Bomba relógio.
Autodestrutiva. É isso que eu sou. Eu tenho meu tempo contado, meus suspiros pesados.
Eu sou meu próprio fim, eu apresso meu tempo. Faço da vida uma verdadeira maratona. Eu corro contra mim.
Eu conheço meu fim. E antecipo ele como um a relógio com horas erradas. Eu conheço meu fim, é só mais um clichê repetido em uma história diferente. Aquela crônica com final esperado.
Infelizmente, eu sei que essa história não tem plot twist. Eu não espero uma reviravolta. O mocinho não salva o vilão e "blá blá blá", final feliz. Na verdade, eu acho que o mocinho não era tão mocinho quanto o esperado. E esse é o máximo de clímax que se pode ter ao final do meu enredo.
Eu sinto meu tempo correndo sobre minha pele. Eu sinto o arrepio de estar perecendo. Eu ouço meu tic-tac acelerando no pé do meu ouvido, me lembrando que lutar não se é a solução quando se esta cativo a uma bomba relógio.
Eu carrego essa bomba no peito junto com todas as minhas dores. Ironia é dizer que elas são a únicas coisas que me nutrem. Elas são meu alimento diário cada vez que o relógio aponta uma refeição.
Eu vivo disso. É a única coisa que ainda prova a minha existência. Se não, como eu saberia que não sumi? Como eu saberia que a vida já não foi pelos ares em um mísero "bum"?
A dor me garante. A minha insuficiência no meio da madrugada. O cão cavando dentro do meu peito.
Lembrando que eu estou terminando comigo, que eu estou me guiando pra o meu fim. A cada trago, a cada gole. A cada registro que o capital que instiga meu ego me rouba. A cada verde. Eu vejo. Vejo o buraco que me espera sendo cavado mais depressa.
Vejo me arremessar. Me vejo correr entre os trilhos. Indo de encontro a carruagem de ferro que me levará ao inferno.

















