
祝日 / Permanent Vacation

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@theartofmadeline
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Xuebing Du

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@alemdomais
voltando só pra contar que os últimos tempos tem sido mais a flor da pele. isso talvez explique os meus sumiços do sumiço. nunca estive tão presente. não é também como se o presente simplificasse todas as questões mas.. acho que posso dizer que o presente anestesia um pouco o que ficou de um outro tempo que já não existe mais. tenho pensado muito no que deveria testemunhar de mim mesma, nas coisas que gosto de pausar a vida pra escrever e descrever as sensações e nesse exercício só tenho pensado no quanto se fala e ao mesmo tempo se deixa de dizer. aí tenho focado no quanto nesse novo período, tenho procurado andar na contramão desse paradigma. tenho falado pelos cotovelos e com isso, escrevo menos. às vezes fico preocupada com isso sabe, me faz pensar que se falo, as palavras me escapam e não consigo contê-las dentro de um universo que posso repescar quando precisar lembrar de mim. só que por outro lado existe uma paz absurda em sentir que o que falo agora não se grava mais só no que escrevo ou digito, mas que tenho falado na intenção de marcar alguém que talvez um dia se lembre de alguma coisa que eu deixei ainda que eu mesma não me dê conta disso na hora em que falar. a verdade é que eu gosto muito da ideia de ser uma lembrança também. gosto de pensar que a gente não tá por aqui à toa e que quando a gente pede algo pra vida, ela corresponde do jeito dela pra que gente aprenda a enxergar. li isso esses dias num post de acervo sobre Chico Xavier e isso me consumiu por um dia inteiro. é que eu tenho de fato, vivido isso o tempo todo esse ano. sinto que os encontros não são à toa, as perspectivas são realmente uma virada de página e de chave que eu nunca estou esperando por elas, mas que por algum motivo agora, me sinto pronta pra viver. sinto que de alguma forma todas essas coincidências distantes se aproximam um pouco e cada dia mais com o que tenho me proposto a me tornar e o que tenho conseguido fazer. e no meio de tudo isso, entre o falar, o viver, o se tornar, o conseguir.. acho que o meu sentir tem virado também de ponta cabeça. é uma vida à flor da pele. tudo que me encontra e tromba comigo pela vida tem me feito sentir e deixado marcas que me deixam continuar sentindo. e que bom poder oscilar entre o falar e o escrever. sinto como se estivesse imprimindo palavras na vida e novas sensações no que escrevo.
o que será que divide a linha entre o hoje e o amanhã? será que realmente é só se deixar levar até finalmente se ver lá? às vezes eu fico realmente me tateando na esperança de encontrar alguma pista, quem sabe.. vasculho as coisas ao lado, tenho feito pesquisas de campo tentando desesperadamente ouvir das pessoas se elas também têm conseguido sentir essa dúvida que parece quase visível e muito nítida a qualquer um que busque entender nem que seja um pouco dessa procura interminável que a vida se torna todos os dias.. uma procura que tem cara de muita coisa, mas ao mesmo tempo cara nenhuma. não se têm parâmetro se custa caro ou se de repente é só mesmo uma sensação.. coisa que cabe no bolso de uma blusa qualquer e que talvez já até esteja lá dentro e a gente só não tenha notado ainda. fico pensando se talvez tenha alguma data certa pra gente olhar de novo pro ponto específico, no exato momento que divide o hoje do dia, grande dia das nossas vidas e se nesse dia, alguém vai quem sabe mandar um aviso prévio, pelo menos.. um sinal de fumaça, um alarme.. ultimamente tenho me percebido também um pouco mais autocrítica, como se isso fosse ainda mais possível, mas agora, acho que tenho olhado mais pras questões práticas. pensado mais em me ver realmente desenhando coisas, estruturando coisas que gostaria de levar quem sabe pro futuro. mesmo que essa tenha sido a real intenção no início, reparei que em nada isso tem interferido na minha forma de sentir. e é engraçado sentir assim, vivendo. não que já não tivesse feito antes ou acreditado fazer dessa forma.. mas acho que o tempo traz percepções tão diferentes: tanto de viver como de sentir. acelerada do jeito que sou, às vezes me vejo na intenção de desarmar uma bomba-relógio escondida em algum lugar que ainda não sei e que preciso encontrar o quanto antes. e muitas vezes rio de mim mesma. acho graça no quanto essa guerra contra o tempo realmente nunca acaba, ela só muda de figura pra figuras cada vez mais intensas aparentemente.
Corajosos são os que encerram ciclos sem ter medo da solidão.
Ruan Guimar
Eu tinha dias bons e ruins, não necessariamente nessa ordem. Tinham vezes que todos os dias pareciam ser bons, mas também tinham vezes que os dias ruins pareciam durar eternamente.
tô falando de um dia cheio. talvez não exatamente cheio, mas lotado de nuances e sei lá exatamente pelo quê, mas minha cabeça rodou um pouco. rodou, rodou e olhou pra dentro. uma espécie de combustão de todos os pensamemtos que ficaram flutuantes nos últimos tempos me invadiram. emotiva, acho que não restaram tantas muitas opções a não ser derreter. deixar lavar o que tinha pra ser lavado e constatar que eu já não me encontro mais em mim tem um tempo. essa coisa de mudança nunca foi muito o meu forte, mas eu realmente pedi pra que tudo fosse diferente. com o meu pedido, tudo foi tomando o seu novo devido lugar — um lugar que muitas vezes eu desconhecia ou só não pensava muito sobre. mas abri um portal aparentemente mágico das transformações relâmpago: e descobri que cada milésimo de segundo conta quando o que gente mais quer é contar uma outra história. mas tem que querer com gosto, com sabor de exagero. me fez lembrar que Clarice Lispector dizia que se errasse, que fosse por muito, por amar demais, por se entregar demais, por ter tentado ser feliz demais.. e eu quando lia essas coisas achava linda essa vontade latente e permanente de SER com vontade o que a gente SENTE que ainda pode ser — sendo pelo que é certo, errado, inocente ou culpado, frágil ou perigoso. ser para todos os efeitos e de todas as formas mas ser. e encarar os muitos riscos em torno disso: em ser mal vista, mal encarada, mal educada, mal interpretada.. afinal, não se pode ter tudo. mas ser tudo que der pra ser, isso pode.
mas perceber esse universo novo, esse querer e essa certeza de poder ser tanto, tem me feito ficar emotiva com o quanto essa mesma vida já deixou de ser ela há segundos atrás. o quanto lidar com tudo que não era eu, dentro do meu eu é um desafio que me coloca à prova todos os dias. e quebrar, o tempo inteiro, o vício de voltar a ser o que já não consigo mais.