Diede Lameiro e o bigode de Roberto Dias
Primeiro treino de Diede Lameiro (à direita) no Morumbi. Foto: Diário Popular.
Diede Lameiro assinou contrato como técnico do São Paulo em 11 de junho de 1968, credenciado pelo trabalho que tinha feito à frente da Ferroviária, sexta colocada no Campeonato Paulista de 1967, atrás apenas dos cinco grandes, e terceira colocada no recém-encerrado Paulista de 1968, à frente de Portuguesa, São Paulo e Corinthians. Ele chegou garantindo que faria um rígido regulamento interno, que considerava “indispensável para ter sucesso no trabalho”.
“O São Paulo, depois de uma tempestade futebolística, deu para Diede Lameiro o cargo que [Sylvio] Pirillo abandonou”, escreveu o Diário Popular. “O moço que foi revelado em São José dos Campos mostrou todo seu valor na equipe da Ferroviária, despedindo-se com uma goleada internacional contra o Napoli, vice-campeão italiano. Diede é um disciplinador emérito e tirou a Ferroviária das últimas colocações no campeonato passado, deixando-a entre os melhores colocados. Em 1968, o seu trabalho foi espetacular e, no São Paulo, ele poderá se projetar muito mais, desde que lhe deem condição.”
No dia seguinte à assinatura de contrato, Diede foi apresentado ao elenco e fez uma preleção em que enfatizou disciplina e cumprimento de horários. No meio do discurso, pediu que os atacantes Nelsinho, Babá e Almir tirassem as costeletas. Ao também atacante Faustino, pediu que fizesse a barba diariamente. Os quatro atenderam ao pedido. Para o técnico, um jogador de futebol precisava “andar na linha sem acompanhar as variações da moda atual, como costeletas, bigodes e cabelos compridos”, como reportou o Diário Popular.
O zagueiro Roberto Dias, que chegou atrasado por causa de problemas em sua mudança, não ouviu ao vivo a questão do bigode e, quando ficou sabendo, ouviu de um jogador não identificado pel’O Estado de S. Paulo, que reproduziu a fala: “Tire logo esse bigode, porque o homem não vai gostar.” Dias respondeu, com alguma revolta: “Este bigode é muito meu. Gosto dele. Não vou tirá-lo, não.”
Mais tarde, Dias tentou conversar com Diede para obter a aprovação do treinador ao bigode. Deve tê-la conseguido. Não encontrei mais menções ao bigode no noticiário da época, mas tenho uma foto do quinto jogo que o São Paulo disputou sob o comando de Diede (contra o Corinthians, em setembro), e lá está o bigode sob o nariz de Roberto Dias. É esta aqui embaixo.
Roberto Dias e seu bigode, em setembro de 1968. Foto: Diário Popular.