Os boatos corriam soltos pela academia e não era nenhuma novidade para ele que o irmão estava saindo com a Li, no entanto, namoro era uma grande novidade. Sentou-se ao lado dele no refeitório antes de provocá-lo. “Não sabia que havia segredos entre nós, não acredito que você começou a namorar sem me falar nada, tive que saber através de terceiros!” fingiu-se indignado, mas era óbvio pelo sorriso nos lábios que estava só implicando com o irmão. sim, ele estava sendo hipócrita e sabia disso, já que não tinha mencionado nada a respeito de Zhao para o irmão, porém, Winter tinha seus motivos, seus sentimentos ainda eram confusos e não é que se importava em arriscar, só não queria machucar o Long que parecia tão emocionalmente frágil, além de precisar entender melhor o que estava acontecendo entre ele, Zee e Boo, chegava a ser irônico que logo ele estava metido numa espécie de triângulo amoroso, passou tanto tempo sem se interessar por ninguém e agora lá estava ele sem conseguir dormir direito por sentir vontade de beijar dois rapazes. “Quando serei apresentado para a minha cunhada? ou você tá pensando que vai se safar disso?”
"You can erase someone from your mind. Getting them out of your heart is another story."
featuring @vaughwlfc
O último encontro da fada com o ex-marido pode ser considerado mais do que caloroso. Ele também despertou memórias e sentimentos dos quais Clio achou ter esquecido ou superado, mas percebeu estarem mais vivos do que nunca. No famigerado dia do Valentine's Day, aquela sensação apenas cresceu, a levando a bolar um plano mais do que mirabolante.
Na manhã do dia 14, Clio pegou sua varinha, buscando ajuda para por em ação seu plano de última hora. Uma carta foi magicamente entregue na casa do homem com a seguinte frase: "Para esse Valentine's Day, uma surpresa te espera. Para encontrá-la, no entanto, uma jornada por passado em busca de memórias perdidas deve ser feita. Para a primeira parada:
"Em meio a tantas histórias, me perder entre as suas entrelinhas foi a maior aventura que pude vivenciar."
A frase fazia referência à biblioteca de Storybrooke, lugar em que Clio e Vaugh se encontraram a primeira vez e continuaram tenro certos encontros até que começasse a de fato namorar. Chegando no local, em uma das mesas da biblioteca, se encontrava um pacote de presente com mais uma carta. Ao abrir, o homem pode se deparar com um par de sapatos sociais, feitos com a própria magia da fada. Pode perguntar para a @cindcrelic, os melhores que a magia podem proporcionar! Na carta, continha a seguinte frase:
"Você derrubou minhas barreiras como pinos de boliche."
A segunda frase faz referência ao Strike Seven, lugar do primeiro encontro entre os dois. Lá, mais uma caixa de presente o aguardava, dessa vez contendo um terno feito pela própria fada e mais uma carta:
"Me equilibrando nos patins e com suas mãos como meu porto seguro, mas com o coração completamente caído por você."
Essa posta levava Vaugh para o Roll Up!, o lugar em que o namoro dos dois começou de fato, onde estava uma caixa contendo mais um presente pela fada, um relógio, e a próxima pista:
"Presa nesse ciclo, como uma roda gigante que sempre volta para o início. E o meu início é você. Somos nós."
A referência levava ao Fun Zone, o encontro entre os dois que os levou a primeira noite calorosa entre o casal, depois de se divertirem entre os brinquedos do parque e bebendo. Por falar em bebida, lá havia uma garrafa de vinho esperando pelo homem, com a última carta:
"Com você para agora e para sempre."
A curta frase se tratava da resposta de Clio para o pedido de casamento dos dois, que se Vaugh lembrasse bem, o levaria até o local em que ele aconteceu: a praia de Storybrooke. Lá, em meio à um jantar de velas, estava Clio, ansiosa e esperando o outro chegar. Você irá até ela, Vaugh?
“Are those chocolate-covered strawberries?” + romero girls
cordelia demorou alguns poucos segundos para largar os olhos da televisão de seu quarto e pausar o filme. estava assistindo a continuação do mais novo romance da netlfix, p.s. eu ainda amo você, e aproveitando cada momento daquele drama e clichê que sempre enchiam seu coração de uma sensação gostosa no peito. ah! cordelia ama assistir romances. particularmente, sente uma conexão com a protagonista, lara jean, porque ambas amam a ideia do amor e de se entregar loucamente a alguma paixão, mas têm medo das consequências. por isso, consegue se alienar completamente com um bom filme de romance ou um livro de romance romântico (seu último havia sido little women, por culpa da nova adaptação do cinema) e esquecer da vida real — algo que nanda, sua irmã e melhor amiga, não pareciam gostar por perder a completa atenção da gêmea.
franziu o cenho rapidamente, tentando entender sobre o que ela falava, mas ao ver onde a irmã olhava, lembrou-se. uh-oh, sabia que maria fernanda odiaria aquilo. não era segredo para ninguém — ela não fez questão de esconder — que matteo não havia caído em suas graças. quando a vida amorosa de cordelia entrava em jogo, ninguém parecia ser o suficiente. passou um minuto tentando encontrar uma desculpa para dar, mas seu cérebro funcionava porcamente quando estava sob pressão. droga. quando a outra romero insistira, impacientemente, ela apenas deu de ombros, fazendo parecer como se não fosse nada demais ; mas era. “ — it’s a gift. matteo gave it to me earlier, when you left with cesare.” mordeu o lábio inferior, verificando uma mensagem inexistente no celular para não encarar os olhos críticos de nanda. “ — come on, it’s not a big deal! it’s not like we’re banging or about to get married. he’s just… a friend. he’s nothing more than a good friend. don’t worry, we’re not dating, nanda.” assegurou-lhe, embora não tivesse certeza de suas palavras. a gêmea pareceu satisfeita com suas palavras, ou ao menos desistira de uma discussão acerca do garoto, causando um suspiro aliviado em lia. “ — if you want some, you cant eat some with one condition. you have to watch this movie with me and then we share these chocolates in bed. please, nanda, i promise the movie is good!” fez seus melhores olhinhos pidões. sorriu largo ao ouvir um grunhido seguido de “fine, i’ll do it”. era o suficiente. “ — also, he sent you something, it’s on the fridge. a brazilian dessert, according to him. açaí, i suppose. he told me you’d love this.” comentou como quem não quer nada, dando mais espaço na enorme cama king size para que fernanda deitasse ao seu lado.
