——— Senhoras e senhores, vos apresento ALEXANDER PHILLIP LÖHNOFF, SELECIONADO, um QUATRO vindo diretamente da Província de COLUMBIA. Ele tem 25 ANOS e todos os criados comentam que é idêntico a PIERSON FODÉ.
É engraçado como o poder está nos olhos de quem vê. O que constitui o poder? Poderia o homem dizer o que o poder representa se nem mesmo este detém? A resposta mais sensata seria não, o único poder que pode ser compreendido é aquele que esta nas mãos do criador, mas se Deus é uma invenção humana então o poder verdadeiro esta nas mãos dos homens? Um perturbador paradoxo capaz de fazer as mentes mais fracas repensarem seus conceitos sobre aquilo que lhes força o joelho diante da presença de outrem. É justamente esta falta de compreensão que nos deixa tão fascinados e leva a raça humana a ansiar tanto ter o poder em suas mãos. Poder sobre outros, poder sobre terras, poder sobre o capital, poder em seu ser, ou talvez poder de um sobrenome.
O sobrenome Löhnoff tornou-se conhecido através do ramo da culinária, quando o avó de nosso protagonista mostrou-se um excelente chefe de cozinha, abrindo um restaurante posteriormente. Mas Phillip Löhnoff era um homem de ambição, que treinou seu filho William para ser ainda melhor. Para ser perfeito, leal, fiel, obediente e tomar o controle da família. Fora por isso também que a família o inscreveu na seleção da princesa Eadlyn, mas Will nunca fora bom o suficiente para ela. Ou ao menos fora o que concluiu ao ser dispensado sem sequer chegar no patamar da elite. O desejo de tornar-se um Schreave, transformou-se em ódio quando fora frustrado e embora tenha aprendido em sua infância que o amor era a base de tudo, casou-se com a herdeira de uma rede hoteleira apenas para acumular poder. Junto dela tiveram dois filhos: Alexander e Masha.
O primogênito recebeu os mesmos ensinamentos do pai a partir do momento em que o nascimento de Briana Schreave fora anunciado, tendo a princesa a mesma idade de sua irmã mais nova. Mas Alexander nunca foi uma criança convencional, e nem de longe se parecia com o pai em suas crenças e ambições. Enquanto as outras crianças corriam e brincavam, o pequeno menino passava a maior parte do tempo envolvido pela história de livros, e próximo da mãe. Não queria ser um príncipe, não precisava de dinheiro, e mesmo sendo impossível tudo o que desejava era que a irmã se tornasse a herdeira do hotel quando atingisse a idade adulta, para que ele pudesse se dedicar à seus livros. Qualquer ideia para o próprio futuro, contudo, desapareceu quando o pai o inscreveu na seleção, e mais ainda quando fora chamado para fazer parte dos selecionados.
Eles têm até o dia 28 para fazer a entrega dos documentos na instituição de ensino - IlustraçãoCandidato da lista de espera tem até dia 28 para entregar comprovantes.Nesta segunda-feira, 21, foi aberto o prazo para que os candidatos classificados na lista de espera do Programa Universidade para Todos (ProUni) 2023, segundo semestre, apresentem a documentação comprovando as informações expostas durante a inscrição. Eles têm até o dia 28 para fazer a entrega dos documentos na instituição de ensino.O Prouni oferece bolsas integrais ou parciais de estudo em cursos de graduação de instituições privadas de educação superior.PRAZOS - Os prazos e a documentação necessária constam do edital nº9, publicado pelo Ministério da Educação no Diário Oficial da União em junho. Eles valem para a comprovação de formação do ensino médio, bem como para os casos de pessoa com deficiência e de formação para o magistério da educação básica.O Ministério da Educação (MEC) disponibilizou 276.566 bolsas de estudo para o segundo semestre de 2023. Dessas, 215.530 são integrais e 61.036 são parciais, cobrindo 50% do valor da mensalidade dos cursos de graduação ou sequenciais de formação específica.Conheça nossas mídias sociais: Facebook: https://www.facebook.com/pirapopnoticias Instagram: https://www.instagram.com/pirapop_noticias WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/KWamPqnT7GBID42fLMlm1H Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCrWfubY4QWA68LP_soBpLyg Mais notícias da EducaçãoPara saber o que acontece em Piracicaba e Região Metropolitana, acesse nosso site e os outros canais!Site: https://pirapop.com.brFacebook:https://www.facebook.com/pirapopnoticias Instagram: https://www.instagram.com/pirapop_noticiasWhatsApp: https://chat.whatsapp.com/GsJ6s2s1tR6JD65zFm6bk5Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCrWfubY4QWA68LP_soBpLyg
