Вы должны защищать свою честь. И свою семью. You have to defend your honor. And your family.
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@tatyaromanova
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@heirromanov
Boa parte da vida de Tatiana havia sido marcada por viagens. A mais relevante delas, é claro, foi a que a levou de casa para o exílio: nas horas que separaram Moscou de Guadalupe, lembrava-se com clareza do intenso sentimento de vergonha e de perda. Afinal, não sabia quando é que seria livre para poder colocar os pés novamente na Rússia e, mesmo que os anos tivessem sido bons no Caribe, a viagem de volta marcaram as horas mais felizes da vida de Tatiana até então. Sentia como se, finalmente, tivesse conseguido passar uma borracha por cima dos erros e essa ideia um tanto quanto deturpada só foi desmistificada quando desceu do avião. Apesar de estar recebendo uma nova chance, aquele não era um novo começo porque percebeu logo que seria marcada pela memória do seu passado. Mas estava feliz por estar em estágio probatório da vida real. Estar tão próxima dos seus irmãos era uma tranquilidade e uma segurança a qual a ainda muito perdida princesa se agarrava o máximo possível. Ter recebido sido liberada para acompanhar a família até a coroação da nova rainha do Egípcio foi, para ela, uma pista de que estava fazendo algo certo. Não poderia negar que estava quase dando pulos de animação, afinal, aquela seria a sua primeira viagem oficial da vida adulta e a primeira também que faria com tranquilidade. “Eu posso sentar na janela?” Sussurrou para o irmão, limpando a garganta enquanto seguiam o protocolo de embarque.
“you’re just… so, so stupid.”
Tatiana fixou os olhos azuis na irmã por um longo tempo, incapaz de esboçar qualquer reação. Aos poucos os músculos do seu rosto começaram a tremer, a sobrancelha primeiro, seguida pelo lábio inferior e por pequenos movimentos do nariz. É claro que, sozinha, se dado conta da enorme estupidez na qual havia se metido, se pudesse voltar no tempo jamais teria confidenciado suas crenças aos amigos. Havia sido instruída desde muito nova de que, na corte, informações eram quase tão valiosas quanto ouro e as intrigas eram o sangue que irrigava toda a trama política. Mas, ao ouvir a voz sempre firme e cercada de uma áurea nobre da irmã, cada palavra parecia uma facada no já destruído psicológico de Tatiana. Quando as primeira lágrimas escorreram rosto abaixo, se deu conta de que não era tanto pelo conteúdo do que Olga havia falado que estava tão afetada, ela mesma e metade do palácio já haviam repetido a mesma coisa com doses muito maiores de crueldade. O fato de ser Olga, a irmã que lhe era como uma mãe na ausência da sua própria, era o fator que mudava tudo. Até então, não havia chorado em nenhum momento, nem mesmo quando soube do que havia ocorrido ou quando foi informada, poucos minutos atrás, da extensão dos boatos que já se esforçavam para ligá-la à figura do anticristo. Sentiu-se, pela primeira vez, envergonhada. A adolescente limpou, ainda muda, os vestígios de lágrima do rosto e abaixou o olhar para o chão. Nada se movia no corpo costumeiramente fluido e ágil de Tatya, apenas pequenos espasmos no rosto. De repente, a consciência do significado simbólico de tudo o que havia sido exposto sobre ela era muito tangível e muito pesada e Tatiana se deu conta de que limpar a mancha agora atribuída ao seu nome não seria tarefa fácil.
Era noite, fazia frio. Que nem tava no tweet em que o Padre Fábio de Melo respondeu a fã dele.