Jeon Jungkook
Autora: Agness Saints
Gênero: Comédia, Romance
Sinopse: Parecia piada, quatro anos de um relacionamento frustrante havia chegado ao fim, mas Haneul ainda te atrapalhava a vida. Se ele não tivesse arranjado um namoro relâmpago, você não precisaria demonstrar que está bem também, que não ficou para trás. Você não precisaria, principalmente, contratar aquele maldito acompanhante de aluguel.
Moreno. 1,80 de altura. Porte atlético. Bonito. Inteligente.
Educado. Agradável. Sabe estabelecer uma conversa.
Sem compromisso emocional, apenas financeiro.
Valor sob consulta.
Interessados: [51] 5782-4158
Esquece o “parecia”, a vida é mesmo uma piada pronta.
Contagem de palavras: 11.576
Avisos: +16. A história faz parte da série puerlistae au.
Parte: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16
Playlist. | Playlist 2. | Playlist 3.
— Dumb, dumb, dumb, dumb, dumb, dumb.
Salto na cama de maneira súbita, meu corpo tencionando pelo susto e meus olhos varrendo o dormitório por puro instinto. Tento achar sentido nos meus pensamentos e atos; levo dez segundos para me encontrar. Outros cinco para entender que o que toca estridente é meu celular. A luz do sol entra pelas frestas da cortina sem cerimônia alguma e — numa conclusão esquisita e extremamente grogue — percebo que me deitei ao contrário na cama noite passada.
Tento esticar minhas pernas, mas desisto ao sentir meus músculos das coxas doerem pelo movimento mínimo. Meus olhos ainda pesados de sono lutam para se manterem abertos e, com minha lucidez frágil e torta, cogito ignorar quem quer que esteja me ligando. Arrancada de um sonho esquisito envolvendo borboletas, eu ainda me sinto perdida no momento. Meu corpo voltando a se acomodar entre as cobertas de forma genuína, o farfalhar do lençol soando calmo no meio de todo o caos que Red Velvet traz ao ambiente. Sentindo meu rosto se encostar ao colchão outra vez, meu coração se desacelera aos poucos e todo meu ritmo começa involuntariamente a seguir meu plano recém-criado.
Talvez não seja tão importante assim, não é?
O celular para de tocar e eu fecho os olhos com facilidade, quase os ouvindo me agradecer pela bondade. Sinto meu travesseiro em meus pés e a parede gelada acalentar minha bochecha quando mudo de posição. Meu corpo se acalmando do sobressalto recente lentamente, como uma cantiga de ninar.
É um momento de paz.
Mas que se encerra tão rápido quanto começou.
—Dumb, dumb, dumb, dumb, dumb, dumb.
Meu celular volta a tocar irritante e, outra vez, meu corpo reage ao susto. Quando me sento de supetão no colchão, eu estou atordoada e frouxa. Ainda. O quarto girando lentamente ao meu redor. Num segundo de sentido turvo, questiono-me se essa tontura toda é o efeito prolongado da bebida ou se já é o início da ressaca. Em uma busca conturbada feita somente com os olhos, encontro o aparelho repousando sobre a cama arrumada de Sorn, percebendo só agora que estou completamente sozinha por aqui.
Aos tropeços, alcanço o celular que ainda toca. Minhas pernas doendo pelo esforço e meus ombros ganhando um peso a mais quando encontro o nome na tela. Não é como se eu pensasse que poderia ser outra pessoa, mas encontrar o nome de minha mãe ali e ter certeza faz com que eu bote em duvida todas as escolhas que eu já tomei na vida. Inclusive nascer. Sento-me no chão mesmo, as costas apoiadas à cama de Sorn e minhas pernas esticadas pelo carpete do quarto. Vagando por um instante na ideia de que eu poderia simplesmente ter silenciado o aparelho pelo restante do ano.
— Hmm, bom dia.
— Bom dia? — A voz estridente de minha mãe me faz dar outro pulo. — Já passou da uma da tarde!
Quero rosnar, mas me limito em ronronar em resposta. Minha cabeça doendo nas têmporas e um arrependimento crescendo no peito. Eu não deveria ter bebido tanto assim ontem. E, de fato, ter atendido a ligação também.
— Quero saber quando vem para casa. — Parece agitada e um tanto irritada também. Talvez seja comigo. Os sons secundários de sua ligação me fazem pensar que ela procura por algo nas gavetas da sala. É um abre e fecha maldito. — Hoje ou amanhã?
Sinto meu estômago reagir em ânsia. A pergunta parece complexa demais para o ninho de informações que rondam meu cérebro. E sinto que nem as palavras mais básicas conseguiriam fazer sentido de maneira rápida. Respiro fundo, fechando os olhos com a intenção de descansar uns segundos. Mas os abrindo logo em seguida quando percebo a tontura tomando conta de mim. De repente, todo o plano de voltar a dormir depois disso vai por água abaixo.
— Ainda não sei. — Falo, aérea. — Acho que semana que vem.
Um fechar de gaveta explode do outro lado da ligação, é raivoso e irritante.
— Semana que vem? Como? Não podemos chegar em Busan separados, precisamos chegar juntos!
Busan.
Fim de semana.
Encontro de famílias.
Puta que pariu.
E é então que todas as minhas decisões da noite anterior me atingem como um cometa. A lembrança súbita do encontro de famílias faz meu estômago rodar dentro de mim de novo. Dessa vez de uma forma mais agitada e violenta. Completamente emocional. E quero vomitar. Quero e preciso. Sinto meu maxilar travar, um choque perto das têmporas e um amargor na ponta da língua. Penso mesmo em correr até o banheiro, mas meu corpo não comanda. Minhas pernas continuam a doer e minha tontura agora funciona como uma espécie de karma imbecil. Tudo ainda gira, tudo ainda é amargor no paladar. E aos poucos vou sentindo meu corpo derreter sobre o chão, se esparramando como ramas de batata.
Eu sei que peguei o caminho certo ontem à noite, como sei também que toda a responsabilidade que botei na minha eu do futuro, na minha eu de agora, é pesada e intricada. É uma dualidade de sentimentos que faz com que eu me sinta assombrada. Talvez eu me sinta tentada a encontrar outra opção, talvez eu me sinta tentada a desejar que eu tivesse tomado coragem de decidir isso mais cedo, me dando assim tempo o suficiente para buscar alternativas. Mas não me sinto tentada a voltar no tempo e pedir esse favor a Jungkook. Porque não me arrependo; não me arrependo da decisão de deixá-lo fora disso.
Respiro fundo, sentindo minhas costas se apertarem contra o chão.
