Trinity Blood - Rage Against the Moons
Volume I - From the Empire
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⚠️ ESSA OBRA EM HIPÓTESE ALGUMA É DE MINHA AUTORIA. TRADUÇÃO REALIZADA DE FÃ PARA FÃS. NÃO REPUBLIQUE OU POSTE EM OUTRAS PLATAFORMAS SEM AUTORIZAÇÃO. SE CASO POSSÍVEL, DÊ SUPORTE AOS AUTORES E ARTISTAS COMPRANDO AS OBRAS ORIGINAIS. ⚠️
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Não sabe por onde começar? Confira o Roteiro de Leitura (。•̀ᴗ-)✧!!!
O amplo e grandioso salão subterrâneo assemelhava-se muito a uma casa de ópera.
O espaço largo que se projetava das paredes era o lugar para os convidados especiais. Entre as grandes mesas repletas de luxuosas refeições, pouco mais de dez homens e mulheres, vestidos elegantemente com trajes de gala, riam e conversavam alegremente, enquanto os criados de preto, ocupados fazendo o papel de garçons, moviam-se ativamente. Além disso, embora estivesse vazio naquela noite em particular, as arquibancadas em degraus para o público comum também evocavam os assentos de uma casa de ópera.
No entanto, o que estava afundado no fundo do salão em forma de um almofariz não era um palco.
Arena de Combate Coliseu ── dificilmente haveria nome mais apropriado para aquele espaço.
O ringue, amplo o suficiente para se jogar futebol, tinha o piso de concreto reforçado e estava cercado por altas grades de arame farpado. No centro, uma abertura escura revelava um elevador de acesso.
— Então você é a tal freira sobrevivente.
O grandalhão que ela vira na foto ocupava sozinho uma mesa excepcionalmente grande. Enquanto mexia o fondue de queijo sobre o fogareiro, lançava um olhar descontente para Agnes. Seus pequenos olhos reluziam com um brilho rude, e sob seu nariz adunco e proeminente repousavam lábios grossos, de aparência voraz. Não parecia ser muito inteligente, mas, em compensação, era do tipo que se tornava imprevisível se fosse provocado.
— Eu sou Karel van der Werf – entre os 'Count Four' – sou quem comanda esta Amsterdã. Você já sabe por que foi chamada, não é?
— Pa... Padre... Onde está o Padre Hugue?
Agnes suportava com esforço o bater dos dentes enquanto encarava firmemente o vampiro.
— Fique tranquila. Não precisa se preocupar, logo farei vocês se encontrarem. Mais importante que isso...
Com um sorriso divertido, Karel soltou uma risada e rolou um bastão comprido sobre a mesa. A barra de ferro bruto, quase do tamanho de Agnes, pertencia, sem dúvida, àquele padre.
— Deixando isso de lado, Irmã. Me conta sobre aquele caso. Ouvi do padre. Parece que você viu a cara do criminoso, não foi? Como era ele? Homem ou mulher? Jovem ou mais velho? E a aparência, como era?
Ela tinha certeza de que havia descrito as características com clareza para Hugue. Será que esse vampiro não tinha ouvido? Por que, então, Hugue contou a ele que Agnes viu o criminoso, mas não mencionou sua aparência...?
Ao pensar até esse ponto, de repente percebeu — isso era um seguro que Hugue colocou para protegê-la.
— Por que está calada? Fale logo. Sou impaciente. Se falar, deixarei vocês dois voltarem em segurança.
Pensando assim, quando observou o rosto impaciente de Karel, percebeu que uma leve inquietação tremulava em suas pupilas cor de bronze. Recuperando um pouco da calma, Agnes perguntou:
— Antes de falar com você... onde está o padre? Não direi nada até vê-lo.
— Oh! Uma mera Terran ousa negociar comigo, Irmã?
Parece que ser ameaçado por alguém que subestimara como uma garota inexperiente o deixou irritado. A voz do vampiro ganhou um tom mais grave e ameaçador.