Cá estou eu no cuidado com a saúde, isso implica em escolhas saudáveis. Você precisa se alimentar bem, fazer exercícios, cuidar do seu bem estar, estou eu aqui, desfrutando do benefícios deste chá.... Que tem como objetivo desintoxicar o organismo.. Eu já estou apaixonada por ele... . . . . . . . .#emagrecendocomsaude #bemestar #saudemental #chanatural #selecionado #produtodequalidade #amando #maravilhasdaterra #sucesso #queridinho #saudeevida #trabalhoalternativo #secuide #seame #setratecomcarinho #crysbernardoblogger #crysbernardo #crysblogger #vida #gratidão #vendasonline #representantecomercial (em Brasil - Rio de Janeiro) https://www.instagram.com/p/CD_ehEyJMMM/?igshid=5qhbxwjzxirb
——— Senhoras e senhores, vos apresento ZISEL BLACKBEAK, SELECIONADO, um DOIS vindo diretamente da Província de SONAGE. Ele tem 25 ANOS e todos os criados comentam que é idêntico a AMADEUS SERAFINI.
Todo governo despótico requer servos submissos; um povo que, ainda que não esteja de acordo com as práticas adotadas, não se rebele contra o sistema. Alguns sempre se beneficiarão com a servidão de outros, e é essa ordem que, espera-se, seja mantida – ao menos na visão daqueles que dela tiram proveito. Nas costas de uma maioria oprimida repousa a minoria abastada e beneficiada. Os Blackbeak faziam parte da minoria, e jamais se envergonharam disso. Diziam que ocupavam a posição abastada por mérito, graças ao honorável general Joramunt Blackbeak ––– não é todo mundo que pode se gabar de possuir um antepassado importante. Responsável por varrer as tropas da Nova Rússia do solo inglês, o Blackbeak foi condecorado após a Terceira Grande Guerra, e garantiu que os militares permanecessem na Casta Dois, apenas um degrau abaixo da própria realeza. Eram, afinal, tão caros ao Estado quanto os governantes.
Com um mundo de nações instáveis, a guerra sempre era uma possibilidade. Joramunt permaneceu por muito tempo nas graças do rei, e tinha muito a agradecer aos inimigos por isso. Foi por conta da sede de sangue e da ferocidade incansável que o Blackbeak acumulou um significativo número de riquezas ao longo da vida, e revolucionou o sistema de recrutamento, aconselhando o monarca a convocar homens cada vez mais jovens. Nem mesmo o casamento com Imogen Wahl –– também uma Dois, obviamente –– foi suficiente para aplacá-lo e, diz-se, não passou de uma aliança por conveniência. Da união do casal nasceram três filhos, mas vamos tratar apenas da história de Arevig, que, mais tarde, seria pai de Zisel.
Criado como um soldado, Arevig sempre foi uma criança retraída, no entanto, por mais irônico que isso possa parecer, casou por amor –– Pearl Clarke era capaz de despertar esse tipo de sentimento, mesmo que não passasse de uma mera Quatro. Arevig teve que fugir da vista do pai por um tempo, tornando-se inconsequente por causa da amante. Quando o casal retornou, três anos depois, tinham o neto de Joramunt nos braços. Talvez porque estivesse velho demais para tanto ódio, talvez porque tivesse gostado da criança, mas o general Blackbeak perdoou o filho, realocando-o numa posição junto ao exército illeano.
Zisel teve o desprazer de ser educado pelo avô até certo ponto da vida. Arevig se tornou quase tão amargo quanto o pai, e fazia questão de que Zisel seguisse a mesma linha de pensamento –– Blackbeaks tinham nascido para sentir o gosto do sangue dos inimigos da coroa! –– a qual não se coadunava com os preceitos do pequeno, sempre protegido dos horrores do mundo por Pearl. Mas qualquer esforço da mulher era inútil; não se admitia que Zisel seguisse qualquer outra carreira que não a militar, tão cara a sua família, sendo, tão logo entrou na puberdade, inserido no mundo das academias. Crueldade, no entanto, foi algo que jamais foram capazes de ensinar-lhe, em que pese o grande número de animais de estimação mortos pelo pai, bem como que o pai o obrigou a matar.