Entretanto, por mais que eu esteja certa do que decidi, eu ainda preciso lidar com as consequências. Eu ainda preciso lidar com tudo isso aqui. E essa é, de longe, a pior parte. A que me chateia e me faz tontear.
A eu que precisa lidar com isso não é mais a do futuro, é a do presente.
— Já falou com Jungkook? — Minha mãe parece adivinhar; vindo cheia de malícia e pedras na mão. E não respondo. — _____, já é quinta-feira! Nós vamos de qualquer forma, então você trate de-
— Ele tá ocupado com o curso de verão, — falo me sentindo subitamente pesada, interrompendo-a. — Não consegui falar com ele ainda. Mas vou conversar. Vou conversar hoje, ok?
Por um curto momento — tão curto quanto o tempo em que se leva para um raio começar e terminar no céu —, eu me vejo em duvida. Uma duvida intensa e genuína. Eu me boto em cima do muro.
Eu conto a verdade ou eu permaneço nessa teia de mentiras?
A angústia me alcançando a garganta com maestria e me fazendo recuar abruptamente. Não existe a menor possibilidade de uma verdade sair pela minha boca. Não agora. E talvez não nos próximos dez anos.
— Como não conseguiu falar com ele ainda? — Solta raivosa, logo repetindo: — Hoje já é quinta-feira!
— Eu sei, eu sei... — Fecho os olhos com força, sentindo minha cabeça latejar de dor. — Vou conversar hoje.
Há um silêncio. Um silêncio absoluto.
— Vou ligar mais tarde de novo. — Avisa. E sinto pelo seu tom de voz que é uma ameaça. Pura e simples. — Mas quero que você venha pra cá amanhã antes do almoço.
Sinto um amargor na língua outra vez, meu maxilar travando e eu me sentindo zonza de novo. Não sei o que fazer agora. Física e psicologicamente. Eu me sinto em um universo paralelo esquisito e sem cabimento. E isso me deixa um tanto frustrada também. Eu já me senti assim tantas vezes nessa situação de merda... Eu deveria estar acostumada, não deveria? Mas as coisas parecem diferentes. Iguais, mas diferentes. O problema é o mesmo, sempre é, mas eu me sinto agora no meio do fogo cruzado. Em uma rua bifurcada, na beira do precipício sendo perseguida por lobos. Pulo ou fico? Eu sinto que agora as coisas se tornaram mais extremas e urgentes, enquanto eu sou só uma mistura imbecil de indecisão e covardia.
As gavetas do outro lado da linha voltam a serem exploradas, nesse meio tempo, ouço o barulho da porta se abrindo desse lado aqui. De canto dos olhos, vejo Sorn me olhar curiosa quando entra no dormitório. Torno-me, então, subitamente consciente dos meus cabelos desgrenhados, maquiagem borrada, roupa da noite anterior e meu corpo cobrindo metade do tapete entre as camas. Penso em sair do lugar outra vez, mas nem sequer me forço a fazer isso.
Solto um suspiro rendido.
— Tudo bem. — A frase saindo solta no ar, desconexa. — Preciso ir agora.
— Hm. — Chia em resposta. — Trate de falar com ele.
No instante seguinte, a ligação se encerra. E sinto-me ainda mais vazia. A certeza de que esse tormento só acabará quando eu contar a verdade me toma de novo e em cheio. Mas a ideia é tão utópica... Não consigo ver um futuro em que eu consiga ganhar coragem e contar. Não parece existir a possibilidade de isso acontecer. É algo tão irreal que parece um sonho ou um devaneio fantasioso. Eu queria que fosse possível, queria que as coisas pudessem ser diferentes dentro de mim. Menos insegurança, mais coragem. Mas quanto mais eu insisto em pensar nessa pedra gigantesca em cima dos meus ombros, mais certeza eu tenho de que nem em outra vida eu conseguiria cumprir a tarefa de confessar.
— Tá tudo bem?
Minha visão do teto é bloqueada por Sorn. Seus pés moldurando minha cabeça no chão e suas pernas parecendo mais longas que o normal vendo desse ângulo. Seu cabelo curto cai sobre a testa vincada em confusão e ela tem uma aura quase celestial com o sol batendo ao corpo.
Penso sobre a pergunta. As palavras ainda parecem desconexas por conta da tontura e da possível ressaca. Ou ainda é o efeito da bebida?
Eu realmente não sei.
— Acho que sim. — Minha voz é rouca. — Por quê?
Ela abre um sorriso como se soubesse de algo.
— Você chegou ontem derrubando metade do quarto, — começa e meu rosto se enruga em uma careta constrangida. — Grunhiu todas as respostas das perguntas que eu te fiz e agora tá jogada no chão.
Olho para ela com mais atenção, me sentindo de repente assustada. Percebo que poderia lhe contar todas as coisas, das menores até as grandes, até agora. Me pergunto se essa seria a hora certa. Como me pergunto também se existe momento para isso. Contar para ela parece fácil demais, as palavras rolando pela minha língua e sendo soltas no ar. É fácil e prático, é objetivo. Sorn já sabe sobre boa parte do que me aconteceu, não é? Seria complementar, aumentar um pouquinho a história.
Mas não consigo. De novo.
Eu ligo esse momento ao fato anterior, a ideia de contar toda a verdade aos meus pais, e me sinto empacar. É um tormento sem fim, um vendaval que me joga de um lado para o outro. E isso me pega em cheio, porque Sorn é minha melhor amiga e queria ter coragem para me abrir com ela.
— To com dor no corpo. — Falo qualquer coisa quando ela me ajuda a levantar.
— Tem remédio no banheiro, — aponta para trás. — Quer que eu pegue?
Nego de súbito, passando por ela e indo até lá. Meu corpo se arrastando até o pequeno espaço gelado enquanto ouço o barulho das cortinas sendo abertas. O reflexo no espelho do banheiro mostrando um dormitório claro e pacato assim que paro em frente à porta.
Não sei o que viria depois, não sei o que aconteceria se eu contasse sobre o contrato ou sobre um possível término de namoro com Jungkook aos meus pais. Mas sei que as coisas mudariam, não entre eu e eles, mas em mim. Mudariam aqui dentro. E eu queria poder um dia fazer isso, me libertar de verdade.
Antes que eu possa abrir o armário do banheiro e me embaralhar em cremes, remédios e fios-dentais, meu celular apita indicando novas mensagens. Cambaleio no lugar e caio sentada sobre a privada, Sorn derrubando algo no chão e reclamando ao fundo. Quando meus olhos param sobre meu celular em meio as minhas mãos então, meu coração se acelera em resposta imediata.