Claro, frio para a indiana era psicológico, afinal, nada importava para ela senão o prazer imenso que vinha encrustado nos eventos pagãos que ela amava participar. Principalmente a data em especial, onde podia dar vida aos seus maiores medos de criança. Daquela tão preciosa vez, a princesa havia se superado, pintando a máscara à mão. A sandália rústica plana, o top e a saia comprida de fendas gigantes ajudavam na movimentação, vezes comprometida por todos os adereços e jóias chamativas que usava. Mas não se importava, dava um jeito. A morena saiu para fora, faceira depois de encaixar a máscara, correndo o meio das árvores e das plantas, ainda mais assustadoras pela noite escura. Escondeu-se, esperando o felizardo que iria ter o prazer de ser amedrontado por ela. “Hahahah”. Ouviu um barulho, olhando pelos espacinhos entre as folhas. Oh, era alguém. Priyanka correu pela grama e pelo escuro atrás das árvores e arbustos, rapidamente. Escondendo-se de novo, movendo as folhagens no processo e soltando um riso sem som pela reação dx outrx.
A escolha por sua fantasia havia sido bem em cima da hora. Tatiana não sabia que festas de Halloween eram comuns ali, na sua cabeça seriam banidas até o último momento. Para ela, além das celebrações do dias das bruxas, o Halloween tinha uma carga simbólica e religiosa. Havia passado o dia ocupada com suas rezas e ritos no seu quarto, tomando cuidado para não chamar atenção indesejada. Mas, durante a noite, rendeu-se ao charme de fantasiar-se e, assim como os outros participar das comemorações tal qual elas ocorriam ali. A falta de planejamento de sua fantasia havia feito com que algumas partes não estivessem exatamente funcionais e, vira e mexe, a russa parava para se certificar de que tudo estava no lugar. Numa dessas paradas, enquanto organizava as cartas de tarot, assustou-se com a risada de alguém perdido no meio da mata. Tatiana foi pega de surpresa, é claro: acabou por derrubar todo o baralho no chão e bater a cabeça no galho de uma árvore. “Droga!” Massageou a cabeça, agora dolorida, enquanto levantava a saia para poder abaixar-se e recolher as suas cartas.
Gaël estava parado em frente ao labirinto enquanto encarava o local com latente curiosidade, ainda não havia decidido se entraria naquele jogo, mas imaginava que algo feito baseado nos irmãos Grimm deveria ser muito interessante. Enquanto continuava olhando o local, notou que havia outra pessoa que parecia tão distraída pensando naquele jogo quanto ele. - Então, o que acha que prepararam esse ano? Eu estou tentado a entrar, mas ainda não sei se vou. - Comentou de modo sincero, enquanto ajeitava o chapéu de sua fantasia de Peter Pan, ele havia adorado aquela fantasia, a escolhera porque sua mãe adotiva sempre lia aquela história quando era pequeno, com o tempo tornara-se sua favorita e por isso aquela pareceu a melhor ideia de fantasia.
Contrariando todas as recomendações, Tatiana havia decidido participar das tradições de halloween do instituto. Sabia que atrelar sua imagem à festa das bruxas provavelmente não era a melhor jogada política possível, mas ela não poderia viver todos os momentos da vida se preocupando em não parecer o anticristo para os russos. Além de tudo, os anos que lhe foram roubados em Guadalupe lhe tiraram também a possibilidade de participar de eventos sociais como aquele: na Rússia, quando mais nova, Tatiana havia sido dançado balé desde criança e as fantasias e maquiagens eram quase uma parte nostálgica dela. A possibilidade de unir uma festa com a estética que tanto sentia falta das apresentações de balé era boa demais para ser ignorada então ela optou, quase impulsivamente, por participar. Mas isso não mudava o fato de que ela estava completamente perdida. O pouco tempo em que havia passado em Hyacithum havia sido suficiente para que ela conseguisse transitar com facilidade já pelos lugares chave, mas aquela era uma situação completamente diferente. “Eu não faço ideia. O que geralmente costumam fazer?” Perguntou, respirando aliviada por finalmente estar falando com alguém e ajeitando-se no casaco de pele que cobria o vestido fino e bordado com planetas e estrelas.
