message: mil perdões pela demora!!!!! sério ;-; enfim, espero que você curta esse humilde presente e que seu ano novo seja ótimo!
Furuya chega no campo um dia às quatro horas da manhã e encontra Sawamura, arrastando dois pneus atrás de si. Naturalmente Furuya começa a correr com ele, carregando três pneus.
- Ei, Furuya! Três pneus é esculacho! - Sawamura grita quando Furuya o ultrapassa.
- Eu não vou perder pra você. - retruca Furuya, sereno.
Sawamura grita alguma coisa, exclamações sem sentido algum. Segundos depois, ele está correndo ao lado de Furuya. Furuya o ultrapassa. Sawamura o alcança. Furuya o ultrapassa.
Eles ficam nisso até Haruichi chegar, pouco antes do sol nascer.
- Vocês nem estão se exercitando direito. - Haruichi diz, mãos na cintura. - Se ficarem só correndo tentando ganhar um do outro vão acabar se machucando.
Furuya e Sawamura abaixam a cabeça, indefesos ante a expressão carrancuda de Haruichi.
- Ele que começou. - ambos sussurram ao mesmo tempo.
- Não interessa quem começou. - Haruichi diz, antes que eles possam começar a brigar de novo. Então ele sorri, a voz mais macia quando diz: - Vem, vamos tomar café da manhã. Como vocês vão ser artilheiros sem nem comer?
E eles vão.
*
Eles estão no quarto de Haruichi, só os três. Haruichi está tentando explicar Biologia, mas a mente de Furuya vai longe; ele pensa no campo, na sensação da bola tocando seu pé. Pensa em Miyuki, o príncipe da aba reta, talvez o único goleiro no estado de São Paulo capaz de pegar seus chutes. Pensa nos times que já enfrentou, nos times que vai enfrentar, Yakushi semana que vem, Inashiro na próxima.
Sawamura emite um som, um gemido de desolação que parece saído do mais profundo do seu ser.
- To com saudades de casa. - ele diz. Furuya olha pra ele, deitado na cama da Haruichi, rosto contorcido como quem tenta não chorar. - Quero ir pra praia.
- A gente pode ir pra Santos sábado que vem. - Haruichi diz.
Sawamura suspira.
- Não é a mesma coisa.
- Ok, então. - Haruichi marca a página do livro de Biologia, fecha-o. Vira a cadeira em que está sentado na direção de Sawamura, e Furuya faz o mesmo. - Fala pra gente como é Arraial.
- De novo. - Furuya diz, e não soa sarcástico ou debochado.
Sawamura abre um sorriso enorme, senta-se na cama imediatamente para falar sobre sua cidade natal com as mãos, os joelhos, os dedos do pé.
Haruichi e Furuya escutam.
*
Foi Sawamura quem começou com o apelido, uma maneira não muito sutil de se vingar por todas as vezes que Miyuki e Kuramochi o prendiam no vestiário, chamando-o de carioca e fazendo cócegas em seus pés até Sawamura falar coisas tipo esquistossomose, futebol, esqueci o isqueiro na esquina da escola. E pegou: logo as pessoas começaram a chamar Miyuki de príncipe da aba reta, apontar para seu boné sempre presente e cochichar, escondendo sorrisos atrás das mãos. Miyuki, goleiro muito digno, sorria amarelo e fingia que nada estava acontecendo.
- Ei. - Sawamura diz numa terça, os três num canto isolado do pátio no intervalo da escola. - Que tal rato de academia pro Kuramochi?
Haruichi considera.
- Não, tá faltando alguma coisa… - ele diz, e prende o queixo entre os dedos, pensativo.
- Mamãe sou forte. - Furuya diz.
Sawamura e Haruichi o encaram. Ele encara de volta.
- Furuya! Você tá dando sugestão agora? - Sawamura grita.
Furuya encolhe os ombros.
- Mamãe sou forte é bom. - ele diz.
- Eu gostei. - Haruichi sorri.
- Harucchi!
Sawamura continua a fazer escândalo e resmungar até o intervalo acabar, mas quando estão voltando para suas salas de aula ele sorri, passa o braço em volta dos ombros de Furuya.
- Muito bom, Furuya. Agora vou poder zoar o Miyuki e o Kuramochi até a morte, como eles fazem comigo. - Sawamura diz, um brilho vingativo porém inofensivo em seus olhos. - É isso aí!
Furuya suspira.
*
Na aula de educação física, eles jogam baseball.
Furuya tem conhecimento e experiência zero, preocupado em ter uma chuteira e uma bola no pé e mais nada desde os seis anos de idade. Mas Haruichi diz “por que você não tenta ser arremessador?”, então Furuya tenta.
É simples, tudo o que ele tem que fazer é jogar a bola na luva do receptor. Ele faz isso, várias e várias vezes, e a única pessoa não chocada com sua força e velocidade é Haruichi.
O time deles ganha, porque Haruichi tem pernas rápidas na segunda base e Furuya não deixa nenhum rebatedor acertar a bola na última entrada.
- Ei! - Sawamura grita quando eles saem da quadra, balançando os braços freneticamente atrás da grade de segurança.
- Oi, Eijun. - Haruichi sorri.
- Eu vi o final do jogo. - Sawamura diz, encarando Furuya com intensidade. - O que foi aquilo que você fez, hein, Furuya?
Furuya encolhe os ombros.
- Eu só joguei a bola. - ele diz.
- Gah! - Sawamura exclama, e aponta o dedo indicador para Furuya. - Vamos disputar quem é o melhor arremessador! Não vou perder pra você.
Furuya suspira, põe-se a caminhar para o vestiário.
Haruichi ri, e o som que chega aos ouvidos de Furuya é parecido com pérolas.
*
Chove num sábado, o céu escuro e carregado de nuvens. Eles têm uma partida em três horas, mas parece que São Pedro não vai dar trégua a tarde inteira, ensopando o campo, enlameando tudo.
- Hah! - Sawamura grita, sorrindo desafiador para a chuva que molha a janela. - Até parece que eu vou deixar.
Ele vai até a porta do quarto de Furuya, põe a mão na maçaneta. Vira-se, encarando Furuya e Haruichi com a boca aberta num sorriso.
Furuya sente a respiração parar por um segundo, e ao seu lado Haruichi treme as pernas e cai sentado na cama.
- Não se preocupem. - Sawamura diz. - Eu vou trazer a sol!
Então Sawamura sai, rindo e gritando na chuva, e os dois não duvidam dele por um segundo.
Merry Christmas! I made you a Haikyuu playlist! I hope you like it >< I’m sorry if my taste in music is not like yours >< But anyways Merry Christmas again!