Caramba, é como se ele soubesse...
[13:37] jungkook: ei
[13:37] jungkook: já almoçou?
Pisco algumas vezes enquanto olho para a tela, sentindo-me nervosa. De repente, ridiculamente nervosa. A noite passada foi regada de sentimentos pesados e decisões tomadas sem planejamento prévio, um completo desastre emocional, não existe a menor possibilidade de negar essa lembrança. Mas ainda existiu nós dois. Por mais que tenha me rendido angustia e aflição, ainda existiu eu e Jungkook.
E ele continua sendo a única coisa boa de toda essa baderna.
[13:38] eu: é quase duas
[13:38] jungkook: e?
[13:38] eu: ainda não
[13:38] eu: e você?
[13:38] jungkook: também não
Não consigo não me sentir surpresa por vê-lo ali, não só por vir mais cedo do que pensava que viria, mas por vir justamente agora. É como se ele soubesse sobre a ligação de minha mãe, como se ele soubesse que preciso me lembrar de que a decisão que tomei ontem foi a melhor que fiz.
Meus pés se enroscam no tapete sem que eu perceba e suspiro arrastado em seguida. A sensação de um calor subindo pelo meu peito e esticando minhas bochechas em um sorriso me alcança, me sinto uma verdadeira adolescente. Olho para Sorn de relance num impulso sóbrio, mas ela nem sequer parece prestar atenção no que faço.
[13:39] jungkook: tá afim de comer?
[13:39] eu: agora?
[13:39] jungkook: daqui uns 40 min
[13:39] eu: onde?
[13:40] jungkook: naquele lugar que a gente comeu aquela vez
[13:40] eu: pode ser
[13:39] jungkook: vou pagar um almoço digno pra gente
[13:40] eu: hahaha
[13:40] eu: digno?
[13:40] jungkook: lámen
Olho para a tela em silêncio, ainda sorrindo. E isso é um caos completo, sei disso. Porque entendo que minha situação não é a mais confortável do mundo; que ela, na verdade, é a pior em que já estive, mas não consigo me sentir medíocre como antes. Pelo menos, não agora. Pego-me, na realidade, genuinamente aliviada por ter tomado o caminho que tomei. Sinto que esse foi meu único e grande acerto. Porque mesmo que a situação não seja perfeita, mesmo que para meus pais eu e Jungkook já somos de fato um casal, a minha decisão de deixá-lo de fora disso nos deu a oportunidade de sermos só nós dois. Aos poucos, no nosso tempo. Porque não quero que as coisas sejam forçadas entre nós, eu quero algo de verdade, sem interrupções ou opiniões alheias.
Eu quero eu e Jungkook, sós.
Não há muito o quê pensar agora. Quer dizer, não é como se eu conseguisse pensar em algo bem elaborado e complexo. Também não consigo me prender em detalhes minuciosos. Quiçá em detalhes num geral. Sei que o dia está ensolarado com uma brisa mínima que nos refresca, como sei também que estou usando um vestido. Mas não consigo lembrar se vi alguém pelo caminho até aqui, não consigo me lembrar se o sino tocou ou não quando entrei nessa loja de conveniência; como acabei escolhendo essa roupa, muito menos. Só me lembro do agora, dos meus dedos entrelaçados sobre a mesa e eu me sentir tão ansiosa a ponto de acreditar que posso cair dura no chão a qualquer instante.
Sobre o som dos meus pés batendo contra o ferro do banco, meu coração dança no peito. É a primeira vez que estou vendo Jungkook de maneira sincera e aberta. É a primeira vez que não estou escondendo algo. É a primeira vez que estou livre para me concentrar em nós dois, sem medo e um pedido impertinente para atrapalhar as sensações de um sentimento novo e inusitado.
E isso me deixa a beira de um ataque de nervos.
Tento pensar sobre a inscrição que fiz mais cedo para Psicologia da Justiça Criminal. Como também tento me focar no fato de ter me inscrito não só porque o curso de verão estava na minha lista de coisas a se fazer antes de sair da faculdade, mas porque isso me daria a última semana de férias livre dos meus pais; livre de ter de encarar meu antigo quarto, olhando pras pelúcias que Haneul me deu e tendo que responder perguntas sobre meu estado civil.
Mas não consigo pensar nisso de maneira mais intensa, nem sequer por muito tempo. Porque enquanto meus olhos rodeiam a vitrine da loja de conveniência em nervosismo, eu o vejo. Os cabelos escuros caídos sobre a testa, brincos mais espessos e maiores nas orelhas e um sorriso contido quando me nota.
Jungkook parece refrescante e suave quando passa pela porta. O sino de fato toca, mas eu não consigo nem mais me lembrar do som feito. Seu perfume tropical já me alcançando o nariz, dançando livre e fresco. É como se o aroma fosse feito exclusivamente para o dia de hoje, para agora. E realmente não consigo pensar em nada além dele e de todos os seus detalhes...
Vejo seu corpo deslizar entre prateleiras até me alcançar e, num movimento desengonçado e súbito, meu corpo resvala pelo banco de forma vergonhosa.
— Pensava que não tinha aula.
Falo sem pensar, endireitando-me no lugar e apontando para a mochila caída em um de seus ombros.
— E não tive, fui revisar um projeto.
Abro a boca para perguntar mais detalhes por puro impulso, mas a fecho logo em seguida. Porque estou nervosa e não é como se eu conseguisse disfarçar. O que vem agora exatamente? Nós somos péssimos em lidar com isso quando sóbrios e pioramos quando estamos à luz do dia. O cumprimento da noite passada me vem à cabeça, então. Dois beijos desengonçados no rosto. Deveria ser igual agora? Mesmo depois de falarmos tudo o que falamos?
Dentro de mim acontece um rebuliço esquisito e minha cabeça é uma imensidão de nada e tudo. Resgato a ideia de perguntá-lo sobre o projeto, mas é tão supérflua que mais parece uma fumaça desaparecendo com o vento. Jungkook dá um passo à frente e eu o respondo com outro num impulso, sentindo-me elétrica de repente. Nós nos olhamos por um tempo, esquisitos. De maneira desconexa me questiono se ele consegue ver o chupão que deixou no meu pescoço ontem à noite. Sem pensar, recuo alguns centímetros no mesmo momento em que ele se inclina para mim. Tento consertar depressa, meu coração batendo nos ouvidos e me deixando surda por uns instantes; inclinando-me em sua direção também. Péssimo. Ele já se endireitou de novo.
Argh. Isso é horrível.
— Vamos comer!