— Seria melhor para você falar logo enquanto eu ainda estou pacientemente disposto a ouvir... Fale! Como era o desgraçado que matou os monges!?
O rugido feroz e as presas afiadas expostas quase a fizeram desmaiar. No entanto, reunindo toda a coragem que lhe restava, Agnes conseguiu, a muito custo, manter-se firme.
— Me deixe ver o padre! Só depois disso eu falo!
— Tsk! Droga de freira teimosa.
O vampiro estalou a língua e, com uma expressão profundamente irritada, acenou com a mão.
— Se está insistindo tanto assim, eu vou deixar você ver!
Foi nesse momento que um estrondo abafado e grave ecoou. Os olhos de Agnes, que haviam se voltado na direção da Arena Coliseu, se arregalaram.
O que emergiu no centro da arena de combate foi um grande elevador. E dentro dele estava, sem dúvida alguma, aquele jovem.
Mas... o que diabos fizeram com ele? O corpo inteiro de Hugue estava coberto de sangue. Era um milagre que ainda estivesse de pé. Além disso, seus tornozelos estavam presos por correntes de ferro. Daquele jeito, até mesmo andar parecia impossível.
— Muito bem, é hora do show!
Os dedos grossos de Karel estalaram. Em seguida, um estrondo profundo, como um tremor de terra, reverberou pelo ar. Uma das paredes da arena começou a se elevar lentamente. Do outro lado, revelou-se um vazio escuro — Não, aquilo era... um tipo de passagem.
Agnes engoliu em seco e, de repente, assumiu uma expressão de quem tentava escutar algo. Vindo das profundezas do corredor, um som metálico baixo podia ser ouvido. No entanto, aquele ruído, seguindo um ritmo constante, não poderia ser nada além de passos.
A previsão de Agnes estava correta. O que surgiu foi uma silhueta gigantesca, quase uma caricatura humana. A armadura móvel ergueu o escudo redondo que segurava na mão esquerda e fez uma saudação desajeitada em direção ao local reservado para os convidados especiais. Em seguida, apontou sua enorme maça, do tamanho de uma criança, para o padre que estava no centro da arena.
No mesmo instante em que os dedos de Karel estalaram novamente, um dos homens de preto levou a trombeta à boca. Antes mesmo que a estridente fanfarra ecoasse pelo ar, a armadura móvel já estava em movimento, com uma agilidade que não combinava com sua aparência.
No instante em que, instintivamente, as mãos de Agnes cobriram seu rosto, o estrondo da maça caindo ressoou no ar. A arma afundou profundamente no chão, arrancando pedaços do concreto. Fragmentos do tamanho de punhos voaram em todas as direções, espalhando-se como estilhaço.
No entanto, a figura do padre não estava ali. Pelo visto, ele conseguiu evitar o golpe no último instante. Arrastando os pés acorrentados, ele correu para o ponto cego da armadura móvel. Mas seus movimentos eram mais lentos que os de um ancião à beira da morte. Com a crueldade de um gato brincando com sua presa, a armadura móvel implacavelmente encurralava o padre na borda do ringue.
Mais uma vez, a maça rugiu ao descer. Quando ele tentou girar o corpo para esquivar, o arame farpado se cravou em seu ombro. A maça caiu sobre suas costas musculosas e fortes.
Hugue cuspiu um líquido vermelho-escuro e caiu de joelhos. No entanto, o traje de combate não desceu sua arma novamente. Em vez disso, sua perna grossa chutou o estômago do padre, que se encolhia no chão.
— Pa-pare...! Façam-no parar!
— Isso depende de você, Irmã.
O vampiro riu. Enquanto mexia o fondue de queijo, passou a língua afiada pelos lábios.
— Fale. Se contar a aparência do criminoso, soltaremos aquele padre.
Uma voz rouca veio de algum lugar bem abaixo.
