Vertumno e Pomona
(e Ifis e Anaxarete)
Vertumno e Pomona são figuras da mitologia romana, representando o deus das estações, da agricultura e dos pomares e a deusa dos frutos e jardins, respetivamente. O seu mito, narrado por Ovídio nas Metamorfoses, é uma história de amor e transformação, ilustrando a mudança das estações.
Pomona era uma ninfa dedicada exclusivamente ao cuidado dos seus pomares e jardins. Ela não se interessava por deuses ou ninfas, recusando todos os seus pretendentes e evitando a floresta selvagem, preferindo cultivar os seus frutos.
Vertumno era um deus de origem etrusca cujo nome significa "transformar" ou "mudar", simbolizando as mudanças na natureza ao longo do ano. Ele apaixonou-se perdidamente por Pomona, mas ela ignorava os seus avanços.
Para a conquistar, Vertumno usou a sua capacidade de metamorfose e disfarçou-se de diversas formas, incluindo lavrador, ceifeiro e vinhateiro. Nenhuma destas tentativas teve sucesso.
Finalmente, Vertumno transformou-se numa velha senhora de cabelos grisalhos. Ao ganhar a confiança de Pomona, a "velha" elogiou os seus pomares e, em seguida, contou-lhe a história de amor trágica de Ifis e Anaxarete, onde a mulher que desprezou o amor foi transformada numa estátua de pedra.
Um jovem pastor chamado Ifis (por vezes referido como Arceofonte em algumas variantes) apaixona-se perdidamente por Anaxarete, uma jovem de Chipre de ascendência nobre. Ifis, que não era de uma família abastada, cortejou Anaxarete de forma persistente e apaixonada, oferecendo-lhe presentes e expressando o seu amor de várias maneiras. No entanto, Anaxarete era arrogante e cruel, rejeitando-o repetidamente e escarnecendo dos seus sentimentos. Desesperado com a indiferença e o desprezo de Anaxarete, Ifis acabou por cometer suicídio, enforcando-se à porta da casa dela. O seu último desejo foi que os deuses a fizessem pagar pela sua crueldade.
Durante o funeral de Ifis, a procissão passou pela casa de Anaxarete. Movida pela curiosidade, ela olhou pela janela para ver o corpo do jovem que morrera por amor a ela. Neste momento, a deusa Afrodite (ou Vénus na mitologia romana), que testemunhara toda a situação, decidiu punir Anaxarete pela sua falta de compaixão. A deusa transformou Anaxarete numa estátua de pedra ("mulher de pedra").
Por vezes também se refere que Vertumno terá contado a Pomona a alegoria da videira e do olmo, para a convencer. Um símbolo antigo que representa a interdependência e a colaboração mútua. A videira, que por si só se arrasta pelo chão e não produz fruto, encontra no olmo o suporte necessário para crescer, receber luz solar e, finalmente, frutificar.
Ao perceber a emoção de Pomona com a história e a moral da mesma, Vertumno revelou-se na sua verdadeira forma: um belo jovem deus. A sua beleza e a sua devoção finalmente conquistaram o coração da ninfa, e os dois uniram-se, tornando-se as divindades protetoras dos pomares e da fertilidade da terra.
A história é uma alegoria sobre a persistência, transformação e amor, e tem sido retratada em várias formas de arte, incluindo pintura, escultura e tapeçaria.
Pieter Paul Rubens criou um esboço a óleo (atualmente no Museu do Prado) para uma obra maior, que viria a ser executada por Jacob Jordaens.
Jacob Jordaens realizou várias pinturas sobre o tema, algumas das quais, como a que pertenceu ao Museu do Caramulo, foram expostas no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa.
Francesco Melzi, um seguidor de Leonardo da Vinci, criou uma versão notável por volta de 1518-1522, que se encontra na Gemäldegalerie, em Berlim.
Caesar van Everdingen fez também uma versão de "Vertumnus e Pomona" que está no Museu Nacional Thyssen-Bornemisza, em Madrid.
Jean Ranc pintou uma obra datada de cerca de 1710-1722, que se destaca pela composição interessante que capta o momento da revelação. A obra está exposta no Museu Fabre em Montpellier, França.
A famosa escultura de Camille Claudel "Vertumnus e Pomona" (também conhecida como Sakuntala ou O Abandono) é uma peça central, em mármore, do Musée Rodin, em Paris, que expressa intensidade emocional.
Laurent Delvaux e Peter Scheemakers produziram esculturas de jardim populares sobre o tema, no século XVIII, incluindo um grupo que esteve no Victoria and Albert Museum, em Londres.
O mito inspirou tapeçarias, como a de Pieter Coecke van Aelst, que pode ser vista no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, onde Vertumno é representado como um colhedor de fruta.
A representação artística foca-se maioritariamente no momento em que Vertumno, disfarçado de velha, revela a sua verdadeira identidade de deus jovem e atraente a Pomona, a ninfa casta e reclusa dos pomares e jardins, conquistando finalmente o seu amor.
28 de Novembro de 2025












