Aurora é famosa em músicas e versos. Não a princesa. A rua. Rua da Aurora. Tantos bares e tantas pontes. Tantas cores. Pôr-do-sol perigosamente bonito. Será que é daí que vem seu nome? Aurora.
Boa Viagem. Sempre é boa, de fato. Mas tem hora para se bronzear. Depois das duas já não dá. Os prédios tão altos impedem o sol de brilhar. A praia escurece quando entardece. E os ricos guardam a luz para si. Para nós, resta o mar. Odomiô, Yemanjá.
Boa Vista. Tão boa, eu já não sei. Porque lá se vê de tudo. Nome de nobre para mostrar a nobreza que é ser pobre. É camelô, quando se pode. É mendigo, quando nem sei. Reformas todo ano. Dinheiro público que vai e que vem. Mas a Vista é a mesma. Boa, só para quem tem.
Marezão. Tu conhece? Eu, não. Só ouvi falar. A maré de fato é grande. Grande o bastante pra esconder quem a cidade não quer mostrar. Porco na rua, casa molhada do mar, tiro vez ou outra, droga sempre que dá. Sabe quem veio de lá? Chico. O Chico proibido pelos militá. Chico que se organiza para desorganiazar.
Oh, Recife. Toda rua rua vira poema. Todo bairro vira poesia. Pra quem tem dinheiro, é calmaria. Para quem não tem, é correria. O sol sabe onde brilha. O mar sabe quem banha. O ônibus não sabe quem leva e nem o metrô vê quem apanha.
Herdeira do Leão do Norte, capital do Nordeste. Tem o frevo e o bolo de rolo pra mostrar a que viestes. Mas com tanta coisa boa ainda tem o que não preste. Mas eu te amo, tu sabes. Minha cidade, meu lugar. Um dia a gente consegue fazer tu se transformar. No sonho que a gente sonha. Uma cidade boa para todos abrigar.