— Pare... Não fale... Se contar, você também será morta...
— Tch, que sujeito barulhento... Willem!
A armadura móvel se moveu. Levantou o pé de propósito, de maneira lenta, e o ergueu sobre a cabeça do padre, que estava deitado de costas. Se perdesse um pouco o equilíbrio, o crânio de Hugue seria esmagado como um ovo.
— O que foi, irmã? Se não falar logo, a cabeça do padre vai acabar igual a este queijo.
Olhando e comparando alternadamente a panela fumegante e a barra de ferro, Agnes apertou os lábios em um sentimento de derrota.
Diante dela estava um verdadeiro demônio. Não importava o que ela dissesse, ambos seriam mortos.
"Não pedirei mais ajuda ao padre!" ── O que disse com tanta arrogância agora lhe parecia vergonhoso. Ela não passava de alguém impotente, apenas sentada ali, sem poder fazer nada.
E, no entanto, o homem que ela insultou havia jogado a melhor carta possível por ela...
Ignorando a voz fraca que mal conseguia alcançá-la, Agnes abriu a boca como se tivesse aceitado seu destino.
Inclinando-se para frente, Karel esfregou as mãos como uma mosca que se agarra à comida.
— E então? Que tipo de sujeito era?
— Quando voltei para a igreja, cruzei com ele na rua da frente. Tinha cabelo castanho-avermelhado e olhos cor de glicínia... Parecia um pouco frio...
— O desgraçado do Memlink!?
Esquecendo-se completamente de que a outra pessoa ainda estava falando, Karel se virou bruscamente e berrou para seus subordinados atrás dele.
— Ouviram isso? Eu sabia! Foi obra daquele miserável!
Um dos terrans vestidos de preto, gritou. No instante em que Karel, instintivamente, se virou em resposta ao olhar que sentiu em suas costas, o que foi lançado contra seu rosto foi o conteúdo fervente da panela.
— Guah... M-maldita pirralha!
Por um instante, Karel cobriu o rosto e soltou um grito de dor. Se fosse um Terran, teria ficado cego após uma queimadura grave, mas para um Methuselah imortal, aquilo não era nada. No máximo, seus olhos foram queimados a ponto de não conseguir abri-los por um ou dois segundos — mas, para Agnes, aqueles segundos eram o preço de sua vida.
Agnes se lançou sobre a barra de ferro que estava sobre a mesa. Assim que a agarrou —surpreendentemente leve —, lançou-a na direção da arena abaixo, antes que as garras de Karel pudessem se estender.
Seja por obra de alguma divindade ou mero acaso, a barra pousou como se fosse atraída diretamente na mão estendida de Hugue, que ainda estava deitado de costas. Ao ver isso, a garota gritou:
Foi apenas essas palavras que irromperam de sua garganta. No instante seguinte, suas costas foram rasgadas por garras afiadas, e seu corpo foi lançado violentamente contra o chão.
A Irmã, com as costas profundamente rasgadas, caiu sem soltar um único som. O vampiro rugiu, pisoteando-a sem piedade. Do capuz revirado, seu pescoço ficou à mostra — ele ergueu o braço, pronto para dar o golpe final.
No exato momento em que estava prestes a desferir o golpe com suas garras, um grito descontrolado chegou aos ouvidos de Karel.
O vampiro, instintivamente virando rapidamente o corpo, viu diante de si uma cena inacreditável.
No centro da Arena Coliseu, a armadura móvel que estava prestes a esmagar seu oponente parou como se tivesse sido congelada. Não, não era só isso. No instante seguinte...
Era uma cena tão absurda que parecia uma piada. A metade superior da gigantesca armadura móvel deslizou suavemente para fora da cintura. Com uma superfície de corte lisa como vidro voltada para cima, caiu no chão com um estrondo ensurdecedor. Do tronco inferior, que permaneceu firme de pé, jorrou um esguicho de sangue como uma fonte.