Havia, de modo geral, muito pouco do pai e do avô em Zisel, ainda que tivesse habilidades inatas para a batalha. Via, contudo, tudo de um prisma mais político, o que se devia à sua educação de ponta. Não era um mero soldado, mas um agente crítico. Sabia que estava, contudo, a defender um sistema classista que privilegiava poucos. Primorosamente treinado, o Blackbeak via cada vez menos sentido em servir ao seu rei; ao mesmo tempo, era disciplinado demais para ceder ao anarquismo.
Foi somente quando foi capturado por um grupo rebelde, durante um dos inúmeros patrulhamentos, que Zisel mudou suas perspectivas, porém não da noite para o dia. Nos primeiros dias, tudo o que via eram inimigos –– rebeldes desgraçados, pessoas que ele foi ensinado a odiar durante toda a sua vida. Não havia inimigo maior dentro do território, e Zisel passou dias sem comida, numa cela úmida nos confins de Hondurágua; provavelmente os companheiros haviam o declarado como morto. Zisel pensou que seria morto, principalmente quando se negou, dia após dia, a oferecer informações sobre o palácio aos rebeldes, mas, surpreendentemente, foi lhe dada uma escolha: poderia morrer ou se juntar à causa. Seria mais honroso morrer pelo país, diria seu pai. Todavia, Zisel aceitou a oferta do inimigo. Tinha em mente ficar ali até que confiassem nele e surgisse a oportunidade de fugir, mas ao sair da cela e se deparar com aquele grande contingente de pessoas seminutridas e em roupas que mal cabiam no corpo (uma multidão de Oitos, ele pensou), não os viu, de forma alguma, como uma ameaça –– não quando as pessoas que conhecia e convivia (em geral Um, Dois e Três) tinham tanto em comparação. Zisel soube que seria um desertor se se juntasse a eles, mas não se importou realmente; não quando tudo o que fazia no exército illeano era reafirmar um sistema opressor.
Nunca soube se aquela era uma prática entre os rebeldes ou se sua vida foi poupada apenas pelo que estava por vir. Zisel ficou sabendo que alguns membros do Conselho Real apoiavam a causa rebelde, e talvez tenha vindo daí a informação de que uma seleção ocorreria em breve, a fim de escolher o consorte da herdeira do trono. A primeira missão dada ao Blackbeak foi a de se inscrever, usando todo o peso de seu nome para conseguir um lugar na competição. Ele retornou poucos meses depois para casa, surpreendendo a todos que pensavam estar morto. Retomou suas atividades junto à guarda, sendo nomeado sargento poucos dias antes de anunciada a sua participação na competição. O pai não viu o anúncio com bons olhos, mas, ambicioso como era, não se importaria nem um pouco em ver o filho se tornando rei. Contudo, Zisel não tinha certeza se era essa a intenção do comando rebelde ao enviar ao palácio. Só sabia de duas coisas: deveria se manter no palácio o máximo de tempo que conseguisse ––– fazendo o que fosse preciso para se tornar caro à princesa ––– e que seus companheiros queriam o fim da monarquia.
——— Senhoras e senhores, vos apresento LOREN ALBUS SEPHIRAN HYBERN, SELECIONADO, um DOIS vindo diretamente da Província de KENT. Ele tem 26 ANOS e todos os criados comentam que é idêntico a GRAHAM ROGERS.
