Eu fico aqui pensando que pode ser que amanhã, quando você dobrar a esquina, você vai se lembrar de alguma parte doce de uma das nossas conversas e pode até ser que você se faça de forte, superado, mas você vai lembrar de mim e vai sorrir. Acredite, eu não queria que nada terminasse como foi, mas já que aconteceu, agora só nos resta seguir. Não me arrependo de absolutamente nada. Só quis esclarecer o que entre nós nunca teria espaço pra existir. Já somos tão inteiros... A gente sai por aí, procurando pessoas vazias pra preencher sem pensar que o bom da vida, é encontrar alguém que aceite ser transbordado. Talvez conosco fosse exagero demais, uma união. Quem sabe a nossa completude esteja em razões diferentes. Não diferentes como apenas opostos que um dia, podem se atrair. Não! Nós somos além de diferentes, distantes. A gente se distancia entre os quilômetros e as personalidades. Nos misturamos cada qual a sua forma de acreditar que o amor é real, e apesar de nunca opinar sobre o assunto, aprendi do seu lado, que ele possui as mais diversas definições — não que eu já não soubesse disso, mas agora ficou bem claro, que nem todos os contrários se unem para o bem. Nós, por exemplo, nos tornamos tóxicos um pro outro. Eu quis te ver bem o tempo todo, mas tudo o que fazia, na primeira oportunidade era mudar algum detalhe seu, ainda que só na minha imaginação. Acreditei piamente que a gente poderia ter dado certo.. Se quer saber, não duvido que tenhamos dado. A gente foi perdurando até onde podia. Melhor ainda é saber que não foi por obrigação. No fundo, você é exatamente como eu seria caso tivesse chance de mudar minha vida do avesso. Seria você, idêntica, sem tirar nem acrescentar nada. Talvez por isso a gente tenha os nossos conflitos. Conflitos estes que não simplesmente se discordam, mas que denigrem até mesmo a nossa imagem perante um e outro. Jamais quis que fosse desse jeito, mas certos indícios da vida a gente não controla. Me lembrei ainda agorinha que no ano passado, estávamos no mesmo pé de guerra nesta mesma época do ano. Passados alguns meses, decidimos que havia uma chance ali pronta pra desabrochar novamente e foi aí que metemos os pés pelas mãos. A gente não estava pronto para mais este baque. Desta vez foi ainda mais sério. Era como uma infiltração de um dentro da vida do outro de modo que tudo tenha mudado de lugar e se acomodado tanto a mudança, que senti que você jamais tivesse saído daquele mesmo cantinho. Acreditei até que existia alguma explicação sobrenatural pra isso. Eu me via tão escrita em você, apesar de tantas distinções óbvias. Eu me via escrita em você, pela coragem que você tem. Pelo que você se permite viver. E eu aprendi demais e me entreguei tanto a cada lição, que passei a me escrever em você. Te escrevi sim, nas páginas de um livro de nota mental onde cada dia eu ganho um mantra novo. Às vezes repito que nós nos reconhecemos na hora certa e até que demos certo na hora certa. A gente só não pôde ficar juntos, porque ficar é dolorido. Porque ficar nos estimula a mudança do que somos. E jamais seríamos capazes de novo, nos virmos com os mesmos olhos. E eu não quero perder essa visão que tenho de você, nem quero que perca a minha, apesar das suas mágoas, que eu sei que estão aí. Mas também sei: elas também vão passar. Pode ser que nenhuma outra palavra voltemos a dividir ou trocar, mas eu sei que você vai lembrar de mim nas pequenas coisas do dia a dia. E só aí, de pensar nisso, já vou estar me sentindo imensamente grata por cada instante que dividimos.