Ao lado dos destroços que haviam rolado, que exibiam um corte liso como vidro, o padre se levantou, afastando a barra de ferro para o lado. De alguma forma, as correntes em seus pés já haviam sido cortadas, assim como a armadura móvel.
— Você é o próximo, Karel van der Werf.
A fria luz esverdeada perfurou diretamente o rosto do vampiro, que se enrijeceu de espanto. A emoção que deveria ser a mais distante para um Methuselah — o medo — o paralisou por completo. O olhar do padre, que o fitava de baixo, carregava uma voz ardente e congelante como as chamas de Gehena, o próprio purgatório.
— ...Espere aí... Estou indo agora mesmo.
— M-matem-no! Atirem para matar!
Ao comando furioso, os homens de preto sacaram suas pistolas. Apontaram para o coliseu e, em uníssono, puxaram os gatilhos. Todos eram profissionais, veteranos do exército ou da polícia. O padre, que permanecia firme no centro da arena, deveria, no instante seguinte, ser reduzido a farrapos lançados pelos ares.
Diante do padre, uma parede cinzenta ergueu-se.
Quando os espectadores perceberam que se tratava daquela barras de ferro girando em alta velocidade, todas as balas já haviam sido repelidas com um som límpido. Não, não era só isso. A hélice de aço, girando a uma velocidade inacreditável, avançava impiedosamente em direção ao camarote nobre!
— Ra-rápido demais...! I-isso não...! Parem de atirar! Vamos acabar acertando uns aos outros...!
No instante em que o homem de preto tentou conter seus colegas, sangue, gritos e alma jorraram dele — sua garganta já havia sido esmagada pela barra de ferro lançada.
A sombra, que saltou no lugar do cadáver que tombava, no instante seguinte já havia se lançado para dentro da arquibancada nobre. Os homens que ainda tentavam puxar o gatilho tiveram suas cabeças esmagadas pela arma que rugia no ar, sendo abatidos como moscas.
— Maldito seja, seu Terran insolente!
A dama de azul, que até então estava sentada com elegância, jogou de lado seu óculo de ópera e se levantou. Em seus dedos, esculpidos com a delicadeza de uma estátua, cintilava uma luz sinistra — suas garras afiadas haviam se estendido.
A mão direita dela foi lançada com um rugido feroz, e Hugue a bloqueou com a barra de ferro que ergueu diante dos olhos. No entanto, os lábios da dama se abriram em um sorriso curvado como uma lua crescente. Ao mesmo tempo, sua mão esquerda, com garras estendidas, desenhou um arco largo pelo outro lado. Nem mesmo um mestre da arte do bastão conseguiria defender isso.
No entanto, a expressão de Hugue não mudou. Assim que sua mão direita, que segurava a barra de ferro, se moveu levemente, um som quase imperceptível de metal raspando contra metal ressoou. E, ao mesmo tempo, uma fina rachadura se abriu na barra de ferro. O que vazou dela foi uma luz assustadoramente branca...
Com um som anormal, como se a própria atmosfera tivesse se rasgado, uma vívida flor de sangue desabrochou. Naquele instante, a cabeça da dama já havia rolado sobre a mesa. Seu corpo permaneceu parado no lugar, como se ainda não compreendesse o que havia lhe acontecido. No entanto, assim que um jato de sangue começou a jorrar de seu pescoço como uma fonte, ele caiu, rolando escada abaixo como se fosse puxado por aquela força.
Foi só naquele momento que os Methuselahs finalmente compreenderam o que havia acontecido com sua companheira.
A sombra que pairava em silêncio, protegendo a freira caída como uma flor murcha ── Na mão direita do padre vestido de negro, um brilho cortante residia. Desenhando curvas elegantes, aquela lâmina era inacreditavelmente fina ── uma única espada longa.
— O que é aquela espada!?