𝐡𝐚𝐥𝐥𝐨𝐰𝐞𝐞𝐧 // 𝕥𝕒𝕣𝕠𝕥 𝕔𝕒𝕣𝕕: 𝕥𝕙𝕖 𝕙𝕚𝕘𝕙 𝕡𝕣𝕚𝕖𝕤𝕥𝕖𝕤𝕤
as the female principle, receptivity, stays behind the scenes, is associated with the spiritual plane and the occult. Staying, sitting, refraining from activity or being passive, quiet, being the lady, being knowledgeable, wise or expert – these are its associations. It also can be a mystery, as in the occult being the unknown; and further becomes The Other Woman through (I guess) that back door route.
Aesthetic: Vintage fortune teller, art deco, tarot, the moon.
Aqui na terra tão jogando futebol Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação E a gente tá engolindo cada sapo no caminho E a gente vai se amando que, também, sem um carinho Ninguém segura esse rojão
Tatiana Romanova, From Russia with Love (1963)
::FLASHBACK::
rcblheart·:
“——bem, minha historinha de fila será, eu fugi da fila.” retrucou mau humorado, deixando claro que para ele aquela história de fila não tinha nada de animado. “——tem um detalhe importante em tudo isso, mesmo todos sendo príncipes a gente esta sofrendo como uma pessoa normal para comprar um copo de cerveja ou semelhantes.” isto martín não podia negar, essas feirinhas tornavam vermelhos e azuis iguais diante de uma fila interminável. “——Sério? acho que comemorações religiosas deviam ser proibidas, mas ranu não é laico, na verdade, nenhum estado é, logo, acho melhor comemorar algo por um santo que nunca conheci a comemorar alguma matança em forma de revolução.” disse por fim refletindo, mas não ignorou por completo a fala alheia, afinal, sabia dos boatos que a rodeavam.
Tatiana, não muito versada nas movimentações políticas da corte no últimos anos, assumiu que o Colombiano estava irritado por estar na fila porque sentia-se reduzido a um vermelho. Apesar de entender o desprezo por filas, não conseguia entender como alguns nobres ainda se sentiam tão superiores aos vermelhos. Nos anos que vivem em Guadalupe, Tatiana havia convivido com mais vermelhos do que havia convivido sua vida inteira na Rússia. A começar por Elizaveta, sua tutora e segunda mãe a quem devia todas as suas crenças religiosas. Mas, para além dela, grande parte do seu contaro social acontecia via habitantes vermelhos da ilha caribenha. Estava convencida de que a cor do sangue pouco importava, os amigos que fez e deixou na ilha eram tão importantes e especiais quanto os azuis que conheceu desde criança. “ —— Bem, a fila para os chás gelados e fermentados está bem vazia. Se você tiver algum problema em ficar esperando como um vermelho, pode ser uma boa oportunidade para se sentir mais azul...” Tatiana falou com um pouco de irritação, mas tentando manter-se calma. Afinal não queria arrumar mais problemas para a família e não achava que veriam com bons olhos a caçula arranjando problemas com algum nobre para defender os vermelhos. “ —— É um pouco sonhar demais, infelizmente, achar que algum país vai ser laico...” Apertou, inconscientemente o anel gravado com os símbolos de Mokosh, deusa homenageada naquela mesma data em sua religião. Tatiana, é claro, adoraria poder ter liberdade religiosa, mas estava resignada e não mais tinha a visão romântica da adolescência de que aceitariam sua fé sem nenhum problema. “ —— Mas é a cultura e a religião do povo, faz todo sentido ser uma festa.” Resolveu complentar, se dando conta de que, talvez, não estivesse soando tão favorável ao catolicismo quanto gostaria.