Sua voz vem alta, exasperada, e não demoro nem meio segundo para concordar. Vejo-o largar suas coisas embaixo da mesa antes de pararmos em frente à prateleira de lámens. E enquanto focalizo em uma embalagem aleatória, sem prestar atenção de fato, concluo que somos uma bagunça completa. Uma confusão só, um vai e vem sem cabimento. Somos como dois tolos em meio a espertos. Somos fora de órbita num ambiente terrestre demais. De novo.
— Viu que o sistema da universidade tá fora do ar?
Fala de maneira aleatória, fazendo com que eu me vire para ele de prontidão.
— Não vi...
Ele pega um dos lámens de queijo.
— Eles deixaram um aviso no edital, — explica, analisando os ingredientes na parte detrás da embalagem. — As notas, assim como os trabalhos finais pra entregar e pegar, ficaram todos pra semana que vem.
— Então nada vai sair essa semana?
Jungkook nega, me olhando outra vez. Bem, talvez eu possa usar isso como desculpa para não ir para casa esse fim de semana, mesmo que eu possa conferir minhas notas online...
— Até o resultado do curso de verão não conseguiram soltar, o trabalho que eu ia entregar hoje também não deu certo.
Voltamos a ficar em silêncio.
— Não vai para a casa esse fim de semana então? — Pergunto depois de um tempo, escolhendo um sabor sem pensar demais. — Sabe, por conta do trabalho...
— Eu vou, — responde, enquanto o sigo até a máquina de água quente. — Mas vou voltar na segunda. Já ia fazer isso antes pra resolver as coisas do dormitório, então meus planos não mudaram muito.
Balanço a cabeça em afirmativa.
Depois de despejarmos água nos copos plásticos, voltamos para nossa mesa ao fundo. Sentados um de frente pro outro, nossos joelhos se encostando volta e meia pelo pouco espaço e nossas mãos lado a lado. A primeira vez que viemos aqui Jungkook decidia que trinta e cinco encontros era um número bom para cobrir o valor do seu novo notebook; e a lembrança me faz querer rir em nervosismo, porque o antes e depois é discrepância pura.
— Já conversou com a sua mãe?
Olho-o por alguns instantes, perdida na pergunta inusitada solta no meio dos meus devaneios. Sou pega desprevenida e o riso que antes eu pensava em dar morre na garganta. Meu corpo sucumbe no assento e me sinto esquisita. Eu tinha esquecido sobre isso. Apesar de ser uma preocupação séria e urgente, ela parecia simplesmente não existir por agora.
— Ela ligou mais cedo... — Falo, vendo-o misturar os temperos ao seu macarrão. — Falei que não tinha conversado com você ainda, ela falou que vai me ligar mais tarde.
Jungkook me olha por um tempo e logo assente, parecendo entender algo que não foi verbalizado.
— Um dos meus projetos desse semestre recebeu destaque na turma e vai servir como modelo na disciplina. — Solta de repente, seus olhos fixos na mistura que faço em meu lámen agora. — Precisava fazer umas correções que o professor pediu, fui hoje de manhã fazer.
A mudança brusca de assunto me faz pensar. Talvez ele ache que eu não queira falar sobre meu mais novo e velho problema. E não sei como me sentir sobre. Porque sei que o problema existe, mesmo sendo ignorado por ser angústia e confusão, sei que ele ocupa uma boa parte da minha vida.
Fico o olhando por mais tempo, dialogando nos pensamentos sobre o que falar agora exatamente. Parabenizá-lo ou não. Mudar de assunto ou resgatar. Uma luta de palavras e sentimentos controversos.
— Jungkook, — começo de forma abrupta, fazendo-o me olhar de imediato. — Eu acho que eu vou ter que matar alguém da sua família.
Sua expressão é nada, nossos olhos cravados um no outro.
— Ok... Isso é novo. — Sua voz vem confusa. — E um tanto extremo e macabro também.
Ergo os braços em desespero quando percebo a colocação da frase, tentando arrumar o que falei logo em seguida:
— Não literalmente!
— Que bom que especificou...
Solto um suspiro longo, percebendo que não tem como fugir por muito tempo desse assunto. Quer dizer, isso também o envolve, não é? Uma frase solta, um pedido inconsequente e ele estaria afundado até os ouvidos. Não é também como se eu conseguisse não contar, acontece algo que me espreme até que eu conte tudo para ele. Remexo-me no lugar, procurando uma posição mais confortável; pensando agora que a ideia que tive enquanto esperava as aspirinas fazerem efeito talvez não tenha sido a mais genial do mundo.
— Eu preciso de algo trágico pra impedir essa maluquice dos meus pais, entende? — Explico, amuada. — Só consegui pensar nisso. Pensei em você quebrar uma perna, mas não saberia como explicar caso eles vissem você caminhando normal um dia.
Jungkook inclina sua cabeça para o lado e sei que ele quer rir, porque vejo sua boca se espremer enquanto me olha.
— Eu posso me curar tipo o Jacob de Crepúsculo.
— Infelizmente minha mãe não acreditaria nisso. — Apoio meu rosto entre as mãos. Essa situação é ridícula. — E talvez ela ainda veria uma saída, sei lá, um jantar no hospital...
— Pode rolar um jantar no cemitério ainda.
E ele finalmente ri, uma risada alta e bem dada. Mas não consigo o acompanhar, não consigo me permitir rir disso.
— Isso é horrível!
— Não me olha assim, — ele estala a língua, sua risada diminuindo aos poucos. — Foi você que veio com esse papo de querer matar alguém da minha família.
Encolho-me entre os ombros, vendo-o colocar uma quantia significativa de macarrão na boca finalmente. Faço o mesmo então, tentando pensar em algo mais elaborado do que a típica desculpa para trabalhos não feitos no ensino fundamental. Uma típica desculpa horrorosa e de mal gosto, por sinal. Reconheço isso.
— Não pode ser uma alternativa feliz? — Tenta depois de um tempo. — Sei lá... O nascimento de um bebê?
— Não, — balanço a cabeça, o respondendo enquanto assopro outro amontoado de massa. — Minha mãe só se retrai com tragédia.
Ele assente, a boca já vermelha pela pimenta.
— Você não precisa necessariamente matar alguém que existe, sabe? — Sugere, apoiando os cotovelos na mesa, concentrado no assunto. — Você pode inventar alguém. Eu me sentiria melhor, inclusive.
— Inventar um parente seu?
Pergunto, cogitando a possibilidade. Eu também me sentiria melhor.
