Vamos parar pra pensar sobre segurança...
A nossa segurança não está no fato de inexistirem problemas à nossa volta. A nossa vida não se desenrola numa estufa espiritual. A vida cristã não é uma sala vip. Não vivemos em uma colônia de férias nem em um parque de diversões. A vida cristã é como uma viagem por mares revoltos, sob fortes rajadas de vento. Ondas encapeladas se atiram contra nós com fúria indomável. O que nos mantém seguros nessa terrível tempestade é a âncora que está bem firmada nos rochedos invisíveis nas camadas abissais do mar. O que mantém o navio fora do perigo de naufrágio é a âncora. Ela parece invisível, mas segura o navio. Embora não possa ser vista, constitui-se na segurança da embarcação.
Calvino, com palavras fortes, descreve essa realidade da seguinte forma: Enquanto peregrinamos neste mundo, não temos terra firme onde pisar, senão que somos arremessados de um lado para o outro como se estivéssemos em meio a um oceano atingido por devastadora tormenta. O diabo jamais cessa de acionar incontáveis tempestades, as quais imediatamente fariam submergir nossa embarcação, se não lançássemos nossa âncora, com firmeza, nas profundezas. Olhamos, e nossos olhos não divisam nenhum porto, na verdade, só vemos gigantescas ondas a nos ameaçarem. Mas assim como se lança uma âncora no vazio das águas, a um lugar escuro e oculto, e, enquanto permanece ali, invisível, sustenta a embarcação que se encontra exposta ao sabor das ondas, agora segura em sua posição para que não afunde, assim também nossa esperança está firmada no Deus invisível.
Mas há uma diferença: uma âncora é lançada ao mar porque existe solo firme no fundo, enquanto nossa esperança sobe e flutua nas alturas, porquanto ela não encontra nada em que se firmar neste mundo. Ela não pode repousar nas coisas criadas, senão que encontra seu único repouso no Deus vivo.
Assim como o cabo, ao qual a âncora se acha presa, mantém o navio seguro ao solo de um profundo e escuro abismo, também a verdade de Deus é uma corrente que nos mantém juntos a Ele, de modo que nenhuma distância de lugar e nenhuma escuridão podem impedir-nos de aderir a Ele. Quando nos sentimos unidos assim a Deus, mesmo que tenhamos de enfrentar as constantes tempestades, estaremos a salvo do risco de naufrágio. Eis a razão por que o Hebreus 6 nos diz que a âncora é uma esperança segura e firme. É possível que uma âncora se quebre, ou que um cabo se rompa, ou que um navio se faça em pedaços pelo impacto das ondas. Isso sempre sucede no mar. Mas o poder de Deus, que nos protege, é algo completamente distinto, bem como também é a força da esperança e a plena estabilidade de sua palavra.
Nossa âncora não está nas profundezas do mar, mas nas alturas do céu. Nossa esperança é como uma âncora que penetra além do véu e nos dá segurança na longa viagem rumo ao porto divinal. Severino Silva, nessa mesma linha de pensamento, diz que a diferença entre a âncora do navio e a âncora do cristão é que a âncora do navio aponta para baixo e, quanto mais os ventos sopram e as ondas movimentam o navio, tanto mais ela vai se enterrando no fundo e lhe oferecendo segurança. A âncora do cristão aponta para cima e, quanto mais as tempestades da vida lhe sobrevêm, tanto mais sua âncora (esperança) vai se fixando no trono de Deus, que lhe oferece uma proteção inabalável. Uma âncora invisível está segura ao fundo do mar; nossa esperança invisível está nos altos céus.