samaelagnelli:
— Acho estou um pouco por fora das coisas, então. Não sabia da existência dessa coluna sobre nós. Acho que vou dar uma lida nos antigos, sempre bom saber alguns podres dos colegas, pode ser útil em um happy hour qualquer. — naquele momento, enquanto começou a falar, quase esqueceu toda aquela vergonha que estava sentindo segundos atrás, talvez não fosse tão ruim assim, no fina das contas. — Não vindo atrás de mim pedindo nota, tá tudo bem, podem chorar a vontade. — a realidade era que ele era alguém um tanto mole demais para isso, dependendo da forma e de quem o vinha implorar por notas, ele acabava dando um jeito de ajudar, molenga. O que o havia motivado a ser professor? A realidade é que não tinha muito o que fazer e podia unir o útil ao agradável ensinando aquilo que sabia, mas não diria tal coisa, precisava ser algo mais bonito. — Realmente, o salário não colabora muito. Mas acho que acabei virando professor em um acaso. Sempre gostei de transmitir um pouco de conhecimento que eu tinha para as pessoas ao passar das déc… ao passar dos anos. Acabei unindo um gosto meu com algo que poderia ajudar as pessoas. Afinal, a melhor forma de mudar o futuro, é conhecendo o passado. — tinha ouvido aquela frase final em algum lugar. Onde? Não fazia ideia, mas pareceu um bom momento de utilizá-la. Afinal, conseguiu dar a volta por cima depois de engasgar e quase entregar um pouco da sua idade. Não pôde deixar de perceber o desconforto bastante aparente na jovem, assim que o assunto passou pela família, ou para ser mais exato, o pai dela. Aquilo o pegou um pouco de surpresa, talvez ela não fosse tudo aquilo que lhe foi dito, talvez nem tenha nada a ver com a família dela. — Perdão, me empolguei um pouco, pode continuar sua entrevista. — logo manteve o mesmo tom mais bem humorado igual o dela, antes de continuar a respondê-la. — Como eu disse antes, é melhor olhar pra trás para que as coisas ruins não se repitam. E na história mais recente, a contemporânea, é onde os maiores conflitos e problemas sociais aconteceram. Muitos deles se mantém, se repetem ou até mesmo são desconhecidos. Sem contar que temos duas guerras pra falar, é sempre mais emocionante.
Ela dera uma pequena risada, acenando a cabeça em concordância diante as palavras do mais velho. ❝—— Na matéria da semana passada descobriram que um dos hobbies do professor Harry é dançar. Até publicaram junto uma foto dele usando tutu, sabe, foi por conta de uma apresentação na escola da filha. Ofícios de um pai solteiro. ❞ Ela dera de ombros, tentando afastar a imagem que voltou à sua mente. Definitivamente seria difícil de esquecer, considerando que já havia sido difícil após visualizá-la pela primeira vez, ao ler a dita matéria. Mas, fora engraçado, não tinha dúvidas. ❝—— Ouvi de alguns alunos que é muito mais sensível do que aparenta, professor. ❞ Não sabia se sensível era a palavra mais adequada, mas definitivamente era melhor do que escancarar que ele era... mole na questão de notas. Era, ao menos, as pequenas fofocas de corredor que havia escutado sobre Samael. Mas não era como se tivesse algo com aquilo, exceto, é claro, a exposição que seria. Não colocaria aquele ponto na matéria. O restante, no entanto... Palavras chave foram anotadas conforme ouvia a resposta do professor, meneando a cabeça em concordância e soltando alguns “uhuum” durante a fala alheia, apenas para demonstrar que prestava a atenção devida. ❝—— Décadas? Você estava dizendo isso, certo? Ah, professor, vamos lá. Não é como se fosse tão mais velho quanto nós. Ou dorme mergulhado no formol? ❞ Sabia que não deveria discutir por muito tempo com as pessoas da cidade, principalmente se fossem religiosas, do contrário passaria a acreditar que coisas como seres sobrenaturais, anjos e demônios existiam. Aquela besteira poderia colar com crianças menores de idade, mas Tasha sabia que o mundo já era complicado o suficiente sem que invenções de cabeças infantis o rondassem. ❝—— Não se preocupe, sinto muito se soou grosseiro. É que acabamos de começar, e acredito que nenhum de nós possa se estender demais, hun? ❞ Ela ponderou, antes de voltar para suas anotações. As perguntas estavam genéricas demais, e ela se odiava por isso, desta forma, um sorriso de canto fez-se presente quando outro ponto lhe ocorreu. ❝—— Você é um daqueles professores que faria de tudo para enfiar a matéria na cabeça dos alunos? Ouvi dizer, por exemplo, que um professor vem fantasiado de acordo com o tema da aula. Por acaso é você? ❞










