Há coisas que não consigo contabilizar. Seja por preguiça, confusão ou por serem imensuráveis. Algumas apenas por um certo cansaço dolorido que causam. Como a quantidade de anos em que essa tristeza (já tão familiar) habita em mim. E as lágrimas que já rolaram. Quantas vezes elas existiram por você. Você, que não pode mais me ouvir, mesmo que dentro de mim ainda ecoem palavras que só poderiam ser destinadas a ti. Você que também perdeu a conta de dores e prantos. Há noites que não sou capaz de medir a saudade. Que quase nunca existe pelo tempo ou distância, mas pelo quanto tua voz faz falta. Por memórias vívidas que me invadem sem aviso. Como teu corpo adormecido. E teu sorriso que tantas vezes foi o motivo do meu. Nunca consegui deixar de me questionar se você sabia. Do quanto te admirei em silêncio. Da sensação de fraqueza (que ultimamente se faz diária) quando não era possível estar perto. Da música que sempre foi sobre você... e da dor de saber que pra ti ela era sobre outra pessoa. Há momentos em que eu tenho apenas um desejo. Uma sufocante vontade de poder saber:
Poderia ter sido diferente?