::FLASHBACK::
flxrenc·:
invejava de certa forma o jeito como a desconhecida tratava a criança. florence continuava de forma impassível, mas agora demonstrava falta de interesse na conversa que seguia-se. ainda que, os olhos tivessem recaídos diante da figura feminina e na garotinha de cabelos ruivos, não conseguia perceber nada daquela cena. estava distante de ser uma pessoa paciente para com crianças, beirava até mesmo o pânico quando alguma se aproximava e isso dava-se ao seu modo de enxergar a vida, de portar-se. era objetiva demais para que ficasse fazendo rodeios diante de uma criaturinha como aquela, assim como não suportava a forma como choravam ou fazia birra. como a adulta que modelava-se diante do seu anseio por poder e conquistas, ela havia esquecido de manter o coração aquecido no meio do caminho para que pudesse aproveitar de companhias como aquela; ela passou a mão pela face, acariciando-a de modo automático. sua atenção voltou-se para a outra quando esta pronunciou-se. ❛ — talvez essa seja a primeira vez que nos encontramos, o prazer é todo meu. dissera esboçando um pouco de simpatia enquanto via a garotinha correr para longe; os ombros foram relaxados e sentiu-se um pouco mais aliviada; no entanto, não deixou de sentir-se intrigada quando a outra dissera seu sobrenome. por deus! a irmã gêmea de alexei! o sorriso transformou-se em algo que transparecia a maldade, mas não para com ela; e sim para com o gêmeo da garota. ❛ — ah, uma romanov. retiro o que eu disse, já nos encontramos, mas talvez não recorde-se por ter muito tempo. assentiu tentando lembrar-se do último jantar entre as famílias, mas ela mesma não recordava-se com riqueza de detalhes. ❛ — florence mountbatten, para caso ainda haja dúvidas.
Tatiana manteu os olhos grudados na criança enquanto ela decidia o que fazer. Se conhecesse melhor a ilha, se ofereceria para acompanhar a garotinha nos brinquedos do parque ou para passear pelas barraquinhas de comida até que estivesse com a barriga doendo de tanto comer açúcar. Afinal, a própria Tatiana ainda não tinha conseguido aproveitar as boas coisas da festa católica, havia passado o dia namorando de longe a roda gigante, mas sem muita coragem de ir sozinha. Afinal, o motivo pelo qual não acompanhava a ruiva era o mesmo pelo qual ela não havia aproveitado parte da festa: Tatiana ainda se perdia com facilidade e tentava se locomever com cautela no meio da multidão. ❛ — Oh, claro, Florence Mountbatten.” Tatiana balançou a cabeça como se de fato se lembrasse de Florence com clareza. O nome não lhe era estranho, na verdade. Seu palpite apontava para alguém que havia visitado a Rússia quando ela ainda morava no palácio, mas fazia muito tempo e nunca havia sido muito boa com nomes. Ao analisar or traços do rosto de Florence, teve certeza de que a conhecia. Era um rosto mais adulto do que o que se lembrava, mas Tatiana era uma boa fisionomista e, apesar de ainda não conseguir se lembrar com clareza, flashes da visita de Mountbatten à Russia passavam pela sua cabeça. ❛ — Você por favor me desculpe, eu não consigo me lembrar com clareza. Faz muito tempo e muito que... bem... eu fiquei muito tempo longe de Moscou.” Ainda não sabia muito bem como tratar a questão do exílio em Guadalupe. Tatiana desconfiava dos boatos que circulavam sobre ela e estava disposta a abafa-los.❛ — Mas se nos conhecemos, que bom que te encontrei, estou um pouco perdida, parece que tem um mar de pessoas na minha frente e eu não reconheço um rosto sequer."