— In-inacreditável... ele derrubou um de nós, um Methuselah, com um único golpe...
No meio do tumulto e da inquietação de seus companheiros, Karel, mantendo com dificuldade a dignidade de um líder, gritou:
— Maldito... como ousa matar um dos nossos... Padre! Você... não é um simples padre, não é?
Cercado por mais de dez vampiros, o jovem não demonstrava nem um traço de medo. Apenas o brilho de sua longa lâmina refletia e dançava em seu rosto. Até aquele momento, segurava a espada em um punho reverso, mas agora havia trocado para a empunhadura normal. Então, Hugue a ergueu em posição de seigan, com a lâmina apontada para os adversários.
— Meu nome é Hugue. Agente Executor da Divisão de Operações Especiais do Departamento de Estado — AX...
Junto ao som límpido do aço, a lâmina girou no ar.
— Codinome ── ”Sword Dancer”!
— Agente Executor... Então, é isso mesmo, um assassino do Vaticano!
Quando um som abafado escapou da garganta de Karel, um jovem Methuselah que se aproximava sorrateiramente pelas costas do padre já havia sido perfurado no coração, com suas mãos ainda atadas para trás. A lâmina longa, que o rasgou até a base do pescoço, girou no vazio e, em seguida, desceu diagonalmente sobre o vampiro que investia de frente, partindo seu torso ao meio e derramando uma chuva escarlate.
— ‘Aceleração Haste’! Usem ‘Aceleração’ para abatê-lo!
Jamais teriam imaginado que poderiam ser derrotados por um mero Terran. No rastro da tempestade de lâminas, os Methuselahs caíam um após o outro. Em meio ao caos, enquanto seus companheiros apenas gritavam em desespero, um Methuselah mais velho rugiu uma ordem.
— O adversário é apenas um Terran! Usem a ‘Aceleração Haste’!
A〝Aceleração〟, que induzia uma excitação anormal no sistema nervoso, concedendo uma velocidade de reação dezenas de vezes superior ao normal, era o maior trunfo dos Methuselahs. Embora causasse uma carga extrema ao corpo e não podendo ser mantida por muito tempo, para esmagar um mero inseto desses não levaria mais de três segundos. O velho Methuselah, agora imerso na ‘Aceleração’, saltou em direção às costas indefesas do jovem que acabara de decapitar um de seus companheiros. Como um lobo abatendo uma presa herbívora, suas presas expostas se cravaram na branca nuca do inimigo...
As presas superior e inferior se encontraram no vazio, produzindo um som estridente. Até um instante atrás, o padre com certeza estava ali, mas agora sua figura havia desaparecido. Onde diabos ele foi...
— Você faz movimentos desnecessários demais.
No instante em que seu rosto se contorceu ao ouvir o sussurro em seu ouvido, a longa lâmina que surgiu por trás já havia perfurado silenciosamente o coração do velho vampiro.
— Além disso, vocês subestimam demais nós, humanos.
— T-Tsk, um inseto terran como você...!
No entanto, mesmo com sua lâmina girando dentro do corpo e rasgando seu coração, o velho vampiro mostrou sua última resistência.
Com ambas as mãos, agarrou firmemente a lâmina que havia atravessado seu peito.
— K-Karel-sama... o golpe final!
Quando gritou, sua vida já havia sido perdida para sempre. No entanto, os músculos do coração, que se contraíram num instante, agarraram a lâmina como se fossem a própria determinação do vampiro morto, recusando-se a soltá-la.
Karel avançou furioso contra o padre, que havia tido sua arma tomada pelo morto. Em sua mão, estava o machado de batalha que antes estava pendurado na parede. Talvez por instinto de espadachim, Hugue, num reflexo, tateou com a mão esquerda a bainha vazia — mas, obviamente, sua lâmina não estava ali. A enorme massa giratória colidiu contra o crânio do espadachim desarmado!
