Queria fingir, por um momento, que a dualidade que habita meu coração é menos clara de o que tento transparecer. Queria que o passar das horas me trouxesse de volta momentos e pessoas. Queria um reboot, uma mudança. Mas ainda que fosse tudo diferente eu iria me perder.
A vida é como um ciclo de escolha e pra mim esse ciclo é mais do que cíclico. É meu vício. Minha autopreservação mascara um masoquismo estranho. Crio ilusões e mundos paralelos. Quanto mais me mostro, mais escondo também. Eu tenho criado tanta coisa, que discernir o real é difícil às vezes.
Queria fingir que a indiferença que eu exibo é a real ausência de sentimentos. Que quando proclamo esquecimentos, estes assim o fossem realmente. Queria um mundo menos pesado. Só que ao mesmo tempo que brigo por ausentar-me, invisto no caos.
Minha cabeça percorre o mundo, por onde não chega meu coração. Acho que é ela quem me mete em ilusão. Queria menos maldade, mais leveza. Queria poder olhar mais que 3 segundos pros olhos de outras pessoas. Queria fingir que a minha criança interna é menos feliz do que a adulta que me tornei. Queria assumir, que como qualquer pessoa, tenho fim, final e validade.