“É natural que todo homem solteiro e de posses esteja à procura de uma esposa”sempre pareceu uma frase definidora da sociedade de Kent, em especial às rodas as quais os Hybern frequentavam. Talvez por conta da inicial saúde debilitada, Loren não tenha tido muito tempo se definindo pelos ditames sociais, preferindo, contudo, o ensino de algo um tanto quanto mais lúdico para si. Enquanto os irmãos gêmeos se estapeavam em busca de uma oportunidade de brilhar, o mais novo dos trigêmeos buscara algo mais em sua vã existência. Livros costumavam ser seu forte durante a infância, e nem mesmo Phillipo, o mais velho dentre os quatro filhos de Rhysand e Gretta, poderia discutir com o mais novo sobre ética e causalidade. Família confusa demais, há de se concordar: Rhysand conhecera Gretta em um baile do almirantado, e a filha do general da Illéa encantou o herdeiro do título de Conde (título este que permitia com que controlasse com alguma liberdade a região dos Grandes Lagos), passado de pai para filho assim que o Ministro da Defesa falecesse. Após alguns meses de corte, casaram-se sob a benção do próprio Rei, e da união quatro crianças se sobrepuseram: Phillipo, o mais velho por cerca de onze anos — sisudo, julgador e extremamente hipócrita, casara-se forçosamente com cerca de dezenove anos (para o loiro, a batina não deveria vir em conjunto com uma illeana fogosa para esquentar-lhe a cama) —; Seth, o primeiro dos trigêmeos a nascer — selvagem, glutão e terrivelmente perigoso (escolhera a carreira militar, tal como o pai, e também dividia o rosto e todas as feições com o mais novo, diga-se de passagem) —; Nora, a joia lapidada da família, viperina e, sobretudo, uma lady perante os costumes de Illéa (o que a garantiu uma vaga na Corte de Angeles), e Loren, o mais novo da prole e sobremaneira ofuscado perante as personalidades digladiantes dos irmãos.
Não há muito a se falar sobre sua infância, verdade. Costumava ser o bode expiatório das trapaças de Seth, já que era quase impossível diferenciá-los dentre os cortes idênticos e as roupas combinando. Nora sempre fora a única que os conseguia distinguir, mas devido a preferência pelo mais velho, sua boca se convertia num túmulo quando inquirida. Desnecessário dizer que o foco do mais novo se tornara a mais completa solidão. Dentre instrumentos musicais e notas tomadas, a música (obrigatória a toda a prole), tornara-se o seu refúgio pessoal. De flauta até o saxofone, o loiro poderia passar horas a fio treinando até atingir algo próximo à perfeição. A medida em que cresciam, Loren observou enquanto todos os irmãos cresciam, e sobretudo todos os erros que tomavam. Após um episódio em particular, onde fora confundido com o gêmeo por uma ex-namorada furiosa, soube que deveriam se separar por algum tempo, de modo que pediu à mãe por um salvo conduto em direção à França, sem a intromissão do pai. Permitiu-se se tornar sua própria pessoa nas ruas egrégias de Paris, embebedar-se na Provença francesa e estudar com os filósofos mais interessantes da época enquanto se rendia ao hobbieque parecia defini-lo até então — a única coisa que permitia que ele e Seth fossem diferenciados sem o olhar clínico da irmã. Poderia ter continuado na Provença por muito mais tempo do que os rápidos seis anos (nos quais o francês e alemão se aperfeiçoaram, a medida em que o italiano poderia ser entendido com algum esforço), mas, aos vinte e dois, já não era mais uma criança, e Nora se casaria em breve. Segundo a sociedade de Kent, era verdadeiramente uma vergonha que uma dama do calibre dela fosse desposada por um reles médico, e mesmo Loren se viu surpreso ante a decisão da irmã. Não era de seu feitio, mas tampouco a repreenderia.
Portanto, voltara para o casarão onde foi criado pela maior parte de sua vida, mas talvez o período na França o tenha transformado o suficiente para que não mais se incomodasse com os tapas que levava na cara, tampouco com as agora usuais saídas com o mais velho. Incrível que parecesse, diferentes que pudessem ser, Loren e Seth se completavam de forma que nem mesmo Nora compreendia. De algoz, Seth passou a ser seu melhor amigo, e Loren se entregou aos mais diversos pecados da carne por influência do irmão. Quatro anos se interpuseram dentre o início da vida pagã e o fatídico dia, e em cada um deles, o mais novo seguiu a maré dos acontecimentos com olhos cansados da ressaca da noite anterior a medida em que as melodias ocupavam sua mente. Isto é, até que o mais velho fosse chamado pelo próprio pai para o serviço militar. Não um cargo de fachada, como era usual a pessoas da estirpe dos Hybern — como seu próprio cargo de mentira, apenas para manter a Casta. Seth aprendera com o melhor dentre tantos, e agora seria necessário. A crise entre os dois Estados se acirrara, e bons comandantes eram necessários, de modo que o mais velho logo fora promovido a Capitão.