::Flashback::
heirromanov·:
Tentou imaginar-se nas ilhas do Caribe ao lado de Tatiana, em sua cabeça imaginava uma pequena casa próxima de uma praia, com uma floresta cercando-os, com inúmeros animais ao redor e mosquitos de todos os tipos. Além disso, o clima quente que provavelmente o faria suar excessivamente e incomodar-se o tempo todo com isso. A face de Alexei demonstrava uma careta estranha diante da fala de Tatiana. Mas o motivo principal de nunca tê-la ido visitar, era para evitar exposição. Havia um motivo para que Tatya tivesse sido mandada para outro país, sim. E se Alexei se aproximasse sem nenhuma pretensão, desconfiaram. Por isso, oito anos contactando-a apenas por cartas e telegramas. — Se fosse tão fácil assim, talvez eu fosse tão bronzeado como você nesse momento. Mas por questão de segurança, nunca me permitiram ir vê-la. Acredite, eu tentei, muitas vezes. Inclusive, nossos pais lhes disseram a razão para que tão subitamente você retornasse para cá? Perguntou-lhe, dessa vez não conseguindo conter a própria cabeça de teorizar motivos para que os Czares a retirassem de seu local seguro, para levá-la para um local onde acabara de have um motim de vermelhos. Os olhos verdes observavam as feições redondas de Tatya, parecidas com as de Maria e de sua própria mãe, mas seus olhos eram um reflexo dos seus próprios, com uma diferença: havia ali uma inocência que Alexei perdera, ou jamais possuíra. Era como se Tatiana fosse exatamente tudo que ele poderia ter sido, ainda que houvessem apenas alguns minutos desde que havia entrado em contato física e real com a gêmea, após a separação de ambos. Franziu o cenho diante da reação e o estopim da irmã devido às suas palavras. — Certo, Tatya. Mas não acredita que vou deixar-lhe se relacionar com qualquer pessoa má intencionada, acredita? Você passou muito tempo afastada de uma corte e é como se fosse sua primeira vez aqui, novamente. As pessoas não são boas, irmã. Não é a sua capacidade de se perder ou de encontrar os lugares que me preocupa, porém. Havia um instinto que nunca havia pensado existir em si ao pensar em Tatya, desprovida de barreira psicológicas para aqueles que provavelmente tentariam manipulá-la. Como ele próprio intencionada com algumas pessoas. Talvez fosse por conhecer a si próprio que sentia-se protetor em relação à inocência da Romanova. — Mas depois dessa constatação… talvez eu deva rever as minhas ideias e você deva me proteger. Riu de maneira despreocupada. Durante a infância, sempre fora assim: enquanto Alexei era o cérebro, Tatya era a executora. Porque ele não poderia sair por aí escalando árvores com o risco de se machucar e morrer, já ela, o fazia sem dificuldades, mesmo que Alexei não respeitasse as precauções médicas integralmente. — Aqui, chegamos onde pretendíamos. Sabe o que fazer, certo?
Tatiana revirou os olhos, fingindo uma irritação diante da resposta de Alexei. É claro que ela sabia que todos os seus familiares estava proibidos de visitá-la. Quando ainda era adolescente havia chorado por horas seguidas, assustada com a possibilidade de nunca mais sair de Guadalupe. Aos poucos, foi se acostumando com o cotidiano da vida na ilha. Havia aprendido a nadar e a se sentir bem com o sal seco na pele quando, horas depois, andava pela ilha com um caderno de botânica na mão para desenhar as espécies de plantas da ilha. Mas apesar da rotina que acabou desenvolvendo, aquela não era sua casa. Às vezes tinha a ilusão de que era e ficava bem por alguns dias ou até alguns meses, afinal, ali podia praticar sua religião quase abertamente e Elizaveta, sua tutora, era como sua segunda mãe. Mas quando a ficha caía, a reação de Tatiana era sempre a mais violente possível. Nas