Klang! — O som estridente de um eco metálico se misturou a um ranger áspero e incômodo de metal raspando contra metal.
Na mão esquerda de Hugue, o que aparou o machado de guerra foi mais uma lâmina. Era uma pequena espada — uma kodachi — retirada do lado oposto da bainha vazia. No instante em que Karel percebeu isso, seu torso já estava oscilando violentamente. O poder do padre, impensável para um simples Terran, havia repelido brutalmente sua arma.
Ainda assim, conseguir conectar aquele movimento ao próximo golpe era algo que apenas um Methuselah poderia fazer. O machado de guerra, erguido acima da cabeça, foi trazido para baixo em um golpe esmagador — direcionado à cabeça do padre, que estava ligeiramente abaixo. Mas naquele instante, a lâmina de Hugue já havia sido arrancada do corpo do velho vampiro.
Diante do golpe desferido por Karel, que soltava um brado feroz, o espadachim posicionou sua lâmina longa, puxando-a para junto do flanco direito.
Em seus tranquilos olhos esmeralda, refletiam-se todas as mortes que já havia causado e todas as que ainda causaria. Talvez até mesmo a sua própria morte, que um dia viria — mas este não era o momento.
Com um grito rasgante de determinação, o corpo de Hugue, tensionado como uma mola, impulsionou-se do chão. Em resposta ao machado de guerra que descia sobre ele, lançou um estocada única e absoluta com toda a sua força.
— Omnes enim qui acceperint gladium, gladio (Os que vivem pela espada, pela espada perecerão) ── Amém!
A lâmina, que havia pulverizado o machado de guerra, não perdeu seu ímpeto e perfurou a garganta do vampiro que rugia em fúria.
As feridas nas costas da jovem estavam tão profundas que revelavam seus ossos brancos. Por enquanto, ela ainda estava bem, mas precisava ser transportada rapidamente — sua vida estava em risco. Mesmo que sobrevivesse, poderia ficar com sequelas.
— Vou levá-la ao hospital imediatamente... Vai ficar tudo bem. Não vou deixá-la morrer.
Certamente era uma dor intensa, mas Agnes manteve-se firme. Com os olhos entreabertos, perguntou ao padre que a segurava nos braços.
— Você... matou ele, padre Hugue?
A longa lâmina que atravessava o pescoço de Karel e o pregava contra a parede logo atrás fora desviada, por algumas dezenas de mícrons, da vértebra cervical vital. Ainda assim, com a vitalidade imortal da sua espécie, sua vida não estava em perigo — por enquanto. Mas, se fizesse o menor movimento, sua vértebra seria esmagada e ele perderia a vida instantaneamente.
— O que vai fazer? Se quiser, ele morre. Vai vingar sua família?
Forçando o pescoço dolorido a se mover, Agnes pareceu olhar para as mãos de Hugue, manchadas de sangue. Em contraste com suas palavras, seus olhos verdes esmeralda tinham um brilho melancólico.
A garota repetiu, sorrindo de um jeito que fazia sua bochecha se contrair.
A voz de Hugue parecia vir do fundo mais profundo de seu coração.
— Vou te levar ao hospital agora. Até lá, descanse um pouco.
Hugue deitou o corpo de Agnes no chão e, sacudindo as barras das vestes, se levantou. Antes de levá-la para o hospital, havia algo que precisava fazer.
— Responda-me, Karel van der Werf.
Diante do vampiro empalado, a voz do padre era tão fria que se tornava difícil acreditar que fosse a mesma com que havia sussurrado à garota instantes atrás.
— Por que perguntou a irmã Agnes sobre o incidente? O culpado não é um dos seus?
Fracamente, o vampiro à beira da morte, ergueu as pálpebras. Do pescoço para baixo, não conseguia mover sequer um dedo.
— Fui enganado... me armaram uma armadilha... aquele desgraçado do Memling...
— Armaram para você? Esse Memling... está falando de Hans Memling, de Antuérpia? Ele é o culpado?