E então, a Seleção fora anunciada, com todos os entremeios possíveis e inimagináveis. De início, o loiro sequer considerou a hipótese de se inscrever — ocupado demais com mais uma decepção amorosa —, mas ao observar seu rosto na tela da televisão, por um momento imaginou que estivesse louco. Seth, contudo, engoliu uma risada, e então tudo ficou claro para o mais novo. Era o seu rosto naquele televisor, ainda que tivesse sido Seth quem o inscrevera — ou ao menos era o que imaginava. O que elas pensariam, caso o vissem sorrindo para a câmera ao se candidatar a futuro Rei-Consorte de Illea? Ufanismo nacionalista de lado, era de se imaginar que não seria bem visto dentre seus conhecidos que logo o filho de Rhysand se submetesse a isso. Não era um homem violento (diabos, era exatamente o oposto disso), mas naquele momento, ele quis socar o gêmeo, obrigando-o a ir em seu lugar, já que havia começado com aquela brincadeira besta. Só então se lembrou que Seth tinha tarefas muito mais complicadas do que as dele no momento, e imaginar-se tendo de encarnar o mais velho era… Problemático.
——— Senhoras e senhores, vos apresento BRANDON HASTINGS, SELECIONADO, um CINCO vindo diretamente da Província de ANGELES. Ele tem 26 ANOS e todos os criados comentam que é idêntico a DANIEL SHARMAN.
men.ti.ra [subs.] “ação ou efeito de mentir.”
“Um sétimo filho de um duque de Kent, ninguém que você ouviu falar, sério!”, “Um inventor com exposição em sua última noite em Angeles” ou “Apenas um ladrãozinho de meia tigela que vive nas ruas…” As versões são inúmeras. Foram tantas as mentiras que contara sobre si mesmo, sobre sua família, seus irmãos, suas posses, seu berço, que ele mal podia se lembrar qual era a verdade. Mentir era normal, principalmente se sua refeição ou sua vida dependesse disso desde que se entendia por gente. Filhos de artistas itinerantes, Brandon aprendeu desde cedo a arte do ilusionismo, ou era o que ele dizia. Sua real função era afanar carteiras enquanto os pais apresentavam teatros por toda Angeles. Os fantoches, as fantasias feitas a mão e surradas… Nada disso dava dinheiro o suficiente para alimentar e cuidar da família de sete pessoas. O pequeno garoto de fios castanhos e olhos azuis não se lembrava bem dos rostos de seus pais ou irmãos… Mas sabia que tinha sido por eles que contou as primeiras mentiras. O que podia se esperar de uma criança que não tinha nada? Mentir era sua única saída, até que ele já não era mais nenhuma criança. Podia ter aprendido o ofício dos pais, podia ter feito alguma coisa que não envolvesse enganar os outros por moedas. Mas então ele já havia tomado gosto pela coisa. As histórias saiam com tamanha facilidade que, por vezes, ele sequer se lembrava da realidade por detrás dos fatos enquanto as palavras lhe escapavam pelos lábios. Mentia, mentia tanto que no final do dia ele não se lembrava quem de fato realmente era.
so.nho [subs.] “sequência de ideias soltas e incoerentes às quais o espírito se entrega; devaneio, fantasia.”