cartas, tentava esconder parte de suas crises, mas nunca sabia se de fato conseguia. — Isso é o que você diz, Alexei. Jamais saberemos se você realmente foi impedido ou se odeia os mosquitos mais do que me ama. E não, não sei de muitos detalhes. Me disseram que era mais seguro aqui do que lá, mas sem muitas explicações. Minha esperança era que você soubesse...” No fundo, Tatiana ainda ainda estava com medo de a mandarem de volta. Apesar de não ter constestado, é claro, a decisão dos pais, queria todos os detalhes para ter certeza que a sua permanência estava garantida. — Tudo bem, Alexei.” Respondeu, tantando evitar discussões, a voz um pouco instável. — Podemos conversar sobre isso mais tarde. Mas quero dizer que não pretendo desconsiderar sua opinião de forma nenhum, porque, de fato, você tem razão, mas eu não preciso de babá.” Tatiana decidiu que o melhor a fazer seria mudar de opinião. De alguma forma, tinha noção do quão crua ela era. Aquele não era o seu mundo, por razões alheias à sua vontade, não havia sido criada no meio de outro nobres e habituada aos sinais e costumes que indicassem hostilidade ou amizade. Mas também não queria ser limitada porque havia sido a sua vida inteira. — Alexei, querido, você foi o último a perceber que deveria ser assim.” A russa piscou para o irmão, dando de ombros enquanto levantava as sobrancelhas. Os dois sempre haviam sido uma dupla completa, onde um faltava ou outro supria as necessidades. Tatiana, ao mesmo tempo que se sentia segura por estar ao lado do irmão gêmeo no meio de tanta coisa nova, sentia-se também finalmente tranquila por poder ficar de olho nele porque sua lembrança de Alexei ainda era a de um adolescente frágil. — Meu Deus, eu achei que só iríamos brincar de tiro, eu não sabia que iriam ter prêmios de pelúcia!” A animação na voz de Tatya era quase palpável, enquanto os seus olhos estavam fixos nos prêmios, as mãos já seguravam a pistola de ar sem muita atenção.
magnxsklaus·:
@tatyaromanova
– Não é justo, eu sei. O azul ressalta a bela cor dos meus olhos, e não faz o mesmo pelos outros reles mortais. – Niklaus disse, se apoiando na parede ao lado de Tatya e cruzando os braços. Os dois estavam um pouco afastados de todo o movimento, próximos das mesas onde ninguém se sentava. – Mas não fique tão triste, eu te asseguro que você está tão bonita quanto possa parece sob essa luz. Tendo uma noite divertida? Uma das suas sobrancelhas se ergueu em questionamento.
Tatiana achou que, em Hyacinthum, não encontraria sequer uma alma conhecida. Os anos que passou no Caribe haviam minado seus relacionamentos sociais e, os poucos que havia mantido, havia feito via cartas. Estava, portanto, desligada para os rostos que pareciam ser todos desconhecidos. Tatiana não conseguia se concentrar em nenhum, a menos que fosse obrigada – Oh, querido, acho que vamos ter que inventar de fato um nome de cor nova para o reflexo que o azul dá para os seus olhos.” Tatiana revirou os olhos, sorrindo, em um tom de brincadeira sincera. Quando parou para, de fato, ver quem é que estava falando, Tatiana levou um susto. As feições lhe eram familiares e ela demorou algum tempo, os músculos do tensionados perto das sobranclehas, enquanto tentava descobrir o porquê. Claro, era Niklaus, um antigo amigo de Alexei - desde os tempos em que moravam na Russia - e seu também por tabela. – Niklaus? Meu Deus, quanto tempo, eu não te reconheci!” Estava animada, finalmente alguém além de Alexei que não lhe era um completo desconhecido. – Estou sim, um pouco perdida. Tudo é muito azul e muito novo. Mas vou entender como um elogio. Realmente essa luz é terrível, na luz ali da frente fica realmente muito melhor. E um pouco menos azul.”
