Missile Command é um dos maiores clássicos da Atari. Foi originalmente desenvolvido por Dave Theurer, o mesmo criador de Tempest (1981) e I, Robot (1984). A jogabilidade é bem simples e intuitiva: você vê uma cidade (na verdade seis cidades) e mísseis começam a descer do céu, então você deve atirar nos mísseis.
O mundo estava no auge da Guerra Fria e eis que surge esse jogo sobre um ataque intercontinental de mísseis. Ideia ousada e que foi um sucesso imediato.
A versão original foi lançada em 1980 para arcade e logo vieram as portabilidades para outras plataformas: Atari 2600 em 1981, Atari 8-bit em 1981, Atari 5200 em 1982, Atari ST em 1987, Game Boy em 1992 e Game Boy Color em 1999.
Super Asteroids & Missile Command (1995)
Essa versão foi lançada para Atari Lynx, combinando Missile Command com Asteroids no mesmo cartucho. Desenvolvido por Steve Marschner, o jogo trouxe melhorias gráficas e no som.
Missile Command 3D (1995)
Engana-se quem acha que óculos de VR são uma coisa dos últimos 10 ou 15 anos. Eles existem há décadas. Em 1991, por exemplo, foi lançado um arcade com óculos VR, o Virtuality 1000CS, desenvolvido pelo Virtuality Group.
Em 1995 o Virtuality criou os óculos VR para o Atari Jaguar e no embalo também fez uma versão de Missile Command para jogar com estes óculos. No fim das contas, nenhum outro jogo foi criado para uso com o dispositivo, então Missile Command 3D foi o único compatível com o Jaguar VR.
O cartucho vem com o jogo original em 2D, bem como a versão 3D que é jogada em primeira pessoa e uma versão VR que se passa num cenário submarino. É uma proposta bem avançada para a época.
Coletânea Atari 50 (2022)
Bom lembrar que todas as versões citadas acima estão disponíveis na coletânea Atari 50, que reúne uma centena de jogos clássicos e as diversas versões do Missile Command. Adquiri o Atari 50 numa boa promoção na Steam, mas também está à venda para consoles. Outras coletâneas anteriores também já traziam o Missile Command, mas a mais recente e completa é a Atari 50.
Uma versão com gráficos modernizados de alta definição foi lançada para Xbox 360 em 2007. Nunca joguei, mas já vi alguma gameplay no Youtube e visualmente ficou bem legal.
Missile Command: Recharged (2020)
Nos últimos anos a Atari lançou a série Atari Recharged, produzindo remakes modernizados de alguns de seus clássicos como Centipede, Asteroids, Yars, Asteroids, Caverns of Mars, entre outros. E o Missile Command foi o primeiro a ser lançado em 2020. desenvolvido pelo indie Adamvision Studios. Em 2022 o jogo foi relançado em uma versão melhorada.
É uma agradável nova versão que investe em rejogabilidade com achievements, upgrades das torres ao acumular pontos, missões desbloqueáveis e um ranking multiplayer.
Um jogo menos conhecido, mas que tem muita semelhança com Missile Command é o M.A.D. (acrônimo para Missile Attack and Defense), desenvolvido pela U. S. Games para Atari 2600.
Até o momento não cheguei a jogá-lo, o fato é que ele foi a inspiração para a versão indie a seguir, um joguinho que me marcou bastante.
Este jogo não é oficial da franquia Atari, mas um indie claramente inspirado no M.A.D. , só que aqui a sigla significa Mutually Assured Destruction, um conceito da teoria de guerra especialmente aplicado na corrida nuclear segundo o qual uma guerra nuclear entre países que possuem a bomba atômica resultaria sem vencedores, com a mútua destruição assegurada. E é por isso, inclusive, que nenhum país que tem a bomba ousa usá-la. Isto se chama dissuasão nuclear, é como um "impasse mexicano" em escala global.
Enfim, o fato é que conheci este jogo antes mesmo de jogar o Missile Command. Nunca tive um Atari. O que cheguei a jogar de Atari na infância foi na casa de um amigo e, quando chegaram as locadoras de games, precursoras das lan houses, eu passei a frequentar para jogar no Super Nintendo ou Mega Drive, isso lá nos anos 90. O Atari já tinha perdido lugar para esses novos consoles, de modo que não tinha Atari nas locadoras.
Logo, só fui por as mãos em jogos antigos do Atari muitos anos depois, e jogando no PC. O Missile Command, por exemplo, creio que só joguei pela primeira vez lá em 2017 quando comprei a coletânea Atari Vault na Steam. E agora em 2026, com a Atari 50, voltei a experimentar não só o original quanto as diversas versões incluindo a 3D.
Quanto ao M.A.D., eu o conheci bem antes, na era de ouro dos joguinhos em flash que a gente jogava direto do navegador em sites como o Kongragate. Foi ali entre 2009-2010 que devo ter jogado o M.A.D. pela primeira vez e foi amor imediato, não só pelo estilo de jogo, como pela música épica que vai evoluindo ao longo da partida.
Com o passar dos anos, estes sites de jogos em flash caíram em desuso, ainda mais com o crescimento da Steam, e até esqueci o nome desse jogo. Vez ou outra eu lembrava dele e da música formidável, mas como não lembrava mais do nome, nem sabia como procurar. Só consegui lembrar do nome há uns 5 anos e assim pude encontrar novamente o jogo e até a música disponível no Youtube.
Esse jogo permanece obscuro. Só sei que é creditado a um tal Nic Daniel. De toda forma, ele continua disponível para jogar no site Kongregate.