— É, tipo um tio em Ilsan. Não tenho tio nenhum em Ilsan, é menos agourento.
— Tio em Ilsan... Tá bem...
Jungkook me vê comer por mais um tempo, parecendo pensar em algo a mais. E de fato pensa, já que em seguida sua voz vem como um estouro:
— Meu tio Hyunsik!
— Tipo o ator?
Há um silêncio. Nós dois nos olhando por um momento até que ele volta a falar:
— Vou precisar mudar o nome, to me sentindo mal por ele agora.
— Não conheço nenhum Hyunsuk.
Ele olha por um tempo para as prateleiras ao nosso lado, os olhos indo e vindo pelos produtos, parecendo tentar se lembrar de algo, buscar na memória alguma informação importante.
— Eu também não. — Fala finalmente. — Hyunsuk é perfeito.
Seu sorriso grande faz seus olhos encolherem e seu nariz enrugar, como também me faz amolecer sobre o banco nada confortável. Ver Jungkook desse jeito quase faz eu me esquecer do que realmente me atormenta. Quase. Quase me faz esquecer que o problema foi resolvido só por agora. Quase, quase, quase. Porque no instante seguinte tenho a certeza de que meus pais não vão esquecer ou sequer desistir desse encontro entre famílias, que toda essa situação só foi adiada e que ela só tende a agravar. Quanto mais as coisas se desenrolam, quanto mais elas acontecem, pior fica. Em algum momento, eu não vou mais poder usar mentiras como desculpas. E isso é o que mais me preocupa.
— Vai ligar quando pra ela?
Jungkook vem depois de um tempo, enquanto abocanho um punhado de macarrão.
— Não vou, — falo terminando de engolir. Sentindo-me triste pelos pensamentos recentes. — Vou esperar ela me ligar.
— Você não pode esperar ela ligar, tem que ser o contrário. — Rebate cheio de obviedade. — Assim parece que você tá esperando pra mentir.
— Bom... — Ergo as sobrancelhas em um deboche miserável. — Eu to, então...
— Não. — Insiste, colocando os jeotgarak na mesa para dar ênfase ao que fala. — Liga agora ou manda uma mensagem de texto.
— Não vou falar sobre alguém que morreu por mensagem de texto com a minha mãe.
Mas não o olho por muito tempo, porque sei que ele está certo e não quero admitir isso. Nem sequer olhar pro seu rosto bonito e ter que admitir isso.
— Mensagem de texto foi criada pra isso.
— Mas ela é quase tão ruim quanto você com mensagens de texto.
Não pensei quando falei. Obviamente. E o silêncio súbito entre nós me faz ter certeza que seus olhos me medem com mais intensidade do que antes, porque os sinto queimando por onde passam. E não consigo não me questionar se isso inclui também o chupão que ele deixou em meu pescoço noite passada.
— Isso foi tipo uma indireta pra mim?
Dou de ombros, não sabendo ao certo o porquê quero rir.
( ) Desespero;
( ) Graça;
( ) Os dois juntos.
— É bom você não basear nosso relacionamento num chat do Kakao.
Meu riso morre de novo ao ouvi-lo e dessa vez não consigo não o olhar, porque veio sem malícia ou segunda intenção, veio natural demais para que eu conseguisse ignorar. Nossos olhos se fincam um no outro por um longo tempo, estamos chocados e sem graça pelo assunto ter chegado aonde chegou, porque nunca citamos a palavra relacionamento antes. Nunca. A vergonha é palpável no ar e nas bochechas de Jungkook ganhando uma nova coloração, o tom rosado as atingindo no topo. Somos mesmo uma confusão de tudo e nada, não é?
Abro a boca algumas vezes, mas desisto todas elas. E Jungkook faz o mesmo.
Vamos e voltamos. Voltamos, paramos e ficamos.
E somos esse impasse por não sei quanto tempo exatamente, voltando a comer de forma mais concentrada e silenciosa do que antes. Engato um pensamento sobre a possibilidade das coisas se tornarem sérias, oficiais. Engato e logo desengato, porque antes mesmo que as coisas vinguem em meu cérebro, meu celular explode em Red Velvet pela segunda vez no dia.
— Finge que tá desesperada!
Jungkook solta, elétrico, assim que nos inclinamos sobre a mesa para lermos o nome no display. Mãe. E quero genuinamente sumir. Vomitar e sumir. Ou sumir e vomitar. Tanto faz.
— Mas eu to desesperada!
Pego o aparelho em minhas mãos, a forma como ele vibra parece muito mais intensa do que costuma ser. E sei que preciso atendê-lo. Todo o clima de antes é arruinado, cortando pela metade, jogado ao fogo; todas as minhas inseguranças me atingindo como um trem desgovernado. E, num ato de coragem súbito, eu atendo a ligação sobre os olhos arregalados e urgentes de Jungkook. Não preciso fingir uma voz esganiçada ou um choro entalado na garganta, porque eu já estou assim.
— Mãe, aconteceu uma coisa horrível!
Remexo-me na cadeira, o tecido do meu vestido dançando com o movimento enquanto me espreguiço de forma lenta e displicente. As cortinas estão inteiramente abertas e dão uma visão ampla das árvores ao fundo do prédio dos dormitórios. O vento que passa por entre elas é o suficiente para refrescar o ambiente das altas temperaturas do quase início do verão.
Sorn ainda não voltou da viagem que fez no fim de semana e eu permaneci por aqui. Até porque, de alguma maneira mágica e surreal, as coisas deram certo. Minha mãe pareceu engolir a trágica história sobre o tio Hyunsuk de Ilsan e eu não precisei ir para casa. Não houve perguntas sobre detalhes e nem ligações posteriores; meu desespero parecendo ter sido o suficiente para convencê-la. E, apesar de saber que meu problema está longe de ser aniquilado, eu me senti melhor. Talvez não da maneira como eu queria me sentir realmente, mas, mesmo assim, me senti.
Puxo meu celular para perto do rosto quando o ouço vibrar sobre a escrivaninha. Desde que Jungkook voltou de Busan estamos conversando por mensagens de texto. Assuntos supérfluos e sem fundamento, só com a intenção se conversar. E gosto disso. Gosto de verdade disso.
[15:03] jungkook: to saindo agora pra resolver um negócio
[15:03] jungkook: quer fazer alguma coisa mais tarde?
Tenho a lembrança vívida de nossos dedos mínimos se enlaçando na volta para os dormitórios na quinta. Como tenho também a recordação de seus lábios alcançando o canto dos meus em um beijo de despedida. É novo e inédito. E somos só nós dois da forma como deveria ser.