flxrenc·:
o intuito era somente caminhar com tranquilidade por meio das pessoas, dispensando os convites para juntar-se a elas naqueles brinquedos infantis; não havia nada que a interessasse de fato, além de uma boa bebida ou uma boa companhia. no entanto, como se a vida estivesse disposta a tirá-la daquele caminho sereno, uma garotinha aparecera em seu caminho. a principio achou que a mesma estaria perdida dos pais, uma vez que os cabelos ruivos em nada lhe era familiar, mas logo a pequena começara a falar e florence irritou-se. a vontade que tinha era a de sair andando, ignorá-la por completo ou simplesmente chutá-la para longe; não tinha paciência alguma para lidar com crianças, tampouco encontrava-se em um humor perfeito para fingir sorrisos. no instante em que os lábios foram entreabertos e tinha a intenção de mandá-la calar a boca, alguém apareceu e intercedeu pela pequena. ❛ — florence. ela dissera para a outra sem também lembrar-se dela; talvez não a conhecesse. ❛ — será que pode pedir que ela vá embora? os pais devem está preocupados e eu estou ocupada, se me entende. não queria dizer que a criança estava a atrapalhando, mas talvez a outra tivesse entendido o recado.
Desde que saíra de Moscou, o seu contato com crianças havia sido muito restrito. Nos anos que passou no Caribe, conviveu aqui e ali com crianças caribenhas que vez ou outra cruzavam o seu caminho, mas de forma geral lembrava-se muito mais dos adultos. Na visão de Tatiana, aquilo era algo pavoroso. Havia sido uma criança com muitos amigos e, nos anos em que viveu em casa, uma adolescente muito querida pelos mais novos. Agora, adulta, gostava da ideia de tê-los por perto mesmo que não soubesse exatamente como se portar, como adulta, diante deles. Se não tivesse os poucos anos da adolêscencia para testemunhar a seu favor, pensaria que, talvez, a sua vontade de estar perto de crianças fosse um reflexo da sua falta de amadurecimento social. Mas, gostava de se agarrar à única prova que possuia para escantear esse tipo de pensamento. ❛ — Você ouviu a sua amiga Florence, seus pais devem estar preocupados. Você sabe onde eles estão?” Tatiana ainda estava agachada enquanto falava, mas resolveu se levantar e entregar a maçã caramelizada que havia pedido momentos atrás como prêmio de consolo para a garotinha. ❛ — Você pode levar isso para eles, tenho certeza que vão gostar muito de dividir com você.” Enquanto a pequena ponderava as opções, Tatiana voltou-se para a outra: ❛ — Florence? Esse nome não me é estranho, mas não me lembro de você, peço desculpas. Sou Tatiana, prazer.” Respondeu sorrindo e depois sobressaltando-se um pouco como se tivesse esquecido de algo. ❛ —Tatiana Romanova, perdão.” Mais satisfeita, relaxou um pouco, feliz por ter se lembrado a tempo do conselho da mãe de sempre se apresentar usando o sobrenome, afinal, ninguém ali a conhecia, Tatiana era quase como um fantasma.
TATIANA ALEKSANDEREVNA ROMANOVA && ALEXEI ALEKSANDEROVICH NIKOLAI ROMANOV — the russian twins.
Я был с тобой, пока мы не родились.
( I was with you before we were even born. )
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heirromanov·:
A personalidade de Tatiana soava exatamente como se lembrava, retirando mais um sorriso da face do russo que fazia questão de demorar-se em seu abraço. Anos separados, a intensidade da falta da Romanova era imensa: ela era a sua melhor parte, definitivamente. Ainda que estivesse prestes a conhecê-la de fato, não precisava de sua presença para ter certeza do que pensava. — Não subestime minha imaginação, Tatiana, você não faz ideia do quanto mentalizei você durante todos esses anos. A provocação era leve em seus lábios, mantendo seus braços ao redor da cintura de Tatya mesmo após colocá-la no chão. Não desejava afastar-se da gêmea ainda. No fundo, apesar de todas as camadas de gelo, deboche e arrogância, vivia em Alexei ainda uma parte de si que era extremamente dependente da família e em especial, de suas irmãs. Naquele momento, exibia toda a falta que sentira de poder apreciar a presença da irmã gêmea. — Eu só posso imaginar, o quão perdida você deve estar. Mas não se preocupe, eu posso ser o seu guia e mostrar-lhe as pessoas as quais você provavelmente deverá se aproximar e quais deverá a todo custo manter-se longe. Acho bom lembrá-la que nem todos serão seus amigos aqui. As palavras eram duras, mas eram verdades. Não podia evitar ou simplesmente ignorar tal informação, seria negligência de sua parte e de seu papel como irmão, ainda que nunca houvesse sido o melhor exercendo esse último, de fato. Romanov por fim depositou um tenro beijo na testa da gêmea enquanto a soltava para que pudessem se dirigir até a barraca de tiro ao alvo. Apesar de que o rapaz não excedia em habilidades físicas como lutas e esgrima por não ter podido treiná-las devido à sua doença, sua mira era exímia. Gostava de testá-la e via-a como talvez, sua única forma de poder atuar e atacar alguém se realmente chegasse à tal ponto. No entanto, não se tratariam de armas de verdade, era pura brincadeira e competição para que tirassem suas cabeças dos verdadeiros pesadelos. — Sim! Sim? O que andaram te ensinando no Caribe, Tatya? Minha irmã tornou-se uma guerrilheira enquanto esteve fora? Indagou-a com ironia em sua voz, enquanto passava um de seus braços pela cintura da russa para caminharem até o local. — Vamos lá, talvez consigamos algum souvenier da barraquinha.
Tatiana entendia bem qual era a sensação de tentar visualizar a família durante anos e não conseguir criar uma imagem clara. Sem nenhum contato físico com os irmãos ou com os pais gostava de imaginar se tinham cortado o cabelo, se ainda usavam as mesmas cores e tecidos de roupa, se ainda gostavam dos mesmo pratos e das mesmas bebidas. Apesar de passar horas com muita frequência imaginando como estariam os seus familiares enquanto ela estava longe, em nenhum momento conseguia imaginá-los mais velhos. Havia tomado um susto quando pisou em Moscou e se deparou com a mãe. As novas rugas, antes inexistentes, marcavam pontos claros do rosto e as feições lhe pareciam muito mais aristocráticas do que de costume. Mas é verdade também que Tatiana não conseguia dizer se o seu estranhamento era proveninente do envelhecimento da mãe - que, naturalmente acentuava os ângulos do rosto à medida em que se perdia anos de vida - ou do seu poquíssimo contato com feições russas em anos. — Oh, querido, mas a culpa é completamente sua. Deveria ter ido me visitar mesmo se não tivesse permissão. Um pouco de bronzeado ia te fazer bem.” A russa riu, confortável com a presença do irmão gêmeo mesmo depois de tantos anos separados. Por alguns segundos preocupou-se com a sua reação ao reecontro com Olga, Maria e Anastasia. Não sabia dizer se recuperaria a naturalidade de relacionamento com elas tão rapidamente. Tatiana lembrava-se de achar graça de quando Elizaveta dizia que gêmeos eram como Lado e Lada¹, dois lados de uma mesma moeda. Afinal, sempre havia se entendido como uma persona independente. Mas,a reencontro que havia evidenciado a união e aparente iquebrável dinâmica entre ela e Alexei a havia feito reconsiderar a sua interpretação da visão mística que a tutora tinha sobre ela e o irmão. — Não se preocupe, Alexei! Eu sei me virar sozinha. Eu sei que você tem muitas obrigações, não precisa se desprender para me acompanhar quando eu posso ler um mapa sozinha.” Respondeu, não dando o braço a torcer e tentando negar o seu claro desocnhecimento da geografia de Hyacinthum e dos seus perigos. — Quase isso, mas sem toda a emoção. Os tutores que foram comigo para o caribe me ensinaram algumas coisas de trinamento militar. E algumas técnicas que nunca aprenderíamos na Rússia, como pesca com arpão.”
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