Não é de se admirar que muitas coisas deram errado para o filho de artistas circenses. Por exemplo, seus pais morreram, seus irmãos foram parar em orfanatos, ele passou fome, fugiu de guardas, teve doenças…. Mas de uma coisa ele nunca pôde reclamar: sempre teve sua liberdade. O que não significava que ele a usava com sabedoria. Para ser honesto, Brandon tem plena consciência que estaria na cadeia se não fosse pelo velho Earl. O velho artista de rua vivia dos pequenos golpes que aplicava nos pobre inocentes que caiam em sua lábia. O cavalheiro andava distinto, sempre de terno e bem barbeado, seu linguajar sendo o que tornava difícil distinguir o golpe de uma boa oportunidade. Sem família, o pequeno Hastings estava sozinho, assim como Earl, e uma amizade surgiu dalí. O senhor ensinou todos seus truques, suas frases feitas, suas idéias para trambiques… Aquilo tirou Brandon das ruas, era verdade. O colocou numa casa na periferia de Angeles, de alvenaria e tudo. Tinha só uma pequena cozinha e um banheiro, nada do que se orgulhar, porém a vista…. Da pequena janela dava para ver todo o esplendor do palácio. Os muros, as paredes tingidas, os jardins…. Se não fosse pelos muitos quilômetros que os separavam, Brandon quase podia imaginar como era morar ali. Depois de um dia cheio de trabalho, ele sentava na sua pequena mesa com apenas um par de cadeiras e imaginava como seria se fosse dono de tudo aquilo. Guardas, castelos e servos… Ter respeito e dinheiro para comprar o que quisesse e nunca mais passar fome. Nem um pouco generoso, é verdade. Em nenhum momento de seus devaneios Brandon pensava em outra coisa a não ser na própria felicidade, no máximo pensava no Velho Earl, mas quem podia culpá-lo?
o.por.tu.ni.da.de [subs] “ocasião azada; circunstância oportuna, favorável para a realização de algo; ensejo.”
Brandon se lembrava de andar na pequena cozinha, atrasado para algum encontro importante no qual selaria um negócio importante de Earl. O velho trapaceiro já não era mais o mesmo, e passava grande parte dos dias na cadeira, contando histórias dos grandes golpes que já aplicara, das mulheres que conquistara, do dinheiro que conseguira. Brandon se divertia, ainda que soubesse todas de cor e salteado, mas desconfiava de que nenhuma delas era realmente verdade, ou eram, no mínimo, floreadas o suficiente para parecer atraente. A pequena televisão no canto do cômodo estava no mudo, mas imagens do palácio de Illéa, de cima, dava a entender que era um comunicado oficial. Os dois golpistas gostavam daquele tipo de coisa, afinal, tudo o que tinha a ver com a realeza era, instantaneamente, um motivo de lucro. Os dois ouviam os anúncios e logo tratavam de bolar uma ideia em cima daquilo com o qual podiam lucrar, no entanto, foi com um riso cômico que Brandon ouviu o anúncio da seleção da princesa de Whites. Não a conhecia, não sabia nada dela, e não tinha o interesse de conhecer. Mas, como sempre, o velho Earl tinha algo para dizer sobre aquilo. Quando o cinco chegou em cada naquela noite, a ficha de aplicação, documentos falsos — que pareciam muito reais — estavam em cima da mesa. Apesar de saber que o dono dos fios brancos podia facilmente enrolá-lo até que a única opção fosse se inscrever, ele não o fez. Deixou que o Hastings tivesse uma escolha. As chances de ser escolhido eram ínfimas, é verdade. Mas eram substancialmente maiores do que eram aquela manhã. No entanto… Não podia virar as costas para o amigo. E se ele fosse em frente com aquilo, era o que teria que fazer. Inventar um passado, uma família — uma que não fosse um bando de mentirosos e oportunistas —, uma que não incluísse o velho Eart. Não era dado a sentimentalismos, mas com um dar de ombros guardou o papel na gaveta. Não adiantava pensar em coisas que não levavam a lugar nenhum, pensou consigo mesmo. Nenhuma palavra sobre a seleção foi dita a partir de então. E, provavelmente continuaria assim se não fosse pelo corpo frio que Brandon encontrou, sentado na habitual cadeira. O queixo colado no peito, descansando, ainda de terno e gravata, como sempre. Brandon não tinha mais nada ali em Angeles. Pensou em partir… Paloma podia ser tão bom quanto Angeles. Podia bolar golpes e ali ninguém o conheceria. Mas foi só abrir a gaveta para empacotar seus poucos pertences que Brandon pensou que talvez ele não precisasse de muitos golpes para melhorar de vida. Ele só precisava de um grande golpe que desse certo. O velho Earl tinha visto aquilo, com seus olhos cinzentos cobertos de experiência, e agora ele simplesmente não tinha nada que lhe impedisse de ir em frente com aquilo.
“Eu sou o que restou de uma história incompleta, uma frase sem ponto final, um rascunho em vão, um livro incompleto, um roteiro mal dirigido com os protagonistas mal selecionados.”