Eu e Jungkook. De novo. Sós.
E acabo sorrindo.
Penso por um instante sobre algum lugar que poderíamos ir aqui por perto. Uma loja de conveniência nova, a praça atrás dos dormitórios ou as escadarias do campus. Mas antes que eu possa digitar sobre as minhas ideias, uma nova mensagem aparece em meu visor.
E ela, com toda a certeza, não é de Jungkook.
[15:05] número desconhecido: não acredito que vc me bloqueou
Meu coração alcança os ouvidos de forma rápida e intensa. E tudo muda num segundo. Sinto vindo, sinto vindo a angústia, o arrependimento e o amargor na ponta da língua. E não preciso resgatar lembranças ou vasculhar na memória, porque eu simplesmente sei quem é do outro lado da tela.
Ergo-me da cadeira por puro instinto, minhas pernas parecendo pesadas de repente e o quarto mais abafado que o usual.
[15:05] número desconhecido: precisei comprar a porra de um outro chip por sua causa
Respiro fundo, fechando os olhos com força. Haneul é mesmo como uma sanguessuga cretina e incansável. Não é como se haja um momento adequado para que sua presença ressurja na minha vida, mas ele sempre parece escolher o pior.
Abro os olhos quando sinto o aparelho sinalizar mais mensagens.
[15:06] número desconhecido: eu sei que vc tá lendo
[15:06] número desconhecido: e antes que você me bloqueie de novo
[15:06] número desconhecido: eu quero saber que porra é essa aqui
Franzo o cenho quando a próxima mensagem é um link extenso do fórum de um dos grupos universidade. E não entendo. Por um minuto inteiro me vejo completamente perdida. Passo a mão na testa e mudo o peso do meu corpo de uma perna para outra. Talvez eu devesse só bloqueá-lo outra vez e esquecer isso, não é?
Talvez eu devesse simplesmente excluí-lo de novo.
Do celular, da caixa de mensagens, da minha vida.
Mas é então que meu celular apita outra vez. E é como um pesadelo desconexo que acontece mais rápido do que eu consiga entender.
[15:08] número desconhecido: acompanhante de aluguel? sério?
Antes que eu consiga raciocinar de forma clara, meus dedos deslizam sobre a tela, abrindo o link em uma nova janela. E lá está. Não somente a página de um dos fóruns da universidade como soube que era, nem somente meu coração batendo tão forte no peito que espero explodir. Mas também um anúncio de fevereiro. Um anúncio tão conhecido por mim.
Kay di manko ka upload sa tanang picture so kani nalang 😂 Thankyouuuu so much guys sa effort. Iloveyouuuuu 😘💓 no more speech haha 😘 #Surpresaaaaa 😍😁😃🎁🎂🎈🎉🎉🎉
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Depois daquele trágico fim de conversa, eu sai de casa. Não queria olhar pra ele, respirar o mesmo ar que ele e muito menos sentir o cheiro do perfume barato impregnado nele. Eu estava com os nervos à flor da pele, meu carro apitava pois estava andando a alta velocidade sem cinto, mas eu não estava nem ai. Queria correr, queria sentir algo que não fosse raiva, queria…
Parei o carro com tudo, fazendo ele cantar pneu, era um pub muito conhecido em NY. Desci do jeito que estava mesmo – calça jeans e moletom – e já fui pedindo algo forte para o barman. Depois de quase duas horas e muitos copos vazios, me senti vulnerável o bastante pra chorar na frente de qualquer pessoa que estivesse lá. Peguei meu celular e cacei um número em específico. Esperei pacientemente até a pessoa atender no último toque.
…: alô?
Eu: oi, sou eu.
…: oi Tina, eu sei que é você, nunca me esqueceria dessa voz… Está tudo bem?
Eu: não, não está! – chorei.
…: o que está acontecendo?
Eu: eu amo ele, amo o Otávio, mas eu não estou aguentando mais! Ele não é o mesmo cara pelo qual entreguei meu coração, ele mal fala com meus filhos e ainda tem coragem de dizer que são nossos filhos! Eu acho que vou voltar para o Brasil, preciso de um tempo…
…: ei, calma! Vocês já conversaram?
Eu: já, eu dei um ultimato. Se o Otávio que amo não voltar, eu vou embora.
…: tenho certeza que ele vai voltar, minha linda, ele ama você também, todo mundo sabe disso, eu sabia disso desde antes da gente namorar Tina.
Eu: por que nada na minha vida é fácil?
…: se fosse fácil, não teria graça.
Ficou um silêncio na linha, escutava apenas as nossas respirações.
Eu: como você acha que seria se ainda estivéssemos juntos?
…: não sei, mas seriamos felizes, sempre fomos.
Eu: é, sempre fomos…
…: eu tenho que ir agora Tina, vai descansar tá bom? Pode me ligar se precisar, se cuida.
Eu: tchau Rafa, se cuida também.
Guardei o celular de volta, olhei ao meu redor e o pub já estava quase vazio.
Barman: ei linda, vai querer mais alguma coisa?
Eu: não, pode me ver a conta?
(…)
Quando voltei pra casa, vi a luz do quarto da Dona Lourdes acessa, o que me fez pensar que eles já tinham voltado. Entrei com cuidado, já era de madrugada e não queria acordar quem estivesse dormindo. Ainda mais por estar levemente alterada e um pouco estabanada. Subi as escadas, entrei no quarto da Giulia e ela já dormia profundamente, tanto que peidou antes que eu pudesse fechar a porta, fui no quarto do Dom e ele não estava na cama, estranhei, mas pensei que ele estaria com a Désirée, estava enganada, Dê também não estava no quarto dela. Fui até o meu quarto e quando abri a porta, vi Otávio com os gêmeos. Estavam os três dormindo já, sendo Tavinho no meio e os dois um de cada lado abraçados a ele. Meu coração se apertou com a cena, dava pra ver que mesmo dormindo, meus filhos sorriam.
Fui até o banheiro, tirei minha roupa e liguei o chuveiro pra esquentar um pouco antes de entrar. Fiz um coque no cabelo, tirei o resto de maquiagem que tinha e entrei no box. A água quente em contato com meu corpo frio, faziam meus pelos se arrepiarem e uma sensação gostosa atravessar meu corpo. Senti um par de mãos na minha cintura, quando virei pra frente, Otávio estava dentro do box ainda com roupa.
Eu: o que você estava fazendo aqui?
Otávio: recuperando o tempo perdido.