— Talvez... me ajude. Eu não ataquei nenhuma igreja.
Mesmo que não fosse o responsável pelo ataque à igreja, um padre do Vaticano jamais deixaria um vampiro escapar. Ainda assim, Karel chorava e implorava por sua vida.
— É verdade... eu realmente não sei de nada...
— Então, apenas mais uma pergunta. Responda e eu te ajudarei. Se não responder... sobre o ataque à família Watteau de dez anos atrás...
Os dedos pousaram no cabo da longa lâmina.
— Diga. Foi você quem atacou a família Watteau naquela época? Quem matou o casal chefe da família, decepou os dois braços do filho e levou a filha? Quem foi aquele vampiro?
Hugue rugiu como se estivesse o golpeando com suas palavras.
— Quem foi que matou a todos naquela noite e levou minha irmã — Aniès!?
— F-Foi por causa da proposta de Jan van Meeren, aquele terran... Ele que nos guiou no ataque a Bruges...
— Jan van Meeren? O chefe da família van Meeren!? Não minta! Ele era parente da família Watteau!
— Não é mentira. Aquele desgraçado passou anos de olho no cargo de comissário-chefe da família Watteau... Heh, vocês terrans vivem nos chamando de monstros, mas, na verdade, vocês são muito mais...
— Quem foi que executou o ataque?
Com a mão apertando o cabo da espada, úmida de suor, Hugue fez sua última pergunta.
— Responda, Karel. Esta é a última vez. Qual o nome do vampiro que realmente atacou a família Watteau?
— ...Quem realmente fez isso... quem fez...
Naquele instante, o desvio de corpo de Hugue foi puramente instintivo. Do contrário, não seria algo que pudesse evitar — uma seta pesada passou disparada diretamente por trás — ainda que o som cortante do vento chegasse aos seus ouvidos.
Porém, mesmo tendo conseguido evitar o ataque com uma evasiva divina, o que escapou dos lábios de Hugue foi um grito de remorso. A seta prateada disparada atravessou em cheio a testa de Karel, que estava imobilizado, matando-o instantaneamente.
Ao girar instintivamente para trás, Hugue viu uma sombra envolta em um sobretudo cinza olhando para baixo.
Metade de seu rosto estava oculta pelo chapéu de aba larga e pela máscara prateada, tornando impossível discerni-lo. Porém, quando seus olhos se encontraram com os de Hugue, aqueles olhos violetas pareceram, sem dúvida, zombar dele.
No instante seguinte, a figura envolta no manto cinza girou nos calcanhares e se dissolveu na escuridão do corredor. Hugue instintivamente se preparou, impulsionando-se no chão, para partir em perseguição, mas, de repente, seus pés hesitaram.
Ainda deitada no chão, a garota, inconsciente devido à perda de sangue, foi olhada por ele, ao se virar para trás, com uma expressão tão sombria que beirava o desespero.
O sangramento ainda não havia cessado. Se a deixasse assim, ela certamente morreria.
Provavelmente, não havia passado sequer o tempo de uma única batida do coração. Dos lábios de Hugue, que permanecia parado, escapou um suspiro profundo, muito profundo. No instante seguinte, ele rapidamente despiu a batina e ergueu aquele pequeno corpo nos braços.
Já não havia mais um único instante de trégua. O sacerdote, segurando a garota nos braços, estava prestes a sair apressado da Arena Coliseu, mas, por fim, virou-se apenas uma vez na direção do corredor, onde já não restava mais sinal de presença humana.
— Eu nunca irei desistir.
〈Quanto ao incidente de ataques consecutivos a navios nas águas costeiras de Albion,〉
A irmã Kate leu o relatório de análise que veio do departamento de investigação.
