o cabelo só pra te agradar.
Queria não ter desistido da minha fé pra viver nossa história de amor.
Queria não ter deixado ir tão longe essa história .
Queria não ver a pulseira que te comprei aqui no meu quarto.
Queria não sentir falta do seu gato Kyle.
Queria que você não tivesse alguns dos mesmos amigos que eu.
Queria não ter que silenciar os stories desses meus amigos para não ver nada seu.
Queria não desejar que hoje fosse segunda feira para fazer sua sobrancelha.
Queria não passar horas olhando aquelas fotos da câmera de segurança, que são as únicas recordações tenho de você.
Queria conseguir apagar essas mesmas fotos.
Queria não pensar no seu beijo com sabor de saudade.
Queria não ficar pensando peocupada se você jantou ou se só comeu amendoim denovo.
Queria não me tocar pensando em você.
Queria não te querer
Querer ..
Queria ..
Quer
Quero
Quero você e nunca vou te ter.
— 25/03/24 . G. S
— Seis anos...
— Pois é...— disfarço minha empolgação ao revê-lo.
— Seis anos, quatro meses, onze dias e seis minutos, mas quem está contando? Dei um riso de canto.
Fiquei todo esse tempo olhando para o relógio no seu pulso e tomando coragem para olhar no abismo dos teus olhos cor de mel, e conseguir dizer que ainda te amo.
(Continuarei de amando até o fim dos meus dias) sussurrei em voz entre lábios sem voz.
Ele me encara com aqueles olhos redondos cor de mel por um instante.
- Como foram esses anos? Ele me perguntou
Eu não consigo desviar o olhar dele.
Simplesmente sorrio e digo
- Foram anos de .. muito, muito aprendizado.
Ele concordou com a cabeça, e seguiu os olhos para as próprias mãos.
Eu queria ter dito: Foram anos desgastantes longe de você, todos os dias sem você pareciam lâminas rasgando minha pele.
- Eu senti sua falta
Ele me diz, olhando para baixo sem me encarar.
Num impulso quase sem raciocínio, eu me aproximo e ergo seu queixo para que olhe em meus olhos e lhe respondi.
- Todos esses anos, eu não consegui encarar ninguém nos olhos, pois eles só brilham e enxergam você.
— Gabrielle .