Me puxou pela cintura, terminando com a distância das nossas bocas. O beijo começou devagar e leve, cheio de saudade, mas foi se intensificando conforme fui tirando sua roupa. Suas mãos passeavam pelo meu corpo, enquanto a minha puxava seu cabelo de leve e ele dizia a todo momento o quanto me amava. Já nem lembrava mais o motivo da nossa briga, mas sabia que tudo ia ficar bem. Meu Otávio estava de volta.
Depois de tomar “banho” juntos, coloquei um pijama qualquer e ele também, nossa cama era grande o bastante pra caber todos nós juntos e ainda sobrar espaço. Não era a toa que tinha mandado fazer com medidas certas. Colocamos os gêmeos no meio, deitamos nas pontas e entrelaçamos nossas mãos.
Tudo ia ficar bem.
(…)
Cerca de dois meses havia passado, o aniversário dos gêmeos estava chegando, faria a festa no Brasil já que a família estava toda lá, por isso viajamos duas semanas antes para o Brasil e fomos para o meu antigo apartamento, agora mobiliado com coisas novas e pronto para nos receber. Havia esquecido o quanto amava esse lugarzinho. Tinha reformado ele inteiro, pegando um pedaço da sala e fazendo mais um quarto, já que agora tínhamos duas meninas e um menino, mas mesmo assim, Dom e Dê não quiseram se separar e acabaram ficando em um quarto e Giulia no outro.
Minha mãe ajudou em todos os preparativos da festa, gostava de vê-la assim, tão apegada aos meus filhos, já que nunca foi uma mãe presente, eu sempre fui muito mais apegada ao meu pai por isso. O tema da festa seria dos Vingadores, Désirée estaria de viuva negra e Dominic de homem de ferro. Morro de amores por esses dois.
Seria em um salão grande, dividido em dois pavimentos, o de cima onde tinha as mesas e seria servido o jantar e o debaixo onde tinha a mesa do bolo e o restante do espaço era só de brinquedo para as crianças com os monitores. Eu já estava cansada de tanto andar pelo salão, toda hora tinha alguém querendo falar comigo, ou tirar foto, ou o próprio fotógrafo me chamando pra tirar foto com os gêmeos.
Quando consegui sentar, Otávio veio para o meu lado e ficamos conversando enquanto brincava com minha mão. Era até engraçado ver nós dois agora e pensar que naquele dia era pra ser o nosso fim.
Fotógrafo: ei papais, uma foto!
Olhamos para ele e o flash quase me cegou. A festa foi até as 22h da noite, até quis levar ela até a 00h, mas depois que vi a carinha de cansados dos gêmeos, achei melhor deixar as 22h mesmo. Depois de pegar todas as nossas coisas, fomos para casa e os dois pequenos apagaram no banco de trás assim que entraram no carro. Em casa, eu só troquei a roupa deles e os deixei dormir. Giulia dormiu rápido também. Fui para o nosso quarto, Otávio estava deitado na cama apenas de cueca e me olhava tentando ser sexy. Comecei a rir, porque não era possível segurar mais.
Eu: queria só avisar que você não está sexy.
Otávio: poxa, mas você me ama mesmo assim.
Eu: fazer o que não é mesmo?!
Dei a língua pra ele e me sentei no pé da cama pra tirar os saltos, depois pedi para ele abrir o zíper do vestido que ficava nas costas. Conforme o vestido foi abrindo e descendo, suas mãos acompanharam, delineando minhas curvas e fazendo um arrepio subir. Ele sabia que meu corpo reagia à ele quase no automático e sempre usava isso a seu favor.
Otávio: você ainda está cansada? Ou pode se cansar mais um pouquinho?
Ele perguntou bem baixinho no meu ouvido, com seu corpo colado por trás do meu.
Eu: acho que posso me cansar mais um pouquinho.
Me virei pra ele que riu e eu ataquei seus lábios, enlaçando sua cintura com as minhas pernas, fazendo ele cair sentado na cama e eu no seu colo. Já estávamos só com a roupa íntima, então o contato do corpo já era pele com pele. Rebolei em seu colo, o deixando louco, fazendo até apoiar sua cabeça no meu ombro e arfar de desejo. Nosso beijo era intenso e selvagem, mordia seu lábios inferior com vontade e o puxava para mim, ao mesmo tempo que meu quadril não dava descanso. Sua mão subiu nas minhas costas até o fecho do sutiã, o abrindo e ele capturando meus seios, um com a boca e o outro com a mão, mordiscava e o chupava como se não fizesse aquilo a anos. Nos girou na cama, me deixando por baixo e ele no meio das minhas pernas. Desceu beijando minha barriga, meu umbigo, minhas coxas, até chegar na parte interna. Senti seus dedos passarem por cima do tecido da calcinha já enxergado.
Otávio: tão molhada, tão pronta para mim…
Rasgou minha calcinha, fazendo parecer que era tão fina, foi beijando minha coxa até chegar na virilha e lá sua boca fez movimentos tão maravilhosos que cheguei a ver estrelas. Enquanto sua língua fazia movimentos para cima e para baixo, seu dedo fazia círculos no meu clitoris me fazendo ir ao delírio. Não demorou para meu corpo começar a contrair e chegar ao meu clímax. Sorri quando ele levantou para me beijar e eu senti o meu gosto em sua boca. Nos girei na cama novamente e sussurrei um “agora é minha vez” em seu ouvido. Desci beijando seu peitoral, seu abdômen, cada gominho, suas entradas laterais que eu, particularmente, sou apaixonada, tirei sua cueca com a boca a jogando para o lado e seu membro pulou na minha frente de tão duro que já estava. Ele riu sabendo que adorava ver o efeito que eu tinha sobre ele. Comecei massageando devagar, já fazendo-o gemer baixinho, depois dei um beijo na ponta e passei a chupa-lo com maestria. Digamos que ele sempre me elogie a respeito disso. Otávio até diz que faço tão bem que ele não consegue se segurar e acaba gozando rápido, o que era verdade, quando comecei a me empolgar mais, ele anunciou que ia gozar. Engoli cada gota do seu líquido, deixando seu membro limpo como se nada tivesse acontecido.
Engatinhei sobre seu corpo, ficando teoricamente de quatro, nos beijamos e ele começou a “esfregar” seu membro na minha entrada, me provocando, já que estava louca pra senti-lo dentro de mim logo.
Eu: para de me maltratar, amor… – choraminguei entre os beijos.
Ele sorriu e enfim, o senti entrando em mim. Cada centímetro era um gemido que eu dava. Me senti adolescente novamente quando ele teve que tapar minha boca com beijos para que meus gemidos não acordasse ninguém.