〈Como esperado, isso está se tornando uma situação bastante delicada. Existe o risco de que isso se desenvolva em um escândalo envolvendo a nobreza de Albion. Creio que a investigação conduzida pela equipe comum esteja chegando ao seu limite.〉
— Como esperado, será necessário mobilizar a equipe especial, executores designados... Isso significa que teremos que destacar mais pessoal novamente.
Permanecendo de pé junto à janela, Caterina soltou um suspiro.
Assim que o mês mudou, de repente ficou mais quente. A luz do sol acumulada na Praça em frente à Grande Catedral — a Praça de São Pedro —, estava nitidamente primaveril, e as roupas dos peregrinos que iam e vinham pela praça tornaram-se visivelmente mais leves.
— Não há outra escolha. Albion é uma das nações mais poderosas entre os senhores seculares. Além disso, temos uma dívida por causa daquele incidente do sequestro... Para garantir que tudo saia como esperado, enviaremos dois agentes especiais. Se não me engano, 'Crusnik' e 'Sword Dancer' estavam disponíveis, certo?
Caterina olhou desconfiada para a subordinada, que hesitava de forma incomum. Será que sua memória estava errada?
〈Caterina-sama... Na verdade, "Sword Dancer" ainda não retornou a Roma.〉
— ......Como assim? Eu já recebi o relatório sobre o extermínio do clã de vampiros em Amsterdã há duas semanas. Achei que ele estivesse de férias.
〈Eh, sim. De fato, é exatamente isso, mas...〉
Seus olhos, que já eram naturalmente caídos, ficaram ainda mais caídos, e o holograma da freira hesitou ao falar, mas, por fim, forçou uma pequena voz a sair.
〈Sobre o caso de Amsterdã, o Padre Hugue relatou que entre os vampiros exterminados não havia ninguém que correspondesse ao criminoso. Ele também mencionou a necessidade de uma viagem a Antuérpia para investigação.〉
— Li o relatório. Por isso, a Divisão de Investigação está conduzindo a apuração no momento. Assim que os resultados forem obtidos, a Unidade Especial deveria ser reintegrada. Isso não estava decidido? O que há de errado?
〈Ele aparentemente não concordava com essa decisão e foi diretamente para Antuérpia... M-mil desculpas!〉
Kate ficou completamente pálida e se desculpou. A mão da Cardeal bateu violentamente na mesa de trabalho.
— Ousando agir por conta própria!
No momento em que lançou as palavras afiadas, a expressão de Caterina já havia retornado à sua habitual serenidade. No entanto, os olhos por trás do monóculo ainda mantinham um brilho gélido. Com extremo cuidado para evitar contato visual, Kate perguntou com hesitação.
〈Ah..bem... então, o que devemos fazer, Caterina-sama?〉
— Diga ao ‘Crusnik’ para soltar o ‘Dandelion’ da prisão. Trataremos do caso de Albion dessa forma.
〈Não, o que quero saber é sobre a disposição do ‘Sword Dancer’.〉
Enquanto brincava com o rosário em seu peito, a bela mulher adotou uma expressão pensativa.
Foi um erro de julgamento da própria Caterina tê-lo enviado para as Terras Baixas, mesmo sabendo do perigo que ele representava. Além disso, era certo que o incidente de Amsterdã ainda não havia sido verdadeiramente resolvido.
— De qualquer forma, envie novamente a ordem de retorno ao ‘Sword Dancer’. Se ele obedecer sem resistência, ignoraremos a violação das normas de serviço desta vez.
〈Sim, entendido. Certamente transmitirei a mensagem.〉
— Conto com você... A propósito, Irmã Kate.
A freira demonstrou um alívio evidente, mas ao ouvir a próxima pergunta de Caterina, seu rosto se contraiu como se tivesse sentido calafrios.
— Qual o progresso da situação em Milão? Por favor, consulte o ‘Professor’ sobre quanto tempo ainda falta para a volta de ‘Gunslinger’ ao campo.
TRINITY・BLOOD GAIDEN (HISTÓRIA PARALELA)
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