Ele e tudo o que tocava tinham gosto de quatro de julho. O dia da independência estadunidense, a liberdade em suas veias e artérias, transportando um fluxo de oxigênio e energia que intrigava a todos por onde passava.
Dark Paradise; Raphaella Paiva.
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Ele e tudo o que tocava tinham gosto de quatro de julho. O dia da independência estadunidense, a liberdade em suas veias e artérias, transportando um fluxo de oxigênio e energia que intrigava a todos por onde passava.
Dark Paradise; Raphaella Paiva.
Engraçado vivermos num país laico onde a Igreja católica proíbe assuntos pessoais como aborto e pesquisas com células tronco, e a evangélica surge com o projeto de "cura" gay.
Raphaella Paiva
Eu te quero. Assim. Todo errado, todo torto, todo confuso, todo desleixado. Todo errado. Eu poderia te consertar. Eu te deixaria todo certo, todo direito, todo decidido, todo arrumado. Todo certo. Mas acho que não gostaria se fosse assim. Eu te prefiro todo errado desse jeito. E, então, você poderia ser o meu erro. E seria o meu erro mais certo.
Raphaella Paiva
Eu te quero. Não me importo se você é meu amigo. Vamos ser amigos que se beijam, pode ser? Amigos que se amam, amigos que se entrelaçam, amigos que se fazem e se desfazem entre os lençóis. Vamos ser amigos que se cuidam, que se protegem, que se chamam de "amor", "bebê", "gostoso", "meu bem". Vamos ser amigos que se chamam de namorados, pode ser?
Raphaella Paiva
Ele a amava. Apesar de tudo, amava-a com toda a intensidade que seus poros poderiam exalar. Amava seu jeito 'foda-se' para a vida, amava o modo como sequer disse adeus a sua família rica, amava a pele alva e impecável, as pequenas sardas distribuídas timidamente em seu nariz, as longas unhas pintadas de preto, os inseparáveis All Stars vermelhos. Ele amava o sorriso tímido em contraste ao olhar malicioso coberto por longos cílios; seu jeito de menina ao beijar, seu jeito de mulher ao deitar. E ele amava seu cheiro intoxicante de frésias e cocaína.
Raphaella Paiva
Você desperta meu lado mais obscuro.
Raphaella Paiva.
Sabe aquele dia em que você acorda sem sentir nada? É. Aquele dia em que o seu mau humor esquece de aparecer, mas nem se dispõe a enviar o bom humor como substituto. Aquele dia que você fica sem vontade de sorrir, mas também não tem vontade de chorar. Foi assim que acordei hoje, executando mentalmente a rotina de segunda-feira, curtindo aquela preguiça pós-fim de semana, aquela vontade de fazer nada. E, então, você sai de casa, praticamente arrastado, e chega à escola de saco cheio por ter que olhar na cara daquele professor chato e gordo. Mas ao ver seus amigos - aquelas pessoas que aturam suas idiotices e que são tão idiotas quanto você -, surge aquele aconchego no peito, uma sensação boba de lar só ao ver que seu melhor amigo está no mesmo clima que você. E logo surge uma conversa, uma risada - e as gargalhadas se prontificam a aparecer. E o seu dia fica melhor, assim, de repente, nascida daquela vontade de simplesmente fazer nada.
Raphaella Paiva
Eu não sou muito de acreditar em pedidos para estrelas cadentes, mas eu me pego imaginando o que eu pediria a uma se a visse. Eu com certeza pediria mais paixão, mais paz, mais humanidade e mais amor ao próximo. Eu pediria menos poluição, menos barulho e menos tumulto. Eu desejaria o fim da desigualdade de renda, o fim do imperialismo das superpotências. Eu fecharia meus olhos e imaginaria um mundo melhor e mais saudável. Eu pediria menos estresse, menos dores de cabeça e menos dores no corpo. Eu pediria o fim da Aids, do câncer, da lepra e da diabetes. Eu pediria o fim da asma, da bronquite, da meningite. Eu desejaria com todas as minhas forças mais brinquedos, mais comida, mais água e mais sorrisos - seria tão perfeito, ao menos, um mundo mais puro. Eu pediria o fim da corrupção. O fim dessa falsa democracia. O fim do capitalismo. Eu desejaria àquela estrela seres humanos mais humanos. Eu desejaria um amor só pra mim. Eu desejaria alguém que me abraçasse e beijasse a minha testa sem questionar o por que do meu mau humor. Eu desejaria poder dizer que sou verdadeiramente feliz. E, eu agradeceria àquela estrela - e Àquele ser que a enviou para mim - por ter mudado, ao menos, minha parte tão importante do mundo.
